Uma questão de bricolage

Vários blogs portugueses, como, por exemplo, o LCX, referem a grande semelhança de “aspecto” que existe entre o novo layout do Sapo.pt e o (não tão novo assim) aspecto gráfico do Yahoo.com.

Este será porventura um daqueles casos em que, sem grande margem para dúvidas, o termo “plágio” não se aplica. As parecenças são, de facto, evidentes, mas não parece sequer imaginável que alguém pudesse ser tão “distraído” (ou estúpido, o que, no caso, seria o mesmo) que chegasse ao ponto de se “inspirar” num serviço tão conhecido como a Yahoo.

Aliás, o portal Sapo indica todas as ferramentas utilizadas para a produção do seu novo visual:

vi, firefox+extensions, textmate, bricolage, lightttpd, php5, memcached, mysql, linux, libsapojs, prototype, osx, dreamweaver, sshd, rsync, curl, trac, svn, xcache, and many more, mostly opensource software” (ver código fonte da página).

Dos referidos, o Bricolage, nomeadamente, apresenta soluções completas de CMS (content management system, sistema de gestão de conteúdos); a partir de templates (modelos) de páginas e de módulos aplicativos, basta modificar algumas definições de cores e de tipos, por exemplo, mais a selecção e colocação daqueles módulos e componentes, para ter um site completo e integrado em tempo mínimo, com poucos ou nenhuns custos de execução.

É muito possível que a própria Yahoo tenha antes utilizado as mesmas ferramentas e, portanto, dado que a gama de modelos disponíveis não é tão diversificada quanto isso, o aspecto final das suas páginas acaba por se assemelhar a dezenas ou mesmo centenas de outros sites, institucionais, empresariais ou de qualquer outro género. E também pode ter sucedido que, pelo contrário, a Bricolage se tenha “inspirado” no visual (e nas técnicas formais) da Yahoo para produzir os seus modelos…

Seja como for, este tipo de semelhança – a níveis de aspecto gráfico, de disposição das páginas e de arrumação de módulos – não deve ser levado à conta de puro plágio; quando muito, ter-se-á tratado de alguma pressa em apresentar serviço, sem cuidar de verificar aquilo que já existia.

A famosa lei de Lavoisier sofre ligeiras inflexões neste meio virtual. De facto, ao contrário do que sucede na Natureza, na Internet, alguma coisa se cria, quase nada se perde e, principalmente, muito se transforma. O problema é que, por vezes, não se transforma o suficiente.

Parece ser esse o caso do novo “look” do portal Sapo. Não é lá muito novo.

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