Toque a rebate

O sino da igreja tocava a rebate e toda a gente acorria. Velhos tempos. Quando alguém da aldeia morria, se a aldeia estava em perigo, se algum aldeão se encontrava em dificuldades: toque a rebate. Bons, velhos, honrados tempos.

Onde isso já vai. Agora, é cada um por si. Acabou-se o toque a rebate. A aldeia é a mesma, os aldeãos são iguais, simples seres humanos. Mas os sinos não dobram agora como soía. Os sinos não dobram agora nunca. Rachou-se o bronze. Partiu-se o badalo. A corda, na qual se dependurava o primeiro voluntário que acorresse, essa corda desapareceu.

Tempos velhos. Tempos de velhos jovens, tíbios, mesquinhos; já nada ressoa em peito algum. Gente pequena. Gente por quem os sinos não dobrarão também jamais.

Uma tristeza que se replica uma e outra vez, abafada, amortalhada com o pano imenso da cobardia.

E Deus mudo, mas sempre à escuta. A Sua vingança não será terrível. Nem agora nem nunca. Deus tem muito mais o que fazer, por certo, do que ralar-se com vis defuntos.

26.02.07

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