B.S.I.: Blog Sob Investigação

Hello,

Your blog has been reviewed, verified, and cleared for regular use so that
it will no longer appear as potential spam. If you sign out of Blogger and
sign back in again, you should be able to post as normal. Thanks for your
patience, and we apologize for any inconvenience this has caused.

Sincerely,
The Blogger Team

1. Em 14 de Janeiro de 2002, criei um blog no endereço http://lorosae.blogspot.com.
2. Algures em Março ou Abril de 2007, este endereço “desapareceu”. Qualquer tentativa de acesso passou a dar “erro 404”, ou seja, “not found”.
3. Quando dei conta da situação, enviei mensagem por formulário ao “host” (Blogger/Blogspot), perguntando o que se passava.
4. A resposta chegou em 14 de Maio, por e-mail, e é aquela que está ali em cima.
5. Nesta resposta, a rapaziada do “The Blogger Team” esqueceu-se de referir que, entretanto, o meu blog tinha mudado de endereço (passou a http://lorosae1.blogspot.com), o que implicava ter de mudar todas as referências internas (as absolutas) e publicar tudo de novo, sem qualquer possibilidade de reaver o endereço original e tendo, implicitamente, de mudar também de “template”.

Enfim, uma trapalhada imensa que implicou uma insana trabalheira. E porquê, afinal, tudo isto? Como é possível que um blog sobre Timor, ainda para mais semi-abandonado, possa ser considerado como “potential spam”?

Pois, é muito simples. Uns tempos antes de aquele meu blog ser considerado como “spam”, tive a estúpida ideia de detectar e listar alguns dos blogs portugueses cujos endereços tinham sido sequestrados por “spammers”; publiquei essa lista aqui, no Apdeites, e – sabendo que um endereço não pode ser “reciclado” por outrem – enviei cópia dessa lista para a Blogger. E então o que fizeram aqueles ricos meninos? Pois bem, nada e tudo: quanto aos blogs sequestrados, aqueles que apenas contêm e servem para “spam”, não fizeram absolutamente nada; quanto a um dos meus blogs, já a coisa foi diferente, fizeram tudo, ou seja, pura e simplesmente cancelaram-no. Não são simpáticos? Um monumento de competência, como se vê, estes gringos.

Mas o motivo para me lixarem o blog bem pode ter sido outro, completamente diferente; existe uma coisinha, na barra de topo dos blogs alojados em Blogspot.com, que permite liquidar seja que blog for, com um módico de maçadas: bastam uns quantos clicks no botão “Flag”. Pronto. Danou-se. Primeiro, os pressurosos e rapidíssimos serviços fecham o endereço com aquilo que se presume ser “objectionable content” e depois, quando tiverem tempo e/ou estiverem para aí virados, irão verificar a tal “objectabilidade” dos conteúdos; caso tal se verifique, o endereço finou-se de vez; caso contrário, segue mensagem de desculpas e o blogger que se amanhe a reconstruir aquilo tudo, num endereço “quase” igual, vá lá, que sorte, assim só perde uns meses de trabalho e uns quantos milhares de “links” e de conteúdos indexados.

A explicação para estes procedimentos levezinhos está escarrapachada na respectiva folha de couve:
“For more serious cases, such as spam blogs or sites engaging in illegal activity, we will continue to enforce our existing policies (removing content and deleting accounts when necessary).”

Portanto, bastou uns quantos maduros carregarem no botãozinho, uma série de vezes… e pronto, lá está, este blog já era. Primeiro apaga-se, depois se vê. Isto é que é simplex, hem, simplex a valer!

Vem esta história a propósito de um novo “serviço” que (evidentemente, ao abrigo dos direitos individuais previstos na Constituição da República Portuguesa, aqui expressamente e para o efeito invocados) me parece ser, isto é, na minha opinião, mais um instrumento de cariz repressivo e persecutório. Trata-se de um serviço criado sob o alto patrocínio do Governo português (e o não menos alto da União Europeia) que “dá pelo nome” de Linha Alerta e tem por “apelido” InternetSeguraPontopt.

Linha Alerta

Para aqueles, mais distraídos ou, quiçá, comprometidos com o sistema securitário, para os que se vão entretendo a cuspilhar para o ar ou a assobiar para o lado, aqui está a demonstração – cabal, prática e para mais institucional – de que a Internet, tal como a conhecemos, espaço de liberdade de expressão e criação, pura e simplesmente acabou. Agora, é perfeitamente possível a qualquer anónimo denunciar qualquer conteúdo. Note-se bem: não precisa de se identificar e tampouco de sustentar qualquer das suas “denúncias”. Qualquer anónimo pode agora passar a ocupar os seus ócios, alegremente, entretendo-se a “denunciar” os blogs, os sites, as páginas, os autores que lhe der na real gana; posteriormente, as autoridades agradecidas investigarão, “caso a caso”, ao que dizem.

Para aqueles que fingem, hoje como ontem, que a autoridade e a lei não funcionavam antes, no espaço cibernético, e que, portanto, se justifica a sanha securitária, pois bem, agora devem estar muito satisfeitos, eis o vosso instrumento de perseguição, a vossa central de coscuvilhice, a vossa polícia virtual, a vossa rede mundial de bufos, ratos e fuinhas. Em todo o seu “esplendor”. E sem ofensa para as espécies animais referidas como adjectivos.

Este novo “serviço” apresenta-se sob aquilo que é (repito, na minha opinião, invocando de novo as prerrogativas legais que me assistem) um engodo: o combate à pedofilia, à xenofobia e à violência, algo que toda a gente – obviamente – pretende combater e erradicar. Porém, já que se não resumem a esses três os males da humanidade, e como não são nem rigorosos nem absolutos os conceitos (de xenofobia e de violência), nesta central de denúncias anónimas não tardarão a chover milhares, milhões de “acusações” (anónimas, repita-se) e abrir-se-ão assim as portas a toda a sorte de injustiças, ataques soezes, vinganças mesquinhas, delação cobarde. Enfim, o que se prefigura nisto tudo é um arraial de “vigilantes”, solitários ou em matilha, motivados apenas pela sua própria morbidez, ou mediocridade, ou inveja, ou ressaibo. Um paraíso lúdico de inimputabilidade e de irresponsabilidade para a mais retinta imbecilidade e a mais pura maldade.

Para aqueles que adoram desmontar hipotéticas teorias da conspiração, têm agora aí a prova: afinal, havia de facto muitas teorias, mas também havia – de facto – conspiração. Por fim materializada, legalizada, oficializada e gozando, ainda por cima, do beneplácito da esmagadora maioria da população, ou seja, aquela que não tem nem quer ter nada a ver nem com a Internet nem, de resto, com coisa alguma que perturbe a sua suave vidinha, ou que obrigue a pensar, e assim.

Qualquer um pode ser denunciado. Qualquer coisa pode ser denunciada. É necessário invocar direitos constitucionais para exercer direitos constitucionais. Quando se emite uma opinião, é obrigatório declarar que é uma opinião que se emite. Qualquer pessoa pode encomendar, pagar, traficar, receber e trespassar denúncias. Chantagem. Pressão psicológica. Assédio. Terrorismo(*).

Do Estado, com o Estado, pelo Estado. Eis o “admirável” mundo novo: alerta.

(*) Evidentemente, não existe a figura legal da “denúncia caluniosa” para denunciantes ou denúncias sob anonimato. Da mesma forma que não estão previstas formas legais de ressarcimento, compensação e indemnização por perdas e danos, nas mesmas circunstâncias.

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