Dá-me lume

Primeiro, pensei em digitalizar aquilo tudo, as 128 páginas*, passar a OCR, separar citações de texto original, contar automaticamente as duas coisas, calcular percentagens em relação ao total, por capítulo, por autor, por fonte. A ver o que dava. Assim por palpite ou, mais tecnicamente, por estimativa, a coisa rondaria certamente os 90%… para mais, não para menos.

Depois, antecipando a trabalheira insana que tal tarefa daria, pensei que talvez fosse mais prático assinalar a lápis, nas margens, com umas chavetas e uns sublinhados, as linhas, os parágrafos, as páginas inteiras que foram literalmente copiadas pelo autor da brincadeira. Assim, poderia chegar a uma estimativa relativamente correcta e muito menos aborrecida. Seriam na mesma os tais 90%, ou coisa que o valha, isso até “a olho” se vê logo, mas ainda faltaria contabilizar aquilo que, dos restantes 10%, não foi literalmente copiado mas “apenas” parcialmente; ou ainda, o pior de tudo, somar as coisas que existem aqui no Apdeites, unicamente, em mais lado algum**, e que foram “aproveitadas” para encher umas paginazitas valentes.

Por fim, decidi que ainda isso seria trabalho a mais, desperdício de tempo e feitio, um exagero de causa por tão ruim motivo. Se calhar, mais valeria uma simples cartinha electrónica, com original por correio azul e cópias para o meu advogado e para a Editora.

Mas dizendo o quê, valha-me Deus?! E como? Como é possível discorrer calma, educada e civilizadamente com gente que tais subprodutos produz? E para quê, de resto? Para quê, se em Portugal – antes como hoje – as instituições apenas servem, com eficácia e presteza, para perseguir as pessoas de bem e para punir quem não tem “meios” para se defender? E para quê, de resto, se quem realmente manda neste país, inclusive nas mentalidades, nos comportamentos, na opinião, são os mesmos interesses instalados, os mesmos grupos de influência, as mesmas matilhas de privilegiados de um sistema que promove o parasitismo, que enaltece a “esperteza” saloia, que protege a mediocridade?

Bem entendido, este é apenas mais um daqueles casos em que, para quem trabalha e tem algo de útil para fazer, é bastante mais económico e racional deixar correr o marfim, como se costuma dizer. É melhor não se ralar a gente em demasia. Portanto, e apenas para que não sobrem pontas soltas, se calhar o melhor é resumir a coisa à sua essência, numa única frase, com um mínimo de palavras, algo que não deixe margem para qualquer dúvida no espírito mais hesitante, na mente mais ingénua, na mais limitada das caixas cranianas.

O livro Blogues Proibidos utilizou, para fins comerciais, no primeiro dos seus seis capítulos, isto é, em 23 de 118 páginas, 90% de texto copiado sem autorização** dos legítimos autores (os identificados), sendo que 99% dos materiais de consulta provieram de um único site***, o Apdeites.

Quanto ao resto, quanto aos outros autores, quanto aos outros “capítulos”, poderia dizer que isso não me interessa, dar uma de desprezo, mas estaria a faltar à verdade. Interessa, sim. Apenas não é para aqui chamado. Cada qual com a sua.

Cada qual com os seus 7% de coisa nenhuma.

* Não são 128. Descontando a página de cortesia, o índice, a ficha técnica, a Introdução e as páginas em branco, o total é de 118 páginas.
** Não existem sequer, a não ser por excepção, endereços dos blogs e sites “citados”.
*** O capítulo sobre o blog FreedomToCopy foi compilado com materiais – e não apenas conteúdos – que existem unicamente no Apdeites, incluindo cronologia, selecção de notícias e conclusões.

3 comentários em “Dá-me lume”

  1. O “pingback” anterior, nestes comentários, corresponde a um “post” que, pelos vistos, foi apagado na fonte ou, dito de outra forma, não está visível no momento em que escrevo esta nota, no blog. No entanto, o mesmo está disponível no “feed” daquele blog.

    Como a seguir se transcreve.

    São de ler, os seguintes textos. E retirar as conclusões. Eu gosto particularmente da citação do título do conto o velho, o rapaz e o burro, sendo que suspeito ter do título uma leitura ligeiramente diferente da do Grande Defensor Das Classes Censuradas E Oprimidas.
    Contra, onde Balbino Caldeira, conhecido entre outros dotes pelo particular afã em publicar “num blogue” um verdadeiro corta-cola de jornais, faxes e documentos confidenciais, acusa Pedro Fonseca de lhe ter copiado sem autorização textos do blogue, pois precisamente (fora a auto-vitimização do costume). Conseguiu mesmo a notória proeza de, a propósito, escrever isto: “não é legítimo, nem sequer creio lícito, usar extractos longos do trabalho publicado de outrém”. Ou seja, Balbino Caldeira confessa-se autor de um ilícito, uma vez que, vezes sem conta, reproduziu ipsis verbis, sem consentimento, notícias inteiras (voltarei a isto, oh oh).
    A resposta a ABC por causa dos Blogues Proibidos, de Pedro Fonseca, que precisará de tudo menos da minha solidariedade pública, sabe-se defender muito bom sozinho, obrigado.
    A excrescência intitulada dá-me lume, da autoria de outro dos Grandes Defensores de Algo, no caso dos direitos de autor (sendo aliás por isso que no seu blogue publica quase diariamente conteúdos produzidos por outrém, é sem dúvida para os promover e a todos pediu conscienciosamente autorização de reprodução), João Pedro Graça (voltarei a isto, oh oh).

    (*) e para a liberdade de expressão ameaçada

    De facto, reconheçamos, o autor do Apdeites também transcreve excrescências, como é o caso paradigmático deste naco nauseabundo defecado por Paulo Querido, esse cagão-mor da blogosfera.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *