Beating around the Bush

A “dica” chegou via caixa de comentários, no post anterior: com link para um vídeo na YouTube, uma frase e uma pergunta: “Isto ainda não foi notícia em Portugal. Porquê?”

Realmente, não é todos os dias, por assim dizer, que um deputado do Partido Democrata americano acusa o Presidente e a sua equipa governativa de crimes e conduta incorrecta, de quebra sistemática de inúmeros preceitos constitucionais e de manifesta incapacidade para a detenção do alto cargo que presentemente ocupa, propondo por isso não apenas a sua destituição imediata como a sua responsabilização, pessoal e institucional, perante a Justiça norte-americana.

O discurso de Dennis Kucinich termina com as seguintes declarações:

«In all these actions and decisions, President George W. Bush has acted in a manner contrary to he’s trust as President and commander-in-chief, and subversive of constitutional government to the prejudice in the cause of law and justice, and to the manifest injury of the people of the United States. Therefore, President George Bush, by such conduct, is guilty of an impeachable offence warranting removal from Office.»**

São 35 os itens de acusação que Dennis Kucinich leu, perante a “House of Representatives”, no passado dia 9 de Junho (ver sinopse em The Raw Story); indicando por sistema qual ou quais dos artigos da Constituição americana foram infringidos por qual ou quais acções da administração americana, este ex-candidato presidencial enumera exaustivamente as razões que sustentam o seu pedido de “impeachment“: desde a fundamentação (fraudulenta, a seu ver) da guerra do Iraque até ao atropelo dos direitos políticos e civis de cidadãos – americanos e estrangeiros -, passando por (alegadas) fraudes na obtenção de fundos e ligações (comprovadamente) ilegais com organizações extra-governamentais, há de tudo… em quantidade e em qualidade. Por muito (mas mesmo muito) menos do que isto, caíram da cadeira, em sentido figurado, Bill Clinton e Richard Nixon.

E, de facto, a pessoa que aqui deixou o tal comentário tem toda a razão: nenhum canal de televisão, em Portugal, referiu o assunto; em jornais portugueses, a coisa teve pouquíssima (ou nenhuma) repercussão; nos blogs de Língua portuguesa, brasileiros incluídos, apenas seis referências (2 em blogs portugueses).

Bem, primeira forma, a pergunta será então rigorosamente a mesma: porquê?

** Transcrito “de ouvido”, sem texto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *