O sexo dos ascos

Vai por aí mais uma grande polémica, aposto que muito interessante para os próprios, sobre a homossexualidade e a sua relação com a infecção por HIV: dizem uns que existe uma relação intrínseca, quando não directa, entre a propagação da SIDA e os chamados “comportamentos de risco”, estando nestes, obviamente à cabeça, incluída a homossexualidade; dizem outros que não é bem assim, ou muito pelo contrário, uma coisa não tem rigorosamente nada a ver com a outra, a “praga do século” ataca indistintamente tanto os homo como os heterossexuais, tudo depende de os comportamentos individuais serem “de risco” ou não serem “de risco”.

Este tipo de discussões, com toda a modéstia o confesso, baralha-me completamente. E também me não cairão os parentes na lama, espero, se confessar que não entendo quase nada do assunto, de mais a mais quando ele é – como mandam as regras da guerrilha intelectual – apresentado com toda a sorte de argumentos inabaláveis, com grande profusão de citações praticamente indecifráveis de autores que são por regra lixadíssimos de encontrar nas livrarias.

Claro que nenhuma das partes em contenda tem a mais ínfima intenção de esclarecer seja quem for sobre seja o que for, como também é normal sempre que a intelectualidade arma peixeiradas, mas com isso parece que ninguém se rala; o que interessa, agora como sempre, não é ter razão, é ganhar a discussão – ou, em não sendo tal coisa possível, como nunca é, ao menos que o chorrilho de argumentos e a concentração de citações dê para fazer número, conquistar adeptos, ganhar na contagem de espingardas a supremacia moral que a realidade persiste em negar a ambos os campos.

Mas pronto, vá lá, isto é preâmbulo; a questão reside, cá p’ra mim, em que também eu tenho uma opiniãozinha sobre o assunto e que, por conseguinte, aqui vai disto.

Aquilo que distingue, cá na minha, um heterossexual de um homossexual, é essencialmente a ordem dos factores (o primeiro é alguém que faz sexo com pessoas do outro sexo, o segundo é um sexo que “faz” pessoas do mesmo sexo). Sem ser essencialmente, o que os distingue e separa, tanto do ponto de vista intelectual como do outro, é a finalidade da coisa: o normalóide visa o prazer e, quem sabe, constituir família, o paneleiróide visa o prazer e, quem sabe, espremer borbulhas ou passar umas roupinhas a ferro, ou assim.

Claro que estes dois feitios, assim tão prototípicos e demarcados, devem muito pouco à compreensão mútua, e ainda menos ao mais elementar senso comum. A mais recente polémica sobre se a SIDA passa ou não passa de valente paneleirice, surge, portanto, neste contexto de embirração: eles dizem que sim, senhor, a culpa é das bichas; “elas” que não, nunca, nunquinha, olha que horror, ai, então não querem lá ver estas malucas. Quer dizer, não é exactamente nestes termos que se esgrimem “argumentos”, de um lado e de outro, mas anda lá perto.

Ao fim e ao cabo, convenhamos, se não existisse nenhuma relação de causa e efeito entre a propagação da SIDA e a homossexualidade, então seria incompreensível a obsessão dos homossexuais em tentar “provar” o contrário. Não é simplesmente por os homossexuais o serem que essa propagação se torna exponencial; é pelo que isso implica; homossexualidade não é apenas uma “preferência” ou uma “opção” sexual, é primordialmente um modo de vida (tipicamente promíscuo), quando não um objectivo em si, promovido enquanto valor “cultural” e “existencial”, com uma “ética” e uma “estética” definidas. Não existe “activismo heterossexual”, mas existe – e de que maneira – o chamado “activismo gay”. Já nas fobias os campos estão razoavelmente equilibrados, se considerarmos que sobrevive um homofóbico por cada bando de heterofóbicos, o que, mesmo assim, não deverá (não deveria) justificar os actos de violência praticados por uns e por outros.

Façamos aqui uma pausa ligeirinha e, com um pouco de silêncio, ouçamos por momentos quem sabe do que fala:

«In ‘The Naked Man: A Study Of The Male Body’, Desmond Morris questioned why “a certain percentage of adult human males, with or without the approval of society at large, find members of their own gender attractive.”
His answer is that it happens for social reasons, therefore discrediting any “gay gene” theory.
(…)
He concluded that men are “made gay” because they keep juvenile characteristics when they become adult, what is known as “neoteny.”
The 79-year old zoologist and anthropologist also said that gay men tend to be more creative than heterosexual as “the playfulness of childhood is continued into adulthood,” which he claims explain why so many artists and creative people are gay.
» (Pink News, “Desmond’s new theory on causes of male homosexuality”)

Ora bem, como se vê, até na imprensa do ramo (Pink? Pink?? PINK???), a coisa não é genética coisa nenhuma – é comportamental. O velho Morris não é nenhum aldrabão, valha-me Deus. O gajo estuda macacos, especializou-se mesmo em macacadas, nem de propósito, e não é cá de tretas e de citações farsolas. Isto a gente vai ao Desmond e pimba, olha, cá está, eu bem dizia. Às vezes até chateia, o raio do homem.

Pois cá está, então: neotenia. Não confundir com ténia, nem tem nada a ver (apesar da curiosa coincidência entre “bicha” e “bicha solitária”), mas isto explica uma data de coisas, principalmente as fundamentais, aquelas que para o caso mais interessam: a homossexualidade resulta de um processo de retardamento orgânico (biológico), ainda que socialmente motivado, que provoca o prolongamento indefinido de um estado de infantilidade comportamental. Daí a necessidade que permanentemente manifesta, a bicha, de estar alegre (gay) e de seguir “brincando” (adoram “brincar”) com os outros “meninos”, como se nunca tivessem saído do recreio da escola ou do parque infantil lá do bairro.

Como este afã pela brincadeirinha – permanente e vitalícia – não significa exactamente andar por aí a jogar às escondidas, a saltar ao eixo ou a trepar às árvores, o homossexual típico faz apenas aquilo de que mais gosta (na mesma jogar, saltar e principalmente trepar) com o maior número possível de amiguinhos com gostos semelhantes. Facilitado tudo isto, mormente nas sociedades industrializadas, pela maré de tolerância social generalizada – quando não pela tremenda onda de aplauso e de promoção da “homocultura”, desde os estabelecimentos especializados ou apenas a eles destinados até às ridículas e com muitas fitinhas “marchas do orgulho gay”.

E é assim, cantando e rindo (muito), e brincando que nem uns danados, que as coisas chatas sucedem. Como sabe perfeitamente qualquer bacano que já foi jovem e aquilo era todas as que mais perto se chegassem, e as de mais longe também, não custa nada – aos 15, aos 20, aos 30 – apanhar algo de maçador ou de extremamente chato nas chamadas partes baixas. Bem, agora imagine-se o que seria se a gente aguentasse a pedalada – sem casar, sem ter filhos, sem os achaques da idade – até aos 40, 50, 60, mais tarde até.

A adolescência perene (outra forma de definir “neotenia”), o que implica promiscuidade, quando em meio social propício e associada a uma conjuntura promotora do espírito de grupo, conduz inelutavelmente a relações homossexuais múltiplas, sistemáticas e indiscriminadas; logo, e daí, a consequente e natural propagação de doenças sexualmente transmissíveis, das quais a SIDA é, por assim dizer, o expoente máximo, a mais mortal, a mais trágica. Até porque, fatalmente, muitos milhares de homossexuais casados (por exemplo) irão infectar mulheres heterossexuais que, por seu turno, poderão infectar outros “parceiros”, e assim sucessivamente até se chegar aos números astronómicos actuais.

Recusar esta evidência é tão útil à causa (a causa é que não sejam infectadas tantas pessoas quantas seja possível evitar que o sejam) como cuspir para o ar ou assobiar para o lado. É absolutamente estúpido, em suma. E não ajuda nada… nem ninguém, hetero ou homossexual, casado ou solteiro, velho ou novo, completamente estúpido ou absolutamente brilhante.

Começar por não chatear as pessoas, isso é que sim, seria uma grande ajuda para a dita causa. E isto de chatear vale para os dois lados, salvo seja: para os esgrimistas hetero, que deixassem de chatear com as suas teorias de supremacia racial e com a sua caça meramente argumentativa da “culpa” dos “outros” em função de concepções hipermoralistas e rançosas; para os alegretes de rosinha e com fitinhas, que deixassem de chatear as pessoas de bem em geral e os seres-humanos em particular com os seus patéticos panegíricos da função panasca, com os seus argumentinhos lamechas e peganhentos, com a sua arrogância insuportável de quem se acha melhor do que os “outros” por ter maneiras esquisitas – tudo coisas, em suma, que bem poderão enfiar no sítio de que mais gostam.

2 comentários em “O sexo dos ascos”

  1. Creio que o rótulo do foco epidémico do VIH/SIDA ser nos homossexuais se deve ao facto dos primeiros casos relatados terem sido com homossexuais, isto, se não estou em erro, na década de 80, principalmente nos EUA. De para lá cá tem-se observado que não é bem assim, antes pelo contrário, o número de heterossexuais infectados tem aumentado exponencialmente, tanto em países subdesenvolvidos como nos desenvolvidos (o Instituto Ricardo Jorge tem online esses dados sobre Portugal e a OMS a nível mundial).

    Digamos que nem todos os homossexuais são bichas, histriónicos ou têm maneirismos, da mesma forma que nem todos os heterossexuais se confinam a uma parceira sexual, coçam a micosa em público ou palitam os dentes com a unha. São estereótipos.

    Talvez um dia surja um estudo que analise as representações da “paneleiragem” e da “fufalagem” entre indivíduos heterossexuais. Quase que aposto que a “fufalagem” resvalaria para a erotismo e a “paneleiragem” para o grotesco.

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