Livraria Buchholz

AVISO

Este post contém linguagem e imagens (ou cenas) que poderão ser consideradas como chocantes ou inconvenientes, pelo que não é aconselhável a menores de idade ou a pessoas mais sensíveis em geral e mais peneirentas em particular.

Confesso que ao princípio ainda pensei em ignorar a moça. Porém, como não é propriamente todos os dias que alguém me insulta, ou seja, como não estou habituado a levar desaforos para casa, pronto, eu já sabia, a coisa foi fervendo, fervendo, fervendo, e cá está, pum, saltou-me a tampa.

Que me chamem nomes, alguns mais aborrecidos do que outros, uns mais asininos, outros mais filhos-da-puta, bem, quanto a isso nada a fazer, é chato mas tem de ser, faz parte desta coisa por vezes aborrecidíssima que é estar vivo. E, de facto, até hoje já me chamaram tudo e mais alguma coisa, imbecil, cretino, drogado, espertalhão das dúzias, parvo de todo, enfim, não vale a pena refocilar em epítetos, são os mesmos que toda a gente conhece e todos eles se aplicam a quem os enfiar, à laia de carapuça.

Já houve mesmo quem me chamasse coisas tão desagradáveis como “comunista” ou insultuosas como “cabrão”, para dar apenas dois exemplos daquilo que geralmente se considera como ofensa a merecer porrada rija. Esse tipo de “bocas” nem merece resposta – já que hoje em dia é ilegal abater a tiro os filhos-da-puta – e, a bem dizer, por conseguinte, que se fodam.
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O publico

«Por toda a parte, em livros, em jornaes, em discursos, em escriptos de todo o genero, abusa-se muito da palavra publico para designar a multidão orgulhosa, auctoritaria, quasi sempre imbecil, que tem tantas linguas e tão poucas cabêças, tantas orelhas e tão poucos olhos, e que, geralmente, os que para o seu juizo e o seu conceito appelam, tratam do mesmo modo que fazem aos tolos cheios d’importância, a quem affagam em voz alta e que, em voz baixa, desprezam.

Temos, felizmente, na nossa lingua, uma palavra muito mais propria para designar essa turba; temos a palavra vulgo. Esta, na grande maioria dos casos, é a que devia ser empregada.

Quer no louvor, quer no vituperio, o que as mais das vezes o orador, o escritor, o actor, o artista encontra a julgar-lhe a obra, não é o público; é a opinião do vulgo. E, d’uma á outra, é profunda a differença.»

Fernandes Costa (270, Estrada de Bemfica, Lisboa), Almanach Bertrand, 1918

Inquéritos: arquive-se

O novo Tratado Europeu deve ir a referendo?
Answers Votes Percent
1.
Sim 603 65%
2.
Não 176 19%
3.
Não sei 23 2%
4.
Quero lá saber 62 7%
5.
Não percebi a pergunta; importa-se de repetir? 69 7%
Total Votes: 933
Brasileiros na Selecção Nacional de futebol?
Answers Votes Percent
1.
Sim 184 21%
2.
Não 438 51%
3.
Apenas Deco 43 5%
4.
Deco+Pepe 90 10%
5.
Deco+Pepe+Liedson 83 10%
6.
Deco+Liedson 15 2%
7.
Pepe+Liedson 7 1%
Total Votes: 860

Assim com’assim, já não há nada a fazer nem quanto a uma coisa nem quanto à outra: o Tratado Europeu não foi nem vai a referendo e os jogadores brasileiros foram, vão e irão à Selecção Nacional de futebol. Portanto, arquivem-se.

Sendo evidentemente duas matérias com valor, importância, mediatismo e relevância completamente diferentes, ainda assim não deixam de ser curiosos os resultados… de ambos.

Se dependesse da vontade de uma “pequena maioria” (51%) dos visitantes do Apdeites, pelos vistos, nunca jogador algum estrangeiro poria jamais os pés na Selecção Nacional de futebol. Ao menos nessa, digo eu, porque em muitas outras modalidades é aquilo que se vê – e aquilo que se vê é já suficientemente triste para que não tenhamos ilusões: se a ideia (a fingir, evidentemente) era que Portugal ganhasse maior projecção internacional na área desportiva, os planos saíram “ligeiramente” furados; se o que se pretendia (evidentemente, a fingir) era que Portugal ganhasse títulos internacionais, por via da “nacionalização” à matroca de desportistas estrangeiros, a verdade (e a consequência) é que Portugal não ganhou absolutamente nada com isso, em modalidade colectiva alguma; se aquilo que se pretendia não era exactamente ganhar títulos mas, ao menos, promover, desenvolver e tornar mais competitivas essas modalidades, então também não deixará de ser ao menos discutível se isso se conseguiu ou não e se ao menos existirá alguma relação de causa e efeito entre uma coisa e outra; ou se, já agora, em todos os desportos colectivos, incluindo o futebol, se ao invés de progresso e desenvolvimento não terá havido simplesmente retrocesso, com milhares de jovens portugueses a verem-se preteridos nas escolhas dos diversos seleccionadores e com outros tantos milhares a sequer terem uma oportunidade para demonstrar o seu valor, fechando-se-lhes sucessivamente as portas em favor de hipotéticos “valores” estrangeiros nacionalizados à pressa.

Uma coisa é xenofobia, um termo de eleição para as habituais campanhas de intoxicação esquerdista, outra radicalmente diferente é a chamada crueza dos factos. Como uma coisa é a vacuidade politicamente correcta e outra, também radicalmente oposta, é a defesa dos reais interesses nacionais. Preferir estrangeiros, neste caso, apenas porque sim, porque é fino e porque supostamente revela grande largueza de espírito, quando se verifica na prática ser essa opção completamente errada e prejudicial, para o país e para os atletas nacionais, o que essa preferência revela, isso sim, é uma enorme, esmagadora, absoluta, gigantesca estupidez. Não admira por isso que, entre os inúmeros (brasileiros e portugueses) que “votaram” a favor ou contra, se tenha registado um quase empate técnico, com ligeira supremacia para o “Não”.

Quanto ao outro inquérito, que, repita-se, não pode nem deve ser metido no mesmo saco (de bolas de futebol), há uma cifra clarinha como água: 65%. Nesta “votação”, comparativamente com a outra, terá tido alguma (muita) influência o facto de não ter havido brasileiros a meter a sua mais do que óbvia colherada: quase dois terços dos “votantes” optaram por um Tratado Europeu sujeito a referendo nacional. Sem margem para dúvidas, portanto. O que pode significar uma de duas coisas: ou os visitantes do Apdeites são na sua maioria perigosíssimos reaccionários e direitistas ou, por mais que isso custe a engolir aos suspeitos do costume, de facto a maioria da população portuguesa preferiria ser consultada tanto sobre este Tratado em concreto como, presume-se, sobre qualquer outro instrumento de Estado que possa interferir no seu quotidiano, na sua vida, nos seus direitos e deveres, na sua cultura e nas suas tradições.

Sabendo, como bem sabemos, que todos os inquéritos e sondagens sobre este tema, realizados por instituições ou por órgãos de comunicação, invariavelmente revelaram a mesmíssima tendência pelo referendo, e de forma igualmente esmagadora, não será porventura muito difícil concluir que aos portugueses em geral não agrada lá muito que os seus mandatários, governantes e deputados, assinem sem os consultar algo que lhes diz respeito; que uns poucos eleitos detenham a autoridade suficiente para passar atestados de pura imbecilidade, de menoridade intelectual, de indigência mental a todos aqueles que os elegeram. Isto é, os portugueses – que já desconfiavam – podem agora ter a certeza absoluta de que os tais poucos eleitos consideram que o povo português apenas tem capacidade e discernimento para os escolher a eles… e para mais nada. A partir do momento em que uma maioria os elege, essa maioria que se cale e se reduza à sua insignificância porque, daí em diante, somente eles mesmos, a irrisória minoria de sufragados, terá o direito de decidir e o poder de escolher aquilo que é melhor para todos.

Ou seja, um negócio absolutamente leonino no qual – a julgar pela amostra junta – cada vez menos pessoas vão caindo.

Sejamos, porém, e até para nos abstrairmos de ambientes poluídos, absolutamente sinceros: estes micro-inquéritos valem, como é de bom-tom dizer-se, aquilo que valem. Não passam de meras amostras. São, quando muito, meros indícios.

Pois valem. Exactamente. Pois são.

Cedilha ou reticências?

Apdeite da situação, em 01.02.08 às 18:15 h

Afinal, é mais reticências. O domínio esteve em grande parte inacessível desde o dia 29, e totalmente “off-line” durante a madrugada e a manhã de hoje. Houve correio – dos diversos endereços @cedilha.net – que se perdeu, entretanto, de forma irrecuperável.

Uma sucessão de “lapsos” em catadupa, técnicos, administrativos e outros, aos quais sou totalmente alheio, conduziram a esta arreliadora situação.

Lentamente, mas com segurança, os serviços têm sido repostos gradualmente. A normalidade completa deve ficar restabelecida, o mais tardar, até à meia-noite de hoje.


Parece que tem havido uns problemas, desde ontem à noite, com o “host” onde estão alojados o Apdeites e o Sítio do Fumador. entre outros. Os números de visitantes caíram abruptamente para níveis dos tristes tempos de Janeiro de 2007. Sejamos, por uma vez, optimistas, e esperemos que tudo não passe de um problema temporário qualquer.

Entretanto, no dito Sítio do Fumador, a coisa está-se a compor, como se costuma dizer. De entre as novidades já instaladas, destaque para o fórum do… fumador (pois o que havia de ser?); ali, toda a gente poderá dizer de sua justiça sobre a Lei 37/07, sobre os “guetos”, sobre a Solução Final, em suma, que se aproxima a galope.

Estão todos convidados, bem entendido.

O seu domínio está “up” ou “down”? Logic Reach!

Monitored by LogicReach.com

Este serviço monitoriza gratuitamente o estado e o comportamento do seu domínio, enviando-lhe avisos automáticos por e-mail quando ou se ele estiver “em baixo” (“off-line”). Se comprar créditos, pode também receber avisos por SMS. As verificações de estado são efectuadas de 10 em 10 minutos, a partir de dois servidores, um nos USA e outro em UK, e o painel de controlo da conta inclui diferentes parâmetros de análise, incluindo cronologia de velocidades de acesso.

Para inscrição, basta aceder ao site e indicar um endereço de e-mail (exterior ao domínio, evidentemente) e o seu endereço WWW.

Só quem nunca teve o “azar” de ficar “pendurado”, por vezes durante dias, outras vezes durante horas e sem sequer saber disso, poderá dizer que o Logic Reach não fazia imensa falta.

Referências PT em Blogsearch: 0.

O meu é mais perigoso do que o teu

o Apdeites é proibido na China!

Caramba! O Apdeites é proibido na China!

O serviço The Great Firewall of China, aqui referido em Março passado, acabou por dar conta da coisa: este modesto “apontador” de blogs (e de outras coisas) é mesmo um perigosíssimo inimigo da República Popular da China ou, no mínimo, do Governo da dita. Bem, nada de mais, até porque há antecedentes. Não é grave***.

No fundo, no fundo, isto de ter páginas na Internet cada vez mais se parece com essa actualmente impossível ocupação que é vender bolas-de-Berlim: é preciso pagar para ter licença, usar farda integralmente branca e imaculada, alvo chapéuzinho a condizer, com pala a 35 graus, sapatos regulamentares, chapa com nome e número, tudo impecável, sem um só cabelo fora do sítio; a caixa deve ser térmica e obedecer aos mais rigorosos padrões de higiene e estanquidade, nos trinques, nada de riscos ou amolgadelas; os bolos (ou posts, é o mesmo) apenas podem ser manuseados com pinças esterilizadas, devem ter todos um aspecto saudavelmente regulamentar, padronizado e regular, sempre dentro de rigorosos prazos de validade e obedecendo aos mais elevados padrões de normalidade, esfericidade e uniformidade.

Ou seja, no fundo, no fundo, cada vez mais no fundo, isto dos blogs já deu o que tinha a dar, acabou-se, é impossível aguentar tanta regulamentação, tanta regulação, tanta vigilância, tanta carga de alta autoridade para tudo e mais alguma coisa.

Antes, eram os nomes dos blogs que não convinham às inestimáveis saúdes dos estudantes; agora, são umas quantas palavrinhas que não convêm às não menos estimáveis inteligências do povo chinês em geral. Ora, tudo isto é uma imensa responsabilidade, para além de não despicienda chatice.

O que se seguirá? Umas denúnciazinhas de incitação à violência ou ao racismo, junto das prestigiosas instituições criadas para o efeito? Umas quantas queixas, furiosas e enraivecidas, por parte dos visitantes que não apreciam em particular (e muito justamente) as cores e o (péssimo) aspecto gráfico do “template”? Uns processos por via de alguma incorrecção técnica no código ou derivado ao mau feitio do autor? O quê, santo Deus, o que mais nos irá acontecer?

Ai agora os chineses, todos, para cima de mil e trezentos milhões deles, ai não podem entrar aqui no Apdeites? Ai não? Pois nem sabem o que perdem!

*** O Sapo, por exemplo, também está bloqueado na China. Ora essa. Lá por causa disso, o site da Presidência (portuguesa) também. Ora essa outra vez. A própria Google, pimba. E por aí fora. Está tudo proibido, é o que é.