Twittvérbios

A bezitwitter (bezinha do Twitter, não confundir) Cat Maggelan lançou ontem uma espécie de campanha, naquela plataforma pramalucos, subordinada ao tema provérbios twitéricos ou, simplesmente, twitvérbios.

Sendo eu um gajo absolutamente viciado em provérbios, desde há muitos anos, e alguma coisinha disso na twitação, desde há muitos dias, foi um ver-se-te-avias que nem vos digo nem vos twito.

Por conseguinte, a minha contribuição para tão meritória quanto divertida twitúlia (tertúlia lá do sítio, não confundir) virtual aqui fica, em jeito de repositório (não confundir com coisíssima nenhuma).

  1. Senhor deputado, vá pró twitteralho! Ouviu? Vá pró twitteralho! (Eduardo Martins para Afonso Candal, adaptado)
  2. To twit or not to twit, that is the question (for facebookers).
  3. Cada twittadela, cada minhoca.
  4. Solta o twitter que há em ti, mas não te estiques muito ali.
  5. Vanitas vanitatum omnia vanitas, diziam os antigos, e tu twittas umas coisinhas boas para as sanitas, digo eu.
  6. Quanto mais te abaixas, mais te twittam as cuecas.
  7. Pode-se twittar alguns twitters durante algum tempo, mas não se pode twittar todos os twitters o tempo todo. (Lincoln, adaptado)
  8. Procuras o significado da vida, é? Cala-te e twitta, mas é.
  9. Diz-me com quem twittas, dir-te-ei quem é.
  10. O que é que querias? Twitter na eira e Facebook no nabal?

Mas o mais instrutivo (e divertido, sobretudo) é ir lá ver as muitas dezenas de twitvérbios que foram publicados.

Desmentido

(…)
A informação consta de um relatório na posse da actual administração do BPN, indicada pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), e onde aparecem outros nomes como o do antigo líder da bancada parlamentar social-democrata Duarte Lima, que surge ainda como tendo recebido um crédito irregular e que é, neste caso, ainda, de cobrança duvidosa.
(…)

[Público, 28.11.08]

Janeiro 26, 2009
BPN: Desmentido de Domingos Duarte Lima
( pedindo desculpa pelo atraso da publicação, não quisemos deixar de colocar neste blog agora, por considerarmos que continua a ser um documento actual e um direito na defesa da sua pessoa enquanto militante desta secção do PSD)

Lisboa, 28 de Novembro de 2008

Exmo Senhor
Dr. José Manuel Fernandes
Director do Jornal Público

Ao abrigo das disposições legais que garantem o direito de resposta, venho por este meio corrigir uma notícia publicada no Público de ontem, 28 de Novembro, na página 42, e assinada pela senhora jornalista Cristina Ferreira.
Nessa notícia é afirmado, invocando um relatório da Delloite, que “o ex-líder parlamentar do PSD, Duarte Lima terá recebido um crédito irregular do BPN”, sendo esse crédito “de cobrança duvidosa”.
Quero esclarecer que realizei efectivamente uma operação de crédito no BPN em data em que não exercia qualquer função política ou pública. Para essa operação de crédito prestei as garantias sólidas e suficientes que me foram solicitadas pelo Banco, e todos os pagamentos inerentes à operação foram integral e pontualmente respeitados por mim, nas datas negocialmente acordadas, nunca tendo sido objecto de qualquer reclamação por parte do Banco.
Chamo a atenção para a contradição com a vossa notícia publicada na edição de 20 de Novembro, assinada igualmente pela senhora jornalista Cristina Ferreira, em que se fazia referencia a este tema, mas se concluía, invocando o mesmo relatório da Delloite, “não ter havido ilegalidade” na concessão do crédito em referência.
Nunca tive, em nenhum banco, em toda a minha vida, nenhuma situação de incumprimento face a qualquer obrigação contraída.
Por isso, e porque a notícia que venho de corrigir é lesiva do meu bom nome, solicito o favor de ser publicado este esclarecimento, com o mesmo destaque do artigo que lhe deu origem. Solicitei ao BPN confirmação formal do que aqui afirmo, que farei de imediato chegar ao Público, logo que me seja entregue.

Com os melhores cumprimentos,

Domingos Duarte Lima

Publicada por comissão política em 12:42 PM

[Transcrição integral de “post” no blog PSD- Secção B, em 26.01.09.]

Segundo pesquisa Google, este desmentido não foi publicado (até agora, é claro) em mais página electrónica alguma, além do blog referido.

RAP não é humorista

Circunspecção de mau gosto

O mais interessante é que Margarida Moreira, a mesma que agora vê uma brincadeira de mau gosto no que mais parece ser um delito, é a mesma que viu um delito no que mais parecia ser uma brincadeira de mau gosto

Julgo que a opinião da directora da DREN, Margarida Moreira, segundo a qual a ameaça a uma professora com uma arma de plástico foi uma brincadeira de mau gosto, é uma brincadeira de mau gosto. Mais uma vez se prova que a crítica de cinema é extremamente subjectiva. Eu também vi o filme no YouTube e não dei pela brincadeira de mau gosto. Vi dois ou três encapuzados rodearem uma professora e, enquanto um ergue os punhos e saltita junto dela, imitando um pugilista em combate, outro aponta-lhe uma arma e pergunta: «E agora, vai dar-me positiva ou não?» Na qualidade de apreciador de brincadeiras de mau gosto, fiquei bastante desapontado por não ter detectado esta antes da ajuda de Margarida Moreira.

Vejo-me então forçado a dizer, em defesa das brincadeiras de mau gosto, que, no meu entendimento, as brincadeiras de mau gosto têm duas características encantadoras: primeiro, são brincadeiras; segundo, são de mau gosto. Brincar é saudável, e o mau gosto tem sido muito subvalorizado. No entanto, aquilo que o filme captado na escola do Cerco mostra aproxima-se mais do crime do que da brincadeira. E os crimes, pensava eu, não são de bom-gosto nem de mau gosto. Para mim, estavam um pouco para além disso – o que é, aliás, uma das características encantadoras dos crimes. Se, como diz Margarida Moreira, o que se vê no vídeo se enquadra no âmbito da brincadeira de mau gosto, creio que acaba de se abrir todo um novo domínio de actividade para milhares de brincalhões que, até hoje, estavam convencidos, tal como eu, que o resultado de uma brincadeira é ligeiramente diferente do efeito que puxar de uma arma, mesmo falsa, no Bairro do Cerco, produz.

O mais interessante é que Margarida Moreira, a mesma que agora vê uma brincadeira de mau gosto no que mais parece ser um delito, é a mesma que viu um delito no que mais parecia ser uma brincadeira de mau gosto. Trata-se da mesma directora que suspendeu o professor Fernando Charrua por, numa conversa privada, ele ter feito um comentário desagradável, ou até insultuoso, sobre o primeiro-ministro. Ora, eu não me dou com ninguém que tenha apontado uma arma de plástico a um professor, mas quase toda a gente que conheço já fez comentários desagradáveis, ou até insultuosos, sobre o primeiro-ministro. Se os primeiros são os brincalhões e os segundos os delinquentes, está claro que preciso de arranjar urgentemente novos amigos.

Ricardo Araújo Pereira

[Isto é a transcrição integral de um (extraordinário) “post” que, certamente por lapso, em vez de ter sido publicado no blog Gato Fedorento, foi parar à Revista Visão.]

Ajuste directo na AP – relatório e contas

Ajustes Directos na Administração Pública (Agosto a Dezembro de 2008)

Totais
1. Entidades adjudicantes: 930
2. Entidades adjudicatárias: 6.725
3. Número de adjudicações: 16.061
3. Valor global das adjudicações: 528.200.732,18 €
4. Valor máximo de adjudicação: 16.500.000,00 € [dados apagados em Base]
5. Valor mínimo de adjudicação: 0,08 €
6. Valor médio por adjudicação: 32.887,16 €

Top 10
1. Aquisição de Software base para plataforma multi-canal de atendimento – 16.500.000,00 € [dados apagados em Base]
2. Renovação do licenciamento de software Microsoft – 14.400.000,00 € [dados apagados em Base]
3. Pavimentação e drenagem da Estrada dos Gabriéis – 10.350.400,00 € [dados apagados em Base]
4. Fornecimento de arame recozido – 10.200.000,00 € [dados apagados em Base]
5. Adequação regulamentar de ascensores Hmp – 10.100.000,00 € [dados apagados em Base]
6. Fornecimento de Palivizumab 100 Mg Im – 9.389.300,00 € [dados (ainda) disponíveis em Base]
7. Hardware para distribuição pelas unidades da Força Aérea – 7.233.720,00 € [dados (ainda) disponíveis em Base]
8. Empreitada para execução de fundações de suporte da cobertura do – 7.177.936,00 € [dados (ainda) disponíveis em Base]
9. Fornecimento de refeições às crianças do Ensino Pré-Escolar e 1.º Ciclo – 6.887.850,00 €[dados (ainda) disponíveis em Base]
10. Ampliação da rede de dados – 6.843.760,00 [dados apagados em Base]

Estes resultados, respeitantes aos 5 últimos meses de 2008, foram obtidos através dos dados constantes na folha-de-cálculo produzida por Fernando Alexandre e por Miguel Portela, um trabalho publicado e analisado por Luís Aguiar-Conraria no blog A Destreza das Dúvidas.

Os dados de algumas empreitadas começaram ontem a ser apagados na Base.

Transparência na AP – ajuste directo nos blogs (2)


For more widgets please visit www.yourminis.com

Uma outra forma de recolha automática, mais abrangente do que a anterior, das reacções que a ferramenta online “Transparência na AP” está a provocar na “blogosfera”. Neste caso, foram incluídas na pesquisa via Blogsearch as referências e os links que têm a ver com o assunto.

Esta “mini-widget” da YourMinis pode servir para obter informação actualizada sobre qualquer outro assunto, bastando apenas indicar o título, as cores e as fontes e, evidentemente, o endereço de proveniência dos dados (“feed”).

Blasfémias “raptado”?

ASSUNTO RESOLVIDO. SEGUNDO INDICAÇÃO NUM COMENTÁRIO A ESTE POST, HOUVE APENAS UM PROBLEMA COM O DOMÍNIO. O BLASFÉMIAS ESTÁ PROVISORIAMENTE EM BLASFEMIAS.ORG.

o Blasfémias raptado; click para aumentar a imagem
Às 16:53 h, o blog Blasfémias estava assim.

Como sucedeu em Julho de 2006 com o blog Abrupto, toca agora a vez ao Blasfémias.

Raptado, pirateado, ocupado à má-fila, chame-se-lhe o que se quiser, o facto é que os conteúdos reais daquele blog foram, a não ser que haja alguma surpresa nisto tudo, abusivamente substituídos por outros.

Esperemos que o problema se resolva rapidamente.


Apdeite, às 17:25 h: o Blasfémias está “offline”.

Apdeite, às 18:03 h: o endereço IP original era 72.233.2.58 e agora está em (ou é redireccionado para) 69.64.155.119. Logo…

Apdeite, às 18:59 h: a segunda referência a este assunto na webtuga foi às 17:47 h, em comentário n’O Insurgente. O comentador fez o favor de guardar uma imagem (ligeiramente diferente) de como estava o Blasfémias naquela altura, com o Firefox.

Apdeite final, às 19:13 h: ora ainda bem que, afinal, no pasó nada. Lá que foi muito bem imitado, lá que parecia uma travadinha igual à que deu em tempos ao Abrupto, lá que um “hacker” não faria melhor, ah, isso foi, isso parecia, isso não faria. Mas antes assim, é claro.

Transparência na AP (Administração Pública)

Através deste “post”, no blog O Insurgente, chegamos a este outro, no blog “tirem-me daki”: o Município de Beja adjudica a aquisição de uma fotocopiadora Canon IRC3080I pelo valor de 6.572.983,00 € (seis milhões, quinhentos e setenta e dois mil, novecentos e oitenta e três Euros).

Só pode ser gralha, não é? A versão base desta impressora custa menos de 3.000 € (2.800 £).

Mas estará porventura cheio de gralhas o site “Transparência na AP“?

Vejamos o que mais existe ali procurando, por exemplo, “viagem“.

Assim mais ou menos ao acaso, deparamos com uma viagem aérea para uma pessoa Faro-Zagreb-Faro: 33.745 €? Seis mil, setecentos e cinquenta contos dos antigos para ir à Croácia e voltar? Jacto privado? Pode lá ser. Gralha, portanto.

E que tal uma “Aquisição de serviços de viagem e refeições com o passeio anual dos Idosos” pela módica quantia de 44.748,00 €? Quantos serão os idosos, é a primeira pergunta que se impõe, mas também seria interessante saber qual o destino da viagem e, já agora, que tipo de refeições constam do menu. Nada disso, infelizmente, aparece ali detalhado. E vão três gralhas.

Se virarmos a agulha (do critério de pesquisa) para “viatura“, também obtemos uma lista curiosa. Logo à cabeça, porque os resultados aparecem generosamente ordenados de forma decrescente de valor, aparece a “aquisição de viatura de 16 lugares para transporte de crianças” pelo valor de 2.922.000,00 € (mais de 584 mil contos); note-se que se trata de uma única viatura para transporte de 16 crianças, não confundir com 16 viaturas para transporte de 50 ou 60 crianças, como é normal nos transportes escolares. Outra gralha. Quatro.

Ainda na mesma “secção” das viaturas, por assim dizer, temos também um ligeiro de mercadorias no valor de 1.236.000,00 € (mais de 247 mil contos) com o qual será contemplada a Câmara Municipal de Vale de Cambra. Como 250 mil “patadas” por um carro é muita patada, são cinco gralhas, até ver.

Os exemplos seriam inúmeros, presume-se, caso alguém se desse ao trabalho de pesquisar mais profunda e criteriosamente naquela espantosa base-de-dados, que se define a si mesma como “O Software Livre ao serviço da cidadania”.

Note-se que um “apanhado” deste género, assim feito de maneira superficial e desprendida, tem por objectivo singelo a detecção daquilo que julgamos ser a ocorrência de simples “gralhas” de processamento ou de recolha de dados, algum “bug” de programação no sistema ou coisa que o valha. Trata-se, por conseguinte, de uma modesta tentativa de auxílio à nossa Administração pública e, nunca por nunca, de qualquer espécie de espiolhamento mesquinho ou mal intencionado.

Fica feito o respectivo “disclaimer” ou renúncia de interesses, não vá alguém chatear-se (governamentalmente falando) por tão pouco. Ao fim e ao cabo, e ainda por cima sabendo nós que as finanças da Pátria estão absolutamente “controladas” e “metidas na ordem”, enfim, mais milhão menos milhão, o que é isso prá gente?

Pff.

Banco? Banco é “cacha”!*

Caixa-Geral de Depósitos

Ex-administradores reformados por motivos de saúde trabalham na concorrência

Dois antigos administradores da Caixa-Geral de Depósitos estão a exercer cargos de relevo na concorrência, apesar de terem sido reformados por motivos de saúde. A notícia é avançada hoje pelo semanário Expresso(ver texto 1).

António Vila Cova e Gracinda Raposo saíram da administração da Caixa em 2005, quando a equipa de Vítor Martins foi demitida.

Depois, foram reformados por motivos de saúde, pela administração de Carlos Santos Ferreira, que actualmente preside o Millennium BCP.

No entanto, apesar da reforma por invalidez, estão a exercer funções em empresas concorrentes.

António Vila Cova esteve na Mota Engil e no Financia, antes de entrar no grupo BPN.

Gracinda Raposo presta assessoria à administração do Santander Totta.

A actual administração da Caixa está incomodada com a situação, mas ainda não tomou qualquer medida(ver texto 2).

[SIC online, hoje, 03.01.09.]

Texto 1

Ética, ética, mas… negócios à parte.

Miguel Cadilhe sempre fez questão de se apresentar como o mais in em matéria de ética. Ataca a torto e a direito (estou a lembrar-me da entrevista ao Diário Económico -leiam e vejam).

Pois bem como não foi para a CGD, perdeu no BCP e no Banco de Portugal não aterra tão cedo, se é que aterra, vai de ir até ao BPN.

Ele por mim pode ir para onde quiser (atenção ao impedimento que ele refere na entrevista atrás citada).

Agora ir e levar na lista um reformado por invalidez(António Vila Cova) e o homem da CMVM(Rui Pedras) que estava a investigar o BPN, isso é que me parece pouco ético, para além de ser passível de suscitar problemas jurídicos.

Blog “por muito que…”, em 12 de Junho de 2008

Texto 2

Candidato da lista de Cadilhe ao BPN é reformado por invalidez

António Vila Cova está na lista de Miguel Cadilhe à presidência do Banco Português de Negócios (BPN), mas recebe da Caixa uma pensão por invalidez. O banco do Estado admite estudar juridicamente o caso.

Maria Ana Barroso e Sílvia de Oliveira

António Vila Cova, um dos nomes que integra a lista de Miguel Cadilhe à administração executiva da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) e do BPN, é reformado por invalidez da Caixa Geral de Depósitos (CGD). O antigo administrador do banco estatal recebe uma reforma por invalidez que poderá estar em causa se Vila Cova assumir funções de relevo numa outra instituição. Isto porque, explicou ao Diário Económico fonte próxima do processo, uma reforma por invalidez pressupõe alguma incapacidade para exercer funções, sobretudo se estas forem, como está previsto, executivas, na SLN e BPN.

Uma outra fonte adiantou ainda que, dentro da CGD, o ambiente é de “indignação” face à possibilidade de Vila Cova aceitar exercer um cargo executivo numa outra instituição, ainda por cima bancária. As reticências da Caixa levantam ainda a dúvida sobre se, tal como acontecerá com Cadilhe, a SLN ter igualmente de compensar Vila Cova, caso este esteja em risco de perder a reforma que agora recebe.

Contactado, o banco estatal não comenta a mudança de Vila Cova mas as declarações de fonte oficial são claras. “Não fomos informados dessa questão. Quando formos informados oficialmente, analisaremos juridicamente a situação”.

Diário Económico online, 11 de Junho de 2008.

* O título deste post é um jogo de palavras com uma frase publicitária da CGD, trocando “Caixa” por “cacha“.

A finalidade destas três transcrições é provar que a “cacha” hoje anunciada como sendo um exclusivo do jornal Expresso e, concomitantemente, reproduzida por todos os canais televisivos e por todos os restantes jornais, já cá se sabia, nos blogs, há mais de seis meses. E ainda, é claro, que foi o DE o primeiro órgão de comunicação a referir o assunto, esse sim, em primeira mão.