Conteúdos à prova de parasitas

Alguns dos nossos visitantes e amigos mais antigos instalaram uma pequena aplicação que permite a tradução automática dos seus blogs, em 29 Línguas (de momento). Essa aplicação funciona também, como é evidente, aqui no Apdeites: é a caixa com bandeirinhas minúsculas que está na barra da direita, em cima.

Nada de especial, já que se trata de código com endereços directos para o serviço Google Translate. No entanto, a execução desta rotina e a sua disponibilização a apenas alguns blogs tem por objectivo demonstrar que se pode produzir qualquer conteúdo, código de programação, simples texto ou seja o que for, sem correr o risco de que o nosso trabalho seja copiado ou utilizado abusivamente.

Também isto é extremamente simples, enquanto inovação e enquanto técnica de protecção de conteúdos, mas não deixa de ser também – se calhar por causa dessa mesma simplicidade – algo inédito: até mais ver, é praticamente impossível seja quem for utilizar a rotina sem autorização.

Assim, depois de um longo período de teste e antes de que o método se torne rotineiro por mero palpite de algum “geek” mais afoito, será talvez esta a oportunidade ideal para divulgar (partilhar, é o termo, isto é que é “partilhar”), passo a passo, como se consegue proteger qualquer conteúdo do mais espertinho dos abusadores.

Em suma, é o seguinte.

1. Guardar o conteúdo a proteger num ficheiro com (por exemplo) extensão “php3” (ou outra que não esteja em uso).
2. Criar um ficheiro javascript, para distribuir pelos endereços autorizados, que executará remotamente os ficheiros “php3”.
3. No painel de controlo do nosso domínio (em “Apache Handlers”, ou equivalente), indicar que os ficheiros “php3” devem ser interpretados como PHP.
4. No painel de controlo do nosso domínio (em “Hotlink Protection”, ou equivalente), inscrever os endereços autorizados (“URLs to allow access”) e acrescentar (em “Block direct access for these extensions”) as extensões “js” e “php3”.

E pronto. Qualquer pessoa pode editar, copiar e colar o código javascript no seu blog ou site, mas isso não adiantará nada, porque…

a) O endereço não está autorizado a executar remotamente rotinas javascript instaladas no nosso domínio; mas, se tiver sido copiado e colado localmente também não porque…
b) O ficheiro php3 respectivo não abre directamente no “browser” (dá erro “403 (Not Authorized)”), não podendo por isso ser copiado.

Uma vantagem acessória desta técnica é a actualização automática; por exemplo, neste caso, se acrescentarmos um novo par Língua/bandeira, tanto a imagem como a rotina de tradução vão “correr” automaticamente, sem necessidade de qualquer modificação no ficheiro javascript, nos endereços autorizados; estes, por sua vez, podem ser acrescentados um a um ou… removidos selectivamente, se quisermos.

É fácil, é barato (aliás, é totalmente grátis) e pode não dar milhões a ganhar aos parasitas do costume.

Divirtam-se.

Facebook em Portugal: alguns dados

Utilizadores (total): 193.800

Homens: 89.940
Mulheres: 95.520

>13 anos: 180.760
13 a 18 anos: 14.360
>18 anos: 173.360
18 a 25 anos: 62.020
25 a 35 anos: 81.600
35 a 45 anos: 31.340
45 a 55 anos: 11.120
>55 anos: 4.920

Formação universitária: 1.100
Frequência universitária: 2.140
Ensino Secundário: 1.480

Casados: 19.760
Não casados: 23.220

Estes dados apenas transmitem uma pálida ideia daquilo que é a penetração do Facebook no nosso país; foram obtidos por estimativa automática, a partir da aplicação de criação de anúncios para páginas FB.

Qualquer dos números foi obtido com base nos perfis dos utilizadores, logo, nos dados que esses mesmos utilizadores introduziram; ora, como sabemos, muita gente tem “ficha aberta” no Facebook mas raramente (ou nunca) ali vai; além disso, por exemplo no que diz respeito à idade, é claro que uma boa parte a omite ou indica uma data de nascimento aleatória, inventada; outro tanto vale para as habilitações literárias e mesmo, como no caso dos que pretendem manter alguma espécie de heteronimia, até quanto ao seu género.

Como se pode verificar através de simples adição, os totais por sexo não conferem com o total geral, porque existe também quem não se dê ao trabalho de indicar quaisquer dados, reais ou fictícios. Por exemplo, a rede “Portugal”, à qual teoricamente todos os portugueses deveriam pertencer (se nela se inscrevessem), tem pouco mais de metade do total presumível. E não esqueçamos também que é possível uma organização inscrever-se no Facebook enquanto indivíduo (Partido político, clube desportivo, etc.), contando como mais um membro de determinada nacionalidade, mas não tendo – como não tem de ter – quaisquer dados pessoais.

Em suma, talvez possamos reformular a frase inicial deste texto: os dados “estatísticos” apresentados são de tal forma pálidos que mais vale não lhes dar importância alguma.

Talvez um dia, num futuro não muito remoto, seja possível ter uma vaga ideia deste tipo de coisas. Até esse dia, as “estatísticas” que por aí se vêem valem o que valem: nada.

Em defesa do Twitter, contra o autismo

Twitter tirou autismo da AR
Ontem

A decisão dos deputados à Assembleia da República de deixarem de chamar autistas aos seus pares foi a primeira decisão tomada no Parlamento português suscitada pelo Twitter, uma espécie de mini-blogue cuja utilização tem crescido avassaladoramente no mundo nos últimos meses.

A questão foi colocada pela mãe de um autista numa conversa através daquela chamada “ferramenta” social com o deputado Jorge Seguro a 25 de Março. Ana Martins, 45 anos, autora de livros e textos vários sobre autismo, pediu ao parlamentar socialista se “os senhores deputados quando se estão a mimosear entre pares seria possível não se denominarem AUTISTAS”.
(…)

Jornal de Notícias

O título desta notícia está errado; evidentemente, não foi o Twitter que “tirou autismo da AR”. Foi, quando muito, uma qualquer senhora que usou o Twitter para enviar uma mensagem a um deputado qualquer. Portanto, o Twitter, pobre Twitter, não é culpado de coisa nenhuma – quanto a isso podemos ficar descansados.

Outro tanto já não se poderá dizer quanto à tal “autora de livros” e quanto ao tal “parlamentar socialista”. São ambos irmãmente culpados – quanto mais não seja – pela calúnia que irresponsavelmente lançaram sobre aquela tão modesta quanto inocente ferramenta de comunicação.

Não cabe aqui sugerir que poderá ter havido qualquer espécie de combinação prévia entre os caluniadores, ou mesmo que foi a pretexto e a coberto daquela ferramenta que ambos “resolveram” (mais) um problema que nunca existiu. Ficaremos por conseguinte na dúvida, de certa forma inquietante, é certo, mas ainda assim um bocadinho estúpida: para que diabo (ou porque raio) fizeram eles questão de enxovalhar o Twitter?

Bem, as teorias não são como as palavras, ou seja, é bem melhor cada qual com a sua. E eu, cá na minha, parece-me ter havido nisto uma conjugação de esforços, por assim dizer: a autora-de-livros e o parlamentar-socialista acharam que a “mensagem” teria maior projecção e que o impacto da “ideia” seria exponencialmente aumentado se cavalgassem uma onda tecnologicamente avançada. Por isso, e assim, pegaram numa perfeita idiotice e transformaram-na em algo de tecnicamente aceitável (ou exequível).

E fica por conseguinte explicada a bovina passividade com que a Assembleia da República portuguesa votou favoravelmente a abolição administrativa de um étimo e suas formas decorrentes. Funcionaram aqui, de forma extremamente oleada, o deslumbramento pacóvio dos deputados e, depois desse, o terror que inspiram na população em geral as chamadas “novas tecnologias de informação e comunicação”.

A “abolição” (ou chame-se-lhe proibição, o que é ainda pior) dos termos “autismo” e “autista” na Assembleia nacional constitui a mais espectacular demonstração de cabotinismo da nossa História parlamentar – e a aprovação maciça dos deputados ilustra bem a forma como a imbecilidade se tornou algo elegível no nosso país.

Redundante será, presumo, ou quiçá inútil, explicar as inúmeras diferenças que existem e as diferentes formas que tomam as palavras em função do contexto em que são proferidas. Não valerá portanto sequer a pena enumerar todos os casos paradigmáticos de como a linguagem politicamente correcta já tomou inexoravelmente conta do nosso quotidiano; bastam alguns.

Todos conhecemos esse tipo de léxico “expurgado” e penitente, desde o “deficiente” que se transformou por força em “cidadão portador de deficiência” ao “ladrão” que passou a categorizadamente designar-se por “alegado autor de furto ou roubo”, passando por “deficiente visual” para “cego”, “subtracção não autorizada de valores” por “desfalque”, “itens contrafeitos” por “material marado”, e assim por diante. Aguarda-se a oportunidade (e a disponibilidade) para o lançamento de um novíssimo Dicionário do Politicamente Correcto, utilíssimo manual para todos aqueles que pretenderem singrar na carreira política em geral e na modorra dos Passos Perdidos em particular. Já existe, aliás, semelhante calhamaço, mas em Castelhano. Por exemplo, e esta ainda não atravessou felizmente a fronteira, em Espanha é proibido dizer “anão” (enano); a designação correctíssima é “pessoa com altura inferior à média”.

Quando se chama “palhaço” ou “saloio” a alguém, por exemplo, e isto para nos ficarmos apenas pelos insultos correntes mais neutros e educados, por assim dizer, isso não significa, absolutamente, que aquela profissão circense ou que a região a Noroeste de Lisboa sejam algo de negativo ou ofensivo. E não será, isso de certeza, através de iniciativa política ou por decreto que as palavras deixarão de ser usadas para aquilo que servem, a eficácia da comunicação. Igualmente, não será por deixar de se dizer ou escrever as palavras “autista” e “autismo” que desaparecerá da face da Terra a tragédia que elas representam, na sua acepção básica de terminologia médica. É absurdo arguir que esses termos, quando utilizados em contexto de polémica partidária, são depreciativos ou humilhantes (ou que fazem uma qualquer espécie de propaganda negativa) para os seres-humanos que sofrem directamente as consequências de determinada patologia ou condição. Toda esta argumentação, além de descabida, não resolve ou sequer melhora absolutamente nada, a não ser talvez que se considere o ego como uma entidade concreta e passível de melhoria pelo inchaço.

Ou seja. Assim como, não por mera coincidência, muitas das referências deste “post” provieram de diálogos via Twitter e como alguns adjectivos e substantivos nele utilizados se enraízam em patologias (imbecilidade, idiotia, cretinismo, etc.), também a curiosa invenção da autora-de-livros e do parlamentar-socialista se serviu da evolução tecnológica para medrar e, por fim, vingar: já que é um bocadinho difícil eliminar a patologia, o autismo em si, remove-se este cirurgicamente da linguagem – e pronto, assunto resolvido.

Paranóico, não é? Como pode semelhante coisa ter pernas para andar se resulta de um raciocínio absolutamente coxo? O que irão ainda inventar, de mais vesgo e pitosga, estes especímenes retorcidos? Mas será que não se enxergam? Não vêem que a Língua é um organismo vivo e que a vida não se regula por decreto? Serão mesmo ceguinhos de todo? Ou só autistas mesmo?

Autismo s.m. polarização privilegiada do mundo dos pensamentos, das representações e sentimentos pessoais, com perda, em maior ou menor grau, da relação com os dados e exigências do mundo circundante.

Dic. Houaïss, ed. Temas&Debates, Lisboa, 2005 (pg. 999).

Ai o canário!

o maior lá do bairro

Depois de dezenas de ferramentas para “redes sociais”, surge agora (não fazemos a mais pequena ideia de quando foi este “agora”) uma outra que arrasa definitivamente com a concorrência: trata-se, nada mais, nada menos, ou seja, rigorosamente, de uma régua electrónica para cada qual medir o seu.

Como se pode conferir na imagem acima, digamos que – por exemplo – a cadeia americana CNN apresenta, o que é curioso dado o seu género, um extremamente “generoso” e-penis, capaz quiçá de dar a volta até a uma pequena cidade, salvo seja.

Evidentemente, e também por uma questão de pudor, dispensamo-nos de plasmar aqui a medição do nosso próprio, até porque, durante a respectiva operação, nos surgiram sinceras e ponderadas dúvidas sobre os critérios da medição; achamos, com toda a sinceridade, que aquilo deve ser em estado de repouso, por assim dizer em sua flacidez natural, e não, como parece evidente, nas ocasiões de maior afluxo.

Se, porventura, o seu resultado não for o esperado, ou se por acaso a coisa não corresponder às expectativas, depois não se queixe, o Apdeites descarta desde já qualquer responsabilidade no assunto, a bem dizer desenrasque-se.

Caso esteja para aí virado, pode ainda prestar um serviço aos seus amigos e conhecidos, medindo o deles por suas próprias mãos – e também quanto a isto nos estamos nas tintas, é lá consigo, cada um é como cada qual, e nós por cá não gostamos desse tipo de palhaçadas.

“Dica” do especializadíssimo blog Chez Maria.

Petição.com.pt (www.peticao.com.pt)

Excelente site de petições em Português e… em excelente Português.

Conselhos:

* Prepare o texto da sua petição com bastante cuidado. Milhares de pessoas poderão ler a sua petição pelo que é de extrema importância que esteja bem escrita. Petições com erros gramaticais ou ortográficos são muito menos eficazes, além de darem uma má imagem do seu autor.
* A verificação da ortografia é o mínimo exigível. Recomendamos fortemente a utilização de software de processamento de texto com corrector ortográfico, para garantir que não lhe escapa nenhum erro desta natureza.
* Depois de criar a sua petição, o texto não pode ser editado.
Imagine como se sentiria se assinasse algo que fosse posteriormente alterado.
* A experiência mostra que o índice de preenchimento de formulários Web diminui com os seguintes factores:
número de campos, número de campos obrigatórios, número de campos públicos.
Tenha este facto em conta ao escolher quais os campos da sua petição e o seu tipo.
Não escolha campos públicos obrigatórios que não sejam estritamente necessários.

Depois de escrever a sua petição e de a verificar várias vezes, preencha o totalidade do seguinte formulário de forma precisa.
Quando o fizer, poderá submetê-la para que fique alojada no nosso site.

[Transcrito da página de criação de nova petição.]

«O Petição.com.pt proporciona alojamento gratuito a petições públicas em Portugal.

Este site de petições online constitui um meio tecnológico moderno ao serviço dos cidadãos portugueses e de princípios democráticos.

Participe! Espalhe a Palavra!» (www.peticao.com.pt)

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