Finetune: emissora pessoal

Finetune
O serviço Finetune é uma excelente maneira de cada qual ouvir apenas a música de que gosta.

Para construir a sua emissora de rádio particular, basta inscrever-se na Finetune, seleccionar as faixas que prefere, e depois copiar e colar o código fornecido no template do seu blog.

Adicionámos algumas funcionalidades à nossa Jukebox: contém não apenas uma selecção própria, com mais de 100 músicas de diversos géneros, como permite optar por algumas listas construídas por bloggers portugueses, sendo ainda possível escolher selecções temáticas, ou seja, por “estilos” musicais, criadas por diversos entusiastas e melómanos mais dedicados.

Esta Jukebox pode abrir em mini-janela, a partir da nossa página RTV, onde ficará definitivamente instalada.

Como utilizador da Finetune, pode criar quantas caixas diferentes quiser, com um mínimo de 45 faixas escolhidas, sendo que, em cada lista, não poderá seleccionar mais do que três músicas de cada autor/banda. Dispõe ainda, num site organizado e eficiente, de diversas ferramentas de busca, gestão e partilha dos seus gostos musicais.

Porque não experimentar? É totalmente grátis… e fácil.

Pesquisa Google: simples, mesmo simples

Esta caixa de pesquisa Google permite buscas selectivas não apenas na Internet em geral e nos conteúdos do Apdeites em particular, como tem ainda duas opções específicas: uma para pesquisa de qualquer tipo de legislação ou documentos oficiais (Diário da República), e outra dirigida às notícias de carácter geral (Diário Digital).

Google

O serviço Diário Digital faculta um extenso acervo de notícias nacionais e internacionais. Indique algumas palavras-chave que delimitem o tema que procura e seleccione a opção respectiva (“Notícias”) na caixa de pesquisa.

Para encontrar qualquer tipo de legislação ou de documento oficial, basta escrever os dados de que dispõe (por exemplo, o assunto e o ano de publicação), seleccionar a opção “Diário da República” e carregar na tecla “Enter” ou no botão “Pesquisar”. Se souber o número do documento, mas não a data/ano de entrada em vigor, escreva o número e o assunto (palavras que o definem), separados por um espaço: por exemplo, 393 tabaco proibição. Se não sabe nem número nem data/ano, ou seja, se procura toda a legislação respeitante a um assunto, escreva apenas este, com palavras-chave que o delimitem: por exemplo, tabaco proibição local trabalho.

Os resultados são abrangentes, podendo incidir sobre qualquer tipo de documento oficial, de qualquer natureza (alvará, licença, DL, despacho, etc.).

As pesquisas no Diário da República são efectuadas sobre os documentos cujo acesso foi disponibilizado ao público, sem qualquer restrição, pelo site oficial DR electrónico; a pesquisa por critérios que não o número do diploma está sujeita a assinatura. A consulta gratuita de diplomas legais poderá ser efectuada (I Série e II Série, dentro de certos limites temporais) através de página específica daquele serviço, desde que indique tipo e número do diploma que pretende consultar.

Esta caixa de pesquisa do Apdeites fica disponível em permanência na nossa página Radar.

Diga NÃO ao genocídio linguístico

Assine e Divulgue a Petição Contra a Implementação da Experiência Pedagógica TLEBS em http://www.ipetitions.com/petition/contratlebs/tlebs.html

Depois de nos termos associado a uma causa justa, assinando e divulgando um manifesto internacional contra a condenação à morte de uma jovem iraniana, associamo-nos agora a outra petição, visando esta salvar a vida da Gramática portuguesa.

E se, quanto à primeira iniciativa, a mobilização dos cidadãos parece já ter dado resultados satisfatórios, quanto a esta outra também não deveremos fazer a coisa por menos, até porque se trata não apenas de resgatar a nossa Gramática a um futuro funesto, como ainda de impedir que venha a ocorrer um verdadeiro genocídio linguístico, à escala mundial; é necessário que se impeça o extermínio selectivo de todos os dicionários, enciclopédias, prontuários e restantes auxiliares técnicos que existem nos países lusófonos e em todos os países onde se estuda, se escreve ou simplesmente se conversa em Português.

Além disso, e como se diz, muito clara e adequadamente, nas alegações finais desta petição, exigimos do Estado português o fim das experiências pedagógicas não autorizadas em crianças (alínea c).

Nós somos declarada e inequivocamente contra qualquer espécie de violência, em especial quando esta é absolutamente gratuita e arrogantemente imposta a inocentes, menores de idade ou, de uma forma abrangente, aos mais fracos e indefesos.

Assim, se ainda o não fez, click aqui e assine a petição. Contribua com o seu nome para impedir a proliferação desta verdadeira arma de destruição maciça, vulgarmente conhecida por TLEBS, que por aí paira ameaçadoramente sobre a inteligência e a cultura de 200 milhões de seres-humanos.

(A imagem do início deste post foi copiada, “label” incluído, do blog Revista Atlântico, que publicou também um artigo sobre o assunto.)

O (novo) homem invisível



Existem cada vez mais restrições aos direitos de navegação e de expressão na Internet, e qualquer delas pode e deve ser encarada como um ataque aos direitos individuais.

Por cada um desses ataques, novas ferramentas surgem no mercado com a finalidade de contornar qualquer espécie de restrição à liberdade individual.

Cada viajante virtual desta aldeia global em que se transformou a WWW tem, de uma forma responsável, o direito de visitar os endereços electrónicos que entender; este direito não pode nem deve sofrer restrições quanto ao local físico onde se encontre o utilizador nem quanto àqueles em que se situem os conteúdos que lhe interessam; estes conteúdos não podem nem devem sofrer qualquer espécie de restrição selectiva, salvo nos casos de infracção às leis, convenções e regulamentos em vigor.

Existem de facto ataques à liberdade individual, neste meio virtual, perpetradas por governos e entidades de certos países onde o próprio conceito lato de liberdade é sistematicamente posto em causa. E existem também ameaças a essa mesma liberdade, por parte de empresas e organizações (e mesmo de indivíduos), através do registo não autorizado das preferências ou dos gostos de cada qual, que sites visitam, o que lêem, o que vêem, e também aquilo que compram ou vendem, ou escrevem e comentam.

A sanha persecutória começa paulatinamente a imiscuir-se em meios, e mesmo em consciências, que ainda há bem pouco tempo defendiam a liberdade de expressão e o livre pensamento como valores imprescindíveis. Terá sido esse certamente o caso recente de, por exemplo, a Google aceitar barrar o acesso selectivo de todo um povo, quase dois mil milhões de pessoas, à pesquisa de conteúdos que o governo chinês listou como “inconvenientes”.

E surge agora um paralelo, mas desta vez com a agravante de se tratar de um país com alguma tradição democrática, e ainda para mais da área da lusofonia: as entidades oficiais brasileiras determinaram que fosse barrado o acesso a nível nacional ao YouTube. Essa medida foi posteriormente suspensa, mas o facto permanece, adquire relevância política e contém a génese de um perigosíssimo precedente: pode um governo determinar quem pode e quem não pode ver, ler ou ouvir algo que não foi judicialmente considerado como criminoso ou ilegal?

O caso resume-se em poucas palavras: uma actriz brasileira foi filmada em local público em poses e atitudes “mais íntimas”, por assim dizer, com outra pessoa; esse vídeo foi colocado na YouTube e imediatamente se transformou num caso de sucesso, em termos de visualizações; a tal pessoa que estava com a actriz apresentou queixa contra incertos, alegando devassa da sua vida privada, e requerendo que fosse impedida por qualquer meio a exibição daquele filme; as autoridades deram provimento à queixa, instando o maior operador de acesso à Internet no Brasil a restringir por meios técnicos os acessos ao endereço no qual o referido vídeo se encontra. Isto significa, em concreto, que toda a gente poderia ver a “prova do crime”, em qualquer parte do mundo, mas quem tivesse um endereço de IP do Brasil estaria impedido de o fazer.

De entre o coro de protestos que imediatamente se levantou, começaram também a aparecer algumas soluções para ultrapassar tão ligeira, para não dizer ridícula, dificuldade técnica: se o problema estava no endereço de IP ser do Brasil, então porque não navegar com um IP de outro país qualquer? Ou através de algo parecido com um “proxy” intermediário, como o Anonymouse? Ou ainda, porque não instalar um programa específico para empastelar a proveniência e, assim, navegar anonimamente? Bom, para isso (e para muito mais) o programa Steganos Internet Anonym(*) serve perfeitamente.

Bem entendido, no dia seguinte à “brilhante” determinação oficial, milhões de brasileiros não apenas já tinham visto a rapsódia, praticamente ao vivo e a cores, como choveram os achincalhos e as “gozações” em cima da cabeça dos quentes envolvidos e dos frios responsáveis. Se não fosse o engulho do tal precedente, até que se poderia agora dizer: bem feita!

Mas, à cautela, não é lá muito conveniente dizer tal coisa.

(*) O Steganos é um programa pago (cerca de 60 dólares) com uma versão shareware para download, ou seja, podendo ser utilizado – à experiência – gratuitamente durante alguns dias.

Mais um estudo, mais uma “viagem”

O blog Memória Virtual publicou um estudo intitulado “Da pré-História ao futuro” e sub-titulado “O pulsar dos diários virtuais em Portugal”, que merecerá talvez alguma análise e atenção. Naquilo que diz respeito à área particular dos “apontadores” de blogs, e se bem que não exista uma única referência ao Apdeites, há algumas correcções que não poderemos deixar de fazer, na presunção óbvia de que as mesmas não terão qualquer importância – no contexto do estudo referido, e muito menos para os respectivos autores.

[citação]
Ainda em Janeiro de 2003, Pedro Fonseca disponibilizara já uma lista de weblogs portugueses (Blogs em Pt) [33], ascendendo na sua primeira versão a 174. Surgiriam depois outros apontadores, entre os quais o Bloco-Notas [34] (que, em Novembro de 2003, referenciava já 2 724 blogues), o Blogues no Sapo [35], Blogo no Sapo [36], o Weblog.com.pt [37] (primeira plataforma portuguesa de blogues, criada em 10 de Junho de 2003) e, por fim (a 4 de Novembro de 2003), o Blogs.sapo.pt [38].
[fim de citação]

As incorrecções, nesta passagem, são as seguintes:

1. Não se pode dizer que “surgiram depois outros apontadores”, porque o Blogs em Pt não era propriamente um “apontador” – a não ser que consideremos que uma lista com 174 endereços constitui um “apontador”; nessa acepção, qualquer página de uma lista telefónica seria um “apontador”, o que não é bem o caso.
2. A expressão também está incorrecta pelo facto de não ter surgido posteriormente qualquer outro apontador, no sentido técnico do termo, senão o Bloco-notas; não surgiram “outros”, mas apenas esse, cujo autor também não foi referido no estudo e que se chama Carlos Antunes; o qual, de resto, tomou a iniciativa de legar, entregar, ceder todos os conteúdos técnicos do Bloco-notas ao Apdeites, em Fevereiro de 2004.
3. A página designada como “Blogues no Sapo” nunca foi um “apontador”, mas antes uma simples fraude, uma brincadeira com pouco de inocente, como o próprio autor reconheceu na altura e por via adequada (e-mail).
4. A página designada como “Blogo” não é e nunca foi um “apontador”, tendo-se limitado, a partir de certa altura (com a página “Frescos“), a copiar o processo utilizado pelo Bloco-notas para produzir listas de actualizações, via serviço Blo.gs.
5. A weblog.com.pt e a blogs.sapo.pt não são propriamente “apontadores” de blogs mas, como aparece misturado no texto citado, plataformas de blogs; claro que também “apontam”, sim, mas apenas para os blogs instalados em cada uma delas; aliás, outra coisa não seria de esperar de uma plataforma, ou seja, que ao menos soubesse e “apontasse” quais os blogs que aloja.

Pelo que nos diz respeito, e apesar de os seus autores não terem acertado uma, como se costuma dizer, quanto àquilo que nos concerne, saudamos o aparecimento de mais este estudo sobre blogs portugueses.

Tampinhas, a sério

projecto Tampinhas

O post inicial sobre o projecto Tampinhas levantou certas dúvidas que obrigaram a algum trabalho de investigação. Essas dúvidas resultaram do facto de o site principal da Associação Tampa Amiga estar sistematicamente inacessível; além disso, o site “antigo” da mesma organização, apesar de activo não tem qualquer actualização posterior ao ano de 2005; e, ainda por cima, o número de telefone mencionado neste site já não existe.

O que se segue é aquilo que foi possível apurar, nomeadamente quanto ao que talvez fosse importante ter sido esclarecido em primeiro lugar pelos próprios promotores da iniciativa.

A começar pela génese do projecto. Num tempo em que “ninguém dá nada a ninguém” ou, como diz João César das Neves, “não há almoços grátis”, as pessoas questionam-se: mas afinal, quem é que ganha com isto das tampinhas?

A resposta é simples: ganham as pessoas que recebem o material ortopédico e ganha a empresa que as oferece em troca das tampinhas, porque o material de que elas são feitas tem alto valor para reciclagem.

De facto, as tampas das garrafas de plástico são, ao contrário destas, feitas com um material específico, o polipropileno, quando os recipientes são feitos com Poli Tereftalato de Etila (PET); a vantagem adicional para as empresas de reciclagem (ValorSul 219535900, AmarSul 212139600) é que o material entregue (as tampinhas) é uniforme, integralmente constituído por um só material, dispensando assim a triagem, separação ou escolha prévias.

A mecânica do projecto Tampinhas é absolutamente transparente, em todos os aspectos: as tampas são recolhidas e, portanto, separadas dos restantes lixos domésticos na origem, depois transportadas e armazenadas em centros de recolha e, por fim, entregues a uma empresa de reciclagem; esta recebe o material que irá processar e paga-o, não em dinheiro vivo mas em material ortopédico de valor equivalente; esse material é entregue à organização do projecto, a Associação Tampa Amiga, que se encarrega da respectiva distribuição.

E como é feita a distribuição dos meios ortopédicos por quem deles necessita?

Segundo aquilo que foi possível apurar, a Associação Tampa Amiga não recebe pedidos de material ortopédico directamente; este deve ser solicitado através de instituições habilitadas (presumivelmente, a Santa Casa da Misericórdia e outras instituições de solidariedade social), que seleccionarão os pedidos (segundo os seus próprios critérios) e os canalizarão para a organização, cabendo a esta listar esses pedidos por ordem cronológica de chegada; sempre que seja recolhida a tonelagem de tampinhas correspondente ao custo do material ortopédico no topo da lista, este será entregue à instituição requerente, a qual, por sua vez, o entregará a quem fez o pedido.

Outra questão que poderá surgir, mais a título de curiosidade mas cuja resposta não se encontra em nenhum suporte físico visível, é a seguinte: como surgiu a ideia de trocar tampas de garrafas por cadeiras-de-rodas?

Segundo informação de uma colaboradora da empresa Amarsul, que muito simpaticamente respondeu tanto a esta como a muitas outras questões, quem primeiro teve a ideia, em 2004, foi uma enfermeira do Hospital Garcia de Horta, em Almada. Mesmo desconhecendo em rigor como se terá desenrolado o processo, não será difícil imaginar que rapidamente a iniciativa terá atingido dimensões que nem a própria autora da ideia (e fundadora da Associação) alguma vez poderia imaginar.

Claro que algumas alminhas mais desconfiadas, que existem sempre nestas coisas, poderão talvez questionar-se sobre o que ganhará ela própria, essa Senhora Enfermeira, ou a própria Associação, com semelhante iniciativa. Pois bem, não faço a mais pequena ideia; presumo que absolutamente nada, mas isso sou eu a presumir, que é um mau hábito meu. Já agora, e para o caso de alguma das anteriormente referidas alminhas se estar interrogando sobre aquilo que poderá ganhar o Apdeites com isto, com esta mania de aborrecer as pessoas com iniciativas meritórias, pois bem, manda a discrição que me abstenha de comentar sequer.

O que é preciso é tampinhas, não conversa. De conversa já chega, por isso…

venham de lá essas tampas!

P.S.: pede-se, a quem por acaso tiver uma balança de precisão (com sensibilidade inferior a um grama), o favor de pesar umas quantas tampinhas, de diversos modelos, e que nos indique o peso médio por tampa. Gostaríamos de fazer umas contas com esses dados como, por exemplo, quantas são necessárias para perfazer uma tonelada e que espaço (cubicagem) é necessário em função da quantidade.

Academia de bloggers

Carleton University
Collaboration and Co-operation
Professors encourage student study groups and often give group assignment activities. But, where does collaboration end and plagiarism begin? Be clear about the rules. Ask your professor or your tutorial assistant how much of the assignment they expect should be your own individual work before you hand it in to be graded.

Academic Integrity
Carleton University, Canada

Alguns dos abusos cometidos contra os direitos de autor devem-se a pura ignorância por parte dos abusadores: não existindo ou não estando suficientemente difundidas as regras de conduta adequadas, podem suceder situações de atropelo aos direitos autorais sem que possam ser assacadas responsabilidades a quem as comete; essa ignorância poderá resultar também do desconhecimento da verdadeira fonte de determinada matéria ou, ainda, da presunção errónea da sua inclusão na área do domínio público.

A esmagadora maioria dos atropelos aos direitos autorais resulta, porém, de simples má-fé por parte de quem os pratica. A recorrência do abuso ou o recurso sistemático à apropriação do trabalho alheio em proveito próprio são factores que indiciam, por si só, uma situação clara de plágio, e que identificam sem qualquer margem para dúvida um plagiador.

Em qualquer dos casos, tanto a ignorância como a má-fé são equivalentes perante o facto, isto é, se e quando existe cópia sem menção clara da fonte respectiva. Em termos estritamente jurídicos, existindo dolo e, no caso vertente dos direitos de autor, sendo possível identificar o agente da infracção, estaremos perante um crime de lesa-património intelectual; logo, será de todo legítimo que o autor lesado seja ressarcido dos factos apurados, ainda que destes não resultem prejuízos directos, quantificáveis ou observáveis. Trata-se, por conseguinte, não apenas de uma questão de ordem legal, material ou patrimonial, mas também, ou principalmente, de uma questão de ordem moral: todos têm o direito ao reconhecimento do seu trabalho, o que implica não poder este ser utilizado por outrem sem consentimento, nem podendo ser truncado ou alterado.

Não é, de facto, suficiente ser educado – académica ou empiricamente falando – para evitar tais atropelos. Se bem que não seja nada fácil, pelo menos num país como Portugal, defender a propriedade intelectual (e não apenas a de material escrito), alguma coisa poderá ser feita no sentido de elevar, ao menos, a consciência cívica dos intervenientes no processo de produção escrita; no caso vertente, falamos dos bloggers nacionais.

É necessário, pelo menos para aqueles que estão de boa-fé e não pretendem prejudicar ninguém, saber quais são as regras mínimas de convivência entre parceiros, como pessoas civilizadas que partilham as suas experiências e os seus conhecimentos; como citar e quando citar serão duas excelentes aprendizagens para compreender porque se deve sempre citar.

Uma boa forma de o fazer será através de um teste. Avalie a sua própria idoneidade, já não enquanto mero estudante mas enquanto oficial do mesmo ofício. Mesmo não sendo um académico, saiba quanto vale a sua integridade académica. Avalie o seu grau de civismo intelectual, enquanto aprende (e apreende) as regras pelas quais se deve reger quanto a direitos de autor.

A Universidade de Carleton (Canadá) tem on-line um questionário de autoavaliação e, por consequência, de autoaprendizagem sobre o assunto. Está integralmente em Inglês, mas são apenas 20 perguntas que lhe poderão dizer muito sobre os seus conhecimentos na “matéria”; se por acaso “chumbar” no exame, poderá sempre repetir – de imediato, sem necessidade de 2ª época – e podendo mesmo voltar atrás e ver em que respostas errou e quais eram as correctas.

Trata-se de um teste com uma determinada população-alvo e com finalidades específicas, mas versa um tema central e transversal, para não dizer universal, o que ainda mais realça o atraso civilizacional e o atavismo do nosso (triste) “nacional-copianço”.

(Imagem logótipo de Carleton University, Canada.)

Um nome, dois destinos

“My message to the people of the world is that outside of this prison is also a prison.”
Nazanin Fatehi

Nazanin Fatehi
Nazanin Fatehi, uma jovem iraniana, foi atacada por um grupo de homens que a tentaram violar; ela defendeu-se como pôde e, no meio da luta, esfaqueou um dos agressores, que veio a morrer num hospital de Teerão; a jovem dirigiu-se a uma esquadra de polícia para participar a ocorrência; ficou imediatamente detida e confessou, sob tortura, ter “assassinado” um homem; foi condenada à morte por enforcamento. Aguarda a execução da sentença, que poderá ocorrer a qualquer momento.

Nazanin Afshin-Jam
Nazanin Afshin-Jam, uma jovem iraniana, fugiu ainda criança para o Canadá, aquando da revolução islâmica, e é hoje uma figura pública internacionalmente reconhecida; tomou conhecimento do sucedido com Nazanin Fatehi e decidiu fazer alguma coisa; lançou uma campanha a nível mundial para tentar salvar a vida da sua compatriota homónima; criou um site sobre o assunto e lançou uma petição que já conta com mais de 200.000 signatários.

Falta lá o seu nome, para que o destino de Nazanin Fatehi possa talvez ser diferente.


Existe um documentário que retrata, em 30 minutos, toda a situação.

Conhecimento do caso através do blog Letras Com Garfos.

P.S., 15.01.07 – 12:05 h
Através do “Letras Com Garfos“, chegámos a uma notícia de ontem, publicada pelo diário The Independent, dando conta da suspensão da execução… por insubsistência de fundamentação da pena. A sentença definitiva será proferida em breve.


—– Original Message —–
From: “PetitionOnline” petitions@petitiononline.com
To: “João Pedro Graça” joao.graca@netcabo.pt
Sent: Tuesday, January 09, 2007 12:34 PM
Subject: Signature Confirmation – Save Nazanin – 264815 – Nazanin

Dear João Pedro Graça,
This email message is sent to you from PetitionOnline.com to confirm your signature as “João Pedro Graça” on the online petition: “Save Nazanin” hosted on the web by our free online petition service, at: http://www.PetitionOnline.com/Nazanin/
Your signature on the petition is already complete, and there is no need to reply to this message.
Your signature number for this petition is 264815.
At PetitionOnline.com, we host the petition you’ve signed, but we didn’t create it. If you would like to comment on the petition, or otherwise communicate directly with the petition author, you can contact the author at: Nazanin Afshin-Jam, info@nazanin.ca

Serviço Público

Para que ao menos por uma (e última) vez, algumas consciências mais hesitantes, ou débeis, ou tíbias, não confundam a transcrição de um texto sobre plágio com… plágio, cumpre “explicar” o seguinte: são coisas completamente diferentes. Tão óbvia é a diferença entre utilizar em proveito próprio o trabalho alheio, omitindo, obliterando ou empastelando a(s) fonte(s) utilizada(s), e a utilização de matéria sobre o assunto para fins de promoção, divulgação e constituição de acervo atinente, que resulta redundante qualquer tipo de explicação ou esclarecimento para demarcar essa mesma diferença. Apenas por evidente má fé, presumindo que não se trata da mais pura estupidez, se pode sequer alegar similitudes ou especular sobre a mais ínfima semelhança entre uma coisa e outra.

Pelo interesse de que se reveste, transcreve-se seguidamente, NA ÍNTEGRA, um artigo publicado hoje por Rui Araújo, Provedor dos Leitores do jornal Público.
Os sublinhados são da responsabilidade do Apdeites; os destaques (a “bold”) estão conforme o original.


UMA FORMA DE PLÁGIO
“Embora o assunto que aqui abordo não me pareça ser novo (lembro-me de já ter lido uma crítica idêntica em anteriores cartas ao provedor) dado o lado caricato da situação penso que devo fazer uma breve crítica ou pelo menos comentário.Penso ser do código de conduta de um jornalista a citação das fontes bibliográficas do seu texto. Em especial quando esse texto é quase todo baseado num artigo ou trabalho de outro(s).
Na passada edição da PÚBLICA (22/10/2006) na secção ‘Ciência Louca’ de Clara Barata ‘Em busca do autobronzeador ideal’ percebe-se pela leitura do texto que este teve a sua origem numa tradução de um texto de uma revista anglo-saxónica (estaria tentado a dizer qual mas não o faço).
No entanto, por alguma razão de edição (ou esquecimento da autora…) parece mesmo que é efectuado um ‘copy & paste’ do inglês que depois é traduzido por cima. Um resquício de tal procedimento parece ser evidente na coluna da direita no final do parágrafo ‘Efeitos da UVA’ onde o texto aparece ainda em inglês!!
Admito que dada a natureza da secção ser de âmbito de divulgação, o jornalista pode basear-se noutros trabalhos. Mas deve citá-los e evitar erros grosseiros como o que aconteceu nesta edição”, escreve J. Sérgio Seixas de Melo, de Coimbra.

O texto “Efeitos da UVA” termina da seguinte forma:
“is present more uniformly throughout the day, and throughout the seasons than UVB.”

Pedi um esclarecimento a Dulce Neto, editora da Pública, sobre a parte em inglês.
“Tratou-se de um lamentável lapso de edição”, explicou.
O provedor não diria melhor…

Solicitei, portanto, explicações a Clara Barata, editora da secção “Ciência” e autora do artigo em questão.

“É de facto lamentável que o texto tenha saído assim; não tinha reparado que saiu com um extracto da frase em inglês. Sobrou de um local de onde tirei a informação, obviamente. Não está citado porque consultei vários sítios na Internet, para recolher informação e compará-la. Nem sempre esse trabalho de pesquisa é citável, porque podem ser mais as citações do que o próprio texto, como era o caso dessa caixa. Sei que algumas pessoas gostam de dizer que copiámos tudo e traduzimos, mas fazemos o mesmo que qualquer pessoa que esteja a estudar um determinado tema faz, que é procurar informação, compará-la e trabalhá-la, sobretudo quando se procura fazer passar uma informação útil, como é o caso dessa caixa. As citações são essenciais, mas devem-se fazer quando se utiliza de facto um naco de informação único de precioso para compor o trabalho (por exemplo, podem-se consultar vários jornais e todos reproduzem um mesmo telex, com pequenas afinações; da mesma forma, uma informação de saúde pode ser apresentada em vários “sites”, livros e outras fontes, na íntegra ou com pequenos ajustes, e não se devem citar todos os sítios consultados). Para fazer a caixa, não me lembro que sítios citei, mas sei que andei por vários sítios para coligir informação. O que não devia ter acontecido era sair um extracto em inglês – até porque o texto passou por várias mãos até sair –, isso com toda a certeza…”, respondeu a autora do texto.

As justificações são inaceitáveis.
Clara Barata não se recorda dos sítios que citou na “caixa” porque não mencionou nem um.
E o texto (apesar de a jornalista garantir
sei que andei por vários sítios para coligir informação”) resume-se (à excepção de oito palavras) a uma única fonte (http://en.wikipedia.org/wiki/Sun_tanning).

Eis a prosa da revista Pública e a da Wikipedia na internet:

“Faz com que os melanócitos libertem melanina que já está produzida.”
causes release of preexisting melanin from the melanocytes

“Faz com que a melanina se combine com oxigénio, o que produz o escurecimento da pele”
causes the melanin to combine with oxygen (oxidize), which creates the actual tan color in the skin

“Parece ser menos cancerígena que a UVB, mas causa melanoma, que é uma forma perigosa de cancro da pele”
seems to cause cancer less than UVB, but causes melanoma, a far more dangerous type of skin cancer than other types

“Não é bloqueada pela maior parte dos protectores solares, mas pode ser travada, em boa parte, pela roupa”
is not blocked by many sunscreens but is blocked to some degree by clothing

“Desencadeia a produção de mais melanina na pele”
triggers creation and secretion of new melanin into the skin

“Causa o crescimento de sinais e algumas formas de cancro da pele (mas não melanoma)”
is thought to cause the formation of moles and some types of skin cancer (but not melanoma)

“Envelhece a pele (menos que a UVA)”
causes skin aging (but at a far slower rate than UVA.)

“Estimula a produção de vitamina D, que é essencial ao organismo e diminui os riscos de outros cancros”
stimulates the production of Vitamin D, which promotes lower rates of disease, and ironically lower rates of skin and other types of cancer

“Queima mais facilmente que a UVA se houver sobreexposição; em pequenas quantidades é benéfica”
is more likely to cause a sunburn than UVA as a result of overexposure, however moderate exposure can be healthy

“Pode ser quase completamente bloqueada pelos protectores solares”
is almost completely blocked by virtually all sunscreens

Os dois textos são, praticamente (sic), idênticos.
Clara Barata não “comparou” nem “trabalhou a informação”, ao contrário do que afirma. Limitou-se a copiar frases na íntegra (na ordem exacta do original) sem inserir aspas e sem indicar a autoria.

A jornalista responde: “E porque haviam de estar colocadas entre aspas essas frases, pergunto eu? Não me lembro de onde tirei os dados da caixa, podem ter vindo em grande parte de um sítio, não faço a mais pequena ideia, mas duvido que seja de algum autor que se sinta espoliado (porque são dados factuais, como já disse várias vezes). E as últimas frases devem estar repetidas em todas as notícias escritas sobre o assunto, mais ou menos da mesma forma, porque são provenientes de um comunicado de imprensa. Quem quiser procurar frases e expressões iguais ou semelhantes a outras em inglês ou português encontrá-las-à muito no PÚBLICO ou até no New York Times”.

O provedor contesta mais uma vez a argumentação.
A jornalista pergunta:
(“E porque haviam de estar colocadas entre aspas essas frases, pergunto eu?”).
A resposta parece óbvia: por causa dos princípios éticos e do próprio Livro de Estilo do PÚBLICO: “A assinatura de um texto deve reflectir de forma rigorosa a sua autoria”.

Acompanhando o exemplo do New York Times mencionado por Clara Barata, também eu cito um caso ocorrido nesse jornal no ano passado: o repórter Jayson Blair foi obrigado a demitir-se (designadamente) por causa do plágio. E esta semana (3/1/2007) uma jornalista do San Antonio Express-News demitiu-se depois de ter sido acusada de reproduzir informação do mesmo sítio na internet (Wikipedia) que Clara Barata, sem identificar a fonte.

Poderá parecer excessivo, mas os leitores precisam de poder confiar no jornal que compram.

O problema, por outro lado, não é um autor sentir-se espoliado. É o princípio. E a argumentação sobre a reprodução de “dados factuais” também não colhe. A Wikipedia só por si não pode ser considerada uma fonte credível…

A jornalista afirma que as últimas frases devem estar repetidas em todas as notícias escritas sobre o assunto”.
Devem estarnão é jornalismo, é um palpite. E, por outro lado, as transgressões alheias não servem de justificação.
O provedor questiona os métodos e o desleixo (publicação de uma frase em inglês).

O artigo principal da jornalista também é questionável, do ponto de vista deontológico: Clara Barata revela as fontes das citações (discurso directo) que reproduz, mas omite outras (as de discurso indirecto!). Copiou literalmente – ou quase – inúmeros parágrafos da New Scientist, sem mencionar a fonte e sem colocar o texto entre aspas.

Exemplos:

“A chave deste novo autobronzeador está num extracto de plantas chamado forskolina que, nas experiências da equipa, protegeu ratinhos sem pêlo de radiação ultravioleta e permitiu-lhes desenvolver um bronzeado natural, estimulando os seus melanócitos (…)”.
“The key chemical, a plant extract called forskolin, protected mice against UV rays and allowed them to develop a natural tan by stimulating pigment-producing cells called melanocytes.”

“A capacidade de se bronzear – (…) – é controlada pela hormona de estimulação dos melanócitos, que se liga a uma proteína que existe no exterior destas células. Esta proteína, que se chama receptor de melanocortina 1, funciona mal em muitas pessoas que têm a pele clara e o cabelo ruivo. É por isso que não se conseguem bronzear, e ainda por cima correm maiores riscos de desenvolver cancro da pele.”
“The ability to tan is largely controlled by a hormone called melanocyte-stimulating hormone, which binds to the melanocortin 1 receptor (MC1R) on the outside of melanocytes. Many people with with red hair and fair skin have a defect in this receptor, meaning they find it almost impossible to tan and are prone to skin cancer”.

“Numa segunda série de experiências os cientistas usaram ratinhos susceptíveis ao cancro, expondo-os ao equivalente a uma a duas horas de Sol na altura do meio-dia solar, diariamente, durante 20 semanas.”
“In a second experiment, a particularly cancer-prone strain of mice, also bred to lack effective MC1Rs, were exposed to the equivalent of 1 to 2 hours of midday Florida sunlight each day for 20 weeks.”
Fonte do texto em inglês: www.newscientist.com/channel/health/mg19125704.100-tan-stimulant-may-bronze-even-the-fairest-skins.html.

O corta e cola (“copy & paste”) extensivo é uma forma de plágio (sobretudo quando as fontes são omitidas). E isso é inadmissível no jornalismo.
O Livro de Estilo é peremptório
: “O PÚBLICO considera o plágio uma conduta absolutamente inaceitável. Todas as informações recolhidas em qualquer documento ou noutros órgãos de comunicação devem ser sempre devidamente atribuídas”.

Serge Halimi, jornalista do Le Monde Diplomatique, chegou a alertar os leitores para estas práticas, denunciando, do mesmo modo, a indulgência e a conivência generalizadas: “Aviso ao leitor: o plágio, que constitui uma forma de roubo intelectual, é raramente sancionado pela profissão. Pior, os autores confrontados com esse processo continuam a beneficiar dos favores mediáticos. Em França, a técnica mais comum consiste em pilhar o artigo de um colega, a sua análise e os seus dados, citando-o uma única vez, por regra num ponto assaz acessório. Quando é confrontado com a prova da rapina, o malfeitor, apanhado em flagrante delito, chega, por vezes, a ter a audácia de retorquir: ‘Viram que os homenageei’. Na imprensa americana, uma prática deste género significa o descrédito profissional do culpado; nas universidades, a exclusão definitiva do estudante ou do professor. Mas também podem, apesar de este aviso se destinar ao leitor (ou de não o terem lido), defender-se de qualquer acusação de pilhagem ou de plágio, citando abundante, precisa e constantemente as suas fontes.”
(in ACRIMED, Observatório dos Media, (www.acrimed.org/article847.html?var_recherche=plagiat).

A ausência de princípios éticos, a demissão e a resignação dos jornalistas acabarão, inevitavelmente, por destruir a frágil relação de confiança com os leitores.
A credibilidade passa pelo profissionalismo e a ética. E a humildade de reconhecer os erros. É bom não o esquecermos, independentemente do resto.

http://provedorpublico.blogspot.com/2007/01/uma-forma-de-plgio.html

Nota: o blog de onde esta matéria foi retirada não mencionada quaisquer restrições de copyright.
Imagem logótipo do jornal Público.

Links
1. Artigo publicado pela jornalista (22.10.06)
2. Entrada da Wikipedia
3. Directório do Público com todas as referências ao assunto
4. Epílogo (conclusões), assinado pelo Provedor do Público (14.01.07)