Dia Mundial Contra a Pobreza

The Sopranos

http://chrispratt.imeem.com/music/g78bL8yB/sopranos_theme/

Woke Up This Morning
Song by A3

You woke up this morning
Got yourself a gun,
Mama always said you’d be
The Chosen One.

She said: You’re one in a million
You’ve got to burn to shine,
But you were born under a bad sign,
With a blue moon in your eyes.

You woke up this morning
All the love has gone,
Your Papa never told you
About right and wrong.

But you’re looking good, baby,
I believe you’re feeling fine,(shame about it),
Born under a bad sign
With a blue moon in your eyes.
You woke up this morning
The world turned upside down,
Thing’s ain’t been the same
Since the Blues walked into town.

But you’re one in a million
You’ve got that shotgun shine.
Born under a bad sign,
With a blue moon in your eyes.

When you woke up this morning everything you had was
gone. By half past ten your head was going ding-dong.
Ringing like a bell from your head down to your toes,
like a voice telling you there was something you should
know. Last night you were flying but today you’re so low
– ain’t it times like these that make you wonder if
you’ll ever know the meaning of things as they appear to
the others; wives, mothers, fathers, sisters and
brothers. Don’t you wish you didn’t function, wish you
didn’t think beyond the next paycheck and the next little
drink? Well you do so make up your mind to go on, ‘cos
when you woke up this morning everything you had was gone.

When you woke up this morning,
When you woke up this morning,
When you woke up this morning,
Mama said you’d be the Chosen One.

When you woke up this morning,
When you woke up this morning,
When you woke up this morning,
You got yourself a gun.

Fonte: The Sopranos (site oficial)

O WordPress é vulnerável? É, pois. Cuidado!

Não existem programas, sistemas ou plataformas 100% seguras, e o WordPress não é excepção. Ainda há pouco, há poucochinho, um qualquer brincalhão tentou usar uma coisa chamada WordTube para entrar no host do Apdeites – pela porta do cavalo que o dito brincalhão realmente é – e fazer por aqui umas quantas “brincadeiras”: pelos vistos, aquele plugin tem um bug (erro de programação e/ou de segurança) que possibilita a inserção remota de ficheiros, sendo que estes também podem conter comandos, pelo que, no limite, esta falha de segurança poderá implicar a destruição pura e simples de um site inteiro!

Ou seja, através de um único ficheiro (wordtube-button.php) que faz parte do referido plugin, qualquer bandido poderia fazer praticamente tudo aquilo que lhe apetecesse, inserir anúncios, insultos ou propaganda, ou usar o domínio como alojamento grátis para os seus próprios ficheiros, ou instalar e disseminar vírus, ou simplesmente apagar tudo!

O plugin WordTube permitiria, se estivesse instalado, apresentar vídeos com uma “caixa” semelhante à da YouTube, sem qualquer necessidade de recorrer àquele serviço. O melhor que há a fazer, neste como em qualquer outro caso em que o utilitário não seja essencial, é pura e simplesmente não o instalar. Se estiver instalado mas não activado, é apagá-lo.

De qualquer forma, não perde nada em verificar se existe algures o ficheiro “wordtube-button.php”, no seu domínio ou no directório que utiliza, caso partilhe de alguma forma o alojamento; se o ficheiro existe, apague-o e, de caminho, apague o plugin inteiro (veja em /wp-content/plugins/).

À cautela, mantenha-se sempre actualizado com as ameaças de segurança ao seu WordPress. Se porventura (ainda) não utiliza esta plataforma, então talvez seja bom ter ainda mais cuidado.

Memória futura com futuro

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Post: dn
Blog: 31 da Armada
(apdeite 15.10.07, 12:05:04)
Uma das críticas que mais se faz aos blogues é a irresponsabilidade de quem escreve. O anonimato é muitas vezes utilizado e descredibiliza quem nele se esconde. No entanto, também a imprensa dita tradicional não se coíbe de diariamente publicar notícias, comentários e colunas de opinião sem identificar o respectivo autor. O dn é disso exemplo e ainda ontem o fez referindo-se a alguém aqui da casa. Dispenso-me de adjectivar tal facto, registando-o para memória futura.

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Por alguma razão que apenas ao autor interessará, este post foi apagado, depois de publicado, no blog 31 da Armada. No entanto, como é evidente, ficou registado e foi arquivado em todos os “feed readers” que incluem aquela fonte. Um desses “agregadores” é o Farol do Apdeites (link a conteúdo dinâmico), também ele uma espécie de memória futura compulsiva. Por assim dizer.

Se, por mero acaso, o autor daquele texto pretender a sua retirada ou apagamento, pois com certeza, basta uma notinha (escrita, não de Banco, é claro). No entanto, e esta será a intenção (pedagógica) deste post, de notar que aquele conteúdo já estará entretanto “replicado” em outros sítios; existem diversas ferramentas e técnicas para limitação da indexação e captação de conteúdos, cuja não utilização pressupõe a aceitação tácita dessas mesmas acções. O período de “reserva” de conteúdos, ou seja, o tempo que medeia entre a publicação e a detecção remota (via rss), está actualmente limitado a apenas alguns segundos ou, no máximo, dois ou três minutos; é esse, não havendo limitadores ou barramentos, o intervalo temporal para que um conteúdo possa ser real e efectivamente apagado. Outro tanto vale para o “varrimento” de conteúdos pelos motores de busca, se bem que em períodos muito mais dilatados, igualmente condicionáveis de diversas formas.

Ah, e tal, a Constituição, essa tremenda chatice…

No domingo, em Montemor-o-Novo, José Sócrates tinha se queixado dos insultos e acusado o PCP de estar por trás das manifestações contra o Governo. Na Covilhã as bandeiras eram todas vermelhas, as palavras de ordem faziam lembrar a Festa do Avante e Carlos Gonçalves, da Comissão Política do Comité Central do PCP deslocou-se de Lisboa para estar presente no protesto. Ainda assim, Luís Garra afirma que “o primeiro-ministro tem um trauma com o PCP” que tem que resolver. “Sócrates anda tonto quando pretende associar a luta dos trabalhadores a um único partido. Pelos votos que o PCP teve no distrito, não chegávamos para fazer esta manifestação”, acrescenta.

Semanário Expresso, 09.10.07

Artigo 45.º
(Direito de reunião e de manifestação)

1. Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização.

2. A todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação.

Constituição da República Portuguesa

É aborrecido haver, não é? Pois é, será, quiçá incómoda, por vezes irritante e implicativa, a CRP, mas o que se há-de fazer? A Constituição existe, está em vigor e vale para todos, governantes e governados.

Em lado algum do texto constitucional surge a expressão “Partido do Governo”, o que seria extremamente útil para os articulados mais, por assim dizer, maçadores, como este 45º: o que lá diz é “os cidadãos”, não é “os cidadãos do Partido do Governo”.

Mesmo aqueles que desejam uma política de repressão total e absoluta ausência de direitos políticos e cívicos, como é o caso evidente e historicamente comprovado dos comunistas, têm tanto direito a manifestar-se como quaisquer outros cidadãos. Mesmo aqueles que têm por objectivo político fundamental a destruição do “Estado de Direito democrático” (Artº 2º), como também é o caso e da mesma forma, gozam de todos os direitos previstos na Constituição, segundo o “Princípio da universalidade” nela consagrado (Artº 12º). Mesmo o PCP, um Partido antidemocrático que propugna a liquidação sumária (“revolucionária”, como se diz no seu dialecto próprio) da ordem democrática (“burguesa”, idem), tem toda a legitimidade para promover e organizar as manifestações que entender – legitimidade essa que lhe é conferida pelo seu estatuto de Partido legal, igualmente de acordo e nos termos da mesma Constituição.

Portanto, e por conseguinte, tentar esvaziar de sentido, menorizar, mesmo ignorar ou, pior ainda, tentar de alguma forma impedir uma iniciativa política em função de quem ou de que organização a promove é, em regime democrático, atropelar um dos valores fundamentais que sustentam esse mesmo regime. Ou seja, no limite, é fazer exactamente o mesmo que fariam os inimigos da democracia… caso estivessem eles no Poder.

Sucede que, não por acaso, todos os titulares de órgãos de soberania têm de jurar, por sua honra, não apenas desempenhar com lealdade as funções em que são investidos, como defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa. O que significa, neste caso, ter o Primeiro-Ministro português, se porventura afirmou o que veicula a comunicação social, violado flagrantemente o seu juramento. Na qualidade de Primeiro-Ministro e apenas enquanto tal.

Um blogger renitente

Che Re

TARADOS & MANÍACOS

Não esperava que as minhas triviais considerações sobre “Che” Guevara, na semana passada, suscitassem tamanha fúria. Além de uma série de e-mails a proporem-me o tratamento que “El Comandante” aplicava aos adversários, Vítor Dias, uma sumidade do PCP, chamou-me no seu blogue “simpatizante de assassinos”. Vindo do sr. Dias, o qualificativo não é um mero elogio: é a glória. Mesmo que o sr. Dias não especifique os “assassinos” com quem eu “simpatizo”(*), imagino que se refira a George W. Bush, ocasionalmente aqui evocado sem a gosma insultuosa que a esquerda exige. Por acaso, nunca achei Bush exactamente “simpático”: é só o líder democraticamente eleito de um país próspero, progressista e bastante mais livre que 99% das nações da Terra. Ou seja, tudo o que o sr. Dias detesta.

Conforme se afere do seu brilhante currículo, o sr. Dias prefere a companhia dos que tomam o poder à força para iluminar, igualmente à força, as massas brutas. Lenine, Estaline, Pol Pot e Kim Il Sung são nomes que surgem de repente. Por azar, nos tempos que correm, tornou-se um bocadinho complicado elogiar tais vultos em público, sob pena de descrédito. As travessuras de Estaline, Mao ou até Fidel foram já demasiado divulgadas para que os seus fiéis pratiquem o respectivo culto com total à-vontade. Sobra-lhes o “Che”.

O “Che” apenas se distingue das figuras acima pela eventual rejeição da “institucionalidade” pós-revolucionária. Fidel, por exemplo, contentou-se com o poder e vem exercendo a repressão necessária à manutenção do poder. É plausível que Guevara, um perfeito psicopata, aborrecesse racionalismos do género e qualquer ordem que dificultasse o seu único desígnio: matar. Apesar disso, ou se calhar por isso, o carniceiro das t-shirts beneficia há décadas de uma imprensa compreensiva, que relativiza os seus inúmeros crimes e legitima a adoração em seu redor. Para a esquerda autêntica, incluindo para os comunistas “ortodoxos” que em 1967 divergiam do “Che” por razões “estratégicas”, essa adoração constitui a catarse e o alívio que lhes resta. Hoje, é através do louvor do “Che” que manifestam sem risco a sua repulsa pelas sociedades abertas, normalmente dissimulada numa tolerância fingida e cansativa.

Claro que, a julgar pela verborreia alusiva às comemorações (no meu caso literais) da morte do sujeito, as referências ao sorriso do “Che”, ao olhar do “Che”, ao romantismo do “Che”, à juventude do “Che” e à ternura do “Che” também insinuam uma atracção sexual mal resolvida, mas em sonhos eróticos não me meto. Na cama, cada um escolhe as taras ou os tarados que entende.

Alberto Gonçalves

Crónica semanal “Dias Contados”, aos Domingos no Diário de Notícias

Se quiser seguir as crónicas de Alberto Gonçalves, utilize a busca selectiva Google (link) no site DN.

(*) Nota de Apdeites: por acaso, posteriormente, deu para encontrar a resposta do “Sr. Dias”, na qual o dito diz que especifica os “assassinos” com os quais AG parece que “simpatiza”.
Imagem: montagem/colagem de Apdeites

Projecto de alteração do Tratado da União Europeia

CONFERÊNCIA DOS REPRESENTANTES
Bruxelas, 5 de Outubro de 2007 (OR. fr)
DOS GOVERNOS DOS ESTADOS-MEMBROS
CIG 1/1/07 REV 1

NOTA de: Presidência da CIG
data: 5 de Outubro de 2007
para: Conferência Intergovernamental (CIG)
Assunto: CIG de 2007
Projecto de tratado que altera o Tratado da União Europeia e o Tratado que institui a Comunidade Europeia

PROJECTO DE TRATADO QUE ALTERA
O TRATADO DA UNIÃO EUROPEIA E
O TRATADO QUE INSTITUI A COMUNIDADE EUROPEIA

Artigos 1.º a 7.º do Tratado Reformador
A Presidência transmite à Conferência Intergovernamental o texto completo do Tratado que altera o Tratado da União Europeia e o Tratado que institui a Comunidade Europeia, incluindo os Protocolos, bem como as Declarações para a Acta Final, na versão destes textos resultante dos trabalhos dos peritos jurídicos.
A Presidência submeterá este texto à Conferência Intergovernamental a nível de Ministros dos Negócios Estrangeiros que se reunirá no Luxemburgo, a 15 de Outubro, tendo em vista a sua adopção aquando da Conferência Intergovernamental a nível de Chefes de Estado ou de Governo que terá lugar em Lisboa, no dia 18 de Outubro de 2007.
Todas as versões linguísticas do texto são transmitidas hoje, dia 5 de Outubro, às delegações. Como habitualmente, as diferentes versões linguísticas serão ultimadas pelos Juristas-Linguistas do Conselho antes da assinatura do Tratado.
Artigo 1.º
O Tratado da União Europeia é alterado nos termos do presente artigo.
Preâmbulo
1) O preâmbulo é alterado do seguinte modo:
a) é inserido um segundo considerando com a seguinte redacção:
“INSPIRANDO-SE no património cultural, religioso e humanista da Europa, de que emanaram os valores universais que são os direitos invioláveis e inalienáveis da pessoa humana, bem como a liberdade, a democracia, a igualdade e o Estado de Direito,”;
b) No oitavo considerando, os termos “do presente Tratado” são substituídos por “do presente Tratado e do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia,”;
c) No décimo segundo considerando, os termos “do presente Tratado” são substituídos por “do presente Tratado e do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia,”;
Disposições gerais
2) O artigo 1.º é alterado do seguinte modo:

LER TEXTO COMPLETO, em página html, 300 Kb (click aqui; abre em nova janela)

Link para a versão fonte, em formato PDF.

Carta aberta de um anónimo identificado ao 1º Ministro português

Ao abrigo da Constituição da República Portuguesa, nomeadamente quanto ao previsto no Artigo 2º (Estado de direito democrático), no Artigo 9º – alínea b) (Tarefas fundamentais do Estado), no Artigo 13º (Princípio da igualdade), no Artigo 21º (Direito de resistência), no Artigo 37º (Liberdade de expressão e informação) e no Artigo 48º (Participação na vida política).

Excelentíssimo Senhor Primeiro-Ministro,

Considerando que está ainda em vigor a Lei Fundamental acima referenciada, e no exercício consequente daquilo que, NA MINHA OPINIÃO, é um simples direito de cidadania, pela mesma garantido, venho muito respeitosamente solicitar um esclarecimento de cariz político, pelo que fará Vossa Excelência o favor de encaminhar a presente missiva para os serviços do Estado que entenda por mais convenientes ou adequados.

Considerando que a interpretação que faço do articulado constitucional, em sentido restrito aquele ao abrigo do qual segue a presente mensagem, em sentido lato todo o restante, resulta – como não poderia deixar de ser – apenas de idiossincrasias e limitações pessoais, nomeadamente culturais e educacionais, que poderão sofrer de algum vício de forma ou, de forma geral, estar completa e radicalmente erradas.

Considerando que não resulta claro, NA MINHA OPINIÃO, a julgar pelos mais recentes acontecimentos correlacionados, aquilo que o cidadão comum deverá considerar como “ilegítimo”, no que ao exercício do direito de opinião diz respeito, ou como “abusivo”, no que concerne ao respectivo direito de expressão. O mesmo será dizer, por exclusão de partes, que este mesmo considerando vale para a oposta, ou seja, não resulta pelos mesmos motivos claro aquilo que (não apenas na opinião de Vossa Excelência, como é óbvio, mas em termos estritamente legais) deverá ser considerado como “legítimo” e como “aceitável” no que respeita à opinião e expressão individual.

Considerando, por exemplo, e mantendo-nos apenas nos factos mais recentes relatados pela comunicação social, que Vossa Excelência considera (“enquanto Primeiro-Ministro e enquanto cidadão”) ter sido “ofendido e difamado” por um blogger português em concreto, e tendo por conseguinte Vossa Excelência accionado judicialmente esse blogger, mas apenas esse, não dando qualquer importância a tantos outros, e muito menos processando não apenas bloggers como jornalistas dos media tradicionais, que outro tanto disseram, ou escreveram, ou simplesmente reproduziram (quantas vezes aumentando, especulando, certamente exagerando ou exorbitando informações).

Considerando que, segundo diversas e autorizadas fontes e estudiosos, os blogs representam uma face informal e não organizada da rede informativa global, o que lhes confere um evidente carácter – e, de certa forma, alguma autoridade na matéria – de verdadeiros, eficazes, socialmente relevantes órgãos de comunicação social.

Por conseguinte, Excelência.

A questão que aqui me traz, quiçá abusivamente tomando o precioso tempo do Senhor Primeiro-Ministro, é esta, é clara e transparente: qual será a diferença entre opinião e difamação?

Pergunta singela que arrasta, porém, inevitavelmente consigo algumas outras. Não basta estar o cidadão comum ciente de quando, em que momento e em que condições é que uma opinião se transfigura em difamação. Necessita igualmente de ser informado, sem qualquer margem para dúvidas, de uma série de diferenças que, não se restringindo apenas à semântica, contribuiriam certamente para um maior esclarecimento e para a erradicação prática de incidências semelhantes.

Por exemplo: o que distingue, para o efeito, um Primeiro-Ministro, enquanto cidadão, de um cidadão que não é Primeiro-Ministro, enquanto tal?

Outro exemplo: a liberdade de expressão, que não deve de facto ser confundida com a libertinagem, seja de linguagem seja de qualquer outro teor, tem igual, ou menos, ou mais vigor legal consoante a categoria da pessoa à qual se refere?

E outro: uma opinião é tanto mais insultuosa quanto mais fundamentada for, ou é ao contrário? Ou seja, se essa opinião resultar de factos apurados (como, aliás, costuma suceder com as opiniões), maior é a “ofensa”, ou, pela inversa, existe presunção de inocuidade na opinião totalmente infundada?

Mais um: caso um indivíduo esteja inscrito num qualquer Partido, ou na eventualidade de possuir carteira profissional de jornalista, adquire por inerência o estatuto de inimputabilidade total, quanto a acusações de “calúnia e difamação”?

E ainda outro: se não existir qualquer espécie de insulto, nenhuma ofensa pessoal, sequer o mínimo vestígio de calão ou linguagem menos respeitosa, poderá ainda assim existir calúnia, existirá de todo alguma matéria para procedimento criminal por difamação?

E por fim: como será então possível investigar uma teoria que, a verificar-se posteriormente corresponder à verdade, pode pôr em causa o carácter de alguém, sem mencionar a ou as pessoas que são objecto dessa investigação e dessa teoria? Porque, assim sendo, como é possível saber antecipadamente se determinada teoria é credível ou não, se estes ou aqueles indícios (seja do que for) merecem ou não ser investigados, ou se a ou as pessoas em causa acabarão ilibadas ou não?

Mesmo respeitando o preceito legal da presunção de inocência – e também por causa do mesmo – ver motivos para acusar alguém de calúnia e difamação por aventar, investigar e, por fim, expor determinada teoria (ou alegação), será logicamente o mesmo que inviabilizar tacitamente toda e qualquer teoria; nada mais poderá ser questionado, ninguém mais posto em causa, nenhum facto investigado, nenhum indício analisado, nenhuma prova testada e muito menos contestada.

Ou seja, NA MINHA OPINIÃO, se aceitarmos desta forma o axioma, o que isso implica é – no extremo – a abolição pura e simples de uma tendência humana, a curiosidade, com tudo o mais por arrasto, dos pontos de vista filosófico e mesmo político, isto é, respectivamente a inteligência e a liberdade. Nada mais, nada menos.

Ora, presumo não ser exactamente isso o que pretende Vossa Excelência, Senhor Primeiro-Ministro, quando processa judicialmente um blogger, acusando-o de delito de opinião; e presumo que não seja exactamente isso porque, nesse caso, teríamos de concluir que a mesma lógica aplica sempre que proíbe manifestações de desagrado, ou ignora os jornalistas mais incómodos, ou demite os quadros mais desalinhados com a sua política, com o seu Partido ou, em última análise, todos aqueles que não vão com a sua cara. Ou seja, teríamos então de concluir que Vossa Excelência se está positivamente nas tintas, passe a expressão, para Portugal em geral e para os portugueses em particular, para o Direito em geral e para a Constituição em particular, apenas estando interessado numa única coisa e nada mais, a saber, a sua excelentíssima pessoa, enquanto cidadão em geral e enquanto Primeiro-Ministro em particular.

Ora é isto, precisamente, Senhor Primeiro-Ministro, que me custa – pessoal e racionalmente – a crer. NA MINHA OPINIÃO, não é possível que Portugal seja dirigido por um cidadão trivialíssimo, um qualquer vaidoso, um narcisista excelentíssimo, não acredito que sejamos governados por alguém que se preocupa enormemente consigo mesmo, com a sua aparência e as suas aparições, e nada, ou muito poucochinho, com o cargo que ocupa e com aquilo que esse cargo significa para dez milhões de seres humanos. E adianto, desde já, que tal não é nem seria possível porque o povo português não é, NA MINHA OPINIÃO, nem vesgo nem estúpido e, por conseguinte, se isso porventura viesse a suceder, o povo já o teria visto e entendido, ou seja, abreviando, não seria por muito tempo.

Portanto, e excluindo de boa fé semelhante hipótese, impõe-se apurar o que de facto motiva Vossa Excelência, no caso que mandou instaurar contra um nosso vizinho virtual, sendo que é esta (dele) condição o único factor que me leva a publicamente solicitar os supracitados esclarecimentos e a expor aquilo que por extenso declaro ser A MINHA OPINIÃO.

Assim termino, Senhor Primeiro-Ministro, com os protestos da mais elevada consideração, na expectativa de que se dê Vossa Excelência à maçada de, além de a presente ler, convenientemente a despachar.

Com os melhores cumprimentos,

J.P. Graça