O sexo dos ascos

Vai por aí mais uma grande polémica, aposto que muito interessante para os próprios, sobre a homossexualidade e a sua relação com a infecção por HIV: dizem uns que existe uma relação intrínseca, quando não directa, entre a propagação da SIDA e os chamados “comportamentos de risco”, estando nestes, obviamente à cabeça, incluída a homossexualidade; dizem outros que não é bem assim, ou muito pelo contrário, uma coisa não tem rigorosamente nada a ver com a outra, a “praga do século” ataca indistintamente tanto os homo como os heterossexuais, tudo depende de os comportamentos individuais serem “de risco” ou não serem “de risco”.

Este tipo de discussões, com toda a modéstia o confesso, baralha-me completamente. E também me não cairão os parentes na lama, espero, se confessar que não entendo quase nada do assunto, de mais a mais quando ele é – como mandam as regras da guerrilha intelectual – apresentado com toda a sorte de argumentos inabaláveis, com grande profusão de citações praticamente indecifráveis de autores que são por regra lixadíssimos de encontrar nas livrarias.

Claro que nenhuma das partes em contenda tem a mais ínfima intenção de esclarecer seja quem for sobre seja o que for, como também é normal sempre que a intelectualidade arma peixeiradas, mas com isso parece que ninguém se rala; o que interessa, agora como sempre, não é ter razão, é ganhar a discussão – ou, em não sendo tal coisa possível, como nunca é, ao menos que o chorrilho de argumentos e a concentração de citações dê para fazer número, conquistar adeptos, ganhar na contagem de espingardas a supremacia moral que a realidade persiste em negar a ambos os campos.

Mas pronto, vá lá, isto é preâmbulo; a questão reside, cá p’ra mim, em que também eu tenho uma opiniãozinha sobre o assunto e que, por conseguinte, aqui vai disto.
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Beating around the Bush

A “dica” chegou via caixa de comentários, no post anterior: com link para um vídeo na YouTube, uma frase e uma pergunta: “Isto ainda não foi notícia em Portugal. Porquê?”

Realmente, não é todos os dias, por assim dizer, que um deputado do Partido Democrata americano acusa o Presidente e a sua equipa governativa de crimes e conduta incorrecta, de quebra sistemática de inúmeros preceitos constitucionais e de manifesta incapacidade para a detenção do alto cargo que presentemente ocupa, propondo por isso não apenas a sua destituição imediata como a sua responsabilização, pessoal e institucional, perante a Justiça norte-americana.

O discurso de Dennis Kucinich termina com as seguintes declarações:

«In all these actions and decisions, President George W. Bush has acted in a manner contrary to he’s trust as President and commander-in-chief, and subversive of constitutional government to the prejudice in the cause of law and justice, and to the manifest injury of the people of the United States. Therefore, President George Bush, by such conduct, is guilty of an impeachable offence warranting removal from Office.»**

São 35 os itens de acusação que Dennis Kucinich leu, perante a “House of Representatives”, no passado dia 9 de Junho (ver sinopse em The Raw Story); indicando por sistema qual ou quais dos artigos da Constituição americana foram infringidos por qual ou quais acções da administração americana, este ex-candidato presidencial enumera exaustivamente as razões que sustentam o seu pedido de “impeachment“: desde a fundamentação (fraudulenta, a seu ver) da guerra do Iraque até ao atropelo dos direitos políticos e civis de cidadãos – americanos e estrangeiros -, passando por (alegadas) fraudes na obtenção de fundos e ligações (comprovadamente) ilegais com organizações extra-governamentais, há de tudo… em quantidade e em qualidade. Por muito (mas mesmo muito) menos do que isto, caíram da cadeira, em sentido figurado, Bill Clinton e Richard Nixon.

E, de facto, a pessoa que aqui deixou o tal comentário tem toda a razão: nenhum canal de televisão, em Portugal, referiu o assunto; em jornais portugueses, a coisa teve pouquíssima (ou nenhuma) repercussão; nos blogs de Língua portuguesa, brasileiros incluídos, apenas seis referências (2 em blogs portugueses).

Bem, primeira forma, a pergunta será então rigorosamente a mesma: porquê?

** Transcrito “de ouvido”, sem texto.

Nem mais


https://www.youtube.com/watch?v=rNj5iCU5mLg

O que tem a União Europeia a ver com a liberdade de expressão? Tudo: a perseguição sistemática à liberdade de expressão é uma das faces visíveis da ditadura politicamente correcta em que vivemos desde, pelo menos, 1986.

O que tem Vladimir Konstantinovich Bukovsky a ver com a União Europeia? Tudo: ele foi uma das vítimas do centralismo burocrático de uma outra União, a Soviética.

12 anos em prisões, gulags e instituições “psiquiátricas” do regime soviético são um currículo mais do que suficiente para que ele tenha compreendido a natureza… contra-natura das ditaduras imperiais, das uniões forçadas de povos, da terraplanagem ideológica de culturas nacionais e da destruição de todos os direitos individuais – em nome de uma utopia teoricamente altruísta. Tudo aquilo, enfim, em que se baseava o império soviético e que explica, por antecipação e por simples analogia, o passado, o presente e o futuro do império europeu.

Este post foi também publicado (com adaptação do primeiro parágrafo) no blog Baforadas
via

Não, o burro é ele

E o burro sou eu?

1 – … E se um dia o Chelsea me convidasse, quem me apoiaria? Naturalmente, a minha família de sempre. Os meus amigos de sempre. O Murtosa de sempre. E, também, os meus empresários de sempre e a minha Federação de sempre. Por 30 milhões de euros, à razão de 7,5 milhões ao ano, quem me apoiaria? O meu banco de sempre e a D. Olga de sempre. Cada vez que os jornalistas ingleses lhe querem fazer uma pergunta na língua de Shakespeare, Big Phil tenta tirar um coelho da cartola como uma gargalhada respondona e a coisa passa. Passa? A ver vamos. Porque a maior “arma” que Scolari exibiu, desde que chegou a Portugal em 2002, foi o seu poder de comunicação e, mais do que isso, a capacidade de fazer crer que esta Pátria abandonada precisava de um líder. Com amor à camisola. Que cantasse, sentidamente, o hino nacional, pelo menos de uma forma tão sentida como o canta a Dulce Pontes. Não vêem todos aqueles que se acham incapazes de amar, de se dedicarem à Pátria e beijar a bandeira das quinas, a identidade da alma? As quinas não são patrocinadas, é tudo afecto, é tudo espontâneo, é tudo coração e por que não os empresários entrarem na blindada Selecção, não apenas para tratar dos assuntos “impossíveis” do Cristiano Ronaldo mas também do indefectível seleccionador, sangue do nosso sangue, cálice do nosso cálice, debaixo do nariz dos súbditos de Sua Majestade?

2 – Em Inglaterra não será assim – e isso é uma profunda desvantagem. Estão a ver Scolari a “enrolar” os ingleses e a cantar “God Save the Queen” com fervor britânico? Yes, yes, yes!

3 – A data concertada para anunciar o vínculo de Scolari ao Chelsea, ao cabo de duas jornadas do Euro, mais do que um escândalo, é uma provocação. Com efeitos reduzidos presumivelmente a zero, porque alguns dos atletas da Selecção serão seus pupilos em Stamford Bridge; porque Scolari adoptou uma postura extremamente liberal e compreensiva em relação aos problemas profissionais dos jogadores (ainda ontem Deco foi autorizado a deslocar-se a Barcelona para tratar de “assuntos pessoais”!!!); e porque Gilberto Madaíl, apesar de tudo, chora. Quer dizer: Scolari coloca os interesses da Selecção em causa e a Federação, em vez de tomar uma decisão, capitula. Como sempre. A Federação trata agora, curiosamente, dos interesses do Chelsea.

… E o burro sou eu?!

* Como diriam no “Pátio das Cantigas”, tem aqui uma “casa às suas ordens”
(se por mero acaso não se entender com o russo do Abramovich)
Autor: RUI SANTOS
Data: Sexta-feira, 13 Junho de 2008 – 18:00

Jornal Record

Dado o evidente interesse público desta crónica de Rui Santos (um dos pouquíssimos tipos que sabem escrever, em Portugal), publica-se a dita na íntegra, apenas com uma pequena sugestão acessória, que terá por certo escapado ao cronista ou, quem sabe, o homem não quis chatear-se mais com tão ruim personagem.

A sugestão, a quem de direito ou nem por isso, era que Luís Felipe Scolari fosse imediatamente despedido, com justa (justíssima) causa, tendo esse despedimento por base jurídica a quebra insanável de confiança entre as partes e a absoluta impossibilidade da continuação de qualquer espécie de vínculo entre as ditas partes (ele e quem o contratou, não confundamos).

Quanto a substituto para o lugar de seleccionar nacional interino, pelo menos até ao fim do corrente campeonato europeu, nada mais simples: o roupeiro da selecção. Além de ser Português, já provou que percebe alguma coisinha de futebol, por um lado, e que não anda ali a fingir coisíssima nenhuma, muito menos que entende seja lá do que for, por mais paradoxal que tal pareça. Se o roupeiro, por algum motivo da sua vida pessoal, não puder, então que seja o motorista do autocarro da selecção – está mais do que provado que o lugar de seleccionador português, até aqui ocupado por um estrangeiro espertíssimo, dotadíssimo para a gestão dos seus próprios interesses e dos daqueles que lhe interessam, pode com vantagem ser ocupado por qualquer um dos 15 milhões de portugueses, os do Continente e ilhas, mais os cinco milhões da chamada “diáspora”; o facto inabalável, como toda a gente sabe, é ser impossível, com aqueles jogadores, qualquer um não ganhar qualquer coisa que se veja. Até uma tia de Cascais, sentada no banco de suplentes, seria capaz de conduzir aquela equipa à vitória neste europeu, como o teria sido, mesmo cheia de achaques e caturra até dizer chega, a velhinha, no europeu de 2004 ou no mundial de 2006. Coisa que LFS, viste-lo; népia, aquilo era mas é gasganete e uma tremenda carga de peneiras e uma lata daqui até ao Brasil, a sua pátria, de onde nunca deveria ter saído.

Uma palavrinha de despedida para este dito ex-seleccionador nacional. Ou, melhor, duas: boa viagem.

Se isso lhe fizer lembrar alguma coisa mais desagradável, paciência. É a vida!

Umas aulinhas ou umas explicaçõezinhas de Inglês (sem ser técnico), é só dizer. Ora bem, cruzes, eu não, Deus me livre, mas conheço uma data de vendidos – a condizer – capazes até de ensinar a qualquer bronco o God Save The Queen na perfeição, com lagrimazinhas ao canto do olho e tudo.

O dia da raça tuga

Diversos bandos de marginais tugas ameaçam paralisar o país, a pretexto de uma “luta” que absolutamente ninguém entende, a começar por eles mesmos.

Os combustíveis já escasseiam e, por isso, milhares de tugas correm a atestar o depósito, antes que se acabe de vez a gasolina.

Como os marginais tugas não permitem a circulação de camiões – com a legitimidade que lhes conferem os paus e as pedras que exibem – a população tuga começa a açambarcar em massa os bens de consumo essenciais.

Nos locais onde se concentram os marginais tugas, e para onde vão convergindo também algumas unidades das chamadas “forças da ordem”, os estabelecimentos de restauração e afins já aproveitaram o ensejo para aumentar vertiginosamente o preço do bitoque, dos tremoços, das sandes de torresmos, da cerveja à pressão e das gasosas.

Desconhece-se, ao certo ou pouco mais ou menos, tanto o paradeiro dos membros do Governo tuga como aquilo que eles andam a fazer para debelar a crise provocada pelos marginais.

Um político ligeiramente ressabiado lamenta amargamente não ter sido condecorado pelo Presidente da República tuga, já que – refere, e com carradas de razão – até um político menor e um guarda-redes de futebol tiveram direito a uma medalhinha e respectivas honrarias.

Um outro político, ligeiramente indignado, reclama porrada grossa e urgente nos lombos dos profissionais do volante. A causa é uma boa causa, mas parece que ninguém lhe dá ouvidos, porque está tudo muito ocupado com a gasosa e os torresmos.

Exactamente às cinco da tarde de hoje, joga-se o futuro da Pátria tuga. Estima-se que as tréguas durem cerca de 90 minutos, durante os quais, em amena confraternização, os marginais e as forças da ordem comungarão de um mesmo, indefectível, fanático espírito patriótico. A tugalidade em todo o seu esplendor.

Não é só no 10 de Junho. Dia da raça tuga é mesmo todos os dias, a começar, precisamente, no dia seguinte.

Any questions?

A Irlanda está ao rubro com o referendo ao Tratado de Lisboa a realizar na próxima quinta-feira. Para já, o resultado médio das sondagens dá uma vitória estreita aos partidários do Sim. Do lado do Não tem sido usado todo o tipo de argumentos. O meu preferido é este, do senhor Declan Ganley: o Tratado… «vai permitir a detenção de crianças com mais de três anos para fins pedagógicos». Ah!, a criatividade não tem limites…

Post “O Referendo Irlandês”, blog Da Literatura

Ganley defends comments on detention of young children
HARRY McGEE, Political Staff

Declan Ganley: defends comment in TV debateLIBERTAS ROW: THE FOUNDER of Libertas, Declan Ganley, yesterday became embroiled in a bitter row with pro-Lisbon political parties following his claims that ratification of the treaty would lead to the detention of young children for educational purposes.

Mr Ganley faced a chorus of criticism following comments he made during a TV debate on Wednesday night. He had claimed a clause in the Charter of Fundamental Rights would allow young children as young as three to be detained for educational purposes.

The Irish Times, 30.05.08

PROTOCOL
RELATING TO ARTICLE 6(2) OF THE TREATY ON EUROPEAN UNION ON THE ACCESSION OF THE UNION TO THE EUROPEAN CONVENTION ON THE PROTECTION OF HUMAN RIGHTS AND FUNDAMENTAL FREEDOMS

THE HIGH CONTRACTING PARTIES
HAVE AGREED UPON the following provisions, which shall be annexed to the Treaty on European Union and to the Treaty on the Functioning of the European Union:

Article 1

The agreement relating to the accession of the Union to the European Convention on the Protection of Human Rights and Fundamental Freedoms (hereinafter referred to as he ‘European Convention’) provided for in Article 6(2) of the Treaty on European Union shall make provision for preserving the specific characteristics of the Union and Union law, in particular with regard to:
(a) the specific arrangements for the Union’s possible participation in the control bodies of the European Convention;
(b) the mechanisms necessary to ensure that proceedings by non-Member States and individual applications are correctly addressed to Member States and/or the Union as appropriate.

Official Journal of the European Union

ARTICLE 5

1.Everyone has the right to liberty and security of person. No one shall be deprived of his liberty save in the following cases and in accordance with a procedure prescribed by law:

(a) the lawful detention of a person after conviction by a competent court;

(b) the lawful arrest or detention of a person for non-compliance with the lawful order of a court or in order to secure the fulfilment of any obligation prescribed by law;

(c) the lawful arrest or detention of a person effected for the purpose of bringing him before the competent legal authority of reasonable suspicion of having committed and offence or when it is reasonably considered necessary to prevent his committing an offence or fleeing after having done so;

(d) the detention of a minor by lawful order for the purpose of educational supervision or his lawful detention for the purpose of bringing him before the competent legal authority;

(e) the lawful detention of persons for the prevention of the spreading of infectious diseases, of persons of unsound mind, alcoholics or drug addicts, or vagrants;

(f) the lawful arrest or detention of a person to prevent his effecting an unauthorized entry into the country or of a person against whom action is being taken with a view to deportation or extradition.

European Convention on Human Rights

O dia da raça

Camõesraça, s.f.
5 BIO conjunto de populações de uma espécie que ocupa uma região particular, e que difere numa ou mais características das populações de outras regiões [Termo freq. us. no mesmo sentido de subespécie]
6 comunidade de indivíduos que se diferencia pela sua especificidade sociocultural, reflectida principalmente na língua, religião e costumes; grupo étnico [r. judia] cf. etnia
7 grupo étnico em relação com a nação, a região [a r. portuguesa] [a r. brasileira]
8 a ascendência de um povo [pela natureza da r., os brasileiros são um povo caloroso]
13 fig. infrm. espírito de luta; determinação; empenho; coragem [ter r.] [uma equipa com muita r.]

Dicionário Houaiss, , ed. Temas e Debates, Lisboa, 2005, Tomo XV – pg. 6786
imagem de Presidência da República

Privacidade interna? “Interna”? “Privacidade”?


https://www.youtube.com/watch?v=1sNK6hNdaz0

Um Português detecta na empresa onde trabalha um caso de pedofilia na Web, que denuncia à administração. A administração despede o Português e, quanto ao caso de pedofilia, diz que “está a ser investigado pelas autoridades”.
O funcionário despedido está em greve de fome à porta da empresa.
Reportagem de SIC Notícias.

Ou há aqui alguma coisa que não sabemos, ou há aqui muita coisa que não compreendemos.

Nem aceitamos.