Quinta da Fonte: um “estudo de caso”

Cerca de 90% da população activa residente na Quinta da Fonte beneficia do Rendimento Social de Inserção, de acordo com dados da Câmara Municipal de Loures. E muitos, apesar de pagarem rendas de 4,26 euros por mês, devem neste momento à autarquia quantias que chegam aos oito mil euros, apurou o CM junto da Divisão Municipal de Habitação. Quer isto dizer que, desde que foram alojados na freguesia da Apelação, em 1997, muitos dos que beneficiaram do Programa Especial de Realojamento nunca cumpriram com o acordado.
No entanto, basta passar pelo bairro – que voltou a ser notícia depois dos tiroteios da semana passada – para ver automóveis e carrinhas novos cujo valor ultrapassa, em vários casos, os 30 mil euros.
O presidente da Junta de Freguesia da Apelação admitiu ontem ao CM que durante a recolha de dados para os Census 2001, em que ajudou os técnicos a fazer o levantamento dos dados na Quinta da Fonte, viu “casas muito bem apetrechadas. Mais equipadas do que as de muitos habitantes, que tiveram de pagar para viver naquele bairro”, diz José Alves. Ainda esta semana, um elemento da comunidade cigana que usufrui do Rendimento Social de Inserção queixava-se à imprensa de ter visto a sua casa assaltada. “Até o [televisor de] plasma levaram” lamentava.
CM

De acordo com a edição desta quarta-feira do Jornal de Notícias (JN), o pelouro da habitação de Loures adianta que, em vez dos 53 agregados referenciados depois dos incidentes, os técnicos registaram, esta terça-feira, 73 pedidos de realojamento.
TVI

Segundo o vereador da Habitação da Câmara de Loures, João Pedro Domingues, várias famílias ciganas juntaram-se às que já haviam abandonado o bairro. “Estava assinalado um número, daí que tenha existido, talvez, um aproveitamento deste conflito, de modo a exigir uma habitação”, explicou, ao JN, o autarca.
JN

15 Julho 2008 – 18h23 | Manuel Gomes (comentário, CM)
Moro em S.João da Talha em frente ao Pavilhão onde estas 50 familias vão ser realojadas. Paguei a minha casa e agora tenho medo de sair à rua, será que a câmara de Loures me pode realojar ?

Todos Diferentes, Todos Iguais?| 2008-07-16 / 14:37 | por: BerloqueEscanherda (comentário IOL Diário)
5Deixem-me ver se entendo. O portugueses brancos têm que ser tolerantes e aceitar o convivio com os africanos e ciganos senão são racistas. No entanto os ciganos e africanos, não podem viver juntos porque são o quê?

Já esta manhã alguns elementos da comunidade cigana do Bairro da Quinta da Fonte mostraram alguma indignação pelo facto de hoje ainda nada lhes terem dado para comer e ameaçaram voltar a manifestar-se à porta da autarquia de Loures.
“Só comemos ontem à noite. As crianças nem sequer têm leite para beber”, lamentou Joaquim Sá, um dos moradores do Bairro da Quinta da Fonte em declarações à Lusa.
RTP

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Tarrafal Resort

O nome Tarrafal diz-lhe alguma coisa? Alguma reminiscência do passado? Pois bem, isso agora não interessa para nada. Eis o que lhe oferece a ARPS World Properties.

uma verdadeira pechincha

Uma verdadeira pechincha. Agora, ao ridículo preço de 195€ por metro quadrado, pode adquirir a sua propriedade de sonho nesta simpática localidade do arquipélago de Cabo Verde; são 114.000 metros quadrados (quatro vezes a área de Macau!), com praias esplendorosas e Verão durante todo o ano. Mesmo a calhar para quem aprecia sol e mar, longe da confusão e do stress quotidiano, num local paradisíaco e acolhedor que lhe pode proporcionar, a si, à sua família e aos seus amigos, estadias repousadas, inesquecíveis e, ainda por cima, cheias de “glamour”.

A propriedade já dispõe de infra-estruturas básicas (água, electricidade e esgotos) e tem projectos aprovados para estância de férias, casino, hotel, “bungalows” e apartamentos.

Não deixe de aproveitar esta esplêndida oportunidade. Além do mais, sempre poderá verificar pessoalmente as tradições históricas e as potencialidades turísticas da ilha de Santiago, uma das nove ilhas (habitadas) do arquipélago.

A não perder. Reveja em alta o passado do Tarrafal. Compre já o seu pedaço de História, antes que esgote.

Mudam-se os tempos,mudam-se as vontades – Jose Mario Branco

Bater no ceguinho; subsídios para um acervo razoável


Clip 1
Clip 2

Comentário 1: o que se torna ligeiramente aborrecido, nesta campanha, é o velho cliché de que são apenas os homens que tomam a iniciativa. E que largam penas em todo o lado, outro cliché muito chato.
Comentário 2: palpita-me que, além das vidas que inevitavelmente o anúncio salvará (nada mais, nada menos do que isso), ainda se vão descobrir por aí umas quantas carecas (ornamentadas). Pim.
Comentário 3: os extraordinários efeitos desta campanha não se limitam aos “videoclips” em si; a discussão que eles geraram, geram e gerarão constituem a maior fatia do seu mérito.

Sexo dos Anjos

Alertar para o risco de infecção VIH/sida a que se expõe toda a população sexualmente activa é o principal objectivo da nova campanha de prevenção da Coordenação Nacional.

A campanha, que conta com a participação de actores conhecidos, dirige-se em particular à população em situação conjugal estável, dando conta que a infidelidade poderá ser uma porta de entrada da infecção VIH/sida. A Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida chama a atenção para o facto de não existirem pessoas imunes à infecção, nem pela idade, nem pelo estatuto social ou económico, muito menos pelo estado civil. Esta é uma primeira abordagem, em Portugal, que visa aumentar a consciência de toda a população sexualmente activa para a sua vulnerabilidade à infecção VIH e consequentemente para a necessidade de atitudes preventivas – a utilização generalizada do preservativo, bem como de conhecer o seu estatuto serológico, realizando o teste para diagnosticar a infecção.
(…)

Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida*

Novo grupo de risco II
Publicado por JoaoMiranda em 10 Julho, 2008

A estratégia da Coordenação Nacional para a infecção VIH/sida parece ser a de convencer os 9 960 000 portugueses que não têm SIDA a usar preservativo em todas as suas relações sexuais. É fácil de perceber qual é o resultado. Uma fracção desses portugueses não verá a campanha. Dos que a vão ver, uma fracção importante vai ignorá-la. Dos que não a ignoram, uma fracção importante nem sequer tem uma relação estável. Dos que têm uma relação estável, uma fracção importante vive em relações que não há infidelidades. Dos que vivem em relações em que há infedilidade, uma fracção significativa não se atreveria a propôr o uso do preservativo ao parceiro (por razões facilmenente compreensíveis). Dos que se atreveriam a fazer tal proposta, grande parte deixaria rapidamente de ter uma relação estável. Dos que continuassem a ter uma relação estável, a maior parte não teria um/uma amante com SIDA. Os que tivessem um/uma amante com SIDA precisariam de centenas de relações vaginais para se contaminarem e, depois de ficar contaminado, mais umas centenas para contaminar o parceiro da relação estável. Dinheiro deitado ao lixo, portanto.

Blog Blasfémias (transcrição integral)

Red Snapper Diz:
10 Julho, 2008 às 3:43 pm
Esta campanha dirige-se especialmente aos casais heterossexuais com situação conjugal estável, ou seja, dirige-se a 1,5 milhões de casais. Mas apenas 1 milhão destes casais irão ver a campanha que, por sua vez, será ignorada por metade desses casais que a vêem. Acresce ainda que dos 500 mil casais que não ignoram a campanha apenas 20% andam nas putas, i.e, 100 mil casais. Como se sabe que a probabilidade de contaminação nestes casos é 1%.
Quer dizer, mil casais deixarão de ser contaminados com o HIV por causa desta campanha. Isto é óptimo. Exigir um resultado melhor que este é de quem vive na lua.

Comentário ao post “Novo Grupo de Risco II”, no blog “Blasfémias”.

“Contas Furadas”, por Vasco Barreto

A nova campanha contra o HIV/SIDA promovida pela Coordenação Nacional para a infecção VIH/sida tem dois vídeos estúpidos. São aqueles com um homem de asas ridículas e o slogan “ainda acredita que os Anjos não têm sexo?”, em que se sugere o teste do HIV a pessoas com relações estáveis. A eficácia da mensagem é obviamente nula e irrita bastante a institucionalização e até embelezamento desresponsabilizador da infidelidade. Se a ideia era atacar a infidelidade conjugal, antes explorar o mecanismo da culpa de quem faz uma perninha por fora em vez de apelar à desconfiança em quem, por natureza, não a tem ou, por receio, prefere não a explorar até às últimas consequências. Mas quanto a isto não creio que haja propriamente controvérsia, trata-se de um erro grosseiro.

A discussão centra-se num outro vídeo, que faz dos “9 960 000 portugueses que não têm SIDA” o alvo da campanha. O João Miranda irrita-se com isto. Não sei se o percebo. Sendo uma campanha de prevenção, que o público-alvo não tenha SIDA parece-me bastante lógico. Que chegue a todos os portugueses também me parece uma boa gestão de dinheiros públicos. Onde está então o problema Miranda, que não costuma ser ilógico? Ele aparentemente defende que a campanha devia ser dirigida para os “grupos de risco” ou as “pessoas com comportamentos de risco” (escolham a opção que vos parece correcta). Há algo aqui que não bate certo. Não só já houve esforços dirigidos para os “grupos de risco” – campanhas de trocas de seringas entre heroinómanos e acções de rua junto de prostitutas – como, sendo a presente campanha abrangente, não exclui por definição os “grupos de risco”. Logo, o que aborrece Miranda é provavelmente mais a inclusão de pessoas – digamos – normais no público-alvo do que a ausência de enfoque exclusivo nos “grupos de risco”. Só isso, aliás, explica as contas que ele resolveu rabiscar para provar que esta campanha é dinheiro deitado “ao lixo”.
(…)

Blog Cinco Dias

Comentário 1: a preservação do espécime causa espécie e o preservativo causa espécie à espécie.
Comentário 2: a máxima popular “só há duas mulheres honradas no mundo, a minha mãe e a mãe dos meus filhos” não é medieval, é actual – e não apenas entre o povo.
Comentário 3: o paradigma filosófico “todas as pessoas nascem boas e honestas” já não é actual, é medieval – e não apenas entre os filósofos.

Estimated per act risk for acquisition
of HIV by exposure route
Exposure Route Estimated infections
per 10,000 exposures
to an infected source
Blood Transfusion 9,000
Childbirth 2,500
Needle-sharing injection drug use 67
Percutaneous needle stick 30
Receptive anal intercourse* 50
Insertive anal intercourse* 6.5
Receptive penile-vaginal intercourse* 10
Insertive penile-vaginal intercourse* 5
Receptive oral intercourse 1
Insertive oral intercourse* 0.5§
Nota 1 assuming no condom use
§ source refers to oral intercourse
performed on a man
Quadro extraído de Wikipedia (sem notas).

«DID YOU KNOW…
– that only 5% of affairs result in marriage between the affair partners?
– that an estimated 10% of all children born to married women are raised by husbands who aren’t the biological father – but don’t know it?
– that 5% of all married men and women cheat in any given yearNota 2?
»
Judith Brandt, The 50 Mille Rule

«According to the current infidelity statistics 60% of men and 40% of women are involved in extramarital affair
Cheating and Infidelity statistics

«Recent studies reveal that 45-55% of married women and 50-60% of married men engage in extramarital sex at some time or another during their relationship. (Atwood & Schwartz, 2002 – Journal of Couple & Relationship Therapy) (link

* Heterossexuais (351): 122 casos de SIDA; 43 casos sintomáticos não-SIDA; 186 casos de PA;
* Toxicodependentes (109): 40 casos de SIDA; 7 casos sintomáticos não-SIDA; 62 casos de PA;
* Homo/Bissexuais (88): 16 casos de SIDA; 11 casos sintomáticos não-SIDA; 61 casos de PA;
(Dados do 2º semestre 2007. Fonte: INSARJ)

Comentário único: toca a ir ali assim ver a maneira correcta de colocar o preservativo.

O meu contributo para a campanha:

SEMPRE QUE UM MÉDICO LHE PRESCREVER ANÁLISES AO SANGUE, PEÇA-LHE PARA INCLUIR O HIV NA LISTANota 3.

INSCREVA-SE COMO DADOR DE SANGUE!

Nota 1 Mas que raio de designação é esta? Não seria Coordenação Nacional para o Combate à Infecção VIH/SIDA?
Nota 2 Estes 5% referem-se a infidelidades de “militantes” indefectíveis do ramo, isto é, aqueles que poderiam ser apanhados (se alguém andasse por aí com uma lanterna à procura deles) a dar “facadinhas” no casamento em qualquer dos anos em que dura o feliz enlace. Ou, noutra perspectiva, referem-se ao número de novos aderentes à “causa” da infidelidade matrimonial em cada ano que passa.
Nota 3 E sífilis, também.

P.S.: Portugal é, mais uma vez tristemente, recordista europeu em transmissão de HIV entre heterossexuais. É a tal probabilidade enormemente ínfima.

AMIgos do ambiente

AMIAMI lança ao público projecto de Recolha de Óleos Alimentares Usados

Pela primeira vez, vai passar a existir em Portugal, uma resposta de âmbito nacional para o destino dos óleos alimentares usados. A partir de dia 15 de Julho, a AMI lança ao público este projecto que conta já com a participação de milhares de restaurantes, hotéis, cantinas, escolas, Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais.

A AMI dá com este projecto continuidade à sua aposta no sector do ambiente, como forma de actuar preventivamente sobre a degradação ambiental e sobre as alterações climáticas, responsáveis pelo aumento das catástrofes humanitárias e pela morte de 13 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

Os cidadãos que queiram entregar os óleos alimentares usados, poderão fazê-lo a partir de agora. Para tal, poderão fazer a entrega numa garrafa fechada, dirigindo-se a um dos restaurantes aderentes, que se encontram identificados e cuja listagem poderá ser consultada no site www.ami.org.pt.

O embrutecimento global

A propósito deste post do vizinho Hora Absurda, sobre a espantosa fraude a que geralmente se chama “aquecimento global”, veja-se uma entrevista, muito apropriadamente intitulada como “Green Terror” (terror ecologista, ou “terror verde”).


https://www.youtube.com/watch?v=G-rBTKcGZOw

Mesmo (muito) tempo depois de ter concluído que o dito “aquecimento global” pura e simplesmente não existe, ainda não compreendi a razão pela qual tanta gente – com idade para ter juízo – continua a acreditar cegamente em tão gigantesca mentira.

E também não dá para entender, ora isso é que eu gostava que me explicassem, direitinho, porque raio alguém se lembrou de inventar a bojarda.

Sempre achei que aquilo era mais uma maneira de diabolizar os USA, dando a entender que são os americanos os maiores poluidores do planeta, mas isso não pode ser porque, à uma, muitos dos maiores “ecologistas” deste mesmo planeta são americanos, alguns deles com responsabilidades governamentais, e porque, às duas, os maiores poluidores são, desde que existe indústria, a China, a Índia e a Rússia.

Então, se não é por isso, porque isso não pode ser, é porquê? Pura estupidez, será? Mas, caramba, mesmo se tivermos por adquirido que um tipo como (por exemplo) Al Gore não fica a dever nada à inteligência, custa a engolir a tese de que tanta gente seja assim tão completamente destituída de senso comum.

Má-fé, então? Apostaram no cavalo errado e agora não querem passar por parvos? Bem, isso explicaria realmente muita coisa. É pelo mesmo princípio, na acepção dialéctica do termo, que ainda hoje existem comunistas e nazis – mesmo depois de a realidade ter destruído irremediavelmente tudo aquilo que uns e outros acreditavam ser possível.

Como disse não sei quem (William Randolph Hearst?), «Never let the truth stand in the way of a good story». Pois. Não permita que a verdade estrague uma boa história.

Deve ser isso.

Sabemos que o terrorismo ecológico rende politicamente (dá votos) e sabemos que rende economicamente (dá dinheiro, muito, e dá “tachos”, dos grandes). Mas quem não ganha nada com isso, afinal, recebe o quê em troca de papaguear bambochatas?

DN off (line & the record)

Do Diário de Notícias de hoje, recortei 4 notícias. Títulos:

1. Sócrates cravou-me seis cigarros
2. 20 mil brasileiros querem dar aulas em Timor-Leste
3. Blogues a uma só voz, talvez
4. António Nunes investigado por indícios de corrupção

Destas quatro, quantas estão disponíveis online, no site do jornal?

Quer-se dizer, mas quantas, mesmo quantas dessas quatro, a bem dizer, mas mesmo rigorosamente, assim um númerozinho redondo, e tal, só para a gente fazer uma ideia?

Ok: ZERO.

Népia. Nestum. Nada. Nem uma.

Proponho à votação o site do DN como a mais completa e retinta MERDA da imprensa portuguesa online.

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Ora bolas. Assim não dá gozo nenhum. Um gajo digitaliza os recortes e fica logo sem vontade nenhuma de mandar umas bocas sobre aquelas tretas todas. Enfim, é ler. São documentos que falam por si (eles mesmos): Sócrates deixou de fumar dois cigarros ao mesmo tempo; Timor vai falar tétum com sotaque brasileiro; a ASAE anda com um galo do caraças; alguns “belogues” vão fazer uma associação de alguns “belogues” e, mesmo assim, talvez.

A choldra

Há coisas que não mudam grande… coisa. Uma delas é a política, em especial na sua faceta parlamentar.

Como dizia Eça de Queirós, isto, este país, é mesmo uma “choldra” e os portugueses, citando uma personagem queirosiana, “são extraordinários. Desorganizam-me, preciso ar!”

Ler as actas dos debates parlamentares do século XIX é um exercício fascinante; se nos abstraírmos das diferenças ortográficas e das referências monárquicas, estas discussões poderiam perfeitamente ter ocorrido ontem à tarde, em S. Bento.

Os debates da Câmara dos Senhores Deputados, dos Pares do Reino, da Câmara dos Senadores e das Cortes Constituintes são, de forma quase arrepiante, uma viagem de ida e volta ao passado sem sair nunca do presente ou, dito de outra forma, um método extremamente eficaz para conferirmos a velha máxima de que é preciso mudar tudo para que tudo fique na mesma.

O atávico “absentismo” dos deputados portugueses
«O Sr. Borges Carneiro: – Sobre este objecto he indispensavel tomar alguma medida, e determinar-se que aquelles Senhores Deputados que não vierem às Cortes, a não ser por molestia que os impossibilite de sair de casa, não venção a sua diária. Po contrario dão as Cortes máo exemplo aos mais empregados públicos, pois he bem escandaloso á Nação estarem recebendo diarias sem assistirem ás sessões, e andarem passeando ou tratando de seus negócios particulares. Se as autoridades superiores derem máo exemplo, ás outras fica autorizada a relaxão, pois Regis ad exemplum totus componitur orbis. Por tanto sou de parecer e proponho que passados os dias das licenças que o Sr. Presidente agora tiver concedido aos que estão fora de Lisboa, se não concedão mais licenças, nem venção diarias os que faltarem, salvo se constar que se a chão doentes na cama, sem sairem de casa: no que se deve estar pelas suas palavras sem dependencia de attestação de medico, porque se algum Deputado fosse capaz de servir-se destas attestações sem doença effectiva, teria quantas quizesse, pois são attestações graciosas que na actual relaxação não merecem credito. Ponha-se attenção nisto, porque a nação deve-se escandalizar de se estarem gastando tantas moedas de ouro por dia por quem não assiste, e em uma legislatura que dura pouco tempo.»
30 de Dezembro de 1822

As “incompatibilidades” dos senhores deputados
«O Sr. Serpa Pinto: – Quando se fala de ordenados accumulados não póde deixar de se falar em indivíduos; quando se dão ao Fava tres mil e duzentos para uma sege, e desoito tostões para uma cavalgadura, não se ha de falar nelle? Para isto he que me levanto.
O Sr. Gouvêa Durão: – Não me consta que o Fava receba taes tres mil e duzentos para sege; ha dois annos que nada recebe.
O Sr. Leite Lobo: – Deixemonos de Favas. Eu não me accomodo que se faça orçamento de obras publicas privativamente para Lisboa: parece que por exclusão de partes se fica entendendo que não ha orçamento de obras publicas para as provincias; isto he injusto, e as provincias merecem toda a contemplação.
O Sr. Borges Carneiro: – Quero saber se o intendente das obras publicas vence algum ordenado como intendente do palacio da Ajuda; eu segundo logar quero saber se a despeza da sege, que não recebe, está revogada por decreto.
»
16 de Janeiro de 1823
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Versão em Inglês

User-generated content and weblogs – a new challenge

Weblogs and other new on-line media pose new challenges, note MEPs. The growth of commercial media outlets for user-generated content, such as photos and videos, that are used without paying a fee, raises problems of ethics and privacy, and puts journalists and other media professionals under pressure, they say.

The Committee also says that new legal measures are needed to protect the privacy of citizens and public figures in cases where it is breached by the growing use of the user’s own videos and photos.

As weblogs represent an important new contribution to the media pluralism, there is a need to clarify their status, and to create legal safeguards for use in the event of lawsuits as well as to establish a right to reply, says the report.

The report was adopted with 33 votes for, 1 against and no abstentions.

Versão em Português

O estatuto dos blogues

De acordo com o texto, apesar de os blogues serem um meio de expressão cada vez mais comum, o estatuto dos seus autores e editores, nomeadamente o seu estatuto jurídico, não está definido nem é indicado aos leitores, o que causa incertezas em relação à imparcialidade, fiabilidade, protecção das fontes, aplicabilidade dos códigos deontológicos e atribuição de responsabilidades em caso de acção judicial.

“Os blogues e os outros conteúdos produzidos pelos utilizadores da Internet contribuem de forma viva e enérgica para o pluralismo da comunicação e não devem ser sujeitos a restrições. No entanto, existem algumas questões legais, designadamente o direito de resposta, que carecem de uma solução adequada” afirmou o eurodeputado belga Ivo Belet (Grupo do Partido Popular Europeu e dos Democratas Europeus)

“Os blogues não podem ser considerados automaticamente uma ameaça, mas imaginemos os grupos de pressão, os interesses profissionais ou quaisquer outros grupos que utilizem os blogues para veicular a sua mensagem. Os blogues são instrumentos poderosos e podem funcionar como uma forma avançada de exercício de pressão. Nesse caso, poderão ser considerados uma ameaça” afirmou, por seu lado, o eurodeputado alemão Jorgo Chatzimarkakis (Grupo da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa).

“Não consideramos os blogues como uma ameaça. No entanto, sabemos que podem poluir, de forma considerável, o ciberespaço” referiu a autora do relatório, para quem a clarificação do estatuto permitiria a resolução legal de eventuais litígios.

Agradecemos os comentários enviados. Em breve publicaremos um artigo sobre o debate e a votação do relatório pelo plenário do Parlamento Europeu.

No “Projecto de Relatório sobre a concentração e o pluralismo dos meios de comunicação social na União Europeia (2007/2253(INI))” existe um total de 6 (seis) referências a “blogues”.

Isto significa, à cabeça, duas coisas: que é este o termo doravante “atestado” para designar weblog em Língua portuguesa e que os ditos “blogues” passam a ter um atestado formal que valida a sua qualidade incondicional de mass media – o que equivale por dizer que, no seu conjunto e individualmente, pertencem ao universo e integram-se no âmbito, com igual peso funcional, dos meios de comunicação social.

Estas são as boas notícias.

As más notícias podem sintetizar-se numa frase curta e grossa: este atestado é também uma certidão de óbito. Agora é oficial, a “blogosfera” morreu.

As (enormes) diferenças de interpretação e de enfoque que se notam entre os textos de divulgação deste Projecto de Relatório fazem temer o pior; sobre o mesmo documento, dois entendimentos… é muito mau sinal. Compare-se o que se diz em Inglês com o texto correspondente em Português, ambas as coisas publicadas no site do Parlamento Europeu, e a conclusão só pode ser uma: a coisa – no que à “blogosfera” lusa diz respeito – vai ser muito mais dura e assertiva do que em qualquer outro país europeu.

Sinceramente, confesso que desta vez não me vou dar ao irrelevante luxo de contrastar os textos, tintim por tintim, realçando as discrepâncias, as incongruências e as contradições. Cada qual, se quiser, que se dê a esse trabalho. Para quem não se quiser dar a esse trabalho, sugiro que siga a receita que se dá geralmente: quem não sabe ler, veja os bonecos. Basta comparar os títulos, basta (a olhómetro) ver a diferença de tamanhos entre um e outro, basta pescar, aqui e ali, algumas ideias-base.

No fundamental, e mesmo dando de barato essas diferenças, o que mais interessa é o facto obituário: este extraordinário projecto europeu diz, em sumaríssima linguagem de medicina legal, que os weblogs morreram devido a um súbito ataque de burocracia e a excesso de regulamentação, quadro clínico que foi ligeiramente apressado por um grandessíssimo pontapé na cabeça de todos e de cada um dos bloggers. Mais declara, qual relatório de autópsia, que foram as palavras-chave “ameaça” (3 vezes), “pressão” (2 vezes) e “estatuto” (4 vezes), em concreto, aquilo que provocou o colapso geral que levou a “blogosfera” à morte cerebral.

Requiescat in pace.