Paranóia normal não é (bem) paranormal

Pobre Língua
Não tenho obviamente nada contra o modo de falar lisboeta que, entre muitas outras particularidades, suprime os ditongos “ai” e “ou”, pronunciando, por exemplo, “fàcha” em vez de “faixa”, “bàcha” em vez de “baixa”, “pàchão” em vez de “paixão”, “frôcho” em vez de “frouxo”, ou “sôto” em vez de “souto”, etc. Todos temos direito aos nossos modos de falar regionais.
Mas não será de exigir que os profissionais de comunicação, especialmente nas estações de rádio e televisão de cobertura nacional, respeitem a norma fonética da Língua? Por este andar, à custa de tanto ouvir, dentro de alguns anos todos tenderemos a falar à maneira desse “lisboetês” vulgar, só por ser o modo de falar da capital do País, onde todo o poder mora, até o poder de desprezar nos media lá sediados a norma erudita da Língua…
[Publicado por Vital Moreira] [10.9.08] [Permanent Link]

Acordo ortográfico
Parece que foi retomado o esquecido processo da reforma ortográfica da Língua Portuguesa, visando uma tendencial uniformização da grafia da língua em todos os países que a partilham, actualmente separada entre a norma brasileira e a norma portuguesa (vigente também nos demais espaços lusófonos fora do Brasil).
Sou a favor, tal como há 14 anos. Mas se se mantiver a oposição radical de então, não faltarão manifestações, abaixo-assinados, ameaças de desobediência cívica (por exemplo recusa de utilização da nova grafia) ou mesmo exigência de um justiceiro referendo contra o “atentado à Língua”. A demagogia nacionalista subirá ainda mais alto do que ameaça subir no caso do referendo da constituição europeia.
[Publicado por Vital Moreira] [25.11.04] [Permanent Link]

[Por uma questão de sanidade mental, o texto seguinte deve ser lido segundo a “norma fonética” brasileira]

Isso daí é uma confusão que não se agüenta. Existe disso de “norma fonética” portuguesa, você acha, da mesma forma que acha absolutamente necessário impor a “norma ortográfica” brasileira?

Nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, por exemplo, se fala de tal jeito que seria necessário colocar legendagem por baixo! É assim mesmo, e não só em vossas “ilhas adjacentes”, também no Porto, no Minho, em Trás-Os-Montes, nas Beiras, no Alentejo, no Algarve, em Portugal todo mundo foi batizado Português e ninguém carece de “norma fonética”. Isso é troço que não existe, não. O povo de Setúbal, por exemplo, fica metendo “érres” dobrados nas “palavrras”, meio à toa, e ninguém vai ficar pegando no pé deles por causa disso.

E olha lá, que os exemplos seriam demais, mesmo sem contar com os falares típicos e regionais do Português de todos outros países lusófonos, incluindo a Galiza.

Caboclo fala bem diferente de mineiro, não é mesmo? Tem caipira, tem sertanejo, tem carioca, e daí? Tem um montão de falares em todo Brasil, cada qual com seu jeito e sua História, lógico, nada de mais.

Isso já é mania, heim? Você pretende tornar obrigatório que todo mundo lusófono escreva do jeito do Brasil, com esse tal de “acordo ortográfico”, e agora também quer impor um “acordo fonético” para todos seus compatriotas?

Que é isso, cara, ‘cê ’tá louco?

Depois de “sanear” e “normalizar” foneticamente os “profissionais da comunicação” em particular, quem mais ou que outras profissões deveriam ser fonologicamente higienizadas?

Existe “lisboetês”, sim, como existe “portunhol” na raia e como se fala “beinhe” no Norte, “bêm” no Sul, em linguagem “porrêrra” no Sado ou de qualquer outra forma em qualquer outro lugar. São coisas da vida, ’tá sabendo? Incontroláveis, selvagens, sem qualquer possibilidade de intervenção legislativa. É possível detestar, odiar, abominar os falares típicos daqui ou dali, desse ou daquele, mas é impossível obrigar seja quem for, nem mesmo o careca, ou até sua vovozinha, a falar diferente.

A gente, aqui no Brasil, se tem dado bem com a diversidade – aliás, é essa nossa principal caraterística, nosso cunho universalista, nossa identidade.

Sua obsessão pela norma tem alguma coisa de paranóico, me parece. Sem ofensa, claro. Tem cura para a demagogia uniformista, ‘viu?

Cherchez la masse…

UMA DESNECESSIDADE ORTOGRÁFICA
Ruy Ventura

A reforma ortográfica que, em breve, será posta em prática nos países que falam a língua portuguesa nas suas múltiplas variantes é, quanto a mim, uma desnecessidade e um desperdício de energias.

Ao contrário do que defendem os advogados deste acordo político, o que divide as diversas variantes da nossa língua materna não é, nem nunca foi, a ortografia. Nunca a grafia diferenciada impediu o entendimento dos escritos brasileiros em Portugal ou dos textos portugueses no Brasil ou noutras partes. Temo-nos entendido até agora – e assim continuaríamos, mesmo que não nos impusessem este processo de simplificação (?) da escrita. Quem tenha mínima consciência das várias formas do português falado e escrito sabe que a separação entre elas acontece sobretudo ao nível da pronúncia, do vocabulário e da sintaxe. O que não constitui qualquer problema. É um sintoma de riqueza – que só mentes preguiçosas, amigas da facilidade militante que vai empobrecendo a nossa sociedade, podem rejeitar.

A reforma da ortografia não responde por isto a qualquer necessidade intrínseca. Não partiu de um movimento científico ou cultural de qualquer dos países constituintes da Comunidade de Povos de Língua Portuguesa, mas da mente de alguns políticos e de alguns académicos especialmente preocupados em uniformizar o que nunca poderá ser uniforme e em submeter tudo às “leis do mercado”.

Uma pergunta se impõe então no meu espírito. Se não existem neste “acordo” necessidades culturais ou científicas (e muito menos educativas, pois esta reforma pouco alterará no ensino do Português), que propósitos presidiram então à sua elaboração/aprovação? Um amigo meu lembrou-me há dias a frase de um romance policial: “Sigam o cheiro da massinha…” Assim será? Quem ganharia com isso? Entre dúvidas, uma certeza se me impõe: quem esteve/está por detrás disto será tudo, menos ingénuo.

[Transcrição integral. Texto da autoria de Ruy Ventura, publicado na secção História do site TriploV, em “debate sobre o ACORDO ORTOGRÁFICO da Língua Portuguesa — 1990 (Nota do TriploV em Abril de 2008: Ainda não foi aprovado)”.]

Tema e variações

Tema
Maior diminuição regista-se no terceiro ciclo
Chumbos no básico e secundário atingiram este ano o valor mais baixo da última década
09.09.2008 – 08h25 Lusa

Variações
Maior desastre regista-se no terceiro ciclo
Conhecimentos no básico e secundário atingiram este ano o valor mais baixo da última década
09.09.2008 – 08h25 Lusa

Maior diminuição regista-se no terceiro ciclo
Exigências no básico e secundário atingiram este ano o valor mais baixo da última década
09.09.2008 – 08h25 Lusa

Maior índice regista-se no terceiro ciclo
Ignorância no básico e secundário atingiu este ano o valor mais alto do último século
09.09.2008 – 08h25 Lusa

Maior diminuição regista-se na terceira galáxia
Alunos no ensino atingiram este ano o valor mais baixo do último milénio
09.09.2908 – 08h25 Musa

A entoação na Língua Portuguesa

A língua portuguesa é falada por cerca de 220 milhões de pessoas no Brasil e no mundo — aproximadamente 190 milhões de brasileiros, outros 10,5 milhões de portugueses e demais falantes em países africanos e em comunidades na Ásia e América. O que coloca o idioma na quinta posição entre os mais falados do planeta. Entretanto, o português é o único idioma ocidental a adotar duas grafias oficiais.

Boca foleira publicada numa página da OEI (Organización de Estados Iberoamericanos)

“O Português é o único idioma ocidental a adoptar duas grafias oficiais”.

Muita gente diz isto num tom compungido, tristonho, encabulado. É do ponto final, cá p’ra mim.

A coisa deveria ser dita com a maior cagança, orgulhosamante, de peito feito e com um sorriso rasgado: caramba, o Português é a única Língua com duas grafias oficiais!!!

Pode-se optar pelo ponto de exclamação único, para não exagerar muito, mas sempre, sempre, sempre isto deve ser dito com orgulho, com pundonor, com o peito inchado: duas! Duas grafias oficiais, temos nós e só nós! Tomai lá para o tabaco, ó bárbaros das inglaterras e das américas. Nós somos únicos no mundo, somos os maiores, os mais arrojados, os bravos dos bravos. Dois dicionários, dois prontuários. Temos a dobrar o que os outros povos todos apenas têm em singelo.

É extraordinário. Vou repetir, porque me sabe esplendidamente dizê-lo, porque saboreio nisto cada palavra: existem duas grafias oficiais em Português, duas!

Que maravilha, companheiros do Brasil! Que delícia, caros compatriotas!

O Chrome é Beta…

O Google Chrome foi lançado em versão “Beta”, ou seja, não definitiva; está a ser testado e melhorado continuamente. Por sinal, com a colaboração directa dos (já) muitos milhares de utilizadores em todo o mundo. Qualquer um pode enviar a qualquer momento relatórios (automatizados) sobre o funcionamento deste novo browser, colaborando pessoalmente na sua contínua melhoria.

A nível de segurança, por exemplo, aparentemente a coisa vai funcionando menos mal. Ainda há pedaço, pela primeira vez, deparei com este aviso de página inteira.

click para ampliar a imagem

A partir dessa página, é possível obter algumas informações do risco em causa ou – aceitando esse risco – retroceder deliberadamente para o endereço onde foi detectada a “infecção” com software maligno.

Nunca fiando, porém. Pode ser falso alarme, até pode ser um qualquer erro, algures no processo, mas sempre será mais fiável seguir uma indicação que resulta do trabalho de uma equipa competente do que seguir meros palpites ou o mais básico instinto facilitista.

Neste caso, até porque absolutamente inédito (no Chrome), limito-me a divulgar o sucedido. Com as minhas desculpas à autora daquele blog, que espero compreenda o interesse público desta divulgação, e com a promessa de que aqui virei corrigir o que for, se for ou quando for necessário.

Aliás, corri o dito risco para avisar a dita autora do ocorrido no seu próprio blog…

Enfim, nestes casos, depois de correr o risco, o melhor ainda é “correr” um anti-vírus integral. É já a seguir.

Ispêciáu: ácôrdu ôrrrrtôgráfiku

imági dji Pôrtau IG

“O acordo levou vários anos para ser aprovado pelos países da comunidade de língua portuguesa e o Brasil foi o que mais batalhou pela sua implantação. Antecipar essa medida é acompanhar o desejo de especialistas, como Antônio Houaiss, e atestar que acreditamos que a reforma será capaz de promover a expansão internacional de nosso idioma”, afirma Caíque Severo, diretor de Conteúdo do portal iG.

Ah. O Brasil foi o que mais “batalhou”. Ah. Pois foi. Ah, lá isso, batalhar, o Brasil “batalhou”. Batalhou que se danou.

E não só “batalhou” como até antecipou. O meio editorial brasileiro fez outro tanto, principalmente na parte do “antecipou”.

Porque será? Será do Guaraná?

O melhor amigo de Maddie


[ver em ecrã total]

Em mais de 200 investigações, estes cães pisteiros NUNCA se enganaram. Desta vez, a pedido da Polícia Judiciária portuguesa, detectaram cheiro a sangue e a cadáver no apartamento dos McCann na praia da Luz, Algarve, na viatura que o casal Kate e Gerry alugou TRÊS SEMANAS depois do desaparecimento da sua filha, no dia 3 de Maio de 2007, e ainda em algumas roupas e até num boneco de trapos de Madeleine.

Gore você mesmo

Alguma vez ouviu falar de uma coisa chamada “aquecimento global”? Não? Não??? Nãããããooo?!

Bem, pronto, está bem, se nunca ouviu, nunca ouviu, não vale a pena exaltar-se por tão pouco. Porém, assim sendo, e como a pergunta era apenas destinada a terráqueos, o que manifestamente não é o seu caso, o melhor será então voltar lá para o seu planeta, Melmac ou lá o que é. Vá pela fresca. Boa viagem.

Evidentemente, a dita pergunta é meramente retórica, a bem dizer para dar estilo, e assim. Não existe absolutamente ninguém à superfície da Terra que nunca tenha ouvido falar desse tal “aquecimento global”; ou do seu paladino mais significativo, Al Gore de seu nome, ex-candidato a uma data de coisas e recentemente metido a realizador de cinema, muito na linha de Steven Spielberg e igualmente dado aos efeitos especiais e à intoxicação sistemática por via ocular, com doses maciças de estupidez.

A “playlist” que está ali em cima foi produzida com todo o carinho, salvo seja, com o profiláctico intuito de proporcionar a vocelências um vislumbre minimamente fundamentado daquilo em que consiste a maior fraude do século XXI, ou seja, dos últimos oito anos mais uns pozinhos do século passado.

São dezasseis videoclips bastante variados, alguns em cadeia porque são partes de documentários completos, que demonstram à saciedade o carácter verdadeiramente mafioso da indústria ecologista e, se bem que tal nem fosse necessário, porque estamos fartos de saber, a inacreditável hipocrisia dos seus principais paladinos mai-la irritante obtusidade dos militantes de tão Alienígena “causa”.

Para apreciar como deve ser este suculento enxerto de porrada, ao longo de mais de duas horas, é altamente recomendável que arranje maneira de ninguém vir chatear ou melgar à sua volta.

Com os cumprimentos da gerência, divirta-se.


[ver em ecrã total]

Todos os vídeos são em Inglês.

P.S.: note-se a quantidade de referências à censura exercida pelos “media” da situação PC nos USA; não admira que num país tão atrasado como Portugal essa mesma censura seja absolutamente canina, total.