A mão invisível

Há cerca de um mês deparei com um aviso ao qual já estou habituado, de tão frequente, mas desta vez a coisa trazia na ponta da corda uma inovação.

O aviso era (e continua a ser) este.
E a inovação era (e continua a ser) a seguinte: todo o domínio https://cedilha.net foi banido do Fakebook.

Desta vez já não se trata “só” de algum “post” de um dos quatro “blogs” alojados no domínio — do qual eu sou o único proprietário, responsável e autor –, a erradicação é total e absoluta, abarcando qualquer conteúdo (texto, imagem, referência, ficheiro autónomo, endereço ou “link” interno) com origem em “cedilha.net”.

Isto poderá ter ocorrido por via de algum erro técnico do próprio Fakebook, cujos automatismos pidescos são não apenas cada vez mais elaborados como crescentemente radicais. Portanto, caso os protestos — meus e de outros — resultem na reposição dos conteúdos e da normalidade, isto é, se realmente este tiver sido apenas mais um dos casos de “lapso” (técnico ou de tipo equivalente), então cá estaremos para dar pública conta do restabelecimento da normalidade.

Porém, atendendo aos antecedentes — ataques diversos tanto ao domínio como, em especial, aos conteúdos referentes à luta contra o chamado “acordo ortográfico” — e considerando que nenhuma das reclamações que apresentei, por duas vias e meios diferentes, obteve qualquer espécie de resposta por parte do “staff” daquela rede anti-social, julgo ser meu dever, enquanto simples cidadão em geral e na qualidade de defensor da liberdade de pensamento e de informação em particular, alertar a comunidade cibernética portuguesa.

De forma não exaustiva mas apenas ilustrativa, passo a citar alguns dos antecedentes a que me refiro.

  1. Ataques DDoS: especialmente visando o derrube do “site” original da ILC-AO, alojado neste domínio entre 2010 e 2015, este tipo de ataques (apenas revelados em parte e ocasionalmente denunciados, tal era a recorrência) teve por principal consequência o facto de o dito “site” ter ficado por diversas vezes “inacessível”, com durações variáveis, entre apenas algumas horas e um a três dias. Este tipo de ataques pode afectar (ou paralisar) todos os demais domínios fisicamente alojados no mesmo “host”, o que permite a este, para proteger os seus legítimos interesses, rescindir unilateralmente o contrato de alojamento do “site” atacado, que portanto passa a ser na prática culpado pelo ataque.
  2. Vídeos públicos denunciados por “copyright infringement“: esta manobra de sabotagem implica a abertura de “buracos” em “posts”, verdadeiras crateras que retiram — por anulação do conteúdo — qualquer sentido ao texto que ilustrava, esvaziando assim o que se pretendia veicular. Na prática, é muito simples para qualquer biltre fazer esta patifaria: basta, sem se identificar ou inventando uma identidade ad-hoc, que denuncie a utilização de determinado vídeo em conteúdos de terceiros, alegando que o dito vídeo é de sua propriedade intelectual (ou outra). O serviço onde está alojado o vídeo (por exemplo, o YouTube) recebe a “queixa” do vigarista e, sem direito a qualquer contraditório ou defesa, pura e simplesmente anula/proíbe o vídeo na conta do utilizador, o criador do “post” onde a gravação estava… e avisa este de que mais umas quantas queixas do género e cancela-lhe não apenas aquele vídeo mas a utilização de qualquer outro, seu ou alheio, anulando-lhe radicalmente a conta na plataforma.
  3.  Facebook – 1: “bloqueio temporário” na rede anti-social por delito de opinião, utilizando imagens “banidas” (por exemplo, da revista americana “Time”) e texto “proibido” por ser politicamente incorrecto. Este tipo de censura implica tempos de “suspensão” crescentes (uma espécie de condenação ao ostracismo cuja duração vai crescendo consoante o número de “crimes” cometidos) e tem por principal finalidade — digo eu, que nada mais me ocorre para explicar semelhante estupidez — deixar o “prevaricador” fakebookiano permanentemente na dúvida e em guarda, ou seja, auto-censurando-se por reflexo pavloviano. Isto deixa mais tempo livre aos agentes das diversas polícias secretas que se alimentam (literalmente, que vivem à custa) das redes anti-sociais,
  4. Facebook – 2: bloqueio temporário por exposição de lascívia heterossexual (deve ser isto que os tipos chamam à coisa, salvo seja, porque ao que consta se a lascívia for homossexual já não há problema nenhum, tudo na boazinha). A modalidade de censura misógina que consiste basicamente em não admitir imagens de seios (se calhar era melhor dizer “mamas”), coxas, imagens frontais ou traseiras que incluam a zona púbica (não confundir com “pública”) e, por extensão, em sentido lato, tudo aquilo que, mesmo vagamente, cheire a mulher. Mesmo que se trate, como nos casos aqui ilustrados, de um vídeo de Barry White (esse tarado) ou de uma pintura célebre de Courbet (outro tarado, do piorio, ui ui).
  5. Facebook – 3: censura (com bloqueio, suspensão ou erradicação) por “denúncia” de um gajo que a bófia conhece ou em que é ele mesmo, em simultâneo, o “denunciante” e o bófia que toma nota da “ocorrência”. As modalidades de censura no Fakebook dependem absolutamente de que existam dois elementos envolvidos: um bufo, que denuncia uma invenção ou inventa uma denúncia, e um bófia (ou assimilado), que de imediato suspende o “prevaricador”, apaga a “prevaricação” ou, nos casos mais “graves” ou reiterados, liquida sumariamente a conta do “criminoso”. Em especial desde que a polícia política cibernética abriu em Portugal uma delegação, sob a égide e usando o logótipo do Fakebook, a quantidade (e a inerente, gigantesca, colossal estupidez) das denúncias, das suspensões e das eliminações de contas disparou para níveis estratosféricos. Como é hábito neste país, desde pelo menos os tempos do Intendente Pina Manique, as sucessivas polícias políticas recrutam os mais retardados dos atrasados mentais — coisa, que, de resto, não é difícil encontrar em Portugal — e esses perfeitos imbecis limitam-se a perpetuar, julgando proteger enquanto se babam alarvemente, o ancestral statu quo, a oligarquia do pensamento único, a cleptocracia dominante — canalha, violenta, execrável mas sempre triunfante.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10156555619847452&set=a.197455097451

Caso se confirme que desta vez foi denúncia e não erro técnico, então isto, que é só uma pequena amostra daquilo de que são capazes os capangas do regime, pode bem servir não só de alerta como também de exemplo: que cada qual tome as precauções que entender.

Tenho para mim que tais precauções são um paradoxo em democracia, contradição nos termos, antítese e negação de valores axiomáticos. O que excluiu liminarmente, portanto, a lógica do absurdo.

[Nota1: se ainda puder, voltarei a este assunto no Apartado 53. “Palpita-me” que este banimento radical tem tudo a ver com o que ali vou publicando. Pois se é aquele o único dos “blogs” que mantenho permanentemente activo…][Feito (16.08.).]
[Nota2: este “post” foi também publicado no “Apartado 53” com a mesmas data e hora.]

A educação dos patos-bravos

Na restante região do Tâmega e Sousa os outros concelhos afectados são Paredes com 14 escolas fechadas, Felgueiras com 13 encerramentos. Com menos escolas a fechar, aparecem os concelhos de Amarante, com seis escolas, Lousada com cinco, Baião e Marco de Canaveses ambas com quatro estabelecimentos de ensino do 1º Ciclo Básico encerrados.

António Orlando/ Inês J. Marques, Rádio Clube Penafiel


Talvez haja aqui algum equívoco.

A governamental “reorganização da rede escolar” não surgiu pela necessidade de reduzir custos e optimizar recursos? A ideia não era fechar (para já, “apenas” 701) escolas básicas porque não tinham um mínimo de alunos que justificasse a sua continuação?

Então como se pode compreender que, num mesmo Concelho, se fechem cinco escolas e ao mesmo tempo se construa uma outra, novinha em folha, pela “módica” quantia de 4.122.655 Euros?(ver nota de rodapé)

Será este caso único? Quantas empreitadas semelhantes se poderão ainda encontrar? Bem, para já, e dentro do estrito critério de pesquisa “Construção da Escola Básica”, serão 22; já se retirarmos as aspas e “da”, obteremos (neste momento) 37 resultados, que incluem não apenas construções como remodelações, ampliações, etc. E existem 5 adjudicações com valores superiores a 1 milhão de Euros, o que será talvez um bocadinho exagerado para uma simples Escola Primária, como antigamente se dizia.

Mesmo assim, tudo isto só pode ser mais um dos inúmeros “erros”, mais uns quantos dos incontáveis “lapsos de digitação” que têm assolado, qual praga de gafanhotos de proporções bíblicas, o site oficial dos contratos públicos online, o Base.

Ou então, admitamos semelhante coisa sem pestanejar, e com isto voltamos ao início, há-de haver aqui algum equívoco, algum erro de interpretação ou, em suma, uma tremenda confusão minha.

Pois onde já se viu, em que país, em que Continente, em que planeta, que um laborioso plano de contenção de custos e de optimização de recursos resulte, afinal de contas, em gastos torrenciais e faraónicos?

Alguém iria agora ter a peregrina ideia de fechar escolas em lugares remotos por falta de alunos e construir outras escolas mesmo ao lado porque entretanto aos ditos lugares nasceram criancinhas?

Pode lá ser!

Isto sou eu que já não vou para novo, é o que é.

Nota E enquanto se fecham 5 escolas e se constrói uma nova, no mesmo Concelho de Lousada é construído em simultâneo um “centro escolar”, pelo extraordinário valor de 718.915,72 €; extraordinário porque, pelos vistos, um “centro escolar” fica quase seis vezes barato do que uma única escola básica.

Por estas e por outras – www.base.gov.pt

imagem obtida de cache Google; click para aumentar

O grande “hype” inicial foi em princípios do ano passado. Na semana de 10 a 17 de Janeiro de 2009, não deve ter havido um único órgão de comunicação social que tenha ignorado o assunto, a começar por aquilo que mais chamou a atenção geral: uma fotocopiadora por mais de 6,5 milhões de Euros para a Câmara Municipal de Beja.

Esta e outras espantosas “aquisições” espalharam-se rapidamente pela “blogosfera”; já no dia 13 desse mês, a multimilionária engenhoca bejense foi referida, por exemplo, no blog O Insurgente, o qual, por sua vez, referia como fonte um outro blog, com o sugestivo e apropriado nome de “Tirem-me Daqui!“. No dia seguinte, 14, já muitas outras verdadeiras pérolas tinham sido descobertas por diversos bloggers, como a “recuperação de um lago existente” adjudicada a uma empresa de materiais de escritório (no blog Blasfémias), um ligeiro de mercadorias pela módica quantia de 1.236.000,00 (verdadeira pechincha, referida no Apdeites) ou os «600 mil Euros para o vinho e quase 150 mil para reparar uma porta» que o blog Bitaites descobriu.

Um pouco por todo o lado, em blogs às centenas, nos jornais e nos noticiários, foram surgindo vertiginosamente casos cada vez mais escandalosos de gastos faustosos, alguns deles tão absurdos que depressa se começou a suspeitar ou da fiabilidade dos dados ou do algoritmo de pesquisa que permitia obter tão extraordinários resultados. Ora, os dados provinham todos de um site governamental, o BASE, onde se encontram os “ajustes directos” contratados pela Administração Pública, e a pesquisa era efectuada por um “site” externo, tendo o “motor de busca” sido desenvolvido por uma organização independente, a ANSOL.

A iniciativa de criar a rotina de pesquisa surgiu, por parte da ANSOL, porque o site governamental BASE não tinha, naquele tempo, qualquer ferramenta de busca. Como é evidente, a rotina de pesquisa estava correcta, pelo que todas aquelas milionárias adjudicações só poderiam resultar de… erros de digitação!

Bastou, aliás, criar uma rotina de pesquisa Google para comprovar a evidência: uma pesquisa não inventa dados, apenas mostra resultados dos dados pesquisados. A necessidade deste simples exercício de tautologia nunca deveria ter surgido, é claro, mas à época não foram poucas as vozes que levantaram suspeições sobre o rigor das pesquisas e sobre as intenções de quem as fazia.

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Tradução diferida

  • É isso que se pretende: é que as pessoas sejam estúpidas e não pensem.
  • Se eu sou contra o acordo ortográfico, é porque sou “fascista”.
  • Todos nós reagimos contra a geração dos nossos pais, mas dos nossos pais também recebemos os valores.
  • O passado interfere no presente.
  • O saber não é transitório.
  • Um aluno pobre pode ser pobre mas não é estúpido.
  • Isto é que é a perfídia desta política de educação.
  • Os professores têm de desobedecer, desobedecer, desobedecer.
  • O que eu quero é que me oiçam e que não façam de mim estúpida.

Maria do Carmo Vieira

Lisboagate na Wikileaks

Gostaria de alugar uma casa em Lisboa por 50 Euros? Bem, e isso não será muito dinheiro? Que tal uma casinha na Freguesia da Sé, por exemplo, bem perto da Baixa, pela módica quantia de 5 (cinco) “euritos” mensais? Convém-lhe?

Ora então, nesse caso, apenas terá de se dirigir à Câmara Municipal de Lisboa e apresentar ali a sua candidatura. Pode ser que lhe toque a si também um dos arrendamentos ao preço da chuva, como se costuma dizer, que esta prestimosa autarquia disponibiliza.

O site Wikileaks publicou em Outubro de 2008 a lista completa do que na altura já estava atribuído a largas centenas de felizes munícipes.

«File size in bytes
12080830
File type information
PDF document, version 1.3
Cryptographic identity
SHA256 dc75ecf94bb41308e8c942deea0bbecf3c63d9fd2427eb9173684c2afe786399
Description (as provided by our source)
Listagem das casas e dos inquilinos da camara municipal de Lisboa fora dos bairros sociais em Outubro de 2008. Lista completa com habitacoes de renda social, ateliers municipais e palacios municipais. Inclui nome dos inquilinos, valor da renda e freguesia de localizacao.
O escandalo da atribuicao arbitraria de casas camararias pela camara municipal de Lisboa, incluindo o arrendamento por valores irrisorios a personalidades da vida publica portuguesa com posses(politicos, funcionarios do estado e da propria camara, artistas e intelectuais)ficou conhecida como Lisboagate.»

Click AQUI para ver o documento com a lista completa alojado na Wikileaks