Por estas e por outras – www.base.gov.pt

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O grande “hype” inicial foi em princípios do ano passado. Na semana de 10 a 17 de Janeiro de 2009, não deve ter havido um único órgão de comunicação social que tenha ignorado o assunto, a começar por aquilo que mais chamou a atenção geral: uma fotocopiadora por mais de 6,5 milhões de Euros para a Câmara Municipal de Beja.

Esta e outras espantosas “aquisições” espalharam-se rapidamente pela “blogosfera”; já no dia 13 desse mês, a multimilionária engenhoca bejense foi referida, por exemplo, no blog O Insurgente, o qual, por sua vez, referia como fonte um outro blog, com o sugestivo e apropriado nome de “Tirem-me Daqui!“. No dia seguinte, 14, já muitas outras verdadeiras pérolas tinham sido descobertas por diversos bloggers, como a “recuperação de um lago existente” adjudicada a uma empresa de materiais de escritório (no blog Blasfémias), um ligeiro de mercadorias pela módica quantia de 1.236.000,00 (verdadeira pechincha, referida no Apdeites) ou os «600 mil Euros para o vinho e quase 150 mil para reparar uma porta» que o blog Bitaites descobriu.

Um pouco por todo o lado, em blogs às centenas, nos jornais e nos noticiários, foram surgindo vertiginosamente casos cada vez mais escandalosos de gastos faustosos, alguns deles tão absurdos que depressa se começou a suspeitar ou da fiabilidade dos dados ou do algoritmo de pesquisa que permitia obter tão extraordinários resultados. Ora, os dados provinham todos de um site governamental, o BASE, onde se encontram os “ajustes directos” contratados pela Administração Pública, e a pesquisa era efectuada por um “site” externo, tendo o “motor de busca” sido desenvolvido por uma organização independente, a ANSOL.

A iniciativa de criar a rotina de pesquisa surgiu, por parte da ANSOL, porque o site governamental BASE não tinha, naquele tempo, qualquer ferramenta de busca. Como é evidente, a rotina de pesquisa estava correcta, pelo que todas aquelas milionárias adjudicações só poderiam resultar de… erros de digitação!

Bastou, aliás, criar uma rotina de pesquisa Google para comprovar a evidência: uma pesquisa não inventa dados, apenas mostra resultados dos dados pesquisados. A necessidade deste simples exercício de tautologia nunca deveria ter surgido, é claro, mas à época não foram poucas as vozes que levantaram suspeições sobre o rigor das pesquisas e sobre as intenções de quem as fazia.

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Lisboagate na Wikileaks

Gostaria de alugar uma casa em Lisboa por 50 Euros? Bem, e isso não será muito dinheiro? Que tal uma casinha na Freguesia da Sé, por exemplo, bem perto da Baixa, pela módica quantia de 5 (cinco) “euritos” mensais? Convém-lhe?

Ora então, nesse caso, apenas terá de se dirigir à Câmara Municipal de Lisboa e apresentar ali a sua candidatura. Pode ser que lhe toque a si também um dos arrendamentos ao preço da chuva, como se costuma dizer, que esta prestimosa autarquia disponibiliza.

O site Wikileaks publicou em Outubro de 2008 a lista completa do que na altura já estava atribuído a largas centenas de felizes munícipes.

«File size in bytes
12080830
File type information
PDF document, version 1.3
Cryptographic identity
SHA256 dc75ecf94bb41308e8c942deea0bbecf3c63d9fd2427eb9173684c2afe786399
Description (as provided by our source)
Listagem das casas e dos inquilinos da camara municipal de Lisboa fora dos bairros sociais em Outubro de 2008. Lista completa com habitacoes de renda social, ateliers municipais e palacios municipais. Inclui nome dos inquilinos, valor da renda e freguesia de localizacao.
O escandalo da atribuicao arbitraria de casas camararias pela camara municipal de Lisboa, incluindo o arrendamento por valores irrisorios a personalidades da vida publica portuguesa com posses(politicos, funcionarios do estado e da propria camara, artistas e intelectuais)ficou conhecida como Lisboagate.»

Click AQUI para ver o documento com a lista completa alojado na Wikileaks