Vieira

A El-Rei D. João IV

Senhor:

E sabe Deus que com muito zelo de seu serviço, desejo que se guarde justiça a essa pobre gente, para o que vos encomendo muito me advirtais de tudo o que vos parecer necessário, porque fazeis nisso muito serviço a Deus e a mim. Estas palavras, senhor, são de Vossa Majestade, na carta que foi servido mandar-me escrever, e muito dignas de Vossa Majestade; e porque as injustiças que se fazem a esta pobre e miserabilíssima gente, não cabem em nenhum papel, direi somente neste o modo com que se poderão remediar, depois de o ter considerado e encomendado a Deus, e o ter conferido com algumas pessoas das mais antigas, experimentadas e bem intencionadas deste Estado, posto que são nele poucos os que podem dar juízo nesta matéria, que sejam livres de suspeita e dignos de fé, porque todos são interessados nos Índios, e vivem e se remediam das mesmas injustiças que Vossa Majestade deseja remediar.

O remédio, pois, senhor, consiste em que se mude e melhore a forma por que atégora foram governados os índios, o que se poderá fazer, mandando Vossa Majestade guardar os capítulos seguintes:

I. Que os governadores e capitães-mores não tenham jurisdição alguma sobre os ditos índios naturais da terra, assim cristãos como gentios, e nem para os mandar, nem para os repartir, nem para outra alguma coisa, salvo na actual ocasião de guerra, a que serão obrigados a acudir, eles e as pessoas que os tiverem a seu cargo, como fazem em toda a parte; e para serviço dos governadores se lhes nomeará um número de índios conveniente, atendendo à qualidade e autoridade do cargo, e à quantidade que houver dos ditos índios.

II. Que os ditos índios tenham um procurador geral em cada capitania, o qual procurador assim mesmo seja independente dos governadores e capitães mores em todas as coisas pertencentes aos mesmos índios, e este procurador seja uma das pessoas mais principais e autorizadas, e conhecida por de melhores procedimentos, ao qual elegerá o povo no princípio de cada ano, podendo confirmar ao mesmo ou eleger outro, em caso que não dê boa satisfação do seu ofício, o qual ofício exercitará com a jurisdição, e nos casos que ao diante se apontam.

(…)

VII. Que para que os índios sejam pagos de seu trabalho, nenhum índio irá servir a morador algum, nem ainda nas obras públicas do serviço de Sua Majestade, sem se lhe depositar primeiro o seu pagamento, o qual porém se lhe não entregará senão trazendo escrito de que tem trabalhado o tempo por que se concertaram; e para o dito depósito dos pagamentos, haverá uma arca com duas chaves em cada aldeia, uma que terá o religioso que administrar, e outra o principal da mesma aldeia.

VIII. Que todas as semanas ou em todos os quinze dias, conforme o numero das aldeias, haverá uma feira dos índios, à qual cada aldeia por seu turno trará a vender todos os frutos das suas lavouras, e o mais que tiverem, o que servirá assim de que as povoações dos portugueses tenham abundância de mantimentos, como de que os índios levem delas as coisas necessárias a seu uso, e se animem com este com´rrcio a trabalhar; e para que não se lhes possa fazer algum engano nos preços das coisas que lhes forem dadas por comutacão das suas, presidirá nesta feira o procurador dos índios, ou a pessoa a quem ele o cometer, eleita por ele e pelo prelado dos religiosos que na capitania tiverem a seu cargo os índios.

(…)

Maranhão, 6 de Abril de 1654
António Vieira

 

 

Imagem de topo de: SNPC

A mais fantástica lição de História da História

Como foi possível que um pequeno país, na ponta ocidental da Europa, tenha construído um gigantesco império à escala global?

E como é possível que estes “segredos” não sejam sequer mencionados nas aulas de História nas nossas escolas e liceus?

Está tudo aqui, neste vídeo, condensado numa “aula” de apenas 55 minutos. Não é “segredo” algum, afinal: fomos nós, portugueses, foram os nossos gloriosos antepassados quem primeiramente revolucionou a armaria medieval e por isso tornámos invencíveis as nossas flotilhas minúsculas mesmo quando em confronto com armadas imponentes.

“Só em Portugal”, como diz este extraordinário “professor” Rainer Daehnhardt, de sua graça, um português do melhor que há.

 Ricardo da Silva
Armas Portuguesas dos séculos XVI, XVII e XVIII. Hoje raras de se encontrar mas visíveis ao público graças ao esforço deste grande senhor, Rainer Daehnhardt.

[Imagem copiada de OLX]

“É fazer as contas”

 

O que é que nos custa quase 4600 € o litro e não é para beber?

Resposta: TINTA DE IMPRESSORA! JÁ TINHA FEITO O CÁLCULO?

Já nos acostumámos aos roubos de toda a espécie, é o que é…

Há não muito tempo, as impressoras eram caras e barulhentas.

Com as impressoras a jacto de tinta, o mercado doméstico mudou, pois fomos seduzidos pela qualidade, comodidade, velocidade e facilidade dessas novas impressoras.

Aí veio a grande golpada dos fabricantes: oferecer impressoras cada vez mais baratas, e fazer tinteiros cada vez mais caros. Uma HP DJ3845 vendida nas principais lojas por 70 € vem com um conjunto de tinteiros. A reposição dos dois tinteiros (10 ml o preto e 8 ml o de cor), fica à volta de 45 €.

Nos modelos mais baratos, o conjunto de tinteiros pode custar mais do que a própria impressora.

Olhe o absurdo:
Pode acontecer que valha mais trocar a impressora do que fazer a reposição dos tinteiros!
Para piorar, de uns tempos para cá passaram a DIMINUIR a quantidade de tinta (mantendo o preço).

As impressoras HP1410 e 3920 que usam os tinteiros HP 21 e 22, vêm agora com tinteiros só com 5 (cinco) ml de tinta!

Um Cartucho HP, com uns míseros 10ml de tinta custa 19 €. Isto dá 1.9€ por mililitro.
Só para comparação, Champagne Veuve Clicquot City Travelle custa por mililitro 0.43 €.
A Lexmark vende um tinteiro para a linha de impressoras X, o tinteiro 26, com 5,5 ml de tinta de cor por 25 €. Fazendo as contas: 1000ml / 5.5ml = 181 tinteiros x 25 € = 4525 €.

4525 € por um litro de tinta!

Luís Mendes

A e-bufaria no e-coiso

Mas com isto ninguém se indigna, pois então.

O e-coiso, vulgarmente conhecido como Fakebook, estabeleceu uma espécie de “moral vigente” que consiste, basicamente, em erradicar tudo aquilo que se pareça com heterossexualidade ou que sequer “cheire” a tão pecaminoso comportamento, por estes dias já considerado como algo aberrante.

Ainda a propósito da última vez em que tive “problemas” naquela rede anti-social surge agora a sequela, envolvendo uma pessoa que resolveu solidarizar-se comigo por causa desse mais recente episódio de censura.

Esta é a história do que se passou, contada e “fotografada” pelo próprio.

Primeiro, quando publiquei um “post” no e-coiso dando conta do sucedido com o vídeo de Barry White, este “vizinho” foi lá comentar.

“Por uma questão de solidariedade vou partilhar a música”, diz.  E assim fez, de facto, logo de seguida.

Começou por localizar o vídeo “pecaminoso” no YouTube (Barry White, “Let The Music Play”) e partilhou-o no seu próprio “mural”.

Apenas uns minutos depois os e-pides do e-coiso pura e simplesmente suspenderam-lhe a “conta”.

Quantos minutos depois da “partilha” foi accionada a suspensão, ele não sabe dizer ao certo, é claro, até porque nunca imaginou pudesse ser uma coisa assim tão rápida, mas diz que terão sido talvez uns cinco minutos, mais para menos e não mais para mais.

Evidentemente, reclamou da decisão dos e-pides:

Porém, lá dizia o outro, quem se mete com o PC, leva. E com os e-pides do e-coiso ninguém se safa, como aliás é, por definição, tradição de qualquer mesa censória de qualquer polícia política.

Escusado será dizer que este episódio vem, de novo, confirmar que existem e-pides porque existem e-bufos. Era assim antes da era electrónica, quando a bufaria usava papelinhos e telefonemas para denunciar “inimigos do Estado” ou “comportamentos desviantes”, e continua a ser assim, agora por maioria de razões e com muito maior facilidade nesta nova — e tenebrosa — era de e-mail, e-banking, e-Government, e-snitching (e-bufaria, em Português).

Ou seja, em suma, temos aqui — com “bonecos” e tudo — a demonstração irrefutável daquilo que já sabíamos por impressão, sensação ou instinto, do que toda a gente sabe mas muito poucos ousam verbalizar e muito menos expor publicamente: no e-coiso há e-bufos, e-pides, e-stúpidos a granel.

 

Nota: nas imagens enviadas pelo “vizinho” Miller nota-se perfeitamente que ele é obrigado a utilizar o interface em brasileiro; pois, pudera!, no e-coiso já não existe a versão em Português-padrão.