Também no TuEntubas

O vídeo agora bloqueado pelo YouTube era uma das inúmeras cópias integrais ou com extractos do célebre discurso proferido por John F. Kennedy em 27 de Abril de 1961 sobre o tema “sociedades secretas”. Estão neste momento disponíveis cerca de 173.000 cópias desse discurso, das quais 122.000 estão alojadas — sem qualquer problema, evidentemente — no próprio YouTube.

Esta é só uma dessas cópias disponíveis, para ilustração.

Evidentemente, ao contrário do que diz a nota de bloqueamento, não existia qualquer música no registo áudio do vídeo; o único som que nele se pode ouvir é o da voz de JFK, o Presidente americano assassinado em 1963.

O que fiz com aquele vídeo, visto que apenas existiam versões legendadas automaticamente e outras com legendas em várias línguas (incluindo o Castelhano e o brasileiro, por exemplo), foi traduzir e legendar o discurso em Português-padrão. Depois, é claro, publiquei o vídeo legendado, como se pode ver, por exemplo, na transcrição textual que fiz AQUI, onde agora aparece um buraco à cabeça, no lugar anteriormente  ocupado pelo vídeo.

Mas vejamos os “detalhes da queixa”, a ver se entendemos alguma coisinha disto.

Repito: não existe qualquer música no vídeo.

Não adianta para nada reclamar. Pouca gente sabe disto mas a verdade é que o YouTube, à semelhança de outras “plataformas” electrónicas, não se mete a dirimir questões de direitos de autor; limitam-se a receber as queixas e a accionar mecanicamente qualquer sanção ou quaisquer penalidades correspondentes; não analisam a questão seja de que forma for.

What can I do about this claim?

If you get a Content ID claim, there are a few different things you can do, depending on the situation:

  • Do nothing: If you agree with the claim, you can just move on. You can always change your mind later if you disagree with the claim.
  • Remove the music: If you get a claim for a piece of music in your video, you can try to remove the song without having to edit and upload a new video. Learn more.
  • Swap the music: If music in your video is claimed, but you still want to have music in the background, you can swap out your audio track with one of our free-to-use songs. Learn more.
  • Share revenue: If you’re a member of our YouTube Partner Program, and you’ve included music in your video, you may be able to share revenue with the music’s rights owner(s). Learn more.
  • Dispute the claim: If you have the required rights to use the copyright-protected content in your video, or if you think the system has somehow misidentified your video, you can dispute the claim.

How to dispute a Content ID claim

  1. Sign in to YouTube.

  2. Go to Creator Studio > Video Manager > Copyright Notices.

  3. Click the link to the right of the video’s Edit menu. This will take you to a page with information about what’s been claimed in your video and who claimed it.

  4. You’ll see an option to dispute the claim.

If you dispute a claim without a valid reason, the content owner may choose to take down your video. If this happens, your account will get a copyright strike. [https://support.google.com/youtube/answer/6013276?hl=en]

“File a dispute”? Ah, bem, vamos a isso! Então como se processa e o que acontece a quem “file a dispute”?

File a dispute

What to know before you dispute: Make sure you understand how fair use and the public domain work before you choose to dispute for either of those reasons. YouTube can’t help you determine whether you should dispute a claim. You may want to seek your own legal advice if you’re not sure what to do.

Disputes are only intended for cases where you have all the necessary rights to the content in your video. Repeated or malicious abuse of the dispute process can result in penalties against your video or channel. [https://support.google.com/youtube/answer/2797454]

Ah, ok, então o YouTube não se mete no assunto, o queixoso é juiz em causa própria e pode continuar a queixar-se falsamente até que a conta de um tipo qualquer seja definitivamente encerrada.

Mas onde é que eu já vi isto?

Claro que a coisa não tem absolutamente nada a ver com coisíssima nenhuma, isto não sucede periódica e sistematicamente por nada de especial. É tudo perfeitamente “random”.

Ya, bro, tásaver, não há cá tugas, nem acordistas, nem patuscos, nem pides nem bufos nem nada.

Nadinha.

A e-bufaria no e-coiso

Mas com isto ninguém se indigna, pois então.

O e-coiso, vulgarmente conhecido como Fakebook, estabeleceu uma espécie de “moral vigente” que consiste, basicamente, em erradicar tudo aquilo que se pareça com heterossexualidade ou que sequer “cheire” a tão pecaminoso comportamento, por estes dias já considerado como algo aberrante.

Ainda a propósito da última vez em que tive “problemas” naquela rede anti-social surge agora a sequela, envolvendo uma pessoa que resolveu solidarizar-se comigo por causa desse mais recente episódio de censura.

Esta é a história do que se passou, contada e “fotografada” pelo próprio.

Primeiro, quando publiquei um “post” no e-coiso dando conta do sucedido com o vídeo de Barry White, este “vizinho” foi lá comentar.

“Por uma questão de solidariedade vou partilhar a música”, diz.  E assim fez, de facto, logo de seguida.

Começou por localizar o vídeo “pecaminoso” no YouTube (Barry White, “Let The Music Play”) e partilhou-o no seu próprio “mural”.

Apenas uns minutos depois os e-pides do e-coiso pura e simplesmente suspenderam-lhe a “conta”.

Quantos minutos depois da “partilha” foi accionada a suspensão, ele não sabe dizer ao certo, é claro, até porque nunca imaginou pudesse ser uma coisa assim tão rápida, mas diz que terão sido talvez uns cinco minutos, mais para menos e não mais para mais.

Evidentemente, reclamou da decisão dos e-pides:

Porém, lá dizia o outro, quem se mete com o PC, leva. E com os e-pides do e-coiso ninguém se safa, como aliás é, por definição, tradição de qualquer mesa censória de qualquer polícia política.

Escusado será dizer que este episódio vem, de novo, confirmar que existem e-pides porque existem e-bufos. Era assim antes da era electrónica, quando a bufaria usava papelinhos e telefonemas para denunciar “inimigos do Estado” ou “comportamentos desviantes”, e continua a ser assim, agora por maioria de razões e com muito maior facilidade nesta nova — e tenebrosa — era de e-mail, e-banking, e-Government, e-snitching (e-bufaria, em Português).

Ou seja, em suma, temos aqui — com “bonecos” e tudo — a demonstração irrefutável daquilo que já sabíamos por impressão, sensação ou instinto, do que toda a gente sabe mas muito poucos ousam verbalizar e muito menos expor publicamente: no e-coiso há e-bufos, e-pides, e-stúpidos a granel.

 

Nota: nas imagens enviadas pelo “vizinho” Miller nota-se perfeitamente que ele é obrigado a utilizar o interface em brasileiro; pois, pudera!, no e-coiso já não existe a versão em Português-padrão.

Embandeirar em arco-íris

Depois de uma série de suspensões da minha “conta” no Fakebook, algumas das quais por denúncias (anónimas, pois claro) de “pornografia” (como imagens de mulheres com os seios desnudados) e de “homofobia” (como imagens onde aparecem seios de mulheres e não peitorais masculinos), nos últimos dias recebi uma data de “ameaças” do “staff” lá da chafarica.

Textículos deste tipo:

E então apagam-me mais um “post” (“share” de um vídeo musical do YouTube) dizendo isto:

Escrevi aquela resposta de jorro, com alguma raiva, confesso, e carreguei na tecla “enter” (“send”) sem sequer a reler. Daí a estranha grafia da palavra “community”, mas isso agora não interessa nada.

Umas horas depois os bacanos do Fakebook enviam-me esta lindeza de resposta:

«We reviewed your post again and confirmed that it doesn’t follow our Community Standards. We understand that you may not have known about the standards, so we encourage you to learn more about what you can share on Facebook.»

Seios? Mamas? Estes gajos acham que aquela imagem da fulana em “topless” é “pornografia? Ou será por ela estar a fumar (um cigarro, não um charro)?

Fui lá ler (de novo) as/os tais “Community Standards”, na parte que diz respeito a “nudity”.  E então esbarro neste maravilhoso naco de prosa: «We remove photographs of people displaying genitals or focusing in on fully exposed buttocks. We also restrict some images of female breasts if they include the nipple, but our intent is to allow images that are shared for medical or health purposes.»

Não é lindo, hem?

Bom, nesse caso vejamos o que acontece se em vez de mamas (de gaija, pois então) for alguma coisinha que não é de gaija mas que também não é de gajo, que eu cá não aprecio esses números. “Partilhei” logo a seguir um “gif” (animação repetitiva) mostrando um urso:

Esta animação (salvo seja) do urso consta de uma colecção alojada lá no Fakebook, numa página chamada “Marca Um Amigo”, onde pelos vistos há mais vídeos e “animações” dedicadas a macacadas do género com imagens e símbolos… fálicos!

Há uns meses, na mesma rede anti-social, apagaram-me outro post com aquela pintura célebre em que aparece uma mulher nua, deitada de costas, vista a partir dos pés… 

Ou seja, em resumo: anatomicamente falando, no Fakebook é proibido tudo o que for feminino mas não há quaisquer restrições quanto ao outro “género”.

Entendido?

Espero que gostem do vídeo. Foi este mesmo o denunciado por “pornografia”. Pobre Barry White, que até deve estar a dar voltas na tumba!

Rede Cedilha

E pronto. A rede está completa, corrigida e tal e tal. É possível que ainda haja uma ou outra ponta solta, algures, numa qualquer página mais antiga, mas confesso que já estou um bocadinho farto de pentelhar a coisa, salvo seja.

Ficam aí uns botõezinhos. Click e vai lá dar.