A ILC e a “revisão” do AO90

«A entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990 fica suspensa por prazo indeterminado, para que sejam elaborados estudos complementares que atestem a sua viabilidade económica, o seu impacto social e a sua adequação ao contexto histórico, nacional e patrimonial em que se insere.»

[Art.º 1.º do nosso Projecto de Lei.]

«A Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da Resolução da Assembleia da República n.º 35/2008, de 29 de Julho de 2008, tem por objectivo, como a própria designação indica, revogar o instrumento jurídico que, aprovando o II Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico de 1990, forçou – de facto mas não de Direito – a entrada em vigor desse “acordo ortográfico” (entre aspas) nos organismos, entidades e estruturas do Estado português.»

«O que vimos agora aqui dizer é que observações de uma arrogância e ignorância intoleráveis como, por exemplo, a que consta na inacreditável “nota explicativa” do dito AO90, e citemos «a norma lusitana, que teimosamente conserva consoantes que não se articulam», não são aceitáveis; enfim, o que vimos aqui dizer quanto a isto é que coisas destas não merecem sequer considerações.»

[Pontos 1 e 6 da Declaração de Princípios que lemos e entregámos no Parlamento em 31.01.13.]

Porque tem sido publicamente defendida por algumas pessoas uma hipotética “revisão do acordo ortográfico”, cumpre esclarecer que esta ILC tem por objectivo único a revogação da entrada em vigor do AO90 e não a revisão do mesmo.

14 thoughts on “A ILC e a “revisão” do AO90

  1. A Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura “está a ouvir várias entidades sobre esta matéria (aplicação do AO90) e a receber contributos escritos em relação à mesma”. Ainda bem que estão a ouvir, porque durante demasiado tempo estiveram surdos e cegos… com as consequências que se conhecem. Quanto à proposta de uma reflexão e debate público para avaliar o estado de saúde do monstro, o que tenho a dizer é exactamente o mesmo que diz a ILC: tendo em conta o desconchavo que o acordo já provou ser, o que se impõe é, não uma operação de cosmética, mas “a revogação da entrada em vigor do AO90”! É que para certos males não há remédio…

  2. Concordo em absoluto. A revogação liminar, é a única atitude possível perante o desrespeito total que houve, pela vontade expressa dos cidadãos.

  3. Revogação incondicional, e criação de legislação que retire ao Estado a “tutela” de pôr e dispor na matéria.
    Criação de um Conservatório da Língua Portuguesa, regido pelas ordens profissionais e pelos estabelecimentos de ensino superior e por gente que tenha dado provas do seu amor à erudição da língua.
    Retetirar à Academia das Ciências o direito de decidir ou opinar na matéria.
    Convidar os Países que falam PORTUGUÊS, a participar como parte integrante.

  4. Uma matéria que interessa a todos os portugueses não pode ser entregue a meia dúzia de “iluminados”para porem e disporem por conveniencia de terceiros,O Povo tem de ser ouvido em referendo.É tempo de voltarmos atras antes que os estragos sejam maiores.

  5. «a norma lusitana, que teimosamente conserva consoantes que não se articulam»… Dizer isto, assim à laia de justificação para o “Acordo” Ortográfico, é um despautério intolerável, uma falta de respeito até pela estética da escrita em Português, um roubo!

  6. O AO90 é uma “resposta” a um problema mal formulado, e, de acordo com a prática científica, não se deve perder sequer um minuto com problemas mal formulados — as respostas são sempre inválidas. Por isso não é racional “rever” ou “alterar” o AO90. Racional é revogá-lo.

  7. É uma autêntica palhaçada, haja ainda a esperança que isto se revogue. A maioria dos que escrevem de acordo com o dito cujo nem sequer o leu e fica muito surpreendido quando lhes dizem que com ele é “veem” e “para” e escrevem na mesma fim-de-semana, com todos os hífenes. Pensam que é só tirar c’s e p’s e toca a andar. E depois vêem-se coisas como “contato”, “carateres”, “expetativa”… Até “seção” já apanhei. A dupla grafia “unificadora” e que obriga o leitor a ler de uma maneira que nunca na vida leu.

  8. Subscrevo todos estes os comentários. E reforçando:
    Fora todos os paliativos que atrasem o sumiço do/s intruso/s.
    Não há mais tempo.
    Agentes que desprezam a sua Língua Materna entregam o País à desconsideração dos outros. Quem acreditará em sujeitos que vendem a própria família?
    A nossa Bandeira já foi içada com os sete pagodes chineses, já foi içada ao contrário…
    Bastaria só estes dois avisos para se provarem os princípios da ILC e de tantos outros cidadãos.
    O esforço da ILC não foi em vão!
    Obrigada!

  9. Tem razão. E pior do que obrigar “o leitor a ler de uma maneira que nunca na vida leu”, é pô-lo a falar de um modo diferente, pronunciando as palavras de uma maneira que nunca na vida pronunciou. Isto não se verificará a longo prazo, isto verifica-se JÁ! É o caso da palavra ‘receção’, o caso de ‘conceção’, o caso de ‘setor’, o caso de ‘espetador’… e do anedótico ‘deteta’… que rapidamente ganhou tetas.

  10. Obviamente – revogue-se!
    Estou de acordo, na generalidade, com o que tem sido dito, aqui, nesse sentido.
    Não há cosmética possível. Não sei como seria juridicamente exequível, mas o ideal seria a revogação com suspensão imediata.
    Obtive informações fidedignas que têm siso penalizados disciplinarmente (nalguns casos com gravidade) certos responsáveis, em faculdades, que não acataram a RCM n.º 8/2011 e mantiveram nos seus textos oficiais a ortografia do AO45. Uma verdadeira caça às bruxas! No tempo de Salazar era a caça aos comunistas, agora é a caça aos anti-acordistas.
    E eu que pensava que vivíamos num país livre…

  11. A Língua Portuguesa não me pertence; não te pertence. Não pertence a uns quantos intelectuais da língua. Não pertence ao Governo. Nem mesmo pertence aos 10 milhões de portugueses.
    A Língua Portuguesa pertence à Nação Portuguesa. A Nação – essa “coisa” abstracta que nos identifica como membros da mesma comunidade. A Nação é compreendida por esta geração, todas as anteriores e todas as gerações futuras. E por conseguinte, não pode este Governo, ou esta geração, alterar a língua profundamente, sob pena de estar a desrespeitar a própria Nação. É por isso que este assunto não é sequer referendável. A Língua Portuguesa não nos pertence. É um bem colectivo da Nação.

  12. Bento, eu vou ainda mais longe: a língua, tal como todo o conhecimento, é património da humanidade.Cabe-nos a nós,seus falantes nativos, e a outros que a amam, como se se ama o conhecimento, zelar pela sua integridade.Se dependesse de mim, esta canalha que está a atentar contra o português e o galego, deveria se julgada não em cível, mas em criminal, com pedido de pena maxima. Não sei se em Haia há juizo para a matéria, mas é caso para ter em conta.

  13. Galego e português são a mesma língua, embora com as naturais variantes, inevitáveis polas circunstâncias históricas que temos vivido a um e outro lado do Minho. Nós estamos amarfinhados polo castelhano desde há 600 anos e não deixa de ser um milagre continuar a existir. Dizia um dos nossos teóricos de princípios do século XX isso mesmo que diz você, senhor Hugo: que cada povo tem um acervo que cultivar e defender, por ser a sua missão no mundo; e que um povo que não fai isso é uma fraude para o género humano e só merece o desprezo e o esquecimento.
    A nossa Língua tem sido agredida e menosprezada polos governos espanhol e português, concordo; no espanhol já era de esperar, pois outra atitude diferente seria contradizer a sua eterna natureza jacobina, sempre manifestada com indiferença de se o regime era ditatorial ou democrático, monárquico ou republicano. Ao cabo, para esse centralismo jacobino, as línguas não castelhanas e aqueles que as falamos somos um estorvo. Mas tenho de lamentar a cumplicidade silenciosa, nesse culturicídio, de um povo hoje acovardado e grandemente assimilado polo espanholismo como é o galego.
    De um governo português teoricamente soberano, já é muito mais triste constatar um comportamento como aquele que estamos a testemunhar: essa bajulação indigna, incompatível com quaisquer valores éticos e culturais, que o levou a entregar a nossa Língua nas mãos de uns demagogos, mutilando-a das suas origens e impondo uma escrita cheia de gralhas ortográficas, caótica e incoerente.
    Já manifestei nalguma outra intervenção quão interessante seria recuperar algumas instituições da Antiga Grécia, como a do ostracismo (exílio de 10 anos para as pessoas indignas, acompanhado de perda dos seus bens); o mesmo se poderia dizer da GRAPHE PARANOMON, demanda contra leis já aprovadas que se estimasse estivessem a causar um dano para a comunidade e que incluía, no caso de tal demanda ser aceite, fortes multas para os políticos que tinham proposto tal lei, por ter enganado o povo e corrompido as leis da comunidade.
    Acho que com estas duas leis em vigor, estariamos muito mais defendidos da praga que hoje representa esta casta política carente de todo pudor e dignidade, imune e impune face a todos os seus actos que, por muito infames que sejam, não estão sujeitos a qualquer responsabilidade.

  14. Bravo, Bento! Aplaudo de pé o seu comentário e faço votos para que a sua proposta de conduzir à justiça os responsáveis por este crime (ideia também defendida por Hugo X. Paiva) seja uma realidade. Porque tudo isto é um enorme embuste e um gravíssimo crime de traição. Por muito menos foi Miguel de Vasconcelos atirado pela janela fora.

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