ILC contra o Acordo Ortográfico

(site original, 2010-2015)

Browsing Posts published by GMC

GTAO90participe

Transcrevemos seguidamente algumas citações do texto de João Guisan Seixas com o título “Uma reforma ortográfica que gera mais excepções das que resolve é uma reforma falhada“, publicado em “Contributos” na página do Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90.

Esta selecção de citações curtas não segue um critério rígido, destinando-se apenas a ilustrar com alguns exemplos um documento cuja leitura na íntegra recomendamos vivamente.

«Defender a “nova ortografia” por ser nova, e desqualificar a actual por ser “velha” (velha de 68 anos, mas para uma ortografia, é ser adolescente), é uma forma de raciocínio irracional.»

«Esvaziar a língua culta de cultura (fazer uma língua escrita em função de que as pessoas possam adquiri-la sem terem hábitos de leitura) é como esvaziar a piscina de água para facilitar a aprendizagem a pessoas que não sabem nadar.»

«Para as pessoas que se movem nessa maionese mental [privilegiar a língua oral sobre a escrita] pensar que uma mudança na escrita possa condicionar uma mudança na pronúncia, é heresia elitista merecedora do maior dos anátemas.»

continue reading…

logoCECC

«Se ele [o AO90] não serve a sociedade portuguesa, cá estaremos para fazer a avaliação política dessa posição da sociedade civil.»
Gabriela Canavilhas, 21 de Fevereiro de 2013

Transcrição de intervenção da deputada Gabriela Canavilhas na audiência de 21-02-2013 no Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90.

«Obrigada. Os meus cumprimentos a todos.

Dou as boas-vindas, agradeço a vossa presença, a vossa presença aqui é fundamental para nós porque nos ajuda a compreender uma problemática que, claramente, está instalada quanto a esta matéria e eu gostava aqui de sublinhar a dos jovens, é sempre bom ter aqui jovens no Parlamento a exercer  a cidadania. A cidadania deve-se exercer o mais jovem, o mais cedo possível e é [ininteligível] para dizer que esta delegação aqui está hoje porque nos traz jovens.

Jovens que, cuja construção da sua cidadania e da sua noção de identidade nacional – penso que é uma das, dos desejos maiores para os professores, seja de Inglês, de Português, de História, de, enfim, de qualquer disciplina – porque esta ideia de identidade nacional, da importância dos valores que representam a nação, são a parte muito significativa do que é a construção do futuro cidadão português, em pleno direito.

E fiquei um bocadinho preocupada quando ouvi, como é que se chama?… [Pedro Silva]… pronto, fiquei um bocadinho preocupada quando, entre as preocupações que aqui manifestou, a par dos seus colegas, algumas pertinentes, outras talvez ainda a precisar alguma construção e racionalidade, mas fiquei preocupada quando diz, “se o brasileiro avançar num determinado sentido, do português para outro, qual é o problema? pois que se separem e cada um siga uma língua separada.”

continue reading…

logoCECC

(“click” no botão para ouvir)
[audio: http://cedilha.net/ilcao/imagens/GTAO90210213RA.mp3]

Transcrição de intervenção da deputada Rosa Arezes na audiência de 14.02.13 no Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90.

«Muito obrigada senhor presidente, senhores deputados. Em primeiro lugar para cumprimentar o senhor engenheiro João Dias, o senhor professor Virgílio Machado e, por videoconferência, o senhor professor Rui Miguel Duarte. Em nome do grupo parlamentar do PSD, também agradecer a vossa presença aqui nesta audição, que já é a terceira deste grupo recentemente criado e, curiosamente, nas três audições estiveram presentes personalidades, todas que se manifestaram contra a implementação do acordo ortográfico.

Trata-se de um tema, obviamente, que a todos nos diz muito, por razões pessoais, emocionais, de grande relevância política, social, cultural, pedagógica e que está muito longe de vir a ser encerrado. O grande objectivo que presidiu, na altura, à implementação do acordo, seria a da unificação e também, de certa maneira, facilitar a aprendizagem da língua portuguesa.

Sobre este assunto, as posições são divergentes, hoje mesmo aqui já foi pública, é pública, a posição que aqui manifestaram, na sociedade civil também não é unânime nem consensual, mais de metade da população manifesta-se contra a implementação deste acordo, mesmo dentro dos grupos parlamentares e dos partidos, como aqui já foi referido, não é uma posição consensual nem unânime, longe de o ser, eu própria sou contra ou não sou favorável à implementação do acordo, mas obviamente que isto é uma posição que me vincula apenas a mim e não ao partido que represento.

No estudo que eu tive ocasião de ler, do senhor professor Rui Duarte, a certa altura diz que, e eu vou citar, “falar em vantagens é um oximoro porque elas não se vêem“. E diz também que se não se percebem as vantagens, então, que só se, que o que sobeja, que são os inconvenientes. Também retive duas afirmações da intervenção do senhor professor Virgílio Machado, que diz, “não se vislumbra o fim desta maldição, neste momento há quem não respeite coisa nenhuma, há custos que ninguém conhece, benefícios duvidosos, Portugal devia suspender este por tempo indeterminado“. Penso que seria isto.

Senhor engenheiro João Dias, apercebi-me que registou com alguma mágoa, ou alguma tristeza, o facto de ter havido já muitas iniciativas, muitos movimentos inconsequentes, digamos assim. Penso que começou a sua intervenção desta maneira.

Fizeram aqui, certamente, o ponto da situação, expressaram claramente as vossas posições e a pergunta que eu tinha era mais direccionada para o senhor engenheiro João Dias. Falou na existência dum “vocabulário privado“, penso que foi assim, que “viola qualquer acordo ortográfico“. A ser assim, é… estamos perante uma situação que é grave, como é óbvio, e tratando-se de um assunto de extrema importância cultural, social, política, pedagógica, eu pedia que desenvolvesse um pouco…

[Eng. João Dias: «um pequenino ponto de ordem, eu falo em vocabulário privado em oposição ao vocabulário considerado oficial, apenas nesse sentido. Privado porque não foi considerado oficial pelo Estado Português e o acordo ortográfico está apenas em vigor, por via legal, na esfera do Estado. E portanto eu chamo privado por não se enquadrar nestes princípios, apenas isso, apenas isso.»]

Dentro desses parâmetros, exacto. Mas esta ideia parece-me importante, até porque reveste-se de uma importância muito significativa, sobretudo em termos de opinião pública, em termos de opinião publicada, em termos pedagógicos e esse era um assunto que eu pedia que explicasse um bocadinho mais e pormenorizasse mais um pouco esta ideia.

E é tudo, muito obrigada.»

[Esta transcrição (com realces e sublinhados) foi executada pela ILC AO90 (GMC). Copie e cole à vontade mas não se “esqueça” de citar a origem do trabalho.]

logoCECC

(“click” no botão para ouvir)
[audio: http://cedilha.net/ilcao/imagens/GTAO90210213MT.mp3]

Transcrição de intervenção do deputado Miguel Tiago na audiência de 14.02.13 no Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90.

«Muito obrigado senhor presidente. Eu gostava também, em primeiro lugar, de cumprimentar os três convidados da comissão e agradecer muito as exposições e a partilha que fizeram com o grupo de trabalho, destacando também o apoio que é ter até em papel uma intervenção com âncoras muito sólidas sobre os assuntos que aqui nos trouxeram e, respondendo um pouco logo ao apelo implícito de Passos Manuel, dizer que o PCP propõe, propôs este Grupo de Trabalho na Assembleia da República, precisamente partindo do princípio de que hoje, dado o desenvolvimento da aplicação do acordo e o conhecimento que já se tem dos seus impactos, é possível fazer uma avaliação para, através da qual reforçaremos posições ou alteraremos posições.

continue reading…

logoCECC

(“click” no botão para ouvir)
[audio: http://cedilha.net/ilcao/imagens/GTAO90210213MS.mp3]

Transcrição de intervenção do deputado Michael Seufert na audiência de 14.02.13 no Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90.

«Começou-se aqui com o Sr. engenheiro citando Passos Manuel, dizendo que a discussão é para… para… tem de ter alguma utilidade, vá lá, isso é evidente e é para isso que estamos aqui, mas sobretudo para ouvir, eu diria, porque as matérias da aplicação, que é essas que nós estamos aqui a estudar, a analisar, do AO, levantam algumas emoções, levantam a própria questão da legitimidade ou não do acordo em si, de 90, da sua aplicação. Depois nas formas, como aqui também foi explicitado, nos vários países, dos protocolos modificativos também e, portanto, são matérias que nós ouvimos muitos argumentos e bons argumentos de todos os lados, eu diria que não há, ou se houvesse, argumentos definitivos nós não teríamos tanta dificuldade como aquela que eu pelo menos sinto que estamos a ter em analisar estas questões.

continue reading…

MAPA BRASIL-PORTUGAL

Os  acordos ortográficos entre Portugal e o Brasil têm sido um fenómeno de surdos a falar com mudos.

1911 – Primeira Reforma Ortográfica em Portugal.

1915 – A Academia Brasileira de Letras (ABL) decide, através de uma “resolução”, “harmonizar” a “sua” ortografia com a norma portuguesa.

1919 – A ABL revoga a sua “resolução” de 1915.

1929 – A ABL altera as “suas” regras ortográficas.

1931 – É aprovado o primeiro Acordo Ortográfico entre o Brasil e Portugal, visando “unificar e simplificar a língua portuguesa”. Este acordo acaba por não ser posto em prática.

1943 – É redigido o Formulário Ortográfico de 1943, naquilo que constituiu a “primeira Convenção Ortográfica entre o Brasil e Portugal”.

1945 – Um novo Acordo Ortográfico torna-se lei em Portugal mas não no Brasil, por não ter sido ratificado pelo Governo, se bem que tenha sido subscrito por representantes oficiais do Estado brasileiro; os brasileiros continuam a regular-se pela ortografia do Vocabulário de 1943.

1955 – O Brasil anula unilateralmente o “acordo ortográfico” de 1945 (que tinha subscrito 10 anos antes).

1975 – A Academia das Ciências de Lisboa (ACL) e a ABL elaboram novo projecto de acordo, que não é aprovado oficialmente.

1986 – José Sarney, Presidente do Brasil, promove um encontro dos então sete países de língua oficial portuguesa. O Acordo Ortográfico de 1986, que resulta deste encontro, é amplamente discutido e contestado, nunca chegando a ser aprovado.

1990 – A ACL convoca novo encontro, juntando uma Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. As duas Academias elaboram o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

1998 – Na cidade da Praia é assinado o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, retirando-se do texto a data de implementação. Mantém-se a condição de todos os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) terem de ratificar as normas propostas no Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) para que este seja implementado.

2004 – Os ministros da Educação dos países da CPLP reúnem-se em Fortaleza, no Brasil, para a aprovação do Segundo Protocolo Modificativo (2.º PM) ao AO90. Fica então determinado que bastará a ratificação de três países para que o AO90 entre em vigor nos demais cinco países.

2006 – Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe ratificam o documento para que, nos termos do 2.º PM, o AO90 entre em vigor automaticamente em todos os 8 países da CPLP.

2009 – Entrada em vigor do AO90 no Brasil e em Portugal. Além de Portugal e do Brasil, também São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Timor-Leste e Guiné-Bissau já ratificaram o 2.º PM do AO90, embora estes últimos não o tenham ainda aplicado e Angola e Moçambique não tenham sequer determinado qualquer data ou previsão para a entrada em vigor do AO90.

2012 – O Brasil adia implementação do acordo até 2016.

E agora? Depois de mais de um século de “acordos” para “uniformizar a ortografia”… o que temos?

Temos… três ortografias! A do Brasil, que mantém a sua própria ortografia, a de Angola e de Moçambique, que mantêm a norma do Português “europeu”, e aquela que o Governo português quer impor em Portugal — o “Acordês”.

[Imagem de http://www. brasilportugal.org.br]