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Convite de Paris: traduções em Português de Portugal e português do Brasil

Convite da “Livraria Portuguesa e Brasileira” (Librairie Portugaise et Brésilienne), de Paris, França, para o lançamento – no dia 29 de Maio de 2015, às 19 h – da obra “Le Petit Prince“, de Antoine de Saint-Exupéry, das versões traduzidas para cinco “variantes” do Português: de Portugal, do Brasil, Mirandês (“lhéngua”), crioulo de Casamança e crioulo de Cabo Verde.

Le petit prince de Saint-Exupéry en portugais du Portugal, du Brésil, en mirandais, en casamançais, en créole cap-verdien le vendredi 29 mai à 19h dans le cadre de Quartier du livre Présentation du Petit Prince d’Antoine de Saint-Exupéry en portugais du Portugal, en portugais du Brésil, en mirandais (2° langue officielle du Portugal), en casamançais (créole portugais de Casamance) et en créole cap-verdien. en présence de Nicolas Quint et d’autres invités à Librairie Portugaise & Brésilienne – Michel Chandeigne 19/21 rue des Fossés Saint-Jacques (place de l’Estrapade) – 75005 PARIS Tel. 01 43 36 34 37 – www.librairieportugaise.fr Métros : Luxembourg (RER B), Cardinal Lemoine, Place Monge Bus (Panthéon) : 82, 84, 89, 21, 27 etc.

Fonte: Librairie Portugaise et Brésilienne – Article: Le petit prince de Saint-Exupéry en portugais du Portugal, du Brésil, en mirandais, en casamançais, en créole cap-verdien le vendredi 29 mai à 19h dans le cadre de Quartier du livre

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“Óoauêaió”? Boa pergunta.

“Óoauêaió!” Para onde vai a língua portuguesa?

João Manuel Rocha

05/05/2015 – 22:02

Se em países africanos o português é factor de “unidade”, em Timor se se falar apenas português os jornalistas “não vão perceber”, foi dito no debate “O futuro da língua portuguesa”.

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“Óoauêaió!” A expressão, sem consoantes, usada por surfistas brasileiros para dizer “Olha o barulho aí ó você!”, foi o exemplo dado por Paulo Motta, editor executivo d’ O Globo, para lançar uma questão sem resposta: “Que português falaremos no futuro?”. O que o debate entre directores e editores de jornais de todos os países lusófonos permitiu, esta terça-feira, em Lisboa, foi antes a discussão sobre problemas de afirmação e potencial da língua comum.

Se a pergunta sobre o português do futuro era meramente retórica e a resposta exigiria dotes de adivinhação, os participantes não se furtaram ao desafio lançado pelo moderador, Nuno Pacheco, director-adjunto do PÚBLICO, e disseram como vêem o presente e “O futuro da língua portuguesa”  – tema do debate organizado pelo Movimento 2014 – 800 anos da língua portuguesa.

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Ensaio sobre a loucura

Governo cria grupo para simplificar língua portuguesa

Depois de ver as novas regras para ortografia da língua portuguesa, adotadas, via decreto, somente pelo Brasil, e de ter sido sinalizado pela sociedade civil sobre a necessidade de maior simplificação em vários pontos, o governo federal não só prorrogou a implementação para 2016 como também, através da Comissão de Educação do Senado criou o Grupo de Trabalho Técnico (GTT) para simplificar e aperfeiçoar a ortografia. O objetivo é de reduzir a quantidade de regras e exceções, tornando-as mais objetivas e de fácil entendimento.

De acordo com o professor Ernani Pimentel, que, ao lado do professor Pasquale Cipro, foi escolhido para coordenar o GTT, professores e estudantes de todos os países que têm como língua oficial o português têm até 20 de julho para sugerir mudanças. Todas as propostas serão avaliadas e apresentadas no Simpósio Internacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa, que será realizado em Brasília, em setembro.

O professor Ernani Pimentel participou do CBN Santos por telefone, onde falou sobre a simplificação da ortografia e possibilidade de não adoção do novo acordo ortográfico.

Reportagem: Guilherme Pradella.

[citações]

– Existe um site chamado “simplificando a ortografia ponto com” [http://simplificandoaortografia.com/]. Não tem “ponto BR” [simplificandoaortografia.BR] porque é para todos os países de língua portuguesa.

– Nós não precisamos do “cê agá” [CH]. O “xis” [X] sozinho já resolve p’ra fazer esse som. P’ra escrever esse som. Então, se elimina o “cê agá”, ninguém vai ter dúvida entre o “xis” e o “cê agá”.

– Como é que você resolve o problema do “gê” [G] e do “jota” [J]? As outras línguas já resolveram isso. Por exemplo, o alemão, as línguas nórdicas, o inglês, a letra “gê” não é “gê”, é “guê” [G]! É “ânguêlá” [Angela], “volquiseváguen” [Volkswagen], não é verdade? “Ai guéte” [I get].

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«Senadores querem nova reforma ortográfica» [notícia do Senado brasileiro, 07.08.14]

Ora aí está de novo o “projeto” mas desta vez de forma não apenas oficial, visto que é o próprio Senado brasileiro quem publica a notícia, como também já temos o dito “projeto” calendarizado, estão nomeados os respectivos intervenientes, estabelecidos os passos a seguir e os “objetivos” a prosseguir: podendo entrar em vigor “já em 2016” nos oito países da CPLP, de que Portugal faz parte, irá ser produzida uma “nova reforma ortográfica” porque o AO90 não foi “suficientemente longe” na “simplificação” da Língua Portuguesa.

Em suma, é isto.

Em que consiste esta “reforma da reforma“, no que à Ortografia diz respeito, é algo que o próprio texto da notícia “esclarece”. Sabendo-se agora que este novo acordo ortográfico (AO16?) será feito “em cima” do anterior acordo ortográfico (AO90) e que será “votado” por tele-conferência (não, não é brincadeira, ou, melhor dizendo, é mas está na notícia), então pelos vistos a sua “aprovação” estará por essa via dada por garantida pelos autores “disto”.

Já quanto ao que significa “isto” para todos nós, portugueses (e angolanos e moçambicanos e cabo-verdianos e guineenses e são-tomenses e timorenses), o que significa “isto” em termos históricos, culturais e identitários para sete das oito nações de Língua oficial portuguesa, bom, digamos que “isto” significa…

Se calhar é melhor não dizer. Toda a gente sabe.

Notícia

Senadores querem nova reforma ortográfica

07/08/2014
Cristiane Britto

Projeto propõe a extinção da letra “h” no início das palavras e a troca de todas as expressões com “ch” pelo “x”

SENADOR CYRO MIRANDA disse que serão realizadas videoconferências com professores de países como Portugal e Angola para depois colocar o projeto em votação.
LEONARDO SUSSUARANA

A Comissão de Educação do Senado está desenvolvendo um projeto que pretende trazer mudanças nas atuais regras da língua portuguesa. Por meio de um grupo técnico de trabalho, os senadores vão propor novas regras para simplificar a ortografia e facilitar o ensino e a aprendizagem da escrita.

De acordo com algumas propostas do projeto, haveria a exclusão do “h” inicial, passando palavras como homem e hoje, por exemplo, a serem escritas omem e oje.

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A Cimeira da CPLP (Díli, Julho de 2014)

«3. Reafirmaram a plena validade do compromisso histórico consagrado na Declaração Constitutiva da CPLP, com a progressiva afirmação internacional do conjunto dos Estados membros, que constitui um espaço geograficamente descontínuo, mas identificado pelo idioma comum, e pelos primados da paz, da democracia, do Estado de direito, dos direitos humanos e da justiça social.»
[InDeclaração de Díli“, X Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, 23 de Julho de 2014.]

Bartoon (jornal Público)

Composição, imagens originais de:
– semanário Expresso
– “blog” Lao Hamatuk
– “post” de Fernando Ventura (Facebook)
– canal TVI24

«O aniversário da nossa língua» [“Jornal de Angola”, 27.06.14]

Neste dia em que se celebram os 800 anos da Língua Portuguesa o Jornal de Angola associa-se à iniciativa de jornais de diversos países que publicam um texto sobre o futuro da nossa língua comum.

Os órgãos de comunicação social são instrumentos fundamentais de defesa da Língua Portuguesa e o Jornal de Angola tem feito um grande esforço para cumprir essa missão exaltante que é preservar um património cultural e vital que convive connosco pelo menos desde 1486, ano em que a armada de Diogo Cão subiu o rio Zaire até Matadi e iniciou relações oficiais com o Reino do Congo.

Quando os nossos antepassados tomaram contacto com a Língua Portuguesa ela era uma jovem de 272 anos. E foram os contactos com os diversos povos de África, Ásia, América e Oceânia que a que a mantiveram jovem, até aos dias de hoje. Angola dá um contributo especial a essa juventude perene, à sua renovação permanente, que a torna cada vez mais viva e especial.

Os primeiros vestígios do chamado “português tabeliónico” foram confirmados no galaico-português, veículo da mais bela e pura poesia trovadoresca, as Cantigas de Amigo. Desde então, a Língua Portuguesa ganhou personalidade própria e foi ferramenta fundamental de Bernardim, mestre Gil Vicente ou Camões, quando compôs aqueles que são dos mais belos poemas da Literatura Universal, na doce medida velha, para usarmos a feliz expressão do poeta, na definição da poesia que mergulhava as suas raízes nas cantigas de trovadores e jograis.

A maravilhosa aventura da Língua Portuguesa cruzou mares, subiu montanhas e soou nas “sete partidas”. O estádio supremo de uma cultura é o edifício da língua que lhe serve de veículo. O Português entrou há seis séculos em nossa casa e tornou-se membro da família. Ao chegar a África e logo a seguir à América (Brasil) e ao Oriente, encontrou o elixir da eterna juventude. É hoje falada por milhões de seres humanos em todo o mundo e adquiriu o perfume especial de cada povo que a fala e a adoptou como língua oficial.

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«24 jornais escrevem sobre futuro do português» [“Público”, 27.06.14]

O PÚBLICO desafiou jornais dos sete países de língua oficial portuguesa a juntarem-se num debate global sobre o futuro do português, publicando um texto nos seus jornais no dia em que se celebram os 800 anos da língua portuguesa.

27 de Junho de 1214 é simbolicamente considerado o nascimento da nossa língua por ser o dia do documento mais antigo que se conhece escrito em português, o testamento do terceiro rei de Portugal, Dom Afonso II. Vinte e quatro jornais aceitaram a proposta. Os textos são assinados por directores, chefes de redacção e jornalistas especialistas na questão da língua. Sugerimos textos francos, com opinião e uma visão própria sobre a língua. Em breve, no PÚBLICO, publicaremos o conjunto no nosso site. A visão portuguesa é certamente diferente da brasileira, da timorense, da angolana, da moçambicana… O debate vai ser estimulante. Esta é a lista dos jornais que se juntaram à iniciativa: Angola: Jornal de Angola; Jornal da Cultura; Jornal de Economia e Finanças, O País; Semanário Angolense. Brasil: Folha de São Paulo; Zero Hora; Veja. Cabo Verde: A Semana; A Nação; Expresso das Ilhas. Guiné-Bissau: Nô Pintcha; O Democrata; Última Hora. Moçambique: Canal de Moçambique; O País; Jornal Notícias; Savana; A Verdade. São Tomé e Príncipe: Jornal de S. Tomé; Téla Nón. Timor: Independente; Lusa; Suara Timor Loro Sa’e.
A Direcção

[Nota da Direcção Editorial do jornal “Público” de 27.06.14.]

Evidentemente, aqui daremos conta, no “site” da ILC AO, dos textos produzidos no âmbito desta iniciativa do jornal “Público”, desde que se insiram nos nossos próprios critérios de (re-)publicação.

«A velhíssima mãe e os seus diferentes filhos» [Nuno Pacheco, “Público”, 27.06.14]

É sempre ingrato falar de algo tão usual como a língua, mas talvez seja por muito falarmos dela, com euforia e sem tino, que a ela sempre voltamos, como náufragos sem madeiros que nos valham num mar imenso. Vamos, pois, à língua e aos seus futuros.

Mas é impossível falar em futuro sem relembrar, ainda que brevemente, o passado. O tempo do galego-português (ou galaico-português, se preferirem), nascido do latim no ângulo noroeste da Península Ibérica, depois da presença romana iniciada em 218 a.C. Outras invasões e conquistas trouxeram outros falares. E se o latim escrito continuava como língua de cultura e transmissão de conhecimento, o português nascido de uma das línguas peninsulares (galego-português, castelhano e catalão; os bascos não haviam abraçado o latim e assim se mantiveram) viu o seu vocabulário, latino e grego na origem, enriquecer-se com palavras de origem germânica (menos) ou árabe (mais). O Testamento de D. Afonso II, que está na origem da mais recente euforia celebrativa, está datado de 27 de Junho de 1214 (faz agora exactamente 800 anos) e é, a nível oficial, o mais antigo documento escrito em língua portuguesa de que há registo. Mas o português não parou por aí, e às influências da proximidade com o castelhano (que chegou a ser usado como segundo língua falada e escrita, inclusive por Gil Vicente e Camões) veio depois a ser influenciado, a partir do século XVIII, pela língua francesa. Gramática, Ortografia e Lexicografia iam-se desenvolvendo desde o século XVI. E iam surgindo os dicionários e vocabulários, com realce para os de Bluteau e de Morais e Silva (ambos escritos e publicados já no séc. XVIII). Por onde andava o português falado, já então?

A crescer e a modificar-se, mas em caminhos diversos consoante as geografias. Portugal e Brasil, mantendo unidade ortográfica até aos últimos tempos da monarquia portuguesa (já o Brasil se tornara independente em 1822), caminhavam para uma óbvia e natural separação em termos de expressão linguística. A velhíssima mãe-língua, ela própria com ainda mais antigos progenitores e parentes, via os filhos crescer, sem contudo prestar atenção suficiente às suas necessidades e diferenças. África, neste campo, também por via da colonização, viu-se a braços com o português como língua oficial (de ensino, de administração) mas não de uso. Porque nesse papel estavam as línguas maternas, não as do colonizador. Cabo Verde e São Tomé e Príncipe tinham crioulos próprios (ainda hoje de uso comum no dia-a-dia), Guiné-Bissau, Angola e Moçambique tinham (e têm) várias línguas, correspondentes a etnias. E se os movimentos de libertação africanos optaram pelo português no momento de escolher uma língua oficial, isso deveu-se à necessidade de evitar divisões (escolher uma língua em detrimento de outra acirraria tribalismos) e ao mesmo tempo de aproveitar o esteio do conhecimento já semeado pelo português.

Depois disso? O vazio, ou quase. Quando, após as independências, os países africanos clamaram por professores, por ajuda no ensino, a resposta foi fraca ou nula. Angola, Moçambique e Guiné-Bissau quiseram incentivar o português em finais dos anos 1970, mas com parco sucesso. Manuel Ferreira (1917-1992), professor e africanista célebre, autor de livros como Hora Di Bai ou A Aventura Crioula, escreveu em 1988 num livro intitulado Que Futuro Para a Língua Portuguesa em África? (curiosamente, a mesma pergunta que hoje repetimos mas com os olhos postos em ambições maiores) o seguinte: “Houve um período em que esses três países procuraram, insistentemente, socorrer-se de Portugal para a contratação de professores cooperantes, mas sabe-se de quanto os sucessivos Governos portugueses, socialistas ou social-democratas, mostraram estranhamente um soberano desdém pelos continuados apelos dos Governos desses países.” Agostinho Neto terá dito, então, que ia bater a outra porta: a do Brasil.

Pois foi exactamente no Brasil que a língua portuguesa tomou forma distinta, falada e escrita e isso deveria constituir motivo de orgulho. Ao contrário do desprezo a que foi votada África. Cuidou-se excessivamente da ideia de língua oficial, descuidando a língua de uso. Artifício útil para palestras, mas máscara de enorme incompetência. Quando hoje se levanta a bandeira dos “250 milhões de falantes”, Brasil e Portugal são contados na íntegra mas África e o Oriente (Índia, Macau e Timor) são esquecidos na realidade dos seus dias, das suas populações, mesmo que sejam lembrados num punhado de intelectuais, governantes e funcionários. Temos, por incompetência e cobiça, os olhos postos nas altas esferas do poder, mas esquecemos a aldeia, a sanzala, a tabanca. Não nos importamos de mentir quando, alardeando o português como “língua de negócios”, tratamos desses negócios naturalmente em inglês, não só no estrangeiro mas também em Portugal, como se o nosso idioma nos envergonhasse, subservientes como sempre ao que nos vem de fora e achamos mais capaz e mais útil. Como queremos que o português seja língua de trabalho no estrangeiro quando nem em Portugal o é? Quem queremos enganar com tais sonhos de expansão, quando os esforços têm sido contrários, no sentido de fechar, minguar, menorizar o português perante outros idiomas, esses verdadeiramente internacionais porque, em lugar de se auto-elogiarem, impõem-se, fazem-se ouvir. Os ingleses não falam da língua, falam a língua. Assim o deviam fazer os portugueses.

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«Saramago traduzido para português» [Nuno Pacheco, “Público”, 08.06.14]

Foi desta: Saramago está finalmente traduzido. Não para tamil, urdu ou bhojpuri, línguas em que decerto já existirá, mas para português. Sim, para português, o “bom português” que por aí se “acorda”, não aquela grafia quase medieval do século XX. Basta ir à Feira do Livro e lá estão os volumes, em capas coloridas, expostos à curiosidade do comprador. Têm menos consoantes mas isso não é um mal, é um bem. Mesmo que Saramago tenha escrito “tecidos e luxo de confecção” na página 134 de A Viagem do Elefante, é mais fácil ler agora “tecidos e luxo de confeção” na edição moderna, percebe-se logo do que se trata, é óbvio. Além disso, todos os que achavam a escrita de Saramago difícil vão com isto poder lê-lo sem dificuldade. É preciso dizer, a bem da verdade, que Saramago só teve o Nobel porque lhe leram a obra em inglês. Se a lessem naquele português arcaico… coitado dele. Mas pronto: foi enfim salvo.

Aliás, não é só Saramago. Os que escrevem em português adoram traduzir-se uns aos outros, à falta de ocupação mais útil. Talvez depreciem as capacidades de entendimento alheias e resolvam, assim, facilitá-las. Um brasileiro lê inglês no original, mas tem de ler português de Portugal traduzido. Senão não entende, coitado. Um português é capaz de ler francês ou até mesmo alemão, mas se lhe chegam um livro em português do Brasil têm de “adaptá-lo” para que ele entenda. É estranho, no entanto, que muitos portugueses e brasileiros, nas suas viagens, comprem livros cá e lá e mesmo assim os leiam. Devem ser muito inteligentes. Os outros, coitados, os que não viajam por falta de dinheiro ou tempo, têm de ler traduções. De português para português, pois então. Como agora com Saramago, e apenas cá. É engraçado que não traduzam telenovelas, poesia ou letras de canções mas sintam necessidade de ajeitar outras literaturas. O monumental Carmen, de Ruy Castro, por exemplo, foi “adaptado” na edição portuguesa. Não só para lhe pôr mais umas consoantes mas também para alterar termos do vocabulário que os portugueses podiam não compreender. É assim que, na página 224 da edição brasileira (da Companhia das Letras), se escreve “ela seria a última que o curso escolheria como sua garota-propaganda”; e na edição portuguesa (página 225) se “traduz”: “ela seria a última que o curso escolheria como sua imagem de marca”. Assim.

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O AO90 visto “de fora”

O que se segue é a transcrição, no original em Inglês, de um comentário publicado num “site” sobre telemóveis e “smartphones”, em Windows Phone Central, com data de 8 de Maio de 2014, de autor que se identifica apenas pelas iniciais DJCBS.

Para ler em Português, coloque o “pointer” do seu “rato” em cima de cada parágrafo e verá o respectivo texto traduzido.

DJCBS says:

Well, first European Portuguese is spoken and written in Portugal, Angola, Mozambique, Guiné Bissau, Cape Verde, S. Tomé and Prince, Timor and Macau. That’s 7 countries and a special administrative region of CHINA. Also, Portugal has a ratio of 2 phones per inhabitant, which means there’s around 20 million cellphones in this country alone, half of which are Nokia.

Then you have Brazil, a country with 180 million people indeed, but where half of them can’t read nor write or suffer from functional illiteracy, let alone use a smartphone. And then you have the percentage of Brazilians that can afford a smartphone indeed…but rather go for Apple because it’s “fashionable”.

Yes, it is a big market that can be conquered, no it’s not much more important than the Portuguese market. Not if Microsoft has brains. If you had Brasil –  a country with tons of poor people that can’t afford a phone and tons of people who can but prefer apple – and Portugal – a country where there’s a ratio of 2 phones per inhabitant, where one of those phones is a Nokia (a company to whom you just bought a D&S division) – to which country would you look first?
The gigantic one where people are less inclined to join your offerings or to the smaller one where people are quite willing to accept your offerings and give you a chance?

At any rate, it’s not a question of “prioritizing Brasil”. It’s a question of Microsoft having both spellings and phrasings etc, and then deciding to abolish the correct way of spelling – the European way – and shoving the Brazilian way down the throats of the people of all the other countries around the World that speak Portuguese.

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[Imagem de “Find Icons“]