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A “deítica” na “expetativa”

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«A dêixis ou referência deítica é o processo que permite estabelecer uma relação entre os elementos linguísticos e a situação, ou seja, a realidade para que remetem ou a localização temporal ou espacial em que decorre o ato enunciativo.»

Porto Editora (recurso)


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«Uma chacina familiar» [Nuno Pacheco, “Público”, 01.02.15]

Quando há tantos problemas pelo mundo, pode parecer estranho voltar à língua, em particular a língua escrita, mas este ano é apropriado. É que, embora tenham espalhado que só em 2016 é que o acordo ortográfico (AO) de 1990 entra em vigor em todo o país, a data é uma falácia. Na verdade, o dito AO já contamina quase tudo: escolas, meios de comunicação social (exceptuando alguns heróicos resistentes), instituições estatais e privadas e um sem-número de alegres seguidores da coisa. Dir-se-ia portanto que, tal como pagamos a dívida pública a juros mais altos do que os outros e ainda louvamos tal solução, nos embrenhámos na novidade ortográfica desejosos de colher os seus tão apregoados benefícios. Mas, se já tantos o aplicam e tão afincadamente, não deveriam esses benefícios ser visíveis? Não deveríamos ter já a tão apregoada “ortografia comum” nos países onde o português é usado como língua oficial ou de trabalho? Teoricamente sim, na prática… Não. Ainda agora se anunciou que a (excelente) Companhia das Letras brasileira vai começar a ter edições portuguesas. Pergunta: para quê? Por que não vender em Portugal as edições brasileiras a preços normais? Não é, afinal, a mesma língua? A mesma ortografia?

Vejamos um exemplo. Ainda há dias, o ciclo do cinema de expressão alemã em Lisboa abriu com um filme, As Irmãs Amadas, baseado no trio amoroso que teve como centro o poeta Friedrich Schiller. Era legendado em português, sim, mas do Brasil. A dada altura, uma das irmãs pergunta à outra (em alemão, naturalmente) o que foi traduzido deste modo: “E já falou pra mamãe?” Se a tradução fosse em português europeu, seria: “E já contaste à mãe?” Ou: “E já disseste à mamã?” Claro que no Brasil estas últimas expressões soariam ridículas. É por isso que, no capítulo das traduções, tal como sempre sucedeu, há e continuará a haver versões diferentes consoante os países. Apesar da língua. O problema é que Portugal, no seu afã de eterno subserviente, há-de dispensar a pouco e pouco as traduções e legendagens próprias (e isso, infelizmente, já está a suceder no mercado videográfico) a pretexto, estúpido pretexto, de que falamos a mesma língua, logo entendemos tudo o que está escrito. Entendemos, claro, tal como os brasileiros entendem o português europeu grafado, mas estaremos assim a minar de forma irreversível a nossa cultura porque abdicaremos de uma expressão própria que nos acompanha, evoluindo, há séculos.

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Em Português de Portugal

[na barra de comandos, click na “roda dentada” e seleccione legendas/CC “Portuguese (Portugal)”]

Temos vindo a publicar aqui, recentemente, alguns vídeos legendados com traduções nossas para Português de Portugal (“Português-padrão” ou “Português europeu”). Reunidos agora na sequência automática (“playlist”) que pode ver em cima, 6 pequenos vídeos, todos eles de alguma forma relacionados com a ortografia, realizados pela plataforma americana TED-Ed.

Qualquer pessoa, mesmo não sendo profissional de tradução, pode inscrever-se numa ou em várias das plataformas, serviços e sistemas de produção ou de tradução de vídeos (TED, Amara, YouTube, Vimeo etc.) e começar imediatamente – isto é, assim que for aceite a sua inscrição, o que não é aliás nada difícil – a traduzir ou a criar de raiz legendas em “Portuguese (Portugal)”, isto é, em legítimo Português.

Os direitos de autor prevalecem sempre e em qualquer caso; o tradutor é o autor… da tradução; por conseguinte, esta não poderá ser alterada por outrem. Para todos os cidadãos não pode restar qualquer espécie de dúvida nesta matéria: podem (e devem), perfeitamente, seguramente, convictamente traduzir para Português correcto tudo aquilo que entenderem.

Fica o desafio.

O AO90 (de novo) no Senado brasileiro (2)

Bechara cita um texto de Monteiro Lobato como se fosse um documento científico. Não é, porém, lá muito científico: é uma “histórinha” para crianças, um livro infantil.

«Alguns críticos afirmam que o motivo para Lobato escrever este livro foi “vingança”, por ter sido reprovado aos quatorze anos de idade na prova de Português.»
http://pt.wikipedia.org/wiki/Em%C3%ADlia_no_Pa%C3%ADs_da_Gram%C3%A1tica

 

Bechara explica, sumariamente, como, quando e porquê o AO90 avançou a toda a pressa apenas a partir de  Setembro de 2008. Refere-se a certa hesitação (de brasileiros) sobre publicar a 5.ª edição do VOLP (brasileiro): “ou vamos fazer uma edição repetindo o anterior, a 4.ª edição, com melhoramentos, ou nós iríamos implementar o acordo de 90. E a decisão foi esta, tendo em vista que o acordo de 90 já estava com um decreto assinado pelo Presidente Lula.”

 

 

[Excertos vídeo da 2.ª sessão de audiência sobre o AO90 realizada no Senado Federal do Brasil em 22.10.14. 1.ª parte desta série de vídeos AQUI.]

Apresentamos uma citação por cada vídeo apenas a título de ilustração; qualquer dos excertos está recheado de igualmente verdadeiras “pérolas”, proferidas não apenas pelo Professor Doutor Evanildo Bechara como por outros que deste não desmerecem.

O método “Assimil” para aprender ‘Brésilien’ (língua brasileira)

Já sabíamos que existe um dicionário Larousse de Brasileiro-Francês, agora ficamos a saber que existe também um “método para aprender a falar brasileiro”: o “método Assimil”.

Brésilien

Rio de Janeiro, Recife ou São Paulo ? Le Brésil n’attend que vous ! Le créateur de la célèbre méthode Assimil a conçu pour vous le compagnon indispensable de votre voyage dans ce pays.

LE PORTUGAIS DU BRÉSIL
Cette toute nouvelle méthode vous propose de découvrir le portugais parlé au Brésil dans ses particularités lexicales (mots d’origine tupi ou africaine), phonétiques et grammaticales.

Vous découvrirez une langue plurielle, fortement marquée par l’héritage culturel d’un peuple métissé, mais en constante évolution. Au travers de 100 leçons variées, nous vous livrons le vocabulaire et la grammaire nécessaires pour vous exprimer avec aisance et naturel dans la plupart des situations du quotidien. Les notes culturelles, passionnantes, vous feront apprécier un pays aux mille facettes et vous aideront à comprendre ce qui fait l’originalité de la langue.

Les enregistrements reprennent l’intégralité des textes en brésilien des leçons et des exercices de traduction du livre. Ils sont interprétés, à un rythme progressif, par des locuteurs natifs professionnels.

LA LANGUE

Portugais du Brésil… vraiment ? Ou pourquoi pas portugais américain (par rapport à l’européen) ou des Amériques, voire portugais tout court, ou même brésilien ? Au Brésil comme ailleurs, la question fait débat. Certains pensent qu’il n’y a qu’une seule et même langue, le portugais, fille du latin vulgaire, greffée de spécificités syntaxiques, orthographiques, lexicales (outre une créativité néologique débridée), et aussi phonétiques d’origines diverses (tupi, africaines, emprunts, etc.), passant pour plus ou moins correctes. D’autres penchent pour une brésilianité assumée et revendiquent une langue nationale belle et bien brésilienne, expression d’un peuple éminemment communicant. Il est vrai que le portugais parlé au Brésil s’est éloigné de celui parlé au Portugal. Y compris par volonté de l’ex-colonie d’affirmer sa différence et de s’affranchir encore et encore de traces de “filiation” vis-à-vis de l’ancien “occupant”. Pour l’orthographe par exemple, le Brésil a suivi sa propre route, en instaurant de façon unilatérale ses propres règles. Puis il a été rejoint, en 2008, par les pays lusophones, qui ont décidé de se rapprocher et d’harmoniser leur langue via une autre réforme de l’orthographe, conduite sous la houlette de la CPLP et qui a pour but majeur de faciliter la communication et les échanges entre ces pays. Le Brésil étant très peu touché par ces changements, nous l’avons appliquée ici, tout en maintenant certaines formes d’avant la réforme, et ce afin de faciliter l’apprentissage sur certains points comme, par exemple, pour les homonymes.

[Excertos (e imagens) da página sobre “brasileiro” (Brésilien) no “site” da empresa francesa Assimil.]

‘Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa’, de Marcelo Moutinho e Jorge Reis Sá

«SINOPSE»
«O livro promove uma celebração ao “desacordo” da língua portuguesa. No ano em que mais se discutiu o acordo ortográfico, o brasileiro Marcelo Moutinho e o português Jorge Reis Sá desafiaram 35 autores de língua portuguesa, em quatro diferentes continentes, a escrever sobre suas 35 palavras favoritas. O resultado, aqui publicado, revela uma amorosa diferença no uso do mesmo idioma.»

COQUELUX

«São autores do Brasil, de Portugal, de Angola, de Moçambique e do Timor Leste, e, em cada um deles, a mesma palavra pode assumir formas e significados diferentes.»

«“Justamente para sublinhar essa distinção que depreende da unidade, tornando‐a mais rica, optamos por não obedecer às regras do novo acordo ortográfico”, afirmam os organizadores.»

«O Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa é “um dicionário de palavras íntimas”, que fala de amor e amores, entre eles aquele que é dirigido ao peculiar e notável idioma que nos foi legado, o português — sempre mutante e encantador.»
www.marcelomoutinho.com.br (“.pdf”)

«A hipótese de uma ortografia do português de Angola» [Wa Zani, “Jornal de Angola”, 27.08.14]

A hipótese de uma ortografia do português de Angola

Wa Zani
27 de Agosto, 2014

Em cada computador aparecem várias opções para a ortografia do inglês (África do Sul, Austrália, Belize, Canadá, Caraíbas, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Irlanda, Jamaica, Malásia, Nova Zelandia, R.A, de Hong Kong, Reino Unido, Singapura, Trinidade e Tobago, Zimbabwe) e também para a ortografia do francês (Bélgica, Camarões, Canadá, Costa do Marfim, Haiti, Índias ocidentais, Luxemburgo, Mali, Maurícias…). Em relação à Língua Portuguesa, há ainda as opções do português de Portugal e do Brasil, apesar de nos aparecer, após o AO90, palavras sublinhadas a vermelho no nosso computador, como se estivessem erradas, apesar das duas normas ortográficas (a velha e a nova) estarem ainda em vigor. Nos cinco PALOP, a norma do português era a do português de Portugal, que decidiu afastar-se para uma outra ortografia mais próxima do português do Brasil. A 10 de Agosto de 1945, o Brasil assinou com Portugal a “Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945” e há 70 anos que não a cumpre. No actual contexto do AO90, o Brasil salvaguardou antecipadamente as questões culturais de ordem ortográfica do “tupi-guarani” e nós angolanos, preocupamo-nos em salvaguardar o nosso património linguístico bantu, principal vertente cultural da nossa identidade, cuja estrutura difere bastante da linguística neolatina.

O reconhecimento da fragilidade do texto do AO90 é praticamente consensual e há cidadãos dos países da CPLP, que, por falta de um prontuário ortográfico que lhes sirva de referência, misturam as duas ortografias, incluindo os próprios professores. O que se pressupunha que iria unir a grafia em português, nunca se irá concretizar, tal como a maior difusão internacional da Língua Portuguesa e uma maior facilidade da aprendizagem para o próprio idioma. Para que serviu afinal o Acordo Ortográfico?

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“Por Amor à Língua Portuguesa”, novo livro de Fernando Paulo Baptista

«A partir da próxima segunda feira, dia 14 de Julho estará disponível em todas as livrarias do país o melhor e maior ensaio, até agora elaborado, contra o novo Acordo Ortográfico….

Uma obra imperdível escrita por um dos maiores filólogos portugueses o Professor Dr. Fernando Paulo Baptista. Procurem, encomendem, adquiram na vossa Livraria Preferida.»
Edições Piaget (via Facebook)