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«Grupos anónimos corrigem ortografia» [jornal “i”, 02.02.15]

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Grupos anónimos corrigem ortografia de graffitis na rua

Quem os divulgou foi a circunspecta BBC Brasil: nas ruas de Quito e de Madrid há grupos organizados que corrigem a ortografia e a gramática escritas nas paredes. A eles não lhes interessa a orientação política, nem discutem o conteúdo das pintadas, apenas velam para que estejam bem escritas.

O grupo equatoriano é misterioso: há alguns meses, surgiram inscrições corrigidas em tinta spray vermelha no bairro de La Floresta, em Quito.

A BBC Brasil consultou autores das fotos dos murais, jornais locais e até um organizador de eventos para graffitis para saber se alguém conhecia a “Acção Ortográfica Quito”. Nada.

“Parece que eles (o grupo)se espalharam bastante é ninguém assumiu (a autoria)”, diz uma das autoras das fotos divulgadas no Twitter.

Como as frases de diferentes muros” são escritas em letras parecidas, grafiteiros suspeitam que a mesma pessoa que faz as inscrições faça, em seguida, as correções.

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«sus tesoros más grandes: la lengua portuguesa» [por “Loscercarlos” (Espanha), 18.12.14]

La lingüística, la ortografía y la sintaxis me encantan. Ya está, ya lo he dicho. Me encanta conocer las reglas mediante las que funciona un idioma, saber las excepciones, los puntos ciegos y las pequeñas trampas que esconden esas reglas. Nuestro pensamiento se concreta en forma de lenguaje, y por lo tanto, de algún modo, dos personas con idiomas distintos piensan de forma distinta, porque el lenguaje estructura, divide y organiza la realidad en cajones, y cada lengua tiene distinto número de cajones con distintos tamaños. Puede que una lengua divida la realidad en tres géneros, y otra en uno o en dos. Que una lengua tenga sólo tres tiempos verbales, y otra más de quince. Que una lengua estructure las sílabas de sus palabras alrededor de una consonante, y que otra lo haga alrededor de una vocal.

Lo que no abarca el lenguaje, nuestro lenguaje, no lo podemos pensar. Querer decir algo que las palabras no son capaces de expresar. Decir que las palabras no son capaces de expresar su pensamiento utilizando al mismo tiempo otras palabras también insuficientes. Del mismo modo, nuestra comprensión y dominio de nuestra lengua materna condicionará el nivel que podemos alcanzar en una lengua extranjera. Una persona que no conozca los entresijos de su idioma, que no pueda jugar con el lenguaje y exprimirlo al máximo para sacarle todo el partido posible a un recurso que es de por si insuficiente e imperfecto, jamás podrá llegar a tener un buen nivel en un idioma extranjero. Cuando una persona me pregunta qué utilidad tiene la sintaxis, para qué sirve la ortografía, nunca respondo. Porque como dijo Dolina, “para algunos no sirve de nada”. Personalmente, estudiar y conocer la ortografía española y portuguesa me sirve para saber de dónde venimos, para encontrar nexos de unión y puntos de separación. Habrá quien, considerando las palabras conselho y “consejo”, o vermelho y “bermejo”, no sea capaz de establecer un patrón y predecir la forma más probable de escribir ciertas palabras en portugués.

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«A desistência da Língua» [Inês Pedrosa, “Sol”, 16.12.14]


«Em vez de cuidar do reforço do ensino da Língua no mundo, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa tem passado as últimas décadas entretida com um acordo impossível.»

Inês Pedrosa

A desistência da Língua

A desistência da Língua

16/12/2014 22:34:38

Numa das últimas vezes em que escrevi um artigo contra o chamado Acordo Ortográfico, um amigo aconselhou-me a abandonar o assunto porque, estando já prestes a entrar em vigor no Brasil, seria inútil contestá-lo. Acrescentou que a não-adesão criaria problemas económicos a Portugal.

Este modelo argumentativo diz muito sobre o tempo em que vivemos: os espertos são os que seguem o rebanho e desistem de pensar pela própria cabeça, para não levantar ondas. Em caso de resistência, apela-se ao incontestável Deus da Economia, que suspende qualquer explicação.

Sucede que aquilo a que se convencionou chamar Acordo Ortográfico é uma fraude, porque:

a) Não estabelece nenhum acordo (a palavra recepção continuará a escrever-se com ‘p’ no Brasil e perde o ‘p’ em Portugal, porque o fundamento da ortografia passa a ser a pronúncia – e ainda por cima o texto refere a “pronúncia culta”, o que agrava o patético do tema);

b) Confunde os utilizadores, dado que a etimologia das palavras, que esclarecia as dúvidas, deixa de se aplicar. Sintoma de uma época que despreza a memória e vive em esquecimento acelerado, este ‘acordo’ ignora voluntariamente a história e o trajecto da Língua. É mais um passo no caminho do desprezo pela riqueza e pela força da Língua Portuguesa.

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«Portugal e o latim» [Susana Marta Pereira, “Público”, 11.04.14]

SUSANA MARTA PEREIRA 11/04/2014 – 01:49

O latim representa mais de dois mil anos de cultura. Foi nele que o mundo ocidental produziu, até ao século XVIII, a sua ciência, filosofia, religião; a sua história é a matriz das línguas românicas, tendo significativos ecos em línguas como o inglês e o alemão. Aprender esta língua é ter acesso a uma cultura milenar que fundou, juntamente com o grego, a sociedade moderna e cujos valores transportam saberes, desde a área jurídica à educação e à medicina.

Países como Inglaterra, Alemanha e Espanha colocam, actualmente, nos seus curricula o ensino do Latim, por perceberem a sua relevância na aprendizagem de matérias tão diversas que vão desde a matemática à biologia, à filosofia, à literatura e à aprendizagem das línguas, entre elas o inglês e o alemão. Em Portugal segue-se o caminho oposto.

Aos poucos, a aprendizagem do latim tem vindo a morrer, sendo vários os factores que estão na génese desta lenta agonia; os principais são a ignorância e o desconhecimento da importância desta língua por parte de quem decide. Num país onde se aplica um acordo ortográfico que renega a matriz do português, não é de espantar que se olhe para o latim como uma língua menor.

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Quer dizer: Português

Ainda convalescente (não se preocupem, nada de grave, “apenas” um pequeno problema) mas animada pelo Sol que hoje decidiu acompanhar-nos após umas semanas de folga, fui passear junto da minha inseparável câmara fotográfica.

Não era apenas o sol, o vento também estava armado em simpático. Nada de admirar, uma vez que hoje não vinha, como habitualmente, do Norte mas do Oeste, quentinho e bem cheiroso… quer dizer: Português.

A Primavera anuncia-se, as primeiras margaridas, as amendoeiras (essas impacientes!) em flor, os pombos a arrulhar…

E eu ao meu passo de tartaruga a pensar no que irá a acontecer amanhã na Assembleia da República Portuguesa.

Pensamentos estranhos para uma espanhola? Quem não me conhecer acharia que sim, quem tiver partilhado os últimos 3 anos e tal de vida não estranha nada. Quem me conhecer bem, sabe como para mim é importante tudo que tenha a ver com o AO90 ou, melhor dizendo, com a luta contra ele.

Amanhã discutir-se-á no Parlamento um projecto de Resolução do PCP que recomenda, em primeiro lugar, a criação do Instituto Português da Língua e a renegociação das bases e termos do AO90. A ideia é, no meu entender, que sejam os linguistas e não os interesses políticos a decidir se convém ou não seguir à frente com a bosta do AO ou, pelo contrário, se o melhor que se pode fazer é revogar dito Acordo.

Alguém tem dúvidas de qual a opção válida? Eu não tenho. Nenhumas.

Amanhã é pois (mais) um dia para a esperança. Já houve outros e já foram muitas as decepções. Mas quem aguentou (oh, sim, eu aguento) mais de 3 anos para chegar até aqui, resiste mais um dia de incerteza (embora a noite prometa ser longa e mal dormida) e caso, espero bem que não, aquilo não dê em nada de proveito, cá estaremos nós para mais 3 anos ou mais três lustros na luta contra o que nunca devia ter sido iniciado e que é imprescindível seja revogado de vez.

Estou especialmente contente por ter sido o PCP (partido que conta com a minha confiança, amizade e adesão) a apresentar este Projecto de Resolução.

Sei que há outros dois. Um deles (o do BE), acho-o, sinceramente, um insulto a Portugal e à soberania do povo português, o outro (do Deputado Mendes Bota) acho muito bom (de facto, para ser sincera, nem consigo acreditar numa coisa dessas vinda de um Deputado do PSD mas desejo com o coração nas mãos que o partido dele alinhe). A ver vamos.

Se afinal há tantas vozes contra, vozes que na altura da aprovação do AO90 estavam a ouvir outro lado, quer por desinteresse ou não, então onde está o problema para se juntar 23 Deputados? Esqueçam por uma vez as cores políticas, é da Língua de todos vocês – e nós – que se está a tratar, caramba!

Gostava muito mesmo de não ter que aturar nunca mais a visão dos agravos que todos os dias passam canais de TV portugueses, em alguns jornais e revistas e até nos cartazes aqui, em Zamora, a anunciar eventos numa pseudo-língua que me ofende, como pessoa que dá valor à Cultura e ao património cultural dos povos mas também como pessoa que ama profundamente Portugal.

Amanhã é dia para a esperança e espero bem que o vento continue a soprar de Oeste e que traga boas notícias.

Amanhã é dia para a esperança mas, se nada vingar, cá estaremos. Nesta causa, como em muitas outras coisas – as importantes – da vida, não desistimos.

Rocío Ramos

«Superficialidade, mãe das banalidades» [Alda M. Maia, “blog”, 24.02.14]

Não somente genetriz de banalidades triviais, mas também de erros, frequentemente derivados de exibicionismos dispensáveis.

Estive a ouvir os comentários do prestigiado escritor e jornalista da RTP, José Rodrigues dos Santos, no debate que se realizou na Biblioteca da Câmara Municipal de Cascais, no dia 21 deste mês, sobre o Dia Mundial da Língua Materna / Acordo Ortográfico – www.cedilha.net/ilcao

Transcrevo as suas opiniões, as quais me deixaram atónita por aquilo que demonstraram! Vejamos:

“Nós temos que unificar a língua no ponto de vista da grafia, para não ficarmos numa situação em que, daqui a 200 ou 300 anos, do português nasçam línguas diferentes, como da língua hispânica nasceram várias línguas. Os galegos, há 300 anos, falavam português. Hoje já só falam galego que é uma língua diferente do português. Portanto, nós não podemos deixar que isso aconteça ao português do Brasil, do português de vários países africanos e do português de Portugal. Portanto, é importante unificarmos a grafia para preservarmos a língua”.
Nós temos de ter uma grafia unificada para não termos várias línguas diferentes”.

José Rodrigues dos Santos é um excelente jornalista e um escritor de sucesso, doutorado em Ciências da Comunicação, logo, podia ter-nos poupado esta enfiada de banalidades e, digamo-lo, aneiras.

Primeiro: o povo galego – século VIII – XV – não falava português, mas uma língua literária comum de grande prestígio, isto é, o galaico-português.
“O galaico-português adquiriu um tal requinte sob a sua forma escrita, que se tornou, no conjunto global da Península Ibérica, uma língua poética de predilecção. O próprio rei de Castela Afonso X, o Sábio (1252-1284), que tanto se ilustrou com os seus poemas, se tornou enquanto poeta num dos arautos mais apreciados do galaico-português” – do livro: “A Aventura das Línguas do Ocidente”, de Henriette Walter, pág. 202

Segundo: “os galegos, há 300 anos, falavam português”, diz José Rodrigues dos Santos.
Falavam português no século XVIII?! Ninguém ensinou ao ilustre jornalista e escritor que, após o nascimento do reino autónomo de Portugal (séc.XII), Portugal e Galiza ficaram politicamente separados e a língua comum seguiu estradas diferentes, enquanto do outro lado da Península se ia impondo o castelhano?
As populações da Galiza continuaram a falar galego, certamente, embora esta língua, a partir do séc. XV, tivesse ficado na sombra por imposição do castelhano e, só recentemente, é que foi reconhecido como uma das línguas oficiais da Espanha.
Sempre na obra de Henriette Walter, podemos ler: “Em 1492 foi o ano da publicação da primeira gramática do castelhano, escrita por António de Nebrija, um andaluz. Nesta gramática observa-se a consagração do castelhano como a grande língua do Estado espanhol”

Galego e português: dois falares diferentes, mas a generalidade dos linguistas é de opinião que “ainda hoje constituem a mesma língua”, o que me agrada.

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F.C. Barcelona inaugura (em 21.10.13) “site” em Português… do Brasil

Barcelona inaugura site em português

É o nono idioma oficial da página do clube
A nova versão da página oficial do Barcelona na Internet

O Barcelona inaugurou nesta segunda-feira uma versão em português (do Brasil) do seu site na Internet, justificando a decisão com o facto de este ser o quinto idioma mais falado pelos adeptos do clube catalão.

“Normalmente, os sites brasileiros acabam em ‘.com.br’, mas o Barcelona escolhe os seus endereços pelos idiomas e não pelo país em questão. Por isso, apesar de o site ser totalmente voltado ao Brasil, o endereço será o seguinte: www.fcbarcelona.pt. Com o tempo o clube catalão procurará adaptar essa questão técnica ao mercado brasileiro e fará que o endereço tenha o final que normalmente é utilizado pela Internet local”, explica o clube catalão no site.

[Transcrição parcial do texto e imagem da notícia do Público, de 21.10.2013. Links e destaques adicionados por nós.]

Nota: os domínios “.pt” são (ou deveriam ser) exclusivamente portugueses: http://www.europeregistry.com/domains/domains_pt.htm?gclid=CNOIhMu1q7oCFQXHtAodnzwALA

«mas nunca uniformizá-las em tarefa impossível» [R.M. Rosado Fernandes]

Ortografia significa a “grafia correcta, certa” que reproduza em todas as suas particularidades as características fonéticas e  morfológicas de uma língua. Ora nos países lusófonos e em muitos outros, tal é impossível, por haver variantes fonéticas, e muitas, morfológicas e até semânticas e vocabulares. Basta ler “Chiquinho” ou qualquer livro brasileiro, para vermos a irredutível impossibilidade de uniformização. Não é por acaso que países mais pragmáticos, como a Inglaterra, a França e mesmo a Espanha, com as inúmeras variedades de pronúncia e de vocábulos que, como colonizadores, deixaram pelo mundo fora, para verificarmos que apesar das diferenças, tentam conhecê-las, mas nunca uniformizá-las em tarefa impossível, até porque o orgulho nacional e político o impede, digamos mesmo, o proíbe, pois em nadas acrescentaria. R.M.Rosado Fernandes

[Transcrição integral (e literal) da resposta do Professor Rosado Fernandes a um pedido de informação da CECC (Comissão de Educação, Ciência e Cultura).]

Um depoimento comentado (5.ª parte/final)

Concluímos hoje a transcrição anotada (5.ª parte, ver  1.ª , 2.ª3.ª, 4.ª) do depoimento de José António Pinto Ribeiroadvogadoex-Ministro da Cultura, perante o Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90 em audição realizada em 23 de Maio de 2013.

A transcrição (de gravação áudio) foi realizada por Hermínia Castro e as anotações, comentários e “links” são da autoria de Maria José Abranches.

 

Por exemplo, política europeia [só agora, 2013, se lembrou de que estamos na Europa, somos europeus e temos uma língua europeia?! Há quem se tenha desde há muito preocupado com isso, pergunte ao Dr. Ribeiro e Castro…], não compreendo que não haja defesa na política europeia de apoio, apoio financeiro, para as línguas partilhadas. [Mais “dinheiro” da Europa? O apoio financeiro pressupõe a existência de um projecto, uma política de língua válida numa perspectiva europeia. Onde está a nossa política de língua? É o AO90, que destrói o português euro-afro-asiático-oceânico, para servir o Brasil?] Não há nenhuma maneira de fazer mais expansão da Europa do que através das línguas. [Já se tinha pensado nisso: “O Parlamento Europeu” (em Outubro de 2006) “chamou a atenção para o facto de algumas línguas da UE, referidas como «línguas europeias de comunicação universal» serem faladas igualmente num grande número de Estados não membros em diferentes continentes; estas línguas são pois uma ponte importante entre os povos e as nações das diferentes regiões do mundo.” (Comunicação da Comissão…, Setembro de 2008)] O português, o francês, o espanhol, o inglês.

Todos esses países, se aprenderem essas línguas querem vir a Lisboa, a Paris, a Madrid, a não sei onde, são os centros, são sempre irradiação de cultura, língua, literatura, de coisa, do português, do espanhol, tudo europeu. Não há dinheiro para as línguas partilhadas? Não há dinheiro para as línguas partilhadas porque a Alemanha [é fácil culpar a Alemanha…], um estado federal, não tem competência de língua, são os estados federados que têm competência de língua e portanto ele não dá dinheiro para se fazer isso, como disse o Neumann ? [Mas há fundos europeus para a Babbel, empresa alemã para o ensino/aprendizagem de línguas que, para o “português”, optou pela bandeira e língua do Brasil http://en.babbel.com/ Tanto faz, não é, segundo os políticos portugueses?!] [Ver http://cedilha.net/ilcao/?p=7765 (*)]

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Um depoimento comentado (4.ª parte)

O que se segue é uma transcrição anotada (4.ª parte, ver  1.ª , 2.ª, 3.ª) do depoimento de José António Pinto Ribeiroadvogadoex-Ministro da Cultura, perante o Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90 em audição realizada em 23 de Maio de 2013.

A transcrição (de gravação áudio) foi realizada por Hermínia Castro e as anotações, comentários e “links” são da autoria de Maria José Abranches.

Gostava de, relativamente ao problema da revisão ortográfica, o problema de se saber o que é que se faz e o que é que não se faz, que me colocou, eu gostava de dizer o seguinte: em primeiro lugar, houve grandes revisões ortográficas nos últimos anos, nos últimos quinze anos, em muitos países.[“grandes revisões”, “em muitos países”: muito vago…; revisões, reformas ou acordos? É que os objectivos, os participantes e a dimensão não são idênticos…] [E o que significa “grandes revisões”? Também houve “pequenas revisões”? E o que significa “muitos países”? 10? 20? 2? 1? (*)]

As regras de revisão ortográfica são sempre destinadas a fazer aquilo que se diz a propósito da Academia Espanhola. A Academia Espanhola foi fundada com o seguinte propósito: limpar, fixar e dar brilho à língua. Portanto, limpar, fixar e dar brilho à língua. E esta lógica de limpar, fixar e dar brilho à língua é, digamos, aquilo que tem levado a generalidade dos países a fazer revisões [não é sinónimo de “simplificar”, eliminar letras e acentos à toa, retirando à língua as suas raízes e  inteligibilidade] .

A língua alemã, eu, por razões da minha vida, falo alemão mais ou menos como falo português, é uma língua complicadíssima também graficamente. Tem letras que não existem em mais sítio nenhum, como o Eszett (ß), por exemplo, e tem formas de grafia que são muito complicadas. Portanto, fizeram uma coisa que foi uma revisão ortográfica. A aceitação dessa forma ortográfica foi duríssima, foi complicadíssima [confusão e amálgama, para baralhar!…não se compara o que não é comparável]. Houve…

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