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«A Lusofonia» [Miguel Tamen, “Observador”, 17.04.15]

A Lusofonia

Miguel Tamen
17/4/2015, 1:16

Existe mesmo uma relação especial entre as pessoas que falam português, só porque falam português?

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A palavra ‘lusofonia’ é um substantivo abstracto que pretende designar a qualidade de falar português. É possível que haja uma qualidade de falar português, no sentido trivial do termo; mas é tão trivial como a qualidade de falar finlandês ou swahili. Ora a palavra ‘lusofonia’ é usada na acepção de que falar português não é trivial; está ligada à ideia de que as pessoas que falam português são especiais.

Em que sentido e em relação a quem serão os falantes de português especiais? A maioria das pessoas que usa o termo ‘lusofonia’ possivelmente não achará que os falantes do português pertençam a uma espécie biológica diferente da dos falantes de swahili ou finlandês; e têm razão. Mas acham que são especiais, e sobretudo que entre todos os falantes do português existe uma relação especial, que se deve ao facto de todos falarem português.

Esta teoria não se percebe bem. É parecida com a teoria de que todos os ruivos ou todos os coxos estão unidos por uma relação especial; e que os ruivos devem lealdade aos ruivos, e os coxos aos coxos. A analogia não é injustificada: tal como ser-se ruivo, ou ser-se coxo, falar português é uma condição infrequente que não tem a ver com os méritos de quem a satisfaz. Fala-se português por casualidade. Ora o que pode ser uma relação especial entre pessoas que devem ao acaso estar nessa relação?

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«Lusodisfonia» [Luiz Fagundes Duarte, Facebook, 22.03.15]

‘Encontrei agora, entre muitos papéis velhos, esta pequena nota que escrevi há muitos anos em resposta a um pedido de depoimento sobre a “Lusofonia”, feito não sei por quem e publicada não sei onde. No fundo, e embora polémica, esta nota representa ainda o que eu penso sobre o conceito, para mim errado, de Lusofonia:’

Lusodisfonia

As frequentes situações de dificuldade de comunicação ou de estranheza entre falantes de Portugal e do Brasil (e a esse respeito eu teria muitas histórias para contar) fazem-me concluir que o termo ‘lusofonia’ não é adequado: atendo-nos à etimologia da palavra e ao processo histórico em geral, ela deveria referir-se a uma ‘forma de ordem’ comum a vários países, definida de um modo inquestionável pelos ‘parâmetros fónicos’ de um deles, Portugal.

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“A Língua Portuguesa e os seus embaixadores” (mesa-redonda com Maria do Carmo Vieira)

Mesa-redonda “Portugal no mundo: a língua portuguesa e os seus embaixadores”

Universidade Europeia | Laureate International Universities

Quarta-feira, 13 de Maio de 2015 das 19:00 às 21:00 (WEST)
Lisboa, Portugal

Detalhes do evento

No seguimento das duas edições anteriores, nas quais muito nos honrou a presença da escritora Lídia Jorge, dos Professores Doutores José Jorge Barreiros, Susana Araújo, Onésimo Teotónio Almeida, Petar Petrov, do Mestre Rui Pereira e da eurodeputada Dra. Ana Gomes, pretende-se promover uma reflexão interdisciplinar sobre o legado de Portugal na Europa e no mundo e os novos desafios que o país enfrenta face à complexa conjuntura actual.

Para a edição deste ano, propõe-se que o debate se norteie em torno das questões: “Portugal: qual a importância da língua portuguesa no mundo?” e “Portugal: que papel desempenha uma língua na projecção de um país?”.

Presenças confirmadas:

Professora Doutora Ana Paula Laborinho, Presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I. P.
Professora Doutora Isabel Casanova, Universidade Católica Portuguesa
Mestre Maria do Carmo Vieira, Fundação Francisco Manuel dos Santos

Moderador: Professor Doutor Marcelo G. Oliveira

Presença a confirmar:
Professor Doutor Luís Antero Reto, Reitor do ISCTE-IUL

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«No tempo do beija-ditador» [Nuno Pacheco, “Público”, 01.03.15]

No tempo do beija-ditador

Teodoro e Teodorin estavam satisfeitíssimos. Ainda mal se atreviam a balbuciar “ôba” e já os imortalizavam em glória na Sapucaí. Não sabem? Pois conta-se depressa. Estavam os Teodoros, pai e filho, a jogar monopólio na mansão presidencial, quando Teodorin, distraído a folhear uma revista brasileira, gritou para o pai: “Regardez, padre, el bueno Mardi Gras brasileño!” Teodoro, resoluto, respondeu-lhe num castelhano babélico: “Compra!” Mas Teodorin explicou-lhe, com paciência, que não podia ser assim. Não era só comprar, era preciso conversa, diplomacia, essas coisas democráticas. Teodoro disse-lhe que de democracia não percebia nada mas, ainda assim, que comprasse. Foi o que bastou para que Teodorin, sagaz, se empenhasse na coisa. Era preciso um passo, mas qual? Foi ver a lista das escolas de samba e tropeçou numa com nome de pássaro: Beija-Flor. Servia perfeitamente. Fez contactos. E tratou do cheque, naturalmente. Se o Brasil andava a cortar nos apoios às escolas sambistas, por que razão não poderia a mais recente sócia da grande irmandade lusófona (que é uma coleccionadora compulsiva de línguas oficiais e não oficiais — a brincar, entre umas e outras, já juntou ao espanhol da colonização e ao fang tribal o inglês “pidgin”, o francês e o português) dar uma ajuda?

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«Artigos e acordo ortográfico» [troca de correspondência]

From: Jorge Tavares da Silva
Sent: Wednesday, February 11, 2015 11:20 AM
To: Paulo Carvalho
Subject: Artigos e acordo ortográfico

Muito bom dia caro Paulo,

Queria agradecer pela publicação do meu texto no último número do “Luso”. Se estiver de acordo, mandar-lhe-ei, de quando em vez, outros textos nesta mesma área, que podem ser interessantes para os nossos compatriotas, que nem sempre conhecem os meandros da Cozinha portuguesa.

Todavia, e para mim é imperativo, os meus textos não devem ser adaptados ao Acordo ortográfico, como fizeram ao já publicado.

No que me toca, faço parte dos que atacam e não aceitam o famigerado AO90! Se a linha do jornal é diferente, bastaria preceder os meus textos da frase “O autor recusa o AO90 e defende o seu direito em o não aplicar aos seus textos”.

Ficar-lhe ia grato por uma resposta a esta proposta e, se nos acordarmos, logo lhe mando o artigo “O Cuscus em Portugal”.

Muito cordialmente,

Jorge Tavares da Silva


From:
To: jts.lkb@**********.fr
CC:
Subject: TR: Artigos e acordo ortográfico
Date: Thu, 12 Feb 2015 22:10:41 +0100

Caro Dr Jorge Tavares da Silva,

Respondo ao mail que enviou ao Paulo Carvalho.
Todos os textos publicados no LusoJornal são-no com o novo acordo ortográfico.
Compreende que não fomos nós que assinámos o novo Acordo Ortográfico.
O LusoJornal não toma posição, nem por, nem contra, o Acordo.
Não queremos ter opinião sobre o assunto.
Mas nós estamos num contexto particular.
Estamos num contexto em que o português nem sempre é a língua mais utilizada pelos leitores.
Por isso decidimos que o LusoJornal utilizaria apenas uma norma.
Imagine uma criança que aprende na escola a língua portuguesa segundo o novo Acordo Ortográfico e depois vai ler no LusoJornal um texto com a norma antiga. Não vai compreender nada.
Imagine o leitor que lê uns textos numa norma e outros textos noutra norma!
É por esta razão que todos os nossos textos são escritos na norma europeia (e não utilizamos nunca a norma brasileira), e segundo o novo Acordo Ortográfico.
Estou certo que compreenderá a nossa escolha.
Dito isto,
Devo dizer-lhe que os seus textos interessam-nos.
E estaremos disponíveis para os publicar.
Outra coisa,
Se notar bem, para este meu texto não necessitei, em nenhum momento, de utilizar o novo Acordo Ortográfico.

Com os melhores cumprimentos
Carlos Pereira

Directeur / Diretor
LusoJornal
7 avenue de la Porte de Vanves
75014 Paris
Tel : +33 608 21 92 42
www.lusojornal.com


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«Despachar o português: o dever de recusa» [José Manuel Martins, “Público”, 15.11.14]

Anda por aí à solta uma epidemia da obediência antecipada, um zelo narcísico em obedecer e uma pressa institucional em se fazer obedecer, a bem dos brandos costumes. Por toda a parte onde se escreva e não se questione: nas editoras, nas universidades, na escola, nos serviços públicos, nas entidades privadas “esclarecidas”. No gesto tão modernaço quanto burocraticamente hirto com que abusivamente se procura dar por “oficializado” esse disparate técnico e essa inépcia política designados “Acordo Ortográfico de 1990”, uns, mais papistas que o Papa, emitem despachos: e os subpapistas despacham-se a cumpri-los, pelo facto de serem despachos. Nessa concha fechada do institucionalismo, emitiriam e cumpririam também os despachos opostos, uns com a alegria maldosa do álibi hierárquico, os outros com o prazer perverso ligado ao acto simbólico do puro exercício formalista do poder. Ainda outros, entregues à tara provinciana de serem os primeiros; quando não é o caso de terem na mira uma oportunidade de negócio em letra impressa: “já” estarem do lado bom das vendas.

Essa admirável cultura da legalidade ignora viciosamente o vasto historial argumentativo da resistência científica e, por isso, cívica que desde 1986 torna tudo menos “evidente” (e “de vosselências mui atento e obrigado”) o cumprimento de despachados despachos.

Ah, admirável superstição de amanuenses dóceis, que nos vêm recordar, caso estivéssemos esquecidos, que a Lei é a Lei, e que a tal ponto esta tautologia é majestosa e em si mesma, que, dizem, submete por igual soberanos e súbditos, enchendo-nos a todos de candura e paz! Talvez seja vício filosófico perguntá-lo, mas, na fórmula mágica “igualdade perante a Lei”, perante que instância é que essa famosa “Lei” por sua vez responde?

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«Retalhos da nossa língua» [Bagão Félix, “Público”, 04.11.14]

Li notícias que nos dão conta do mal-estar relacionado com a proibição de crianças portuguesas nas escolas do Luxemburgo se poderem exprimir na sua língua materna, mesmo fora do estrito contexto das salas de aula. Atitude, ao que parece, apoiada pelo governo luxemburguês! A comunidade portuguesa neste país representa cerca de 20% da sua população e os nossos emigrantes têm dado provas insofismáveis de boa integração e excelente profissionalismo. Não faz qualquer sentido esta atitude discriminatória entre países da mesma União Europeia.

Por outro lado, e no mesmo dia, li que as novas funções de supervisão bancária do BCE que vai abranger, por agora, cerca de 120 bancos da União serão exercidas com a óbvia possibilidade de os bancos poderem escolher a sua língua oficial na relação e correspondência com o agora regulador europeu. Muitos bancos optaram pela língua do seu país, mas os nossos principais bancos optaram pelo … inglês.

O idioma português é o 5º mais falado no mundo e merecia ser mais respeitado. Sobretudo por quem o interdita ou desmerece, em versão censória ou em modelo elitista.

Se a isto, acrescermos a polémica que continua com o chamado Acordo Ortográfico, consequência em grande parte do poderio brasileiro e da indiferença de outros países lusófonos, como vai distante a célebre frase de Pessoa “a minha pátria é a língua portuguesa”.

[Transcrição integral de artigo da autoria de António Bagão Félix. “Site” do jornal “Público”, 04.11.14.]

«Por uma língua brasileira» [“São Paulo Review”, 28.10.14]

«Então é preciso refletir se o “purismo sintático e lexical embute discriminação” ou se perpetua subserviência. Lê-se a propósito em um post intitulado “Liberdade para a língua brasileira”, de “outros lusófonos”: “Defendemos a ideia que no Brasil já se fala outra língua [acrescentaria: e já se escreve outra língua também].

Defendemos que seja preciso dar aos brasileiros a liberdade de falarem na sua própria língua: o brasileiro [e de escreverem na língua brasileira]. A editora francesa Assimil, que vende cursos para aprender línguas estrangeiras, vende um curso com livro e 4 CDs para aprender a falar Português, e outro curso, sempre com livro mais 4 CDs, diferente para aprender a falar brasileiro.

E essa editora tem razão, pois já são duas línguas diferentes. É altura de aceitarmos isso, como já aceitamos que na África do Sul se fala Afrikaans, que já não é holandês, e em Barcelona se fala catalão, que não é castelhano. É altura de deixarmos aos brasileiros a liberdade e o orgulho de terem a sua própria língua. Chega de acordos! O casamento acabou, é altura de divorciarmos e muito boa sorte para todos.”»

Excerto de Por uma língua brasileira: acordo ortográfico pode abolir ‘Ç’, ‘CH’, ‘H’ e ‘SS’ | São Paulo Review.

Por uma língua brasileira: acordo ortográfico pode abolir ‘Ç’, ‘CH’, ‘H’ e ‘SS’

| São Paulo Review

A obrigatoriedade da nova ortografia, que resulta do acordo entre os países de Língua Portuguesa, mas vigorando em caráter facultativo desde 2009, foi adiada até 31 de janeiro de 2015. Isso porque, agora, senadores como Cyro Miranda (PSDB,GO), Cristovam Buarque (PDT,DF), Ana Amélia Lemos (PP,RS) e Lídice da Mata (PSB,BA), entre outros, entendem a necessidade de extinguir do vocabulário linguístico as letras “ç”, “ch”, “h” e construções com dois “s”, com o objetivo de substituir a “memorização, vulgarmente conhecida como decoreba, pelo raciocínio e entendimento”, a “eliminação de contradições e duplas grafias e a redução máxima do uso de hífen ou também a sua eliminação.”

Segundo o professor Ernani Pimentel, da equipe de debate do projeto “Simplificando o Português”, “quase ninguém sabe a ortografia em nosso País e encontrar alguém que saiba usar hífen, j, g, x, ch, s, z é algo raro. Até professores precisam recorrer a dicionários para confirmar como se escreve uma palavra, de tão complexo que é o nosso sistema.”

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«Um breve testemunho» [Fernando Paulo Baptista, “Facebook”, 25.09.14]

III CONGRESSO INTERNACIONAL DE LÍNGUA PORTUGUESA
UNIVERSIDADE JEAN PIAGET DE LUANDA, 18, 19 E 20 DE SETEMBRO DE 2014
— UM BREVE TESTEMUNHO —

1. Este Magno Congresso Lusíada Universalista, destinado a todos os Povos e Países que integram a CPLP e a Diáspora, deixou-me super-motivado para continuar, com mais força ainda, o combate por essa Causa e Condição Maior da nossa identidade multicultural e intercultural que é a Língua Portuguesa.

2. Tratou-se, na verdade, de um Evento e de um Contributo notável, pelo alto nível e exemplaridade com que foi concebido, planeado, organizado, promovido e concretizado pela prestigiada e belíssima Universidade Jean Piaget de Angola. Parabéns, portanto, e antes de mais, ao seu Magnífico Reitor — Prof. Doutor Pedro Domingos Peterson —, pela sua humaníssima Sabedoria e Afectividade.

Parabéns, igualmente, a todos os seus Competentíssimos Colaboradores, representados na Pessoa da dedicadíssima e dinâmica Coordenadora do Congresso — Prof. Doutora Helena Maria José —, com todas as suas prestimosas e irrepreensíveis Comissões e Equipas de Apoio, aos diversos níveis.

A todos quero saudar, com profunda gratidão, admiração, emoção, afecto e memória… para sempre!…

3. Regressei a casa com a fundada e esperançosa convicção de que, em Angola e em vários outros Países de Língua Portuguesa, o inqualificável “regulamento da expressão grafémica da comunicação escrita em Português” (mais vulgarmente conhecido pela aberrante designação de “AO” / 1990) vai ser definitivamente rejeitado.

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«A Plan for the Improvement of English Spelling»

A Plan for the Improvement of English Spelling by Mark Twain or M. J. Shields

For example, in Year 1 that useless letter “c” would be dropped to be replased either by “k” or “s”, and likewise “x” would no longer be part of the alphabet. The only kase in which “c” would be retained would be the “ch” formation, which will be dealt with later. Year 2 might reform “w” spelling, so that “which” and “one” would take the same konsonant, wile Year 3 might well abolish “y” replasing it with “i” and Iear 4 might fiks the “g/j” anomali wonse and for all. Jenerally, then, the improvement would kontinue iear bai iear with Iear 5 doing awai with useless double konsonants, and Iears 6-12 or so modifaiing vowlz and the rimeining voist and unvoist konsonants. Bai Iear 15 or sou, it wud fainali bi posibl tu meik ius ov thi ridandant letez “c”, “y” and “x” — bai now jast a memori in the maindz ov ould doderez — tu riplais “ch”, “sh”, and “th” rispektivli. Fainali, xen, aafte sam 20 iers ov orxogrefkl riform, wi wud hev a lojikl, kohirnt speling in ius xrewawt xe Ingliy-spiking werld.

Mark Twain(1), 1835-1910

[Transcrição (e imagem de ecrã) de “The I18n Guy web site“, página A Plan for the Improvement of English Spelling by Mark Twain or M. J. Shields.]

(1) – Não existem provas irrefutáveis de que este texto seja mesmo da autoria de Mark Twain. Outras citações do mesmo referem M.J. Yilz como autor, em carta ao jornal “The Economist” (1971).

[Uma adaptação possível]
Plano para Melhorar o Sistema Ortográfico do Português
Por exemplo, no 1.º ano, essa letra inútil que é o “C” akabava e seria substituída ou pelo “K” ou pelo “S”, da mesma forma que o “X” deixaria de fazer parte do alfabeto. O úniko kaso em que “C” se manteria seria na forma “CH”, a qual se eliminaria também mais tarde. No 2.º ano poder-se-ia reformar a letra “U”, por forma a que “quem” e “um” fikassem kom a mesma konsoante, enquanto no 3.º ano também se poderia abolir o “U”, trokando-o por “O”, e no 4.º ano já se poderia akabar kom a konfozão entre “G” e “J” de oma vez por todas. De forma jeral, por konseginte, teríamos então melhorias kontínoas, ano após ano, e xegaríamos ao 5.º ano já sem a xatise das konsoantes doplas, até qe nos anos 6 a 12, o asim, já poderíamos finalmente akabar kom o oso das restantes vogais e konsoantes sonoras e modas. Aí pelo désimo qinto ano seria finalmente posível pasar a otilizar as letras redondantes “C”, “L” e “N” — nesa altora já oma simples recordasã dos velos do Restel — em sobstitoiçã de “CH”, “LH” e “NH”, respektivamente. Por fim, segados ao term de 20 ans de reform ortográfik, teríams om sistem ortográfik lójik i koerent em oso korent, xpalad mondialment pla losofni.