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Será “para por”, “para, por”, “para por” ou “para por”?

«prontificou-se para por mãos à obra»
barlavento online


«utilização pelos Governos do espaço orçamental de que disponham para, por exemplo através de mais investimento…»
Público



«Boly para por tempo indeterminado»
A Bola


«pessoas dispostas a viajar para Marte, para por lá ficarem para sempre»
Renascença

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“Samantha Fox explica AO90” [R.A.P., “Rádio Comercial”, 15.05.15]

Rádio Comercial | Mixórdia de Temáticas –
Samantha Fox explica acordo ortográfico – YouTube

Esta semana passaram a ser obrigatórias as regras do acordo ortográfico.
Ricardo Araújo Pereira explica os problemas do acordo, com o auxílio de Samantha Fox.

Rádio Comercial (YouTube)*

*”links” adicionados

«Ou então enterra-se isso (o AO90) de uma vez.» [Senador Cyro Miranda, 21.10.14]

Nos dias 21 e 22 de Outubro de 2014 foram realizadas no Senado Federal brasileiro duas sessões de um debate “sobre o acordo ortográfico de 1990”.

O Senador Cyro Miranda, presidente da Comissão de Educação, concedeu uma entrevista telefónica à “Rádio Senado”.

Nesta entrevista, da qual gravámos e aqui transcrevemos um excerto, são proferidas algumas afirmações com inegável importância política. Como, por exemplo, que no caso de não vir a haver entendimento entre os “especialistas brasileiros” que agora “discutem” o AO90, “então mais vale enterrar isso de uma vez». Pois que se realize essa excelente profecia, Senador!

Vale a pena ouvir toda esta parte do excerto, a mais suculenta, por assim dizer. Ou a gravação integral no “site” do Senado brasileiro.

[audio:http://cedilha.net/ilcao/wp-content/uploads/2014/10/1021-cs-ciro-acordo_extracto.mp3]

[transcrição]

(pergunta) Qual a expectativa do senhor em relação a esses debates, já que existe, por exemplo, um clamor em alguns sectores de se adiar novamente a implantação definitiva do acordo ortográfico e até de fazer algumas mudanças nesse acordo?

(Cyro Miranda) Olha, é dessas audiências públicas que nós vamos trazer um consenso e depois tem que estar envolvido o MEC, tem que estar envolvida a diplomacia brasileira para um resultado final. Eu não acredito, eu não gostaria mais de ter nenhum tipo de adiamento. Eu gostaria de dizer ‘vamos fazer’ ou ‘não vamos’ ou então enterra-se isso de uma vez. E cada país continua com as suas preocupações e, se tivermos que fazer algumas mudanças, vão ser feitas dentro da nossa realidade. Agora, eu sei que tem duas correntes: uma extremamente oposta da outra, uma conservadora que não quer uma mudança de nada e a outra, que quer fazer uma mudança radical. Então, a gente é obrigado a ouvir todos, isso é democrático (certo?), e daí vão começar a sair as propostas e se são viáveis ou não são viáveis. E p’ra isso temos também os órgãos oficiais, que vão, depois, junto com o consenso de todos, dizer o que é possível e não é possível e se é vantagem também que a gente faça isso.

[/transcrição]

Prémio Vasco Graça Moura (sem AO90, claro) [“TSF”, 08.10.14]

Prémio de poesia Vasco Graça Moura em 2015

O Prémio Vasco Graça Moura destina-se a autores consagrados ou que estejam a dar os primeiros passos na escrita. Será atribuído no próximo ano, pela editora Modo de Ler, que em 2015 assinala 40 anos sobre o primeiro livro que publicou do escritor, poeta e ensaísta.

José da Cruz Santos, editor da Modo de Ler, considera que este prémio é uma boa oportunidade para descobrir bons originais e ajudar alguém a publicar uma obra.

Podem concorrer escritores de qualquer nacionalidade, a única condição é que a obra tem que ser escrita em português, mas não de acordo com o novo acordo ortográfico. Vasco Graça Moura, que morreu no passado dia 27 de Abril, vítima de cancro, era presidente do Centro Cultural de Belém, desde Janeiro de 2012.

Romancista, poeta, ensaísta, tradutor, ex-deputado europeu e ex-secretário de Estado, Vasco Graça Moura foi alvo de várias homenagens este ano, nomeadamente pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Recebeu os prémios Pessoa e Vergílio Ferreira e ainda o de Poesia do PEN Clube Português e da Associação Portuguesa de Escritores, que também lhe atribuiu o Grande Prémio de Romance e Novela.

Autor de romances como “Quatro últimas canções” (1987), “A morte de ninguém” (1998), “Meu amor, era de noite” (2001), “O enigma de Zulmira” (2002), “Por detrás da magnólia” (2004), foi uma das vozes mais críticas do Acordo Ortográfico.

[Transcrição integral de notícia da rádio TSF, 08.10.14. “Links” (e destaque) adicionados por nós.]

«AO90 é atentado à inteligência» [José Gil, rádio Macau TDM, 20.09.14]

José Gil “chocado” com tratamento de português como “activo”

Sábado, 20/09/2014

O filósofo José Gil diz-se “chocado” com o facto de a língua portuguesa ser considerada um “activo”, tal como defendeu, em Macau, o presidente português Cavaco Silva, na visita realizada em Maio.

Convidado do Rádio Macau Entrevista, José Gil afirma que a língua portuguesa não pode ser tratada como um bem: “Choca-me um bocado essa formulação. A língua portuguesa é a nossa carne, não temos de transformá-la num activo. O que nós podemos fazer é o que estava nos objectivos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que é o desenvolvimento do português, um incentivo para que se desenvolvesse e estudasse a língua. Ora, o que é que verificamos? Desaparecem representações do Instituto Camões, ou deixam de ter meios”.

José Gil critica ainda duramente a entrada da Guiné Equatorial na CPLP e também que não tenha havido oposição por parte de Portugal a um episódio que o filósofo considera “grotesco”: “A última peripécia da CPLP, a admissão do estado ditatorial da Guiné Equatorial, é grotesca. Acho que o presidente devia dizer mais: devia dizer que ‘isto está mal feito’. Mas é claro que isto não pode ser dito assim, porque temos que ir com luvas, não se pode ser brutal. Isto trata-se com veludo diplomático. Um presidente não pode ser assim. Mas por quê? Por que é que um presidente não pode denunciar: ‘nós não admitimos isto’?”

Nesta entrevista, José Gil mostra-se, ainda, contra o acordo ortográfico, que diz ser um atentado à inteligência: “As razões que estão por trás não se compreendem. São razões económicas. Uma língua é um organismo vivo. Vamos deixá-lo viver. Esta coisa do acordo ortográfico é verdadeiramente um atentado à inteligência, uma estupidez com razões escondidas que eu não posso aceitar”.

José Gil, filósofo, ensaísta e professor catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, foi considerado, em França, um dos 25 grandes pensadores do mundo. Em Macau, José Gil profere, no domingo, pelas 15 horas, uma palestra no Centro de Ciência dedicada ao tema “Desejo e Medo de Existir”.

[Transcrição de texto publicado pela rádio Macau TDM, sinopse da entrevista ao filósofo José Gil emitida em 20.09.14. “Links” nossos.]
[Ouvir a entrevista na íntegra (“click” aqui). A parte da entrevista sobre o AO90 começa aos 38’40” e termina aos 44’28”.]

«Guiné Equatorial membro da CPLP» [rádio “RFI” (França), 23.07.14]

A X Cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estiveram reunidos em Díli para a admissão da Guiné Equatorial como membro da CPLP. Dez anos depois de uma espera movimentada por avanços e recuos.

A Guiné Equatorial, liderada pelo Presidente Teodoro Obiang Nguema, aplicou as exigências para a adesão do país, apesar da oposição de várias organizações da sociedade civil dos países lusófonos acusar o regime de cometer violações dos direitos humanos.

O director da organização EG Justice, Tutu Alicante, radicado nos Estados Unidos da América acusou o presidente da Guiné Equatorial de usar a CPLP para branquear a imagem do país junto da comunidade internacional. O activista guineense lamentou que a CPLP “tenha tacitamente permitido deixar-se usar para lavar a imagem do mais antigo chefe de Estado do mundo, um autocrata que não respeita os direitos humanos e governa uma das corruptas nações do mundo”.

Este foi o primeiro alargamento na história dos 18 anos da organização que passa, a partir de hoje, a incluir um país não lusófono, conta a jornalista da lusa em Díli, Joana Haderer.

A antiga Guiné espanhola teve de materializar uma moratória à aplicação da pena de morte para poder fazer parte da CPLP. A Guiné Equatorial vive num clima de medo que bloqueia qualquer tentativa de derrubar o regime, exemplo disso é a existência de um único partido da oposição, o Convergência para a Democracia Social, cujo líder tem assento parlamentar, num total de cem eleitos.

À saída de encontros que teve em Lisboa, o advogado e crítico do regime da Guiné Equatorial, Ponciano Mbomio Nvó, mostrou-se preocupado pela situação política que vive a Guiné Equatorial.

Segundo o intelectual português, Adriano Moreira, o novo membro permanente da organização muda a concepção do que é a CPLP, nomeadamente, “o trabalho que deu a organizar a CPLP e o conjunto de valores que reúne”. A Guiné Equatorial não corresponde a nenhum destes pressupostos, e por isso mudou a estratégia da CPLP”, acrescentou Adriano Moreira.

À chegada do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, ao salão nobre do Ministério dos Negócios Estrangeiros, foi aplaudido pelos chefes de Estado e de governo presentes. Entre eles fizeram-se ouvir aplausos do primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho, mas o mesmo não aconteceu com o presidente Aníbal Cavaco Silva.

A entrada da Guiné Equatorial já era esperada, contudo a forma como aconteceu era inesperada para os líderes políticos. “Fomos surpreendidos, mas o que nós queríamos acima de tudo era ajudar Timor-Leste para que esta cimeira fosse um sucesso” disse o presidente português, Aníbal Cavaco Silva. 

«Por consenso dos Estados-membros da CPLP, aprovou outorgar à República da Guiné Equatorial o estatuto de país membro de pleno direito no seio da comunidade, integrada até a data por um total de oito nações, cinco delas no continente africano. O nosso país passará a ser o sexto de África e o nono em ordem cronológica de adesão a esta comunidade, criada no ano de 1996», foi desta forma que o governo da Guiné Equatorial anunciou a sua adesão à CPLP no seu sítio oficial na Internet.

[Transcrição integral de colagem de diversos artigos publicados (quatro deles com gravações de emissões áudio, ouvir no “site” da RFI) pela Radio France Internationale (RFI) em 23.07.14. “Links” inseridos por nós. Destaques a “bold” conforme o original. Imagem de Reuters/RFI]

«Admitir a Guiné Equatorial na CPLP é inaceitável» [Adriano Moreira, R.R., 23.07.14]

Adriano Moreira, antigo presidente do CDS e especialista em Relações Internacionais, considera “absolutamente inaceitável” a inclusão da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O “regime político” ditatorial, a sua “relação com os direitos do homem” e a fraca presença da língua portuguesa no país configuram um “desvio” à essência da CPLP, diz Adriano Moreira à Renascença.

“A CPLP é um valor tão importante para o futuro português que tudo aquilo que ofenda a essência do pensamento que organizou a CPLP pode prever-se que põe em risco interesses portugueses fundamentais porque muda a natureza da organização”, defende.

Questionado sobre se aceitar a Guiné Equatorial como membro da CPLP prejudica a autoridade moral para condenar regime ditatoriais, Adriano Moreira respondeu: “É uma boa pergunta para fazer ao ministro dos Negócios Estrangeiros”.

O professor lamenta ainda que não tenha existido uma séria reflexão sobre este momento.

A Guiné Equatorial foi admitida esta quarta-feira na CPLP, terminando assim um processo que começou há dez anos.

A CPLP definiu algumas condições para o país poder entrar na CPLP, entre as quais a abolição da pena da morte e a adopção do português como língua oficial, medidas que o governo do país já implementou.

Ainda assim, a entrada da Guiné Equatorial tem sido muito contestada sobretudo devido à falta de transparência política no país. O Presidente Teodoro Obiang está no poder há 40 anos e o regime é considerado uma ditadura, com frequentes queixas de desrespeito pelos direitos humanos.

[Transcrição integral de notícia da Rádio Renascença. Ouvir gravação das declarações de Adriano Moreira na página da notícia.]

“A viagem da Língua” [entrevista de Rui Valente à rádio CCSC]

O Clube da Comunicação Social de Coimbra é uma associação que produz um programa de rádio semanalmente. Este programa, através de protocolos estabelecidos pelo CCSC com diversas rádios locais (e ainda Radio France, Rádio Macau e Rádio Alternativa de Cabo Verde) é posteriormente retransmitido por essas rádios.

[audio: http://cedilha.net/ilcao/wp-content/uploads/2014/03/CCSC_entrevistaRV_editada.mp3]

Nota: esta gravação contém excertos da entrevista que o nosso companheiro Rui Valente deu à rádio CCSC em 25 de Fevereiro de 2014. Apenas utilizámos aqui as partes dessa entrevista em que o assunto é o AO90, o que interessa à Causa anti-acordista em geral e à ILC AO em particular.

[Imagem: Flora’s Mallewagen, de Hendrick Gerritsz Pot, copiada de um “post” publicado pelo escritor Mário de Carvalho no Facebook.]

Deputado Miguel Tiago em entrevista sobre o AO90 [“Antena 2”, 15.09.13]

Gravação da entrevista do deputado Miguel Tiago ao programa “Páginas de Português“, transmitido pela emissora “Antena 2” no dia 15 de Setembro de 2013, sobre as questões relacionadas com o “acordo ortográfico” em geral e com o Grupo parlamentar de Trabalho sobre o AO90 em particular.

[audio: http://cedilha.net/ilcao/imagens/rec0918-180359.mp3]

Citações

◊ «Há impactos do acordo ortográfico na Língua portuguesa que não tinham sido previstos nem acautelados e outros tantos que tinham sido ignorados até aqui.»

◊ «A Assembleia da República não pode, pura e simplesmente, utilizar um instrumento jurídico como é um Acordo internacional à revelia das pessoas e das populações, tendo em conta que a Língua portuguesa não pertence exclusivamente à Assembleia da República.»

◊ «Este Grupo [parlamentar de Trabalho sobre o AO90] teve o mérito de demonstrar que não houve nenhuma preparação do Acordo.»

◊ «O acordo ortográfico, que foi apresentado a todas as pessoas como uma forma de unificação da escrita, não só não o é como nem o pretende ser. […] Não só não unifica como prometia unificar como até cria as bases para que a Língua portuguesa cada vez se torne mais díspar.»

«Da mesma forma que [o AO90] foi aprovado também pode ser revogado» [através da revogação da RAR 35/2008]

[a revogação] «implicaria exactamente os mesmos custos que implicou a aplicação do Acordo, com a atenuante de que estes custos estariam a ser para proteger a Língua e não para a destruir.»