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“A Voz do Cidadão” [RTP, 13.06.15]

«Bem vindos ao programa do Provedor. Já aqui falámos sobre o acordo ortográfico. Hoje voltamos a este assunto, que divide muitos portugueses, para ouvirmos o jornalista João Fernando Ramos que, no “Jornal 2”, se ocupou do tema e que, por lapso da minha parte, não participou no programa anterior, quando deveria ter participado.»
Jaime Fernandes, Provedor do Telespectador da RTP

«Não fui eu que fiz mal as perguntas. Eu coloquei as questões que todos nós nesta altura ainda colocamos sobre o acordo ortográfico. A resposta, se não foi clara, eu lamento e na próxima vez terei de escolher alguém que me dê respostas mais claras.»
João Fernando Ramos, jornalista da RTP

[Excerto do programa “Voz do Cidadão“, da RTP, emitido em 13.06.15.]

«Angola e a Perspectiva de adoptar o AO90» [E. C. Almeida, “Pravda” (Rússia), 08.06.15]

Angola e a Perspectiva de adoptar o Acordo Ortográfico

08.06.2015

Nota prévia: nada tenho contra a harmonização da escrita da língua portuguesa entre os diferentes países que a usam como sua língua oficial desde que as especificidades de cada cultura sejam ressalvadas e guardadas. Por isso, não tenho qualquer distinção contra o Acordo Ortográfico (AO), em si, mas não acredito nas bondades tão evidenciadas por certos linguistas quanto à sua total inserção impositiva nos fóruns nacionais e internacionais, sendo o contrário visto não como um arcaísmo, mas sim como um enorme erro, fortemente penalizado nos órgãos institucionais e de ensino.

por: Eugénio Costa Almeida©

Como já devem ter reparado, todas as minhas crónicas, ensaios, e outros tipos de obras são escritas, sempre – apesar de aceitar a tal harmonização linguística, leia-se o AO – escritas na versão antiga, aquela que nós ainda usamos e escrevemos.

Posto esta nota prévia, vamos ao que interessa. Recentemente, li um artigo no Jornal de Angola (versão online) que o AO está em desenvolvimento, “bem encaminhado”, segundo o título do artigo, com Moçambique a já ter aprovado, a nível de Conselho de Ministros a entrada em vigor do AO, aguardando a ratificação pelo Parlamento, e que Angola já está em discussão para a sua implementação.

Como disse no início, nada tenho contra o AO, mas há situações que se tornam insustentáveis com o AO, devido aos homónimos que se vão criar com evidentes lapsos semânticos e de sintaxe que os mesmos vão fomentar.

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Adriano Moreira: «eu próprio fui vítima disso, tinha que obedecer»

«A Língua transita. Sem precisar dessas ajudas. E é portanto isso que me leva a ter esta atitude em relação à Língua. Eu acho que ela muda, absolutamente, de acordo com a cultura local, em qualquer país onde ela se venha a implantar, recebe valores que os outros recebem, é inevitável isso, e portanto é melhor não pensar que há a capacidade de impor à Língua a evolução. E por isso é que eu achei que foi inoportuna a intervenção; simplesmente, eu próprio fui vítima disso. Porque eu era nessa altura Presidente da Academia das Ciências, que é responsável pela língua, tive um trabalho enorme para recolher o dinheiro necessário para fazer o novo dicionário etc., e afinal o Brasil adiou a entrada em vigor. Mas eu, como era Presidente da Academia, achei que tinha que obedecer à lei.»

Adriano Moreira

(“click” para ouvir)

https://cedilha.net/ilcao/wp-content/uploads/2015/05/AM_paginas_de_portugues.mp3?_=1

“Páginas de Português” de 03 Maio 2015

RDP: Afirmação do Presidente da Academia de Ciências de Lisboa: «a Língua Portuguesa não é nossa; também é nossa.»

Adriano Moreira:  Bom, isso foi a propósito do acordo ortográfico. Para começar, é preciso lembrar que foi o Governo português, ainda na [1.ª] República, que fez a primeira intervenção legal para alterar a ortografia. E quando eu digo “a Língua não é nossa, também é nossa” é porque a Língua Portuguesa foi utilizada como instrumento de expansão, assimilação, educação, pregação etc., em todas as latitudes. Mas acontece que, em cada lugar, a Língua, em primeiro lugar, adquire valores que são diferentes; por exemplo, mesmo a Língua Portuguesa que se fala no Brasil tem valores ameríndios, tem valores africanos, italianos, japoneses, alemães; nós não temos. E portanto passa a ser diferente. Isso acontece também em África e isso acontece também no Oriente; Timor até tem valores do invasor, porque gerações ficaram submetidas a isso, a esse poder. E também há outras regras, que essas são para  especialistas, não são para mim, mas, em todo o caso, posso dar exemplos dos que eu percebi e que é o seguinte: quando há um fenómeno de colonização, o colonizador abre as vogais – para ser melhor entendido; e se o destinatário, que é o nativo ou é o escravo, deturpa a palavra, ele acaba por adoptar a deturpação porque com isso é entendido. Depois, quando as sociedades se tornam industrializadas, deixam cair as vogais – falam mais depressa, as ordens são mais rápidas. Num país ocupado, sussurra, não fala; e também altera a Língua. E portanto,  como cada uma das comunidades passa por circunstâncias diferentes, contactos diferentes, assimilação de valores diferentes, eu, para exprimir essa circunstância, ocorreu-me essa expressão: a Língua não é nossa, também é nossa. Porque ela muda depois nos vários lugares. E, designadamente, é muito interessante ver isso sobretudo nas comunidades portuguesas no estrangeiro, que têm que assimilar valores do país onde se instalam, mesmo quando adquirem a Língua do país mantêm a lembrança e as palavras e dão-lhes sentidos diferentes e entoações diferentes etc., é mais uma circunstância que leva a que nós possamos dizer que são comunidades portuguesas, têm um “papiar” [“patoá“?] cristão, mas é diferente daquele que nós falamos aqui. É isto que eu quero dizer, simplesmente, com essa expressão “a Língua não é nossa, também é nossa” e por isso mesmo acho que é preciso ter muita cautela com intervenções legislativas.

RDP: Como por exemplo?

AM: Como se fez agora. Porque a iniciativa foi do Brasil, desta vez. O Brasil já adiou a entrada em vigor, Angola recusou-se a assinar, outras antigas colónias também se recusaram a assinar. Primeiro, porque a nossa Língua é ali um enxerto na cultura local, implantação, e portanto eles são muito conscientes da maneira como a Língua foi assimilada e é oficialmente a Língua do país. Isso é a primeira coisa. A segunda coisa é que, do ponto de vista financeiro, essas mudanças, sobretudo para economias fracas, têm consequências muito sérias.  Suponha… os livros escolares, em que os editores, como sabe, guardam os instrumentos de impressão que depois reutilizam; se mudar a grafia, eles têm de fazer a revisão completa.

RDP: Mas hoje há ferramentas que ajudam nisso…

AM: Pois ajudam. Mas a palavra “ajuda” não é gratuita. Suponha uma enciclopédia, livros científicos: tudo isso tem encargos, sobretudo em momentos de crise, que os editores têm motivos para ter cautela porque a relação com a clientela provavelmente diminui e os encargos com a impressão aumentaram.  Há várias razões, portanto, para isso.

RDP: Mas também tiveram um período de transição, para se prepararem…

AM: Sim, mas ela transita. A Língua transita. Sem precisar dessas ajudas. E é portanto isso que me leva a ter esta atitude em relação à Língua. Eu acho que ela muda, absolutamente, de acordo com a cultura local, em qualquer país onde ela se venha a implantar, recebe valores que os outros recebem, é inevitável isso, e portanto é melhor não pensar que há a capacidade de impor à Língua a evolução. E por isso é que eu achei que foi inoportuna a intervenção; simplesmente, eu próprio fui vítima disso.  Porque eu era nessa altura Presidente da Academia das Ciências, que é responsável pela língua, tive um trabalho enorme para recolher o dinheiro necessário para fazer o novo dicionário etc.,  e afinal o Brasil adiou a entrada em vigor. Mas eu, como era Presidente da Academia, achei que tinha que obedecer à lei.  É claro que não me acontecia nada de mal se não obedecesse. Mas não se trata disso. Trata-se de, se se está à frente da instituição responsável, é melhor salvaguardar a intervenção da instituição. E é isto. Com simplicidade, é  só isto.

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Tempo de antena para a verdade

A decisão de fazer evoluir a luta contra o Acordo Ortográfico transformando-a em Partido contra o Acordo Ortográfico não tem apenas como qualidade, e vantagem, demonstrar a cobardia e a hipocrisia dos actuais «partidos» do sistema político nacional – não só os de governo, mas todos os que estão representados no parlamento – cujos militantes e dirigentes tão mal se comportaram (com algumas e honrosas excepções, é certo) no infame – e ilegal – processo de implementação do AO90 em Portugal, ao não saberem, ou ao não quererem, representar e reflectir a opinião da maioria dos seus eleitores. Tem também, esta transformação, a particularidade de demonstrar a cobardia e a hipocrisia do próprio sistema político nacional, que, precisamente, exige mais assinaturas para a apresentação de uma proposta de lei por cidadãos do que para a legalização de um novo partido ou para a formalização da candidatura de um cidadão (com mais de 35 anos) à presidência da república…

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‘Ocorrência: A TVI recusou-me…’ [por Octávio dos Santos]

… Ou, dito de outra forma talvez mais correcta, receou-me. No passado dia 6 de Março, no programa «A Tarde é Sua», de Fátima Lopes, realizou-se um debate sobre o «acordo ortográfico de 1990» que contou com as participações de João Malaca Casteleiro (a favor), «linguista» e um dos principais «autores (i)morais» do «desacordo», e de António Chagas Baptista (contra), da (Direcção da) Associação Portuguesa de Tradutores. Porém, era eu quem deveria ter participado, enquanto opositor ao AO90, no espaço da Televisão Independente…

… Porque a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico foi contactada e convidada pela equipa do «A Tarde é Sua» para se fazer representar na emissão daquela data. Em mensagem enviada a 2 de Março à ILCAO, Pedro Quaresma, jornalista da «redação» daquele programa, informava que este «conta, às sextas-feiras, com uma parte mais informativa (entre as 19h00 e as 20h00), que procura discutir e debater temas fra(c)turantes da a(c)tual sociedade portuguesa. Nas últimas semanas, abordámos assuntos tão diversos como o consumo de álcool entre os jovens, a eutanásia, a maternidade de substituição ou a legalização da prostituição, entre outros. Já contámos, neste espaço, com a participação de pessoas de vários quadrantes, nomeadamente deputados, juristas, médicos ou filósofos, entre outros. Na próxima sexta-feira, dia 06 de Março, propomo-nos falar de uma temática à qual os senhores não estarão, por certo, alheios: o acordo ortográfico. Parece-nos pertinente debater este assunto em horário nobre (antes do Jornal das 8 de sexta-feira, um dos programa mais vistos de toda a grelha semanal de televisão), pelo que seria para nós muito prestigiante contar com a participação de um elemento da ILC neste excerto do programa, que terá um formato de debate. A conversa será moderada pela apresentadora, encontrando-nos a(c)tualmente a desenvolver diligências para ter em estúdio uma pessoa que defenda este acordo ortográfico. Assim, gostaríamos de formular-lhes um convite para estar presente no programa “A Tarde é Sua” na próxima sexta-feira, 06 de Março, entre as 18h30 e as 20h00. Em caso de resposta afirmativa, solicito também que nos facultem um contacto telefónico pois seria importante falar antecipadamente, de modo a combinar alguns pormenores da vinda ao programa. Por motivos de planeamento do programa em questão, solicito uma resposta tão breve quanto possível, de preferência até ao final do dia de amanhã.»

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RTP infringe direitos de autor

Na sua sanha acordista, a RTP (“serviço público de televisão”) vai ao ponto de alterar títulos de obras literárias publicadas, registadas e indexadas. “Direitos de autor“? Ora, ora, o que é isso para o “serviço público” de caça à consoante “muda”?


«Seguem-se os livros ‘Ensaios de Meditação Genérica’, em 1988, ‘Apologia de Kalitangi: Ensaio e Crítica’ de 97, ‘Estrada da Secura’, de 98, ‘O Notívago e Outras Estórias de um Benguelense’, ‘De Vagares a Vestígios’, e ‘Ideogramas de Nganji’, de 2003. Entre 2001 e 2002, realizou e apresentou o programa literário da TPA – ‘Leituras’.»

RTP (“Ensina”)

[Imagem obtida a partir da publicada no “blog” Sheika Valer.]