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Tempo de antena para a verdade

A decisão de fazer evoluir a luta contra o Acordo Ortográfico transformando-a em Partido contra o Acordo Ortográfico não tem apenas como qualidade, e vantagem, demonstrar a cobardia e a hipocrisia dos actuais «partidos» do sistema político nacional – não só os de governo, mas todos os que estão representados no parlamento – cujos militantes e dirigentes tão mal se comportaram (com algumas e honrosas excepções, é certo) no infame – e ilegal – processo de implementação do AO90 em Portugal, ao não saberem, ou ao não quererem, representar e reflectir a opinião da maioria dos seus eleitores. Tem também, esta transformação, a particularidade de demonstrar a cobardia e a hipocrisia do próprio sistema político nacional, que, precisamente, exige mais assinaturas para a apresentação de uma proposta de lei por cidadãos do que para a legalização de um novo partido ou para a formalização da candidatura de um cidadão (com mais de 35 anos) à presidência da república…

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‘Ocorrência: A TVI recusou-me…’ [por Octávio dos Santos]

… Ou, dito de outra forma talvez mais correcta, receou-me. No passado dia 6 de Março, no programa «A Tarde é Sua», de Fátima Lopes, realizou-se um debate sobre o «acordo ortográfico de 1990» que contou com as participações de João Malaca Casteleiro (a favor), «linguista» e um dos principais «autores (i)morais» do «desacordo», e de António Chagas Baptista (contra), da (Direcção da) Associação Portuguesa de Tradutores. Porém, era eu quem deveria ter participado, enquanto opositor ao AO90, no espaço da Televisão Independente…

… Porque a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico foi contactada e convidada pela equipa do «A Tarde é Sua» para se fazer representar na emissão daquela data. Em mensagem enviada a 2 de Março à ILCAO, Pedro Quaresma, jornalista da «redação» daquele programa, informava que este «conta, às sextas-feiras, com uma parte mais informativa (entre as 19h00 e as 20h00), que procura discutir e debater temas fra(c)turantes da a(c)tual sociedade portuguesa. Nas últimas semanas, abordámos assuntos tão diversos como o consumo de álcool entre os jovens, a eutanásia, a maternidade de substituição ou a legalização da prostituição, entre outros. Já contámos, neste espaço, com a participação de pessoas de vários quadrantes, nomeadamente deputados, juristas, médicos ou filósofos, entre outros. Na próxima sexta-feira, dia 06 de Março, propomo-nos falar de uma temática à qual os senhores não estarão, por certo, alheios: o acordo ortográfico. Parece-nos pertinente debater este assunto em horário nobre (antes do Jornal das 8 de sexta-feira, um dos programa mais vistos de toda a grelha semanal de televisão), pelo que seria para nós muito prestigiante contar com a participação de um elemento da ILC neste excerto do programa, que terá um formato de debate. A conversa será moderada pela apresentadora, encontrando-nos a(c)tualmente a desenvolver diligências para ter em estúdio uma pessoa que defenda este acordo ortográfico. Assim, gostaríamos de formular-lhes um convite para estar presente no programa “A Tarde é Sua” na próxima sexta-feira, 06 de Março, entre as 18h30 e as 20h00. Em caso de resposta afirmativa, solicito também que nos facultem um contacto telefónico pois seria importante falar antecipadamente, de modo a combinar alguns pormenores da vinda ao programa. Por motivos de planeamento do programa em questão, solicito uma resposta tão breve quanto possível, de preferência até ao final do dia de amanhã.»

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«Proíbam o Inglês!» [Octávio dos Santos, “Público”, 07.06.14]

Não há como – nem porque – negá-lo: o Acordo Ortográfico de 1990 está a generalizar-se em Portugal a uma velocidade assustadora(ment)e surpreendente. Ainda é cedo para se (tentar) avaliar quantas instituições e quantos indivíduos estão, de facto a utilizar uma “ortografia” inútil, prejudicial, ridícula, ilegítima, imposta de forma ilegal, de uma forma não democrática… mas são mais, muitos mais do que seria de esperar.

Esta (aparente) apatia para com algo concebido por pervertidos e obedecido por iludidos é ainda mais espantosa em grupos profissionais que têm na língua a sua ferramenta principal de trabalho e que não se “poupam”, habitualmente, nos protestos quando sentem as suas prerrogativas ameaçadas: efectivamente, professores, jornalistas e juristas (advogados, procuradores, juízes) surgem, apesar de várias excepções honrosas, como classes… sem classe, sem carácter, traindo a população que deveriam defender intransigentemente e não só a espaços, intermitentemente. Este contágio de cobardia, esta epidemia de estupidez, esta infecção de imbecilidade alastra-se não só no Estado mas também na sociedade civil; no primeiro compreende-se que a prepotência burocrática, apesar de ilegítima, force as pessoas a comportamentos desviantes… do bom Português; mas na segunda não se compreende o fenómeno a não ser por mania de imitar, por uma bacoca crença de que mudar… apenas por mudar é bom, é sinal, prova, de “modernidade”.

Em plena histeria de aplicação do AO90, à revelia da lógica e da lei, da identidade cultural e da dignidade nacional, a paralela e crescente (mas que já vem de longe) “anglicização” da comunicação, da cultura, da sociedade e da economia em Portugal ilustra bem, por contraposição, as contradições, as hipocrisias, enfim, a idiotice deste processo de suposta “evolução” da língua. Veja-se, por exemplo, mais uma vez, o que se passa nas três principais estações de televisão nacionais. Cada uma delas criou em 2013 um programa com um título… em Inglês: a RTP o Chef’s Academy (culinária); a SIC o Off-Side (desporto); e a TVI o I Love It (telenovela). Todas, evidentemente, continuam a aplicar obedientemente o AO90, e por vezes com um entusiasmo… desnecessário: em legendas de serviços noticiosos a SIC já retirou o “c” de Octávio Teixeira e a TVI o “c” dos One Direction… sim, puseram “Diretion”! Entretanto, e mais inacreditável ainda, em filiais nacionais de multinacionais estrangeiras, e concretamente anglófonas, também se verifica o assalto ao bom senso ortográfico; como na Johnson & Johnson, que informa nos rótulos do Listerine que este produto é uma “proteção” com flúor contra as “afeções” das gengivas. E até – aqui já se está no campo do puro e simples delírio – no British Council de Portugal se decidiu, segundo mensagem que recebi, “adotar o novo acordo ortográfico, daí termos escrito ‘respetivo’ e não ‘respectivo’.” Eu respondi que, nesse caso, deveriam ser “coerentes” e comunicar para a sede da instituição, em Londres, que a língua que têm por missão promover é “ultrapassada”, “decadente”, “arcaica” (tal como a francesa)… dada a profusão de palavras com vogais e consoantes repetidas e “mudas”, e até – que “horror”! – com “ph”.

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«Observação: Não e nAO!» [Octávio dos Santos, “blog”, 25.02.14]

Em Portugal insiste-se na imposição – inútil, ilegítima, ilegal – do «aborto pornortográfico». No Brasil… não é uma prioridade assim tão grande, a pressa não é muita. Aliás, lá a vontade preponderante pode até já nem ser a de implementar este «acordo» mas sim outro, provavelmente ainda mais radical: em Outubro de 2013 a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (Desporto) do Senado em Brasília aprovou a criação de um «grupo de trabalho destinado a estudar e apresentar proposta para aperfeiçoar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa». É de duvidar que por «aperfeiçoar» se entenda devolver as consoantes ditas «mudas», os hífens e as maiúsculas que levianamente foram roubadas à ortografia dos dois lados do Atlântico.

Entretanto, sucedem-se os sinais de que a tão apregoada «uniformização» mais não é do que uma miragem propiciada, talvez, pelo calor dos trópicos. Em Setembro de 2013 foi noticiado que a Embaixada do Brasil em Maputo lançara um concurso para director do Centro Cultural Brasil-Moçambique, que tinha como um dos requisitos “desejável conhecimento da escrita portuguesa na vertente brasileira”. Não estava previsto que o AO90 acabasse com a «vertente brasileira», e todas as outras vertentes, da escrita portuguesa? Ou terá isso a ver com o adiamento da entrada em vigor do dito cujo do outro lado do Atlântico? Se sim, talvez isso explique o facto de na edição e distribuição de livros portugueses no «país irmão» ainda ser necessário, em vários casos, proceder-se a alterações. Como o da Porto Editora, que, soube-se em Janeiro deste ano, adaptou os seus dicionários de língua portuguesa para o mercado brasileiro, como o «Grande Dicionário», que foi redigido «em português do Brasil à luz do acordo ortográfico». O que será essa «luz» do AO? Mais alguma inovação introduzida pelas cabeças «brilhantes» que conceberam o (des)acordo? E há ainda o caso – que me é mais próximo, pois trata-se de um amigo – do livro de Paulo Monteiro «O Amor Infinito que te Tenho e Outras Histórias», que em terras de Vera Cruz recebeu o título «O Amor Infinito que Tenho por Você e Outras Histórias».

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«Por inércia, preguiça ou cobardia» [Miguel Sousa Tavares, “SIC”, 11.11.13 (vídeo)]

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[Extracto vídeo: “Tradutores Contra o Acordo Ortográfico” (Facebook)]
[Código para partilha: Frequency]
[Emissão: SIC, “Jornal da Noite”, 11.11.13, 21:46 h.]

[transcrição]
(…) eu não sei, não vou entrar nas partes processuais, disciplinares, para saber se há ou não um crime de denegação de justiça, não sei se ele terá retardado, ao mandar redigir em Português (em bom Português) o relatório social ou se ele terá atrasado de alguma forma uma hipótese de liberdade condicional de um preso. Isso é matéria que eu desconheço. Em relação ao texto dele, eu devo dizer que me ri imenso, divulguei por vários amigos, inclusive no estrangeiro, no Brasil, para mostrar que em Portugal de facto há uma grande oposição ao acordo ortográfico e, independentemente dos erros que o juiz faz, é verdade que o “acto” [“ato”, n.d. ILC] vai passar a ser uma forma do verbo atar, independentemente disso eu chamo a atenção é para a importância política disto. Há uns meses atrás houve um relatório no Parlamento, na Comissão Parlamentar [de Educação, Ciência e Cultura, n.d. ILC], redigido pelo deputado centrista Michael Seufert, que arrasou o acordo ortográfico, não só as implicações dele mas a maneira como foi feito, à socapa, imposto por académicos a todas as pessoas que trabalham com a Língua, e a forma como os próprios signatários que aprovaram a entrada em vigor do Tratado violaram as normas, tornando-o obrigatório sem que haja o número de assinaturas exigido pelo próprio Tratado. Portanto, a entrada em vigor do Tratado, além do mais, é ilegal face ao próprio Tratado. O que eu acho extraordinário é que as pessoas podem ser contra ou a favor do Tratado e eu acho perfeitamente plausível que sejam contra, mas é indiscutível que há uma grande maioria de pessoas, informadas, que trabalham com a Língua, que são contra. Essa grande maioria já fez petições, já fez exposições, já fez conferências, já escreveu artigos, já provou por A mais B todas as implicações disto… e o poder político reage como se não fosse nada. O Presidente da República não tem uma palavra, o Governo assobia para o ar e no próprio Parlamento não há um Grupo Parlamentar que tome a iniciativa de levar o acordo a votação. Dir-se-ia que, por inércia, por preguiça ou por cobardia, vamos assistir a uma revolução para pior na Língua Portuguesa, que foi aquela que herdámos e que era suposto passarmos aos nossos filhos. Dentro de duas gerações, um texto escrito pelo teu neto não vai ser entendido por ti.
[/transcrição]

Exemplos [um trabalho de João Ricardo Rosa]

Este é um trabalho (contínuo) de João Ricardo Rosa, que pode acompanhar na página Firefox contra o Acordo Ortográfico ou no “mural” do autor no Facebook.

[Sobre esta mesma temática (o caos ortográfico nos OCS portugueses), ver também o trabalho de João Roque Dias: “A Choldra Ortográfica“.]

Zé Diogo Quintela subscreveu a ILC


Zé Diogo Quintela tem 34 anos. Juntamente com Tiago Dores, Ricardo Araújo Pereira e Miguel Góis forma o Gato Fedorento. Actualmente escreve no Público.

Sobre o “acordo ortográfico” (im)propriamente dito, escreve o seguinte:

«Apesar de tudo, incrivelmente, o AO tem os seus detractores. Ou, como os apoiantes do AO lhes chamam para os amesquinhar, “detratores”. Há muita gente que fala publicamente contra o AO. Numa atitude algo hipócrita, diga-se. Dizem-se contra o AO mas, aceitando o que o AO institui, passaram de espectadores para espetadores. Eram pessoas que assistiam à discussão sem interferir, agora espetam coisas no AO. E querem discutir melhor este acordo, numa espécie de debate colectivo. Não sei se não prefiro que o debate seja antes coletivo. Uma discussão onde só falam as pessoas que gostam de usar colete.»
[Excerto de crónica na revista Pública de 18.09.11.]

Zé Diogo Quintela subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990.

Nota: esta publicação foi autorizada pelo subscritor, que nos enviou, expressamente para o efeito, a respectiva súmula biográfica, a foto e a ligação para o vídeo no YouTube.