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Festival “Olhares do Mediterrâneo”: 5 a 7 Junho 2015, Lisboa

«O acordo ortográfico é uma violação dos direitos dos portugueses relativo à preservação da sua língua na sua estrutura formal e etimológica, um património inalienável. É uma cedência ao facilitismo, à ignorância e aos interesses pessoais de gente sem mérito ou inteligência. Enquanto tradutora sou obrigada por vários clientes a escrever “com o acordo”, mas sempre que posso e depende só de mim, repudio o acordo. Graças a isso, poderão ler legendas em BOM português no Festival Olhares do Mediterrâneo.»
Sara David Lopes
Programadora do Festival

A 2ª edição do festival ‘Olhares do Mediterrâneo’ decorre de 5 a 7 de Junho, em Lisboa, no Cinema São Jorge, integrando a programação das Festas de Lisboa.

Durante 3 dias, serão exibidos 30 filmes de cineastas de 12 países do Mediterrâneo: Bósnia, Egipto, Espanha, França, Grécia, Israel, Líbano, Malta, Palestina, Portugal, Turquia e Tunísia. A diversidade de temáticas, géneros e olhares da selecção de 2015 será mostrada em quatro sessões de curtas-metragens e oito sessões de longas-metragens, em que a presença portuguesa ocupa um terço do programa.

Os filmes estarão em competição para atribuição de um Prémio do Júri e do Público.

Estreias mundiais e europeias marcam a programação, assim como a presença de realizadoras convidadas, que estarão disponíveis para entrevistas. Maria João Seixas é a embaixadora desta edição de Olhares do Mediterrâneo e está também disponível para ser entrevistada.

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Convite de Paris: traduções em Português de Portugal e português do Brasil

Convite da “Livraria Portuguesa e Brasileira” (Librairie Portugaise et Brésilienne), de Paris, França, para o lançamento – no dia 29 de Maio de 2015, às 19 h – da obra “Le Petit Prince“, de Antoine de Saint-Exupéry, das versões traduzidas para cinco “variantes” do Português: de Portugal, do Brasil, Mirandês (“lhéngua”), crioulo de Casamança e crioulo de Cabo Verde.

Le petit prince de Saint-Exupéry en portugais du Portugal, du Brésil, en mirandais, en casamançais, en créole cap-verdien le vendredi 29 mai à 19h dans le cadre de Quartier du livre Présentation du Petit Prince d’Antoine de Saint-Exupéry en portugais du Portugal, en portugais du Brésil, en mirandais (2° langue officielle du Portugal), en casamançais (créole portugais de Casamance) et en créole cap-verdien. en présence de Nicolas Quint et d’autres invités à Librairie Portugaise & Brésilienne – Michel Chandeigne 19/21 rue des Fossés Saint-Jacques (place de l’Estrapade) – 75005 PARIS Tel. 01 43 36 34 37 – www.librairieportugaise.fr Métros : Luxembourg (RER B), Cardinal Lemoine, Place Monge Bus (Panthéon) : 82, 84, 89, 21, 27 etc.

Fonte: Librairie Portugaise et Brésilienne – Article: Le petit prince de Saint-Exupéry en portugais du Portugal, du Brésil, en mirandais, en casamançais, en créole cap-verdien le vendredi 29 mai à 19h dans le cadre de Quartier du livre

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Teolinda Gersão fala sobre o AO90 na “Antena 1”

Neste “debate”, emitido pela RDP – Antena 1 no dia 3 de Maio 2015 (com repetição no Domingo seguinte), a escritora Teolinda Gersão confronta o chamado “pai” do “acordo ortográfico”, Malaca Casteleiro. Visto que se trata de um “debate”, com inúmeras interrupções de parte a parte, transcrevemos em formato de entrevista apenas as intervenções de Teolinda Gersão. Os “links” e destaques são, obviamente, de nossa responsabilidade.

 

RDP: Teolinda Gersão, olhando a Língua nesta perspectiva história e evolutiva: crê que há necessidade, que havia necessidade, de a legislar? De a modificar através de Lei?

Teolinda Gersão: Obviamente que não e eu devo dizer que estou totalmente em desacordo com esta tentativa de uniformização porque ela é completamente impossível, nunca vai acontecer — e são os próprios brasileiros que o dizem. Eu estava a ouvir o Malaca Casteleiro e parecia-me que estava a ouvir um tratado de um académico, portanto, algo que pertence às academias mas que não está ligado à vida real. E eu vou falar em nome da vida real e do meu conhecimento, obviamente da Língua Portuguesa, mas também da variante brasileira porque a conheço muito bem, vivi dois anos em São Paulo, tenho imensos amigos brasileiros, aprendi a escrever Português lendo também autores brasileiros como Machado de Assis, por exemplo, ou Guimarães Rosa ou Drummond de Andrade ou quaisquer outros…

RDP: E leu nas versões brasileiras.

TG: Nas versões brasileiras. E em casa, desde criança que me explicavam “ah, no Brasil diz-se assim”. “Esta palavra” (por exemplo, “Ipê“) “não existe cá, é uma árvore que eles têm lá”. Explicavam-me e eu andava para a frente. E tropeçava na sintaxe, via que a gramática era diferente, a construção da frase era diferente, mas diziam-me “lá eles dizem assim, nós dizemos de outra maneira” e isso não me fazia confusão nenhuma…

RDP: Léxico e sintaxe. E a ortografia…

TG: A ortografia é um pormenor. O importante é o léxico e a sintaxe. E nunca vamos chegar a acordo nenhum. E mesmo na ortografia também não. Eu estava a ouvir tudo isto e estava a pensar: um acordo que se tenta fazer, no fundo, há cem anos, praticamente, e que não se consegue fazer, tem alguma coisa de errado na base. Porque se em ’45 os brasileiros não o aceitaram e “mandaram para o espaço” o que nós tínhamos pensado e não o puseram em prática — estavam no seu direito e fizeram eles muito bem — não queriam reintroduzir consoantes que já não pronunciavam. Nós temos o mesmo direito de agora não cortar consoantes que pronunciamos ou outras que são etimológicas. Não podemos rasurar a etimologia. Obviamente que o Brasil é um país muito jovem, a independência é em 1822, portanto é no séc. XIX, estamos quase, ainda, vizinhos dessa data e é um país onde nunca houve, nem haverá, uma única ruína romana, obviamente. Roma não lhes diz nada e o latim não lhes diz nada. E o Brasil é produto de uma fusão enorme de Línguas de emigrantes que para lá foram. A maioria foi portuguesa, obviamente, mas havia os indígenas e depois nós…

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A opinião de Henrique Neto sobre o AO90

Nesta gravação, Henrique Neto diz aquilo que pensa sobre o AO90. Se bem que refira também a tese da “revisão” do acordo como sendo algo de plausível, estamos sem qualquer dúvida perante um depoimento de inegável relevância política, visto tratar-se de um candidato à mais alta magistratura da Nação, a Presidência da República Portuguesa.

Esperemos que outros candidatos às próximas eleições presidenciais lhe sigam o exemplo e digam igualmente de sua justiça sobre um assunto que deverá, com toda a certeza, ser “de relevante interesse nacional” também para eles.


«O Acordo Ortográfico é um tema controverso e Henrique Neto tem também as suas dúvidas sobre a eficácia do mesmo!»
 

[transcrição]
A minha opinião relativamente ao acordo ortográfico nunca foi muito favorável. Porque a Língua, que deve unir as pessoas e os povos, no caso do acordo ortográfico contribuiu para alguma desunião que tem prevalecido e que tem sobrevivido na sociedade portuguesa e presumo também que noutros países de língua oficial portuguesa. Pela importância do tema, eu resolvi aproveitar este Dia Mundial do Livro para ler uma declaração que é a forma mais rigorosa de expressar a minha opinião sobre o acordo ortográfico. E portanto passaria a ler.

‘Neste Dia Mundial do Livro, quero chamar a atenção do país para a importância política, social, cultural e geo-estratégica da Língua Portuguesa. Trata-se de um património insubstituível, que não pode correr riscos experimentalistas ou facultativos como os que estão previstos no chamado “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990”. Acordo que continua a merecer críticas generalizadas da comunidade científica e dos mais qualificados utentes do nosso idioma, incluindo poetas, escritores, professores, jornalistas e tradutores. E não apenas em Portugal; as reservas ao acordo multiplicam-se também nos diversos países e territórios onde o Português funciona como língua oficial e veicular.

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«O Acordo Ortográfico não vem resolver nada» [“Ípsilon”, 04.04.15]

Há preconceito e uma certa arrogância da nossa parte, mas também dos brasileiros em relação a nós. As duas línguas estão estruturadas autonomamente e o grau de abertura do Brasil em relação ao estrangeiro, quando existe, é para outros territórios. Sobretudo os Estados Unidos. Olham muitas vezes a nossa escrita como pedante e nós encaramos o à-vontade deles como ligeireza.” Francisco José Viegas contextualiza, refere um caminho comum cheio de preconceitos históricos. “O salazarismo desconfiava do Brasil, de onde vinha toda a imoralidade, um certo sentido da barafunda, e havia – claro – o ressentimento contra a antiga colónia. Os brasileiros desconfiavam de um país de pobretanas e de provincianos que nunca tinham compreendido a “grandeza brasileira”.

De modo que, durante anos, desconhecemo-nos com orgulho e arrogância. Aquele Brasil que as telenovelas históricas da Globo nos trouxe significou para nós uma redescoberta do Brasil, sim, mas os intelectuais mantiveram sempre um preconceito europeu em relação ao que se fazia lá. Ignoravam que a universidade brasileira tinha debates profundos e alargados, que a literatura já não era apenas o cânone nordestino, que havia uma cultura urbana (sobretudo em São Paulo ou Porto Alegre) muito viva, que a literatura brasileira tinha, de facto, reinventado a língua portuguesa (no cânone clássico, com Érico Verissimo, Clarice, Rubem Fonseca; e que uma nova geração prolongava, com Assis Brasil, Patrícia Melo, Marçal Aquino, Tabajara Ruas – e hoje com Eucanãa, Galera, Ruffato, Mutarelli, Elvira Vigna, Paula Maia.” Os nomes continuam. No Brasil conhece-se Pessoa como se Pessoa fosse brasileiro, em Portugal Carlos Drummond de Andrade ou João Cabral de Melo Neto estão longe de serem muito conhecidos, menos ainda lidos, salienta Hugo Mãe.

Nas universidades brasileiras ensinam-se portugueses contemporâneos. Na portuguesa, Abel Barros Baptista diz que não se lembra de um português ter pedido para fazer um doutoramento em literatura brasileira. Onde estão as falhas? “O Acordo Ortográfico não vem resolver nada”, dizem, como num coro, todos os nomes ouvidos para este texto. “O Acordo Ortográfico está implantado no Brasil. Nos jornais e na edição, é o modelo que funciona. O Brasil nunca ligou muito a acordos desses. Mas não nos podemos esquecer de que o português de Portugal e o do Brasil são e hão-de continuar a ser expressões diferentes da mesma língua. Julgar que a ortografia iria unificar as duas formas do português, só mesmo por piada. Vamos continuar a ter duas versões do português, mesmo se a ortografia se aproximou mais”, resume Francisco José Viegas. Mirna Queiroz fala da necessidade de uma “relação descomplexada sem expectativas vazias”. E o coro, em síntese, diz isto: enquanto passar pela cabeça de alguém traduzir um livro de português do Brasil para português de Portugal e vice-versa, as contas estarão voltadas e todos os contágios serão poucos.

[Excerto de artigo com o título “Portugal e Brasil: orgulho e preconceito entre duas literaturas”, da autoria de Isabel Lucas, publicado no suplemento “Ípsilon” (do jornal “Público”) de 03.04.15. Os destaques e “links” são nossos.]

Nota:  visto que a “Wikipedia lusófona” passou a ser brasileira, apenas utilizamos ligações a entradas da Wikipedia em Inglês.

 

 

A “Associação Portuguesa de Tradutores” na TVI (6.ª Feira 06.03.15 às 19 h)

Caros sócios,
Temos o prazer de informar que na próxima Sexta-Feira, dia 06 de Março, entre as 19h00 e as 20h00, na TVI, haverá um debate sobre o acordo ortográfico. Estarão presentes o nosso Colega António Chagas, em representação da APT, e o Professor Dr. Malaca Casteleiro, acérrimo defensor do novo acordo.
Aguarda-se uma discussão animada.

(“Post” na página da APT no Facebook.)