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«O A090 e a agricultura soviética» [António Guerreiro, “Ípsilon”, 01.05.15]

publico

O A090 e a agricultura soviética

António Guerreiro
01/05/2015 – 01:49

 

Os fascismos — de maneira grandiosa ou numa frouxa escala — procederam a uma estetização da política. Numa célebre resposta a essa circunstância, Brecht e Benjamin lançaram, no Inverno de 1935/36, do exílio dinamarquês onde se tinham juntado por uns meses, uma palavra de ordem: à estetização da política é preciso responder com a politização da arte. O projecto de estetização da política que o nazismo realizou ecoa nesta célebre definição de Goebbels: “A política é a arte plástica do Estado”. Menos conhecida é a reivindicação, pelos estudantes do Partido Nazi, de uma “ciência politizada”. Ciência politizada ou, pelo menos, submetida a princípios ideológicos, foi também a ciência biológica e a agricultura de um outro regime totalitário, o soviético, quando Lissenko pôs de parte o saber adquirido da genética, considerada como burguesa, e submeteu a semente do trigo duro a tratamentos com vista a uma política agrícola rigorosamente planificada. O resultado foi ruinoso e as desventuras ideológicas da agricultura soviética tornaram-se uma anedota que os soviéticos ampliaram com humor negro. Nas democracias actuais, não são dadas sequer as condições de possibilidade para uma estetização da política (mesmo a “política cultural” tem de se afastar, em princípio, de uma política estatal do juízo estético e de uma cultura de tendência), e relativamente à ciência o que se espera das democracias é que elas mantenham a “neutralidade axiológica” de que falou Max Weber. Mas se já ninguém ousa clamar por uma ciência politizada, temos de observar que triunfou no nosso tempo uma política cientificizada. Não se trata apenas de a estatística se ter tornado o instrumento fundamental da racionalidade política, é mais do que isso: não há lei ou decisão governamental que não se baseie em estudos encomendados ou em investigações académicas feitas num âmbito científico autónomo. Veja-se, por exemplo, como a lei que permite o acesso condicionado a uma “lista de pedófilos” procurou a caução — ilegítima e abusiva, como já foi amplamente explicado — de um estudo sobre os níveis de reincidência. Todo o processo de engendramento e implantação do Acordo Ortográfico de 1990 só tem paralelo nas experiências agrícolas de Lissenko: a ortografia, como o trigo duro, tem de se vergar às miragens de uma ideologia (que tem nome de “lusofonia”, mas é muito mais do que ela) e conformar-se aos desígnios de políticos e cientistas pioneiros, ditos linguistas, mas que são na verdade agentes de uma ciência politizada. Juntos, gritaram em coro, antes de perderem o pio: “A ortografia é a arte plástica do Estado”. Quem lê jornais, escritos públicos e documentos oficiais percebe que está instalada a anomalia ortográfica (em meia hora de televisão, no dia 25 de Abril, li dois “fatos” em vez de “factos”) e que a aplicação do AO90 é tão desastrosa e tão contrária aos efeitos pretendidos (temos agora três normas ortográficas no “espaço lusófono”) como a agricultura de Lissenko. E é já tão paródica como ela. O que é irritante é que toda a verdade de facto exige peremptoriamente ser reconhecida e recusa a discussão. Por isso é que os políticos com responsabilidade nesta matéria e o respectivo braço armado científico (os cientistas pioneiros do laboratório linguístico de onde saiu o AO90) recusam sair a público e discutir os resultados da sua bela obra: mostram-se às vezes irritados com o ruído da paródia. Mas apostam no silêncio, à espera que das intervenções genéticas no trigo duro nasça, se não cevada e centeio, pelo menos erva para forragens.

[Transcrição integral de artigo, da autoria de António Guerreiro, publicado na revista “Ípsilon” (suplemento do jornal “Público”) de 01.05.15. “Links” e destaques nossos.]

Nota: visto que a “Wikipedia lusófona” passou a ser brasileira, apenas utilizamos ligações a entradas da Wikipedia em Inglês.

«O Acordo Ortográfico não vem resolver nada» [“Ípsilon”, 04.04.15]

Há preconceito e uma certa arrogância da nossa parte, mas também dos brasileiros em relação a nós. As duas línguas estão estruturadas autonomamente e o grau de abertura do Brasil em relação ao estrangeiro, quando existe, é para outros territórios. Sobretudo os Estados Unidos. Olham muitas vezes a nossa escrita como pedante e nós encaramos o à-vontade deles como ligeireza.” Francisco José Viegas contextualiza, refere um caminho comum cheio de preconceitos históricos. “O salazarismo desconfiava do Brasil, de onde vinha toda a imoralidade, um certo sentido da barafunda, e havia – claro – o ressentimento contra a antiga colónia. Os brasileiros desconfiavam de um país de pobretanas e de provincianos que nunca tinham compreendido a “grandeza brasileira”.

De modo que, durante anos, desconhecemo-nos com orgulho e arrogância. Aquele Brasil que as telenovelas históricas da Globo nos trouxe significou para nós uma redescoberta do Brasil, sim, mas os intelectuais mantiveram sempre um preconceito europeu em relação ao que se fazia lá. Ignoravam que a universidade brasileira tinha debates profundos e alargados, que a literatura já não era apenas o cânone nordestino, que havia uma cultura urbana (sobretudo em São Paulo ou Porto Alegre) muito viva, que a literatura brasileira tinha, de facto, reinventado a língua portuguesa (no cânone clássico, com Érico Verissimo, Clarice, Rubem Fonseca; e que uma nova geração prolongava, com Assis Brasil, Patrícia Melo, Marçal Aquino, Tabajara Ruas – e hoje com Eucanãa, Galera, Ruffato, Mutarelli, Elvira Vigna, Paula Maia.” Os nomes continuam. No Brasil conhece-se Pessoa como se Pessoa fosse brasileiro, em Portugal Carlos Drummond de Andrade ou João Cabral de Melo Neto estão longe de serem muito conhecidos, menos ainda lidos, salienta Hugo Mãe.

Nas universidades brasileiras ensinam-se portugueses contemporâneos. Na portuguesa, Abel Barros Baptista diz que não se lembra de um português ter pedido para fazer um doutoramento em literatura brasileira. Onde estão as falhas? “O Acordo Ortográfico não vem resolver nada”, dizem, como num coro, todos os nomes ouvidos para este texto. “O Acordo Ortográfico está implantado no Brasil. Nos jornais e na edição, é o modelo que funciona. O Brasil nunca ligou muito a acordos desses. Mas não nos podemos esquecer de que o português de Portugal e o do Brasil são e hão-de continuar a ser expressões diferentes da mesma língua. Julgar que a ortografia iria unificar as duas formas do português, só mesmo por piada. Vamos continuar a ter duas versões do português, mesmo se a ortografia se aproximou mais”, resume Francisco José Viegas. Mirna Queiroz fala da necessidade de uma “relação descomplexada sem expectativas vazias”. E o coro, em síntese, diz isto: enquanto passar pela cabeça de alguém traduzir um livro de português do Brasil para português de Portugal e vice-versa, as contas estarão voltadas e todos os contágios serão poucos.

[Excerto de artigo com o título “Portugal e Brasil: orgulho e preconceito entre duas literaturas”, da autoria de Isabel Lucas, publicado no suplemento “Ípsilon” (do jornal “Público”) de 03.04.15. Os destaques e “links” são nossos.]

Nota:  visto que a “Wikipedia lusófona” passou a ser brasileira, apenas utilizamos ligações a entradas da Wikipedia em Inglês.

 

 

Pequenos gestos…

De: Artesãos com Pinta Esposende
Data: 26 de Fevereiro de 2015 às 14:34:22 WET
Para: undisclosed-recipients:;
Assunto: Workshop Bordado

Em Abril voltamos a ter workshop de bordado!

“Bordado é uma forma de criar a mão ou a máquina desenhos e figuras ornamentais em um tecido, utilizando para este fim diversos tipos de ferramentas como agulhas, fios de algodão, de seda, de lã, de linho, de metal etc., de maneira que os fios utilizados formem o desenho desejado.”(wikipédia)

Faça a sua inscrição, devolvendo preenchida a ficha que se encontra em anexo. (limite 10 formandos).

Crie com Pinta!

 


No dia 26 de Fevereiro de 2015 às 15:13, ******** *********  escreveu:

 

Boa tarde!
Agradeço o convite (embora deva confessar que ignoro porque aparece o meu mail nesta lista, mas reforço, humildemente, o agradecimento) e não quis deixar de fazer um reparo, nem que seja por defeito profissional.
Com o devido respeito pela vossa actividade, não posso deixar de referir que quando o texto que apresentam a definir “bordado” (provavelmente, um copy-paste da Wikipédia que é, maioritariamente, escrita por brasileiros, embora exista, entre nós, a Wikilusa)
“Bordado é uma forma de criar a mão ou a máquina desenhos e figuras ornamentais em um tecido, utilizando para este fim diversos tipos de ferramentas como agulhas”

apresenta erros graves, isso não abona a favor da vossa organização…

Em português correcto, seria “à mão ou à máquina” e “num tecido”. Além disso, esta “moda” das ferramentas já anda no nível da náusea devido à informática, pelo que às “ferramentas” mais delicadas, finas, se chamava no meu tempo (tenho 45) e, segundo creio, “utensílios”!
Devo acrescentar que esta mensagem não obedece ao chamado “Acordo Ortográfico de 1990”, pelo que o português que conheço é o único reconhecido pela lei, o da norma de 1945.

Com os melhores cumprimentos e votos de sucesso (e, apesar de tudo, o agradecimento por me incluírem).

********* *********

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“Wikilusa, a Enciclopédia de Portugal”: colabore!

“Gente como TU!”

A WikiLusa, é uma enciclopédia multimédia, livre, sobre e para todos. O objectivo da WikiLusa é criar um espaço livre na partilha e repositório de informações sobre Portugal, as suas regiões, a sua gente e costumes.

O projecto diferencia-se da Wikipédia, privilegiando a utilização dos conteúdos essencialmente de cariz português e de Portugal.

WikiLusa foi criada em 2008 por Carlos Botelho e é a versão em língua portuguesa nativa (PT) da Wikipédia, a enciclopédia livre. A palavra “Lusa” refere-se ao país ou povo que tem como língua oficial nativa o português europeu, claramente anti ao90. Introduz um novo conceito abrindo um espaço Biográfico livre a artigos essencialmente de Portugal.

Este é um projecto nascido da vontade de colocar à disposição do utilizador português os recursos necessários para a criação de uma plataforma de acesso livre a conteúdo editorial específico sobre Portugal e as suas particularidades, num plano estratégico de desenvolvimento do conhecimento, e das regiões, criando um espaço privilegiado para a defesa e divulgação das potencialidades locais e regionais, na massificadora, endémica sociedade de meios e informação.

A WikiLusa é uma enciclopédia independente e em permanente processo de criação. Proporciona um espaço de debate/discussão não apenas confinado ao seu conteúdo, mas também na abordagem conceptual e estrutural. Por isso, é um espaço de liberdade cujo destino é decidido de forma aberta, sem restrições e participações avulsas registadas noutras plataformas.
[Extractos da página de apresentação da Wikilusa]


«Mais uma vez a Wikipédia (brasileira) a eliminar conteúdos e artigos que defendem o português de Portugal. Desta vez a Wikilusa. Aqui está a verdadeira razão da fundação da Wikilusa, projecto que muitos utilizam e muitos acreditam e a razão porque se mantém activa mesmo sem apoios.»
[“Post” de 18.08.13 na página da Wikilusa no Facebook.]

«Superficialidade, mãe das banalidades» [Alda M. Maia, “blog”, 24.02.14]

Não somente genetriz de banalidades triviais, mas também de erros, frequentemente derivados de exibicionismos dispensáveis.

Estive a ouvir os comentários do prestigiado escritor e jornalista da RTP, José Rodrigues dos Santos, no debate que se realizou na Biblioteca da Câmara Municipal de Cascais, no dia 21 deste mês, sobre o Dia Mundial da Língua Materna / Acordo Ortográfico – www.cedilha.net/ilcao

Transcrevo as suas opiniões, as quais me deixaram atónita por aquilo que demonstraram! Vejamos:

“Nós temos que unificar a língua no ponto de vista da grafia, para não ficarmos numa situação em que, daqui a 200 ou 300 anos, do português nasçam línguas diferentes, como da língua hispânica nasceram várias línguas. Os galegos, há 300 anos, falavam português. Hoje já só falam galego que é uma língua diferente do português. Portanto, nós não podemos deixar que isso aconteça ao português do Brasil, do português de vários países africanos e do português de Portugal. Portanto, é importante unificarmos a grafia para preservarmos a língua”.
Nós temos de ter uma grafia unificada para não termos várias línguas diferentes”.

José Rodrigues dos Santos é um excelente jornalista e um escritor de sucesso, doutorado em Ciências da Comunicação, logo, podia ter-nos poupado esta enfiada de banalidades e, digamo-lo, aneiras.

Primeiro: o povo galego – século VIII – XV – não falava português, mas uma língua literária comum de grande prestígio, isto é, o galaico-português.
“O galaico-português adquiriu um tal requinte sob a sua forma escrita, que se tornou, no conjunto global da Península Ibérica, uma língua poética de predilecção. O próprio rei de Castela Afonso X, o Sábio (1252-1284), que tanto se ilustrou com os seus poemas, se tornou enquanto poeta num dos arautos mais apreciados do galaico-português” – do livro: “A Aventura das Línguas do Ocidente”, de Henriette Walter, pág. 202

Segundo: “os galegos, há 300 anos, falavam português”, diz José Rodrigues dos Santos.
Falavam português no século XVIII?! Ninguém ensinou ao ilustre jornalista e escritor que, após o nascimento do reino autónomo de Portugal (séc.XII), Portugal e Galiza ficaram politicamente separados e a língua comum seguiu estradas diferentes, enquanto do outro lado da Península se ia impondo o castelhano?
As populações da Galiza continuaram a falar galego, certamente, embora esta língua, a partir do séc. XV, tivesse ficado na sombra por imposição do castelhano e, só recentemente, é que foi reconhecido como uma das línguas oficiais da Espanha.
Sempre na obra de Henriette Walter, podemos ler: “Em 1492 foi o ano da publicação da primeira gramática do castelhano, escrita por António de Nebrija, um andaluz. Nesta gramática observa-se a consagração do castelhano como a grande língua do Estado espanhol”

Galego e português: dois falares diferentes, mas a generalidade dos linguistas é de opinião que “ainda hoje constituem a mesma língua”, o que me agrada.

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Carlos Botelho subscreveu a ILC

Bottelho é o pseudónimo de Carlos Botelho (Sta Maria Maior, Chaves, 1964) é um pintor e escultor português.

Nasceu em Chaves no distrito de Vila Real em Trás-os-Montes, onde na infância disseca nos livros de medicina do século XIX do avô Martiniano Ferreira Botelho, profusamente ilustrados com gravuras, o gosto pela complexidade da anatomia humana. Não esquece Lereno seu professor primário e irmão de Nadir Afonso que muito contribuiu para o incentivar nos caminhos da arte.

A proximidade da fábrica de tijolo e do barro, as oficinas das artes da forja e do ferro, os ateliers de Arquitectura e da música que sempre o acompanharam foram moldando o seu espírito e sentido estético.

Aos dezasseis anos expõe pela primeira vez Desenho e Pintura no Museu da Cidade com o apoio da Câmara Municipal de Chaves, acontecimento que teve a presença do mais alto magistrado da Nação, o General Ramalho Eanes. Fez estudos secundários no liceu Fernão Magalhães de Chaves, que interrompeu por inexistência de curso compatível com a vocação tendo optado por direito […]. “Escolheu Direito, não tão direito quanto devia…!” in entrevista a Jornal Flaviense. Frequenta Ciências da Comunicação e da Cultura – na área de Gestão Cultural na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.

[Perfil parcialmente extraído da página wiki do subscritor.]

Carlos Botelho conta no seu extenso “curriculum” com a autoria do “site” Wikipedia Lusa – Pessoas como Tu, cujos nome e lema dizem tudo…

Sobre o seu “perfil” de subscritor e apoiante da nossa iniciativa cívica, escreveu-nos o seguinte:
«Relativamente à ILC não me restam dúvidas de que espelha a vontade esmagadora dos portugueses, ignorados habitualmente neste tipo de processos, que tarde irão constatar que a homogeneização da língua é tão benéfica quanto a globalização económica no que tem de espírito colonial.»

Subscreveu a ILC pela revogação da entrada em vigor do AO90.

Veja a “galeria” completa de subscritores, voluntários e apoiantes da ILC.

WikiLusa

Bem-vindo(a) à WikiLusa, uma enciclopédia escrita em colaboração com os leitores. Este sítio utiliza a ferramenta Wiki, que permite a qualquer pessoa, inclusive você, melhorar de imediato qualquer artigo clicando em editar no menu superior de cada página. Se tiver dúvidas como editar clique em ajuda de edição (no fundo da página). Sim, você também pode editar!.

A Wikilusa em língua portuguesa começou em Julho de 2008 a partir de novos artigos, a revisão e validação do conteúdo de versões da Wikipédia lusófona e Inglesa. A comunidade vem crescendo de dia para dia. Porém precisamos de mais colaboradores para podermos ampliar o número de artigos em língua portuguesa e expandir, melhorar e consolidar os que já existem.

‘A WikiLusa surge em 2008 pela necessidade de defesa e alargamento dos critérios de inclusão editorial, privilegiando defesa e preservação do português nativo como património imaterial e intangível, sem contudo desrespeitar outras fonias.’

Surgiu no período em que o conflito de edições entre as versões brasileira e portuguesa se mesclavam em infindáveis batalhas editoriais e em que praticamente saía um único vencedor em fastidiosas e viciadas propostas de votação – os editores do Brasil.

Neste contexto a criação da Wikilusa quis demarcar-se de poderosos e ávidos interesses na rápida implementação do Acordo Ortográfico na plataforma, como forma de minimizar os referidos conflitos de edição, muito antes de promulgados os respectivos diplomas legais, sobretudo no país de origem, Portugal, tendo como se constata resultado num crescente abrasileirar de conteúdos disponibilizados na actual Wikipédia e num claro e rápido empobrecimento da língua mãe.

Reescrever a História [II]

«Favorecimento?
O artigo favorece a ortografia do Acordo Ortográfico sobre a de Angola. Não deveria antes ser “Objeto e objecto”, em vez de pôr a outra ortografia entre parêntesis como se fosse mais usada? 2.80.11.40 (discussão) 08h33min de 21 de julho de 2011 (UTC)

Explique-se melhor. Como assim o artigo favorece “o Acordo Ortográfico sobre a de Angola”? -Ramissés DC 15h04 min de 21 de julho de 2011 (UTC)» [Wikipedia “lusófona”]

Continuando na senda da denúncia (no sentido de exposição pública) do “PAEC”, ou seja, do processo de aniquilamento em curso, vejamos alguns exemplos que demonstram a forma verdadeiramente assassina como o Português-padrão está a ser apagado da História. Ou, dito de outra forma, ilustremos a gigantesca operação de destruição maciça – com efeitos retroactivos – da Língua Portuguesa não “acordizada”.

Como se vê na imagem de topo e como se lê ali, na reclamação de um angolano, a palavra “objecto” pura e simplesmente desapareceu. A bem dizer, nunca existiu! Se forçarmos a entrada directa no endereço (URL) correspondente àquela entrada com a grafia do Português “europeu” (e africano), podemos ver que somos automaticamente remetidos para o termo equivalente… em “acordês”: “objeto”. Basta experimentar, é só seguir o link http://pt.wikipedia.org/wiki/Objecto.

Porque presumimos ser muito difícil acreditar em que semelhante barbaridade esteja mesmo a acontecer, vamos repetir isto ponto por ponto a ver se a coisa resulta clara para toda a gente:

1. Na Wikipedia “PT” já foi apagado todo o passado. “Nunca” houve PT-PT e PT-BR. Por exemplo, a palavra OBJECTO não apenas foi abolida pelo AO90 como… NUNCA EXISTIU.
2. Para quem tem conta de edição na Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Objeto&action=history (a entrada mais antiga é de 01.06.10).
3. O redireccionamento (de OBJECTO para “objeto”) foi forçado COM EFEITOS RETROACTIVOS a 2005: http://web.archive.org/web/20050422021854/http://pt.wikipedia.org/wiki/Objecto
4. A busca interna por OBJECTO na Web Archive dá ERRO: http://liveweb.archive.org/http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Objecto&redirect=no

Claro que este processo de extermínio linguístico é sistemático, avassalador, por assim dizer industrializado: todas as palavras com a grafia do Acordo Ortográfico de 1945, que vigora ainda legalmente pelo menos em Portugal, Angola e Moçambique, estão a desaparecer na Wikipedia… mas não somente; é claro que os mesmos métodos de extinção em massa estão já a ser utilizados em várias plataformas, sistemas e serviços (virtuais ou não).

Qualquer pessoa pode verificar por si mesma com os exemplos que lhe forem ocorrendo: a palavra “Acto” não existe (nem existiu nunca ou será que existiu alguma vez mas foi exterminada?), “Actuação” desapareceu (agora é “obrigatoriamente” «atuação») e até algo como uma simples “acta” de reunião já não se faz (nem nunca se fez, pois claro), diz que tem de ser “ata” à viva força, ou seja, «um registro ou resenha de fatos ou ocorrências».

Este “apagão” geral (com efeitos retroactivos, repita-se e realce-se de novo) não acontece por mero acaso, evidentemente, e muito menos por necessidade. Faz parte de uma estratégia política, como já sabemos, que consiste num tão velho quanto terrível paradigma: “quem domina o passado domina o futuro; quem domina o presente domina o passado” [George Orwell, “1984”]

No próximo artigo desta série veremos de que forma o “apagão” selectivo não é apenas terminológico (ou ortográfico), é também referencial e de conteúdo.

Nota: as imagens neste “post” são “screenshots” (uma espécie de fotografias do que se vê no ecrã do computador em determinado momento) obtidas na data de publicação deste mesmo “post”; é possível que haja nos respectivos endereços (URL) alterações posteriores efectuadas pela própria Wikipedia.

Reescrever a História [I]

«Proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma tentativa de unificar a língua portuguesa, sobretudo na internet, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa passa a ser obrigatório no Brasil a partir de 1º de janeiro de 2013.»
“Jornal da Manhã” (online), Uberaba (Minas Gerais), Brasil, 19 de Março de 2012

Uma das consequências do AO90 que mais têm sido escamoteadas e que os nossos políticos, por regra, fingem ignorar é a seguinte: à conta de uma pretensa (e impossível) “uniformização” da Língua Portuguesa, a norma-padrão do Português está a ser inexorável e sistematicamente apagada em todos os registos e em qualquer suporte. Na Internet (e não só), dezenas, centenas, milhares de pessoas – na sua maioria do Brasil mas também contando com a solícita colaboração de alguns portugueses – estão a simplesmente fazer desaparecer a norma ortográfica do chamado Português europeu, como se tal coisa nunca tivesse sequer existido.

As provas que evidenciam esta gigantesca operação de genocídio linguístico (e cultural, por inerência) estão por todo o lado, apesar de também sobre elas, as provas, além dos conteúdos propriamente ditos, incidir a sanha, a raiva e o labor frenético destes revisores da História que agora se afadigam em sumamente liquidar o passado (que nunca o será para nós outros) da Língua Portuguesa.

Abreviando razões, aquilo que se está a passar é que a mentira da “língua portuguesa unificada” tenta instaurar a sua política do facto consumado através da eliminação pura e simples de qualquer referência ou conteúdo que não “obedeça” ao “acordo ortográfico” de 1990. Ou seja, em suma, segundo eles nunca antes houve norma-padrão, apague-se tudo aquilo que existir, sempre houve a “nova norma”, substitua-se a “antiga” por esta.

Nesta série de artigos, de que hoje se publica o primeiro, tentaremos ilustrar com exemplos vários – todos eles fundamentados documentalmente – este fenómeno que tem passado (deliberada e orquestradamente) despercebido da opinião pública e que poderíamos talvez designar pela abreviatura “PAEC”, processo de aniquilamento em curso.

A ilustração que se segue mostra, sem necessidade de quaisquer comentários adicionais, a forma ditatorial, canina, verdadeiramente nazi como esta “nova ordem ortográfica” é imposta, no caso, aos utilizadores da Wikipedia que se diz “lusófona”. Relevem-se, caridosa e pacientemente, as óbvias dificuldades de redacção do “Vinicius” em causa:

«Aproveito para lembrar que, apesar da Wikipedia lusófona privilegiar o uso das normas do Acordo Ortográfico de 1990 nas suas páginas oficiais (políticas, recomendações, etc.), qualquer usuário é livre de utilizar nas suas edições as regras ainda vigentes no Brasil (Formulário Ortográfico de 1943) ou as dos restantes países lusófonos (Acordo Ortográfico de 1945), não sendo toleradas alterações de uma norma para outra

No próximo artigo desta série veremos de que forma NUNCA EXISTIRAM na Wikipedia “lusófona” algumas entradas (palavras) com a grafia do Português-padrão.

[Imagem de topo de Tate online.]