ILC contra o Acordo Ortográfico

(site original, 2010-2015)

hortografia8

“Facetoons”, 20.05.15.

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Convite da “Livraria Portuguesa e Brasileira” (Librairie Portugaise et Brésilienne), de Paris, França, para o lançamento – no dia 29 de Maio de 2015, às 19 h – da obra “Le Petit Prince“, de Antoine de Saint-Exupéry, das versões traduzidas para cinco “variantes” do Português: de Portugal, do Brasil, Mirandês (“lhéngua”), crioulo de Casamança e crioulo de Cabo Verde.

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Le petit prince de Saint-Exupéry en portugais du Portugal, du Brésil, en mirandais, en casamançais, en créole cap-verdien le vendredi 29 mai à 19h dans le cadre de Quartier du livre Présentation du Petit Prince d’Antoine de Saint-Exupéry en portugais du Portugal, en portugais du Brésil, en mirandais (2° langue officielle du Portugal), en casamançais (créole portugais de Casamance) et en créole cap-verdien. en présence de Nicolas Quint et d’autres invités à Librairie Portugaise & Brésilienne – Michel Chandeigne 19/21 rue des Fossés Saint-Jacques (place de l’Estrapade) – 75005 PARIS Tel. 01 43 36 34 37 – www.librairieportugaise.fr Métros : Luxembourg (RER B), Cardinal Lemoine, Place Monge Bus (Panthéon) : 82, 84, 89, 21, 27 etc.

Fonte: Librairie Portugaise et Brésilienne – Article: Le petit prince de Saint-Exupéry en portugais du Portugal, du Brésil, en mirandais, en casamançais, en créole cap-verdien le vendredi 29 mai à 19h dans le cadre de Quartier du livre

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No sítio do costume.

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[audio: http://cdn-ondemand.rtp.pt/nas2.share/wavrss/at1/1505/3568441_181541-1505181113.mp3]

[transcrição]
Aquilo que realmente aqui importa ter em atenção é que o “acordo ortográfico” já vem dos anos 90, agora foi imposto definitivamente nas escolas  (os alunos que não escreverem segunda a nova regra, no fundo, passarão a estar a errar e portanto serão penalizados nos seus exames e nos seus testes por essa circunstância),  mas este “acordo ortográfico”, que pretendia unir todos os países de falantes de Português, na verdade só está em vigor em Portugal; quer dizer, não está no Brasil, onde não foi levado avante, não está em Angola e não está em Moçambique, para falar, no fundo, daqueles três países que aqui poderiam “contar”, do ponto de vista da população e da sua importância futura. E portanto, no fundo, isto não é um “acordo ortográfico, isto é uma “norma ortográfica” puramente para o continente europeu. Qual é o problema, aqui?  É que isto, basicamente, é uma língua política e é muito mau misturar política e Língua. Portanto, não compreendo como é que o Governo continua a insistir neste erro, que aliás já vem de vários governos anteriores, não sei o que é que se passa na “5 de Outubro“, de cada vez que chega lá um Ministro acaba por se deixar deslumbrar pelo “acordo ortográfico”,  mas o que eu acho que isto revela é que em vez de nós termos uma política da Língua temos uma Língua politizada e uma língua política. Repare: não tem sentido nenhum, o “acordo ortográfico”; ele retira-nos das nossas raízes, que são as raízes do Latim, em particular; afasta a Língua, hoje, de um conjunto de… para estrangeiros que estudam Português torna-se muito mais difícil porque nós estamos cada vez mais um pouco com a norma italiana, que é uma norma puramente ortográfica e que não tem a ver com as raízes das palavras, que nos permitiam identificá-las, no Inglês, no Francês, no Espanhol, ainda Rui Ramos recentemente chamou a atenção para isso,  e portanto temos esse problema. Há um outro aspecto que me parece que é lamentável também, aqui, que é o aspecto de, no fundo, nós sairmos cada vez mais da busca dos Clássicos, do Grego, do Latim, que seriam fundamentais para a aprendizagem das nossas crianças e que eu lamento imenso que estão completamente abandonados, nomeadamente o Latim – em Portugal – está numa situação que não tem paralelo nos outros países da Europa,  como Língua estrangeira (embora uma Língua morta mas fundamental para a compreensão do Português), e na verdade isto representa muitas outras coisas; eu lembro que, no início, este Governo, enfim, de que eu sou apoiante, como é sabido, chegou a pensar eliminar a segunda Língua, nomeadamente o Francês; quer dizer, o que é uma coisa que não tinha sentido absolutamente nenhum, portanto, a segunda Língua estrangeira, digo eu; portanto, eu acho que, sinceramente, nós temos neste momento, depois do exemplo que foi dado na semana passada, língua política a mais e política da Língua a menos.  E portanto eu pedia que, agora, que vamos entrar em período eleitoral, os Partidos pensassem bem numa política da Língua, que acabassem com este disparate que foi o “acordo ortográfico” e que pensassem [inaudível]  na política para segundas Línguas estrangeiras, para além do Inglês.  Acho que era fundamental que num país como Portugal, que é um país europeu, periférico, os nossos alunos têm capacidade multi-linguística; isso fará uma diferença enorme no futuro a favor deles. E portanto seria oportuno pensar no Português, pensar no Inglês e pensar nas restantes Línguas que nós temos de falar. Eu prefiro política da Língua a Línguas politizadas, a línguas políticas.
[/transcrição]

[Declarações de Paulo Rangel, deputado do Parlamento Europeu, no programa Conselho Superior (RDP – Antena 1) emitido em 18.05.15. ]

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MEC_Publico_20_5_2015Daqui a 50 anos, em 2065, quase todos os opositores do analfabeto Acordo Ortográfico estarão mortos. Em contrapartida, as crianças que este ano, em 2015, começaram a ser ensinadas a escrever tortograficamente, terão 55 anos ou menos. Ou seja: mandarão no país e na língua oficial portuguesa.

A jogada repugnante dos acordistas imperialistas — ignorantes e cada vez mais desacompanhados pelas ex-colónias que tentaram recolonizar ortograficamente — terá ganho tanto por manha como por estultícia.

As vítimas e os alvos dos conspiradores do AO90 não somos nós: são as criancinhas que não sabem defender-se. Deseducando-as sistematicamente, conseguirão enganá-las facilmente. A ignorância é a inocência. Pensarão, a partir deste ano, que só existe aquela maneira de escrever a língua portuguesa.

Os adversários morrerão e predominará a inestética e estúpida ortografia de quem quis unir o “mundo lusófono” através de um Esperanto lusográfico que não tem uma única vontade colectiva ou raiz comum.

Como bilingue anglo-português, incito os jovens portugueses que falam bem inglês (quase todos) a falar português com a exactidão fonética, vinda do bom latim, da língua portuguesa. Eu digo “exacto” e “correcto” como digo “pacto” e “concreto”. Digo “facto” como fact, tal como “pacto” como pact.

Falar como se escreve (ou escrevia) é um acto de rebeldia. Ler todas as letras é libertador. Compreender a raiz das palavras é conhecê-las e poder tratá-las por tu.

Às armas!

[Transcrição integral de artigo no jornal “Público” de 20.05.15. “Links” nossos. ]

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logotipojornaliAna Markl
16/05/2015 08:00:00

Eu e a língua

Muitas pessoas acham que corrigir os outros é uma forma de humilhação.

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Sinto que, com esta história mal contada do novo acordo ortográfico, a Edite Estrela dentro de mim deixou de brilhar. Sempre fui uma defensora apaixonada da língua, protegi com a minha vida a gramática dos pontapés dos “haviam” e de outros inimigos. Muitas pessoas acham que corrigir os outros é uma forma de humilhação. Eu sempre achei que, desde que não houvesse cagança, era um acto de amor.

E agora vejo a ortografia virar-se contra mim desta maneira, como num twist de filme de super-heróis. E quem se revela um dos meus arqui-inimigos? Malaca Casteleiro, o meu professor de Sintaxe e Semântica do Português na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

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facetoons_logo

Mais dois “cartoons” de “Antero” publicados na sua página “Facetoons” (Facebook) em 18 e 19.05.15.

facetoonsAO5. facet190515

Ver “posts” anteriores com desenhos do mesmo autor: 1 | 2 | 3 | 4

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Sobre a língua e o acordo ortográfico

Isabel Soares
18/5/2015
A língua está no âmago da cultura de um povo e não sabemos ao certo quais as consequências de manipular a língua de uma forma significativa, como está a ser feito.

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Pertenço ao grupo dos que assiste à alteração, ou melhor, à mutilação, da língua com grande desgosto. Sou uma simples leitora de alguns jornais, e tenho esporadicamente lido algumas notícias e artigos de opinião sobre o acordo ortográfico. A minha ligação a questões linguísticas é apenas a de um cidadão comum sem qualquer preparação específica sobre o assunto. A razão porque decidi escrever estas notas deve-se a que não li até agora nenhum artigo que aborde a questão da alteração da língua no que ela tem de essencial.

A língua não é um produto de um acto de vontade do ser humano. A língua é uma propriedade emergente de comunidades humanas que surge independentemente de qualquer actividade consciente dessas comunidades. Neste sentido, a língua é um fenómeno da natureza. A língua está ligada à mente humana, emerge dessa mente e molda-a de formas que provavelmente nunca conseguirão ser inteiramente compreendidas pelo ser humano. Isso implicava sermos capazes de nos auto-conhecermos completamente, de nos vermos completamente ao espelho, o que não parece ser possível. Como Kurt Gödel demonstrou, através do teorema da auto-referenciação, há limites ao conhecimento humano.

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[Imagem publicada em 18.05.15 no “mural” Facebook de Dora Leitão Xarepe.]

Nota: o “meme” original deste tipo de desenhos (“All The Things“) surgiu em 2010 e foi adoptado no Brasil com a designação “Quem Somos/O Que Queremos/Quando Queremos”. (Breve “história” aqui.)

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