ILC contra o Acordo Ortográfico

(site original, 2010-2015)

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Fonte: Universidade Europeia

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Estrada da Correia, nº 53
1500-210 Lisboa

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105fm_logoMiguel Esteves Cardoso e Pedro Mexia não aceitam novo Acordo Ortográfico

 

Escrito por LUSA – 105 FM – 09 Maio 2015

Os escritores e cronistas Miguel Esteves Cardoso e Pedro Mexia vão continuar a usar o Acordo Ortográfico de 1945, questionando a utilidade do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, cujo período de transição da sua aplicação termina quarta-feira*.

Questionado pela Lusa, se a partir de 13 de Maio irá utilizar a nova grafia Miguel Esteves Cardoso foi peremptório: “Claro que não! Nunca. É uma posição de liberdade e patriótica”.

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adriano_moreira_SNPC«A Língua transita. Sem precisar dessas ajudas. E é portanto isso que me leva a ter esta atitude em relação à Língua. Eu acho que ela muda, absolutamente, de acordo com a cultura local, em qualquer país onde ela se venha a implantar, recebe valores que os outros recebem, é inevitável isso, e portanto é melhor não pensar que há a capacidade de impor à Língua a evolução. E por isso é que eu achei que foi inoportuna a intervenção; simplesmente, eu próprio fui vítima disso. Porque eu era nessa altura Presidente da Academia das Ciências, que é responsável pela língua, tive um trabalho enorme para recolher o dinheiro necessário para fazer o novo dicionário etc., e afinal o Brasil adiou a entrada em vigor. Mas eu, como era Presidente da Academia, achei que tinha que obedecer à lei.»

Adriano Moreira

(“click” para ouvir)

“Páginas de Português” de 03 Maio 2015

RDP: Afirmação do Presidente da Academia de Ciências de Lisboa: «a Língua Portuguesa não é nossa; também é nossa.»

Adriano Moreira:  Bom, isso foi a propósito do acordo ortográfico. Para começar, é preciso lembrar que foi o Governo português, ainda na [1.ª] República, que fez a primeira intervenção legal para alterar a ortografia. E quando eu digo “a Língua não é nossa, também é nossa” é porque a Língua Portuguesa foi utilizada como instrumento de expansão, assimilação, educação, pregação etc., em todas as latitudes. Mas acontece que, em cada lugar, a Língua, em primeiro lugar, adquire valores que são diferentes; por exemplo, mesmo a Língua Portuguesa que se fala no Brasil tem valores ameríndios, tem valores africanos, italianos, japoneses, alemães; nós não temos. E portanto passa a ser diferente. Isso acontece também em África e isso acontece também no Oriente; Timor até tem valores do invasor, porque gerações ficaram submetidas a isso, a esse poder. E também há outras regras, que essas são para  especialistas, não são para mim, mas, em todo o caso, posso dar exemplos dos que eu percebi e que é o seguinte: quando há um fenómeno de colonização, o colonizador abre as vogais – para ser melhor entendido; e se o destinatário, que é o nativo ou é o escravo, deturpa a palavra, ele acaba por adoptar a deturpação porque com isso é entendido. Depois, quando as sociedades se tornam industrializadas, deixam cair as vogais – falam mais depressa, as ordens são mais rápidas. Num país ocupado, sussurra, não fala; e também altera a Língua. E portanto,  como cada uma das comunidades passa por circunstâncias diferentes, contactos diferentes, assimilação de valores diferentes, eu, para exprimir essa circunstância, ocorreu-me essa expressão: a Língua não é nossa, também é nossa. Porque ela muda depois nos vários lugares. E, designadamente, é muito interessante ver isso sobretudo nas comunidades portuguesas no estrangeiro, que têm que assimilar valores do país onde se instalam, mesmo quando adquirem a Língua do país mantêm a lembrança e as palavras e dão-lhes sentidos diferentes e entoações diferentes etc., é mais uma circunstância que leva a que nós possamos dizer que são comunidades portuguesas, têm um “papiar” [“patoá“?] cristão, mas é diferente daquele que nós falamos aqui. É isto que eu quero dizer, simplesmente, com essa expressão “a Língua não é nossa, também é nossa” e por isso mesmo acho que é preciso ter muita cautela com intervenções legislativas.

RDP: Como por exemplo?

AM: Como se fez agora. Porque a iniciativa foi do Brasil, desta vez. O Brasil já adiou a entrada em vigor, Angola recusou-se a assinar, outras antigas colónias também se recusaram a assinar. Primeiro, porque a nossa Língua é ali um enxerto na cultura local, implantação, e portanto eles são muito conscientes da maneira como a Língua foi assimilada e é oficialmente a Língua do país. Isso é a primeira coisa. A segunda coisa é que, do ponto de vista financeiro, essas mudanças, sobretudo para economias fracas, têm consequências muito sérias.  Suponha… os livros escolares, em que os editores, como sabe, guardam os instrumentos de impressão que depois reutilizam; se mudar a grafia, eles têm de fazer a revisão completa.

RDP: Mas hoje há ferramentas que ajudam nisso…

AM: Pois ajudam. Mas a palavra “ajuda” não é gratuita. Suponha uma enciclopédia, livros científicos: tudo isso tem encargos, sobretudo em momentos de crise, que os editores têm motivos para ter cautela porque a relação com a clientela provavelmente diminui e os encargos com a impressão aumentaram.  Há várias razões, portanto, para isso.

RDP: Mas também tiveram um período de transição, para se prepararem…

AM: Sim, mas ela transita. A Língua transita. Sem precisar dessas ajudas. E é portanto isso que me leva a ter esta atitude em relação à Língua. Eu acho que ela muda, absolutamente, de acordo com a cultura local, em qualquer país onde ela se venha a implantar, recebe valores que os outros recebem, é inevitável isso, e portanto é melhor não pensar que há a capacidade de impor à Língua a evolução. E por isso é que eu achei que foi inoportuna a intervenção; simplesmente, eu próprio fui vítima disso.  Porque eu era nessa altura Presidente da Academia das Ciências, que é responsável pela língua, tive um trabalho enorme para recolher o dinheiro necessário para fazer o novo dicionário etc.,  e afinal o Brasil adiou a entrada em vigor. Mas eu, como era Presidente da Academia, achei que tinha que obedecer à lei.  É claro que não me acontecia nada de mal se não obedecesse. Mas não se trata disso. Trata-se de, se se está à frente da instituição responsável, é melhor salvaguardar a intervenção da instituição. E é isto. Com simplicidade, é  só isto.

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sutileza«É justamente essa sutileza que torna a luneta tão incrivelmente compacta e leve.»
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jornal_OPais_AngolaO (Des)Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa: uma agenda oculta (I) (uma abordagem na perspectiva da Ideologia Linguística e Análise Crítica do Discurso)

8 Maio 2015

António Filipe Augusto

No meu artigo publicado em 21 de Novembro de 2014, pelo Semanário O País, começo por sublinhar que “ a decisão acerca de adopção e/ou adaptação de um sistema ortográfico com fins de grafização de uma determinada língua ou conjunto de línguas é, e foi sempre, um processo de uma profunda investigação e aturados debates académicos, políticos e sociais e constitui um elemento preponderante entre os três pilares que sustentam o processo de Planificação Linguística, sendo por sinal, o elemento ‘sine qua non’ para a implementação da Política Linguística de um Estado”. No mesmo texto deixei claro que a “Política Linguística de um Estado sério e responsável”, e aqui acrescento, que se diz ser independente, “é concebida por uma equipa criada de forma transdisciplinar e inclusiva”, e aqui acrescento, e é de inteira responsabilidade desse Estado. A Planificação Ortográfica, por sua vez, constitui um elemento crucial, pois, ela é um dos três pilares do processo da Planificação Linguística.

Porém, nos primórdios da última década do século passado, Portugal e Brasil entenderam conceber e liderar um processo de planificação linguística, e mais precisamente uma reforma ortográfica da língua portuguesa a que denominaram por Acordo Ortográfico Unificado da Língua Portuguesa, cujo “objectivo explicito”, alegam, “é de pôr fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes”. Com esta planificação linguística, os protagonistas da referida reforma ortográfica advogam que o pretérito “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 pretende instituir uma ortografia oficial unificada da língua portuguesa” e “actualizar o sistema ortográfico que data desde o Acordo do ano de1945”.

Os proponentes da política impõem esta ortografia, de uma forma implícita, a todos os países falantes do português como língua oficial, mesmo não fazendo parte do processo inicialmente, ‘ipso facto’, sentiram-se na obrigação de “persuadir” as lideranças políticas dos países africanos que têm o português como língua oficial para aderir ao acordo, o que parcialmente acabaram “cegamente” fazendo. Este facto, leva os analistas de políticas linguísticas a uma perturbação, não somente académico, como político-social. Esta perturbação pode traduzir-se em várias inquietações, tais como: com que legitimidade podem Portugal e Brasil conceber a política linguística para os países africanos que se dizem independentes? Que tipo de independência clamam estes países ter se ainda são linguisticamente dependentes da sua potência colonizadora? Aqui, é preciso salientar que segundo a Ideologia Linguística, a independência de um Estado começa pela independência linguística, pois, a língua é um potente instrumento de controlo, de poder e de manipulação.

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Neste “debate”, emitido pela RDP – Antena 1 no dia 3 de Maio 2015 (com repetição no Domingo seguinte), a escritora Teolinda Gersão confronta o chamado “pai” do “acordo ortográfico”, Malaca Casteleiro. Visto que se trata de um “debate”, com inúmeras interrupções de parte a parte, transcrevemos em formato de entrevista apenas as intervenções de Teolinda Gersão. Os “links” e destaques são, obviamente, de nossa responsabilidade.

 

RDP: Teolinda Gersão, olhando a Língua nesta perspectiva história e evolutiva: crê que há necessidade, que havia necessidade, de a legislar? De a modificar através de Lei?

Teolinda Gersão: Obviamente que não e eu devo dizer que estou totalmente em desacordo com esta tentativa de uniformização porque ela é completamente impossível, nunca vai acontecer — e são os próprios brasileiros que o dizem. Eu estava a ouvir o Malaca Casteleiro e parecia-me que estava a ouvir um tratado de um académico, portanto, algo que pertence às academias mas que não está ligado à vida real. E eu vou falar em nome da vida real e do meu conhecimento, obviamente da Língua Portuguesa, mas também da variante brasileira porque a conheço muito bem, vivi dois anos em São Paulo, tenho imensos amigos brasileiros, aprendi a escrever Português lendo também autores brasileiros como Machado de Assis, por exemplo, ou Guimarães Rosa ou Drummond de Andrade ou quaisquer outros…

RDP: E leu nas versões brasileiras.

TG: Nas versões brasileiras. E em casa, desde criança que me explicavam “ah, no Brasil diz-se assim”. “Esta palavra” (por exemplo, “Ipê“) “não existe cá, é uma árvore que eles têm lá”. Explicavam-me e eu andava para a frente. E tropeçava na sintaxe, via que a gramática era diferente, a construção da frase era diferente, mas diziam-me “lá eles dizem assim, nós dizemos de outra maneira” e isso não me fazia confusão nenhuma…

RDP: Léxico e sintaxe. E a ortografia…

TG: A ortografia é um pormenor. O importante é o léxico e a sintaxe. E nunca vamos chegar a acordo nenhum. E mesmo na ortografia também não. Eu estava a ouvir tudo isto e estava a pensar: um acordo que se tenta fazer, no fundo, há cem anos, praticamente, e que não se consegue fazer, tem alguma coisa de errado na base. Porque se em ’45 os brasileiros não o aceitaram e “mandaram para o espaço” o que nós tínhamos pensado e não o puseram em prática — estavam no seu direito e fizeram eles muito bem — não queriam reintroduzir consoantes que já não pronunciavam. Nós temos o mesmo direito de agora não cortar consoantes que pronunciamos ou outras que são etimológicas. Não podemos rasurar a etimologia. Obviamente que o Brasil é um país muito jovem, a independência é em 1822, portanto é no séc. XIX, estamos quase, ainda, vizinhos dessa data e é um país onde nunca houve, nem haverá, uma única ruína romana, obviamente. Roma não lhes diz nada e o latim não lhes diz nada. E o Brasil é produto de uma fusão enorme de Línguas de emigrantes que para lá foram. A maioria foi portuguesa, obviamente, mas havia os indígenas e depois nós…

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concecao1
«Concurso “Identidade e Conceção Visual – Imagem da Rede do Património Mundial de Portugal”»
Universidade de Coimbra


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guardachuva«Procurando por Guardachuva? www.hotfrog.pt mostra mais de 4 empresas agrupadas por Guardachuva em Portugal. Para encontrar mais empresas relacionadas com Guardachuva, e para filtrar por localidade, use o menu de navegação a esquerda.»

HotFrog (.pt)


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parapara2«Sintra para para ler»
Escola EB1 de Morelena (Sintra)


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publicoO Acordo Ortográfico: rejeitar o absurdo

Considero inaceitável que a Associação de Professores de Português não se pronuncie sobre os malefícios que a adopção desta ortografia tem causado em todos os ciclos de ensino.

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Em 1986, as Academias de Brasil e de Portugal elaboraram um projecto que redundou na assinatura oficial de um Acordo, o qual foi alvo de discussão e considerado insensato e, portanto, rejeitado, em 1990. Para tal rejeição serviram de base os pareceres à data elaborados por especialistas (linguistas, gramáticos, filólogos, mas também professores de literatura, escritores, poetas…). Concluiu-se que era grave querer uniformizar a língua.

Como escreveu Vitorino Magalhães Godinho em artigo publicado no Jornal de Letras (n.º 978, de 26 de Março de 2008; artigo — diga-se — absolutamente ignorado pelo Governo, pelo Presidente da República e pela maioria dos agentes culturais): em 1990 decidiu-se “enterrar sem apelo nem agravo o ruim defunto”. Mas volvidos pouco mais de quinze anos, eis que o ruim defunto ressuscitou. Tal sucedeu no mesmo lapso de tempo em que se introduziu — para confusão de alunos, pais e professores e lucro de uns quantos teóricos da linguística e editoras escolares — a famigerada TLEBS, que, tal como o Acordo Ortográfico, e apesar da contestação, não foi eliminada do ensino do Português. Estes dois factos — TLEBS e novo Acordo Ortográfico — são sintomáticos da indigência que campeia na educação.

Pois bem, o Acordo. Como professor de Português e de Literatura Portuguesa, considero inaceitável que a Associação de Professores de Português não se pronuncie sobre os malefícios que a adopção desta ortografia tem causado em todos os ciclos de ensino. Tem-se ensinado português da pior forma possível: apadrinhando a corrupção das palavras seja na grafia, seja nas concomitantes dimensões semântica e morfológica e fonética. Insiste-se, ao mesmo tempo, em leccionar a gramática com base numa terminologia equívoca e muitas vezes errada. Este Acordo Ortográfico e a falácia científica que é a TLEBS são a prova provada de que a Escola se transformou, salvo excepções, num campo propício para se exercer a ideologia dos burrocratas, como disse Herberto Helder

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