O Concurso de Professores para Timor
Ao que sei, as coisas agora estão um bocadinho diferentes, e talvez um pedaço melhor organizadas. Em 2000/2001, tudo começou com este anúncio; convém espreitá-lo...
Em teoria, quem já lá está virá a ter, obviamente, preferência sobre os novos concorrentes. No entanto, nunca fiando. Também, ao princípio, era exigida habilitação "própria" para a leccionação de Português ao Secundário, e depois a fasquia foi baixando; passou a suficiente, primeiro, e foi alargado o âmbito de candidatura a Licenciaturas em História, em Filosofia, e não sei em o quê mais.
Cuidado: a nós, foi-nos entregue um modelo de contrato que diferia, em muito, da versão que acabámos por assinar. O "Seguro" de doença e acidentes de trabalho é uma trapalhada, como sempre em Portugal nestas coisas. As Companhias Seguradoras são especialistas em colectar (prémios), e mestres na arte de não pagar nada ao "segurado". Mais vale fazer um seguro privado, se existir neste país alguma Seguradora minimamente credível, coisa de que duvido.
Quanto à classificação final do Concurso, e embora me tenham asseverado que tal era impossível, devo referir que fui colocado, se bem me lembro, na casa dos octogésimos; isso de pouco importa, mas convinha saber se, agora, as regras serão mais claras ou se, pura e simplesmente, existem algumas regras para o escalonamento dos concorrentes. Comparando a minha média de Licenciatura, o meu tempo de serviço e a minha idade, com os mesmos dados da maioria dos e das colegas que lá encontrei, não entendi porque fiquei assim na "2ª metade da tabela classificativa". Não sei onde foram, se foram, afixadas as listas, como mandam os regulamentos; fui pessoalmente informado, por telefone, e apenas porque insisti em saber.
Após a "análise" documental, os seleccionados passam à fase da entrevista. No dia da minha, faltaram cinco dos 12 ou 13 convocados... e talvez tenha sido por isso, ou porque alguém na mesa do "júri" não gostou do meu nariz (displiquit nasus tuus, como dizia Marcial(?)) que fiquei no fim do pelotão. E com a curiosidade acessória de não ter sido possível, ao M.E., reunir os 150 Profes necessários; não só foram baixando as exigências e requisitos, como acabaram por enviar a última fornada (15 ou 20) já em Fevereiro de 2001.
Que me perdoem os puristas, mas "ouvi dizer" que houve cerca de 300 respostas ao anúncio, tendo sido convocados para entrevista 200 deles; compareceram pouco mais de 100 e, portanto, foi necessário recorrer aos que responderam fora de prazo (à volta de 5.000!!!). E foi destes que, por fim, lá se completaram os 150.
Ir, como Professor contratado, para Timor-Leste, é o mesmo que ir para Sobral-de-Monte-Agraço, que, por acaso, já tem um parque infantil. Ao fim de um ano, acabou. Dizem alguns que é por amor à causa. Assim sendo, não vejo para que serve o contrato, de todo. Ou uma coisa, decente, ou outra, o que seria ainda mais decente.



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João Pedro Graça
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